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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

As condenações bíblicas e o Espiritismo

As condenações bíblicas e o Espiritismo
Esse Capelli

 

Os nossos irmãos que se apegam ao texto bíblico, como a única norma para a vida e a morte sempre trazem engatilhada uma sentença condenatória para o Espírita, com a agravante de ser inapelável e eterna.
Citam, inclusive, passagens da Bíblia que, segundo eles, condenam o Espiritismo.
Em duas diferentes ocasiões tive a oportunidade de refutar estas investidas contra a Doutrina Espírita.
CASO 1
Confesso que sou um ignorante, sem as luzes das letras, mas não gosto de ser levado pelo cabresto, para aceitar isto ou aquilo.
Certo dia estive presente a um diálogo travado entre dois religiosos, indiscutivelmente profundos conhecedores da Bíblia, a qual designavam por Palavra de Deus. Eu ouvia e eles falavam. Dissertavam sobre o significado de várias passagens bíblicas, demorando-se sobre o pecado, as penas eternas, a salvação e sobre a criação artesanal do Universo, por um Deus que criara o homem "à Sua imagem e semelhança". Dando por minha insignificante presença, interpelaram-me.
- E você, já aceitou a Palavra de Deus? Já leu a Bíblia?
- Já, eu sou Espírita.
- E não se deu conta da condenação dos necromantes às penas eternas?
- Meus irmãos eu não compreendi certas coisas que li na Bíblia. Em Êxodo, cap. XX, vv. 13, a Tábua dos Mandamentos que Moisés acabava de trazer do Sinai, diz: "Não matarás" e, logo a seguir, no mesmo livro, no cap. XXVII está escrito: "Assim diz o Senhor, o Deus de Israel, cada um tomará a espada sobre o lado, passai e tomai a passar pelo arraial, de porta em porta, e mate a cada um a seu irmão, cada um a seu amigo e cada um a seu vizinho". Isso é justo? Manda não matar e logo a seguir manda passar ao fio da espada, irmãos, vizinhos e amigos?
Em l Reis, cap. XXII, vv. 19 a 23, encontramos o Senhor associando-se com espírito mentiroso para enganar o Acabe e, no vv. 23 está escrito que: "Eis que o Senhor pôs o espírito mentiroso na boca de todos estes teus profetas e o Senhor falou o que é mau contra ti."
Também nas Sagradas Palavras, encontrei no cap. II do Evangelista João, a narrativa de um Cristo espancando os que se aglutinavam no pátio do templo, vendendo pombas, enquanto desconhecia os gordos sacerdotes que o dirigiam, mesmo havendo o Mestre exortado à prática infinita do perdão.
Tudo isso e muitas outras coisas contraditórias que encontrei na Bíblia, me fazem preferir o Espiritismo, que nos ensina a confiar num Pai verdadeiramente amoroso, que não condena seus filhos ao fogo do Inferno e a nenhuma pena eterna e num Cristo manso, suave, amigo, que não espanca e não condena, mas que ensina e admoesta seus filhos à prática do bem. Por isso sou Espírita.
- Isso é uma demonstração de desconhecimento da Palavra de Deus, que só é revelada aos que crêem. Creia, meu amigo e ela te será revelada.
- Crer para depois ter a revelação, é fé cega, irracional e imposta, eu prefiro receber a revelação, para então, depois de esclarecido, acreditar. Isso é fé racional, convicta, aceita, sem imposições, como ensina o Espiritismo.
E encerrou-se ali o diálogo.
CASO 2
De outra feita, um grupo de irmãos evangélicos deu-me a honra de sua presença em minha casa. Atendidos, pediram, educadamente para entrar.
- Nós sabemos que o senhor é espírita e gostaríamos de falar-lhe sobre o plano do Senhor para salvá-lo.
- Mas eu não estou perdido!
- Meu amigo, se o senhor não mudar a sua convicção religiosa, aceitando Cristo como seu Salvador, certamente perderá a sua alma.
- Onde você encontrou essa sentença? Questionei ao meu interlocutor.
- Na Bíblia, em Deuteronômio, cap. XVIII, vv. 11 e 12, o Senhor condena e ordena o lançamento fora, dos necromantes e feiticeiros, o que significa lançá-los nas chamas eternas do Inferno.
- Meus irmãos, respondi, se querem, realmente, obedecer ao mandamento bíblico, não basta a sentença de morte para os espíritas, é preciso que vocês passem a matar os necromantes e feiticeiros, corno está em Levítico, cap. XX, vv. 27, ou a cumprir o que ordena o Senhor em Êxodo cap. XXXV, vv. 2, matando os que trabalham no sábado, ou, ainda, lançando os nossos irmãos leprosos para fora das cidades, como é ordenado em Números, cap. V, vv. 1 a 4. Meus irmãos eu creio que Deus, o manancial infinito de amor e sabedoria, não se prestaria a cometer tantas maldades.
Um dos componentes do grupo, mulher inteligente e bem falante, observou que, não sendo eu agraciado com a revelação, não poderia interpretar o verdadeiro significado da Palavra de Deus.
- É verdade, respondi, eu não recebi nenhuma revelação, apenas li a Bíblia e, nela, também, no Novo Testamento eu encontrei em I Coríntios, cap. XlV, vv. 34 e 35, que a mulher deve permanecer calada e em seu lar, não lhe sendo permitido falar em público; entretanto, vejo, até com certo agrado, que a irmã não obedeceu às sentenças bíblicas, preferindo ser livre para poder propagar a sua fé. Por isso, meus irmãos, eu prefiro ser livre para pensar e escolher racionalmente a minha fé, como ensina, sem impor, a Doutrina Espírita.
Os irmãos evangélicos se foram, certamente levando consigo a certeza de que eu não teria salvação.

Revista Espírita Allan Kardec, nº 38.



terça-feira, 28 de janeiro de 2014

PARAÍSO, INFERNO E PURGATÓRIO



 
PARAÍSO, INFERNO E PURGATÓRIO
ALLAN KARDEC
O LIVRO DOS ESPÍRITOS - PARTE QUARTA

 
1012 Haverá lugares determinados no universo destinados às
penalidades e aos prazeres dos Espíritos, conforme seus méritos?
 
– Já respondemos a essa questão. As penalidades e os prazeres são
inerentes ao grau de perfeição dos Espíritos; cada um tira de si mesmo o
princípio de sua própria felicidade ou infelicidade; e como estão por toda
parte, nenhum lugar localizado nem fechado está destinado a um ou a outro.
Quanto aos Espíritos encarnados, eles são mais ou menos felizes ou
infelizes conforme o mundo que habitem seja mais ou menos avançado.
 
1012 a Em vista disso, o inferno e o paraíso não existiriam como
o homem os representa?
– São apenas figuras: existem Espíritos felizes e infelizes por toda parte.
Entretanto, como também dissemos, os Espíritos da mesma ordem se
reúnem por simpatia; mas podem se reunir onde quiserem quando são
perfeitos.
 
 
A localização exata dos lugares de penalidades e recompensas existe
apenas na imaginação do homem e provém da tendência dde materializar e
circunscrever as coisas das quais eles não podem compreender a essência infinita.
 
1013 O que se deve entender por purgatório?
 
– Dores físicas e morais: é o tempo de expiação. É quase sempre na
Terra que fazeis vosso purgatório e onde sois obrigados a expiar vossas
faltas.
 O que o homem chama de purgatório é igualmente uma figura pela
qual se deve entender não como um lugar qualquer determinado, mas
como o estado dos Espíritos imperfeitos, que estão em expiação até a
purificação completa que deve elevá-los ao plano dos Espíritos bem aventurados.
Essa purificação, operando-se nas diversas encarnações,
faz com que o purgatório consista nas provas da vida corporal.
 
1014 Como se explica que Espíritos, que pela sua linguagem
revelam superioridade, tenham respondido a pessoas muito sérias a
respeito do inferno e do purgatório, de acordo com a idéia corrente
que se faz desses lugares?
 
– Eles falam uma linguagem que possa ser compreendida pelas pessoas
que os interrogam, e quando essas pessoas se mostram convictas
de certas ideias evitam chocá-las bruscamente para não ferir suas convicções.
Se um Espírito quisesse dizer, sem precauções oratórias, a um
muçulmano que Maomé não foi profeta, seria muito mal compreendido.
 
1014 a Concebe-se que assim possa ser com a maioria dos Espíritos
que desejam nos instruir; mas como se explica que Espíritos
interrogados sobre sua situação tenham respondido que sofriam torturas
do inferno ou do purgatório?
 
– Quando são inferiores e ainda não completamente desmaterializados,
conservam parte de suas ideias terrenas e transmitem suas impressões se
servindo de termos que lhes são familiares. Eles se encontram num meio
que lhes permite sondar o futuro apenas imperfeitamente, e é por isso que
frequentemente Espíritos errantes, ou recém-desencarnados, falarão como
se estivessem encarnados. Inferno pode se traduzir por uma vida de provações
extremamente dolorosa, com a incerteza de haver outra melhor.
Purgatório, por uma vida também de provações, mas com consciência de
um futuro melhor. Quando passais por uma grande dor, não dizeis que
sofreis como um condenado? São apenas palavras, e sempre no sentido
figurado.
 
1015 O que se deve entender por uma alma penada?
 
– Um Espírito errante e sofredor, incerto de seu futuro, e a quem podeis
proporcionar o alívio que, muitas vezes, solicita ao se comunicar
convosco. (Veja a questão 664.)
 
1016 Em que sentido se deve entender a palavra céu?
 
– Acreditais que seja um lugar, como os Campos Elíseos7 dos antigos,
onde todos os bons Espíritos estão indistintamente aglomerados com
a única preocupação de desfrutar, durante a eternidade, de uma felicidade
passiva? Não. É o espaço universal; são os planetas, as estrelas e todos
os mundos superiores onde os Espíritos desfrutam de todas as suas qualidades
sem os tormentos da vida material nem as angústias próprias à
inferioridade.
 
1017 Alguns Espíritos disseram estar habitando o quarto, o quinto
céu, etc.; o que quiseram dizer com isso?
 
– Se lhes perguntais qual céu habitam é porque tendes uma idéia de
muitos céus sobrepostos, como os andares de uma casa. Então, eles
respondem conforme vossa linguagem. Mas, para eles, essas palavras,
quarto e quinto céu, exprimem diferentes graus de depuração e, consequentemente,
de felicidade. É exatamente como quando se pergunta a
um Espírito se ele está no inferno; se é infeliz, dirá que sim, porque para ele
inferno é sinônimo de sofrimento; porém, ele sabe muito bem que não é
uma fornalha. Se fosse um pagão diria que estava no Tártaro.
 
 O mesmo acontece com muitas outras expressões semelhantes,
como: cidade das flores, cidade dos eleitos, primeira, segunda ou terceira
esfera, etc., que não passam de expressões usadas por certos
Espíritos, quer como figuras, quer algumas vezes por ignorância da realidade
das coisas e até mesmo das mais simples noções científicas.
De acordo com a ideia restrita que se fazia antigamente dos lugares
de sofrimentos e recompensas, e principalmente com a opinião de que
a Terra era o centro do universo, de que o céu formava uma abóbada e
que havia uma região de estrelas, colocava-se o céu em cima e o inferno
embaixo. Daí as expressões: subir ao céu, estar no mais alto dos
céus, estar precipitado no inferno. Hoje a ciência demonstra que a Terra
não passa de um dos menores planetas, sem importância especial. Entre
milhões de outros, traçou a história de sua formação e descreveu
sua constituição; provou que o espaço é infinito, que não há nem alto
nem baixo no universo, e assim impôs a rejeição à ideia de situar o céu
acima das nuvens e o inferno nos lugares baixos. Quanto ao purgatório,
nenhum lugar lhe fora designado. Estava reservado ao Espiritismo dar
sobre todas essas coisas a explicação mais racional, grandiosa e, ao
mesmo tempo, mais consoladora para a humanidade. Assim, pode-se
dizer que levamos em nós mesmos nosso inferno e nosso paraíso e,
quanto ao purgatório, nós o encontramos em nossa encarnação, em
nossas vidas físicas.
 
7 - Campos Elíseos: na Mitologia, lugar onde se encontravam, após a morte, as almas dos heróis
e dos justos (N. E.).
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 

 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O que é o espiritismo?


O QUE É O ESPIRITISMO?

ALLAN KARDEC

Preâmbulo

 

As pessoas que têm apenas um conhecimento superficial do Espiritismo são

naturalmente levadas a manifestar certas dúvidas que, por certo, um estudo completo

da Doutrina lhes daria a solução; mas falta-lhes o tempo, e muitas vezes

a vontade, para se dedicarem a seguidas observações. Muitas desejariam, antes

de tentar essa tarefa, pelo menos saber do que se trata e se vale a pena dela se

ocuparem. Então, pareceu-nos útil apresentar, numa forma resumida, algumas das

questões fundamentais que nos são diariamente endereçadas; para o leitor isso

será uma primeira iniciação, e, para nós, o tempo ganho por não termos de repetir

constantemente a mesma coisa.

O primeiro capítulo contém, sob a forma de conversação, respostas às objeções

mais comuns apresentadas por aqueles que ignoram os primeiros fundamentos da

Doutrina, assim como a refutação dos principais argumentos dos seus contraditores.

Essa forma nos pareceu a mais indicada porque não tem a aridez da

forma dogmática.

O segundo capítulo é consagrado à exposição sumária das partes da ciência

prática e experimental sobre as quais, na falta de um conhecimento completo, o

observador principiante deve colocar a sua atenção para julgar com conhecimento

de causa; ele é, de certa forma, o resumo de O Livro dos Médiuns. Frequentemente

as objeções nascem das falsas ideias que se fazem, a priori, sobre o que não se

conhece. Retificar essas ideias é prevenir as objeções e este é o objetivo deste

pequeno escrito.

O terceiro capítulo pode ser considerado como o resumo de O Livro dos Espíritos;

é a solução, pela Doutrina Espírita, de um certo número de problemas de

ordem psicológica, moral e filosófica, do mais alto interesse, que diariamente se

apresentam e aos quais nenhuma filosofia deu, até agora, soluções satisfatórias.

Que alguém procure resolvê-los por qualquer outra teoria, sem a solução que lhes

fornece o Espiritismo, e verá quais são as respostas mais lógicas e que melhor

satisfazem à razão.

Este resumo não é útil somente aos principiantes — que nele poderão colher

em pouco tempo, e economicamente, as noções mais essenciais — mas também

aos adeptos a quem fornece os meios de responder às primeiras objeções que não

deixarão de lhes fazer, e, além disso, porque nele encontrarão reunidos, numa forma

reduzida e sob um mesmo rápido olhar, os princípios que jamais devem perder

de vista.

Para responder desde agora, e de uma forma sumária, a questão formulada no

título deste opúsculo, diremos que:

 

O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação

e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste

nas relações que se podem estabelecer com os espíritos;

como filosofia, ele compreende todas as consequências morais

que decorrem dessas relações.

Pode-se defini-lo assim:

O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem

e do destino dos espíritos, e das suas relações com o

mundo corporal.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A EDUCAÇÃO DO MÉDIUM


A EDUCAÇÃO DO MÉDIUM


A educação da mediunidade é um trabalho que começa antes da reencarnação, continua na encarnação e prossegue na vida após o desencarne. Mas enquanto está nesta dimensão, o médium tem como necessidade primeira evangelizar a si mesmo.

Haverá um tempo previsto para a educação do médium? Tempo não há, pois a mediunidade é trabalho para muitas reencarnações na existência do espírito. Na verdade, esta faculdade, em suas mais variadas ramificações, está presente em todos os homens. Todavia, é após o desabrochar na existência atual que o trabalho se efetiva com mais intensidade e, a partir daí, não deve mais parar ou estacionar, sob a possibilidade de um recomeço muito mais árduo e penoso. Sabemos que a faculdade, estando presente em nós, deve eclodir sozinha, mas isso não quer dizer que não possamos trabalhar na modelação de nosso espírito por meio das atividades evangelizadoras, na doação fraternal de atendimento aos irmãos necessitados. Identificados os sintomas que caracterizam a faculdade mediúnica, cabe ao sensitivo o dever de educá-la. Somente ele é capaz de se qualificar nessa condição; nenhum sinal externo pode chamar a atenção do observador, a fim de apontar as pessoas que sejam possuidoras de mediunidade. Mesmo sabendo que a mediunidade é uma faculdade originária no espírito e que se exterioriza através do organismo físico – não apresenta síndromes externas – e mesmo quando algumas destas possam tipificar sua presença, tal conclusão jamais poderá ser infalível.
Propiciando a interferência dos desencarnados na vida humana, a princípio, a mediunidade gera estados particulares na emotividade, porque mais facilmente se registram a presença e o envolvimento de seres negativos ou perniciosos; a irradiação das suas energias produz esses estados anômalos, desagradáveis, que podem ser confundidos com problemas patológicos. Porém, o sensitivo é constantemente chamado para a observação dessas manifestações consigo mesmo, por surgirem em momentos menos próprios ou aparentemente sem causas desencadeadoras. O orientador espírita deve ser capaz de convencê-lo de que o exercício correto da mediunidade não oferece perigo algum a quem quer que seja.

 Nenhum sinal externo pode chamar a atenção do observador, a fim de apontar as pessoas que sejam possuidoras de mediunidade
Se observarmos o livro O Consolador, por Emmanuel, através de Chico Xavier, nas perguntas 387 e 388, poderemos verificar a grande importância que devemos dar a esses mecanismos de elevação que a natureza nos concede:
387 - Qual a maior necessidade do médium?
- A primeira necessidade do médium é evangelizar-se a si mesmo antes de se entregar às grandes tarefas doutrinárias, pois, de outro modo, poderá esbarrar sempre com o fantasma do personalismo, em detrimento de sua missão.
388 - Nos trabalhos mediúnicos temos de considerar, igualmente, os imperativos da especialização?
- O homem do mundo, no círculo de obrigações que lhe competem na vida, deverá sair da generalidade para produzir o útil e o agradável, na esfera de suas possibilidades individuais. Em mediunidade, devemos submeter-nos aos mesmos princípios. A especialização na tarefa mediúnica é mais que necessária e somente de sua compreensão poderá nascer a harmonia na grande obra de vulgarização da verdade a realizar (a resposta não está em sua totalidade).
Observando bem estas orientações de Emmanuel, vamos ver que o empenho é necessário para o engrandecimento da faculdade, e esse empenho é contínuo na escalada a desempenhar.
Mas, ainda assim, poderíamos nos perguntar: o que é educação ou desenvolvimento da mediunidade? Responderíamos: É o conjunto de ações educativas direcionadas para o exercício correto da mediunidade, educação essa que não se prende às quatro paredes do templo espírita. Mas vai além, no envolvimento das orientações basilares do Mestre, quando diz: “Orai e vigiai, no que concerne às nossas imperfeições, como também nossas ações ainda perniciosas. E vai e não peques mais, para que não te suceda coisa ainda pior”. Diz respeito à mudança de estrutura mental, vibracional e de ação no bem, pois o Mestre não somente diz que deixemos de praticar o mal, mas que pratiquemos, acima de tudo, o bem. Principalmente, modificando a condição interpretada por nós do grande Amor – terapia legada por Jesus para todos nós: não fazer ao próximo aquilo que não queremos para nós. Ao modificar a estrutura negativista desta frase, temos: faça ao próximo aquilo que queres para ti mesmo. Identificamos nossa verdadeira missão como cristãos em qualquer tarefa, transformando essas tarefas, desde as mais simplórias, em tarefas redentoras pela ação do Amor.
A educação da mediunidade é um trabalho para toda a vida. Começa antes da reencarnação, continua nela e prossegue no além-túmulo.
Há uma grande necessidade de amparo ao candidato ao mediunismo – na presença de problemas psíquicos, emocionais e físicos – recebendo, na casa espírita, orientações de cunho doutrinários. Antes da entrega do neófito ao exercício mediúnico, é necessário que ocorra uma harmonização espiritual.
É importante que seja levado ao conhecimento do médium principiante que, na fase inicial, é natural o surgimento de um clima psicológico inconstante, de altos e baixos. Isso é compreensível, uma vez que a mediunidade propicia a interferência dos desencarnados na vida humana de forma mais próxima. E, geralmente, são seres envolvidos com o mal ou com atos perniciosos, transmitindo assim a irradiação de suas energias, produzindo sensações anômalas, desagradáveis, que perfeitamente podem ser confundidas com problemas patológicos. Tudo isso deve ser bem esclarecido ao irmão que se propõe para a nova tarefa. Segundo Erasto, em O Livro dos Médiuns (capítulo XXII, item Segundo Erasto, em O Livro dos Médiuns (capítulo XXII, item 236), “Médium é o ser, é o indivíduo que serve de traço de união aos espíritos, para que estes possam comunicar-se facilmente com os homens”.

 É importante que seja levado ao conhecimento do médium principiante que, na fase inicial, é natural o surgimento de um clima psicológico inconstante, de altos e baixos... Isso é compreensível 

O médium tem, como condição primordial, o estudo, para a busca de compreensão da sua faculdade e do conhecimento da natureza dos espíritos que utilizam sua faculdade mediúnica para um contato mais próximo com os encarnados. O estudo traz ao médium uma condição mais segura de trabalho pois, consciente e entendedor de sua faculdade, ele vai trabalhar colaborando ainda mais com os técnicos espirituais responsáveis pela atividade mediúnica que frequenta. E, com a segurança obtida com o estudo, ele sintoniza melhor com os mentores, como também poderá envolver os comunicantes para que se portem ordenadamente, e não como muitos que chegam transformando as reuniões em perfeitas confusões.
Nesse estudo profundo que o médium deverá realizar em sua caminhada, ele se defrontará com a necessidade de se conhecer, cumprindo-lhe ao mesmo tempo conhecer as qualidades que deve procurar desenvolver em si, assim como os hábitos viciosos e os obstáculos que podem embaraçá-lo no desempenho de sua tarefa. Para uma auto realização, é necessário o exame permanente de consciência a fim de conhecer sempre, a todo momento, o estado da própria alma.
A mediunidade é, sem dúvida, poderoso instrumento que pode se converter em lamentável fator de perturbação, tendo em vista o nível espiritual e moral daquele que se encontra investido de tal recurso; ela não é uma faculdade portadora de requisitos morais. A moralização do médium liberta-o das influências dos espíritos inferiores e perversos, que se sentem impossibilitados de maior predomínio.
Cada dia, o medianeiro se defrontará com sensações novas e viverá emoções que lhe cabem verificar, de modo que possa treinar o controle pessoal, estabelecendo uma linha demarcatória entre a sua personalidade e as personalidades que o utilizam psiquicamente, até mesmo auxiliando-as nas comunicações.
A compreensão das Leis dos Fluidos, isto é, a identificação fluídica entre o médium e o espírito, constitui fator de altíssima importância para uma comunicação harmônica. Se eles são contrários, se essa relação fluídica se repele, a comunicação mediúnica vai se processar com dificuldades, e o médium deve estar ciente disso.
Enfim, a educação mediúnica é para toda a existência, pois à medida que o medianeiro se torna mais hábil e aprimorado, melhores requisitos ele tem à sua disposição para a realização do ministério abraçado.
Buscando novamente o grande manancial de informações, que é O Livro dos Médiuns, na segunda parte, no capítulo XVII, item 211, Formação dos Médiuns, verificamos: “O escolho da maioria dos médiuns iniciantes é ter relações com espíritos inferiores, e devem se considerar felizes quando são apenas espíritos levianos. Toda a sua atenção deve tender a não lhes deixar tomar pé, porque uma vez ancorados não é sempre fácil desembaraçar-se deles. E um ponto tão capital, sobretudo no início, que sem as preocupações necessárias, pode-se perder o fruto das mais belas faculdades”.
Na verdade, o empenho do médium em se moralizar deverá fazer parte do processo de sua auto educação, sintonizando profundamente com as palavras do Cristo: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”.
Por isso, a meta prioritária é a criatura conhecer a si mesma; é preciso permanente exame de consciência, com o fim de se conhecer sempre, em todos os atos praticados por nós. Conhecendo-nos um pouco mais poderemos, com maior facilidade, nos dedicar sem medos ao exercício. O estudo que visa à identidade dos espíritos fala bem alto no processo de educação do médium.

Nenhuma teoria se concretiza bem sem o exercício, sem o trabalho. Podemos ver isso seguindo a orientação dos espíritos que auxiliaram Kardec na Codificação, em O Livro dos Espíritos, pergunta 625: “Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem para lhe servir de guia e modelo?” Jesus, é a resposta. Seguindo esse grandioso modelo, verificamos que seus ensinamentos não ficaram sem o aval de sua exemplificação, traçando a base de suas orientações, que nos norteiam até hoje.
Estando a mente vazia, com os pensamentos infelizes à vista, é necessário o trabalho ativo e o preenchimento de nossa mente com coisas edificantes. Assim, é imprescindível enriquecer nosso pensamento, incorporando a ele os tesouros morais e culturais, os únicos que nos possibilitaram direcionar a luz que é jorrada do mais alto para nós.
Em toda a parte, existe a cooperação espiritual com o mundo material. Onde há pensamento, há correntes mentais, e onde há correntes mentais, existem associações. E, como sabemos, toda associação é interdependência e influenciação recíproca. Daí, verificamos a necessidade de ter uma vida nobre, trabalho ativo, compreensão fraterna, serviço ao semelhante, respeito à natureza e oração. Tudo isso constitui alguns meios de assimilar os princípios superiores da vida, porque sempre recebemos de acordo com o que damos. E tratando de mudar o ritmo vibracional de nossos pensamentos e, em seguida, de nossos atos, seguramente também vamos sintonizar com maior facilidade os benfeitores que visam ao engrandecimento humano.
Voltando à pergunta do livro O Consolador, pergunta 387: “Qual a maior necessidade do médium?” Resposta: A primeira necessidade do médium é evangelizar-se”. Cabe perguntar a nós mesmos o que significa o termo “evangelizar-se”. Diz-nos André Luiz, em seu livro Missionários da Luz, que "é imprescindível saber que tipo de onda mental assimilamos para conhecer a qualidade de nosso trabalho e ajuizar nossa direção".
A mediunidade é neutra e não basta por si só.
E é ainda André Luiz que nos orienta com bastante clareza no seu livro Nos Domínios da Mediunidade: “Cada médium com a sua mente, cada mente com seus raios, personalizando observações e interpretações, e conforme os raios que arremessamos, erguer-se-á o domicílio espiritual na onda de pensamentos a que nossas almas se afeiçoam”.
Essa energia viva, que é o pensamento, cria em torno de nós forças sutis, criando centros magnéticos ou ondas vibratórias com as quais emitimos nossas situações e recebemos outras. Abriremos comunicação e envolvimento com núcleos e mentes, com os quais nos colocamos em sintonia através de nossos pensamentos.  Onde há pensamento, há correntes mentais, e onde há correntes mentais, existem associações

Em Evolução em Dois Mundos, André Luiz, na página 129, diz: “A aura é, portanto, a nossa plataforma onipresente em toda comunicação com as rotas alheias, antecâmara do espírito, em todas as nossas atividades de intercâmbio com a vida que nos rodeia, através da qual somos vistos e examinados pelas inteligências superiores, sentidos e reconhecidos pelos nossos afins, e temidos e hostilizados ou amados e auxiliados pelos irmãos que caminham em posição inferior à nossa”.
“Isso porque exteriorizamos, de maneira invariável, o reflexo de nós mesmos, nos contatos de pensamentos a pensamentos, sem necessidade das palavras para as simpatias ou repulsões fundamentais”.
Esclarece ainda, no mesmo livro: “É por essa couraça vibratória, espécie de carapaça fluídica, em que cada consciência constrói o seu ninho ideal, que começaram todos os serviços da mediunidade na Terra, considerando-se a mediunidade como atributo do homem encarnado para corresponder-se com os homens liberados do corpo físico”.
Podemos verificar que refletimos o que sentimos e pensamos em nós mesmos, e é essa aura que nos apresenta como verdadeiramente somos. Principalmente reforçando o ditado “A raiva é um veneno que tomamos e esperamos que outros morram”, ou seja, essa mesma raiva ficará impregnada em nós, transparecendo aquilo que sentimos e afetando principalmente o nosso próprio tônus vibratório.
Plasmamos em torno de nós, através da força do pensamento nessas zonas vibratórias que nos constituem, nosso “eu” verdadeiro, e assim somos conhecidos por todos no mundo espiritual, ligando-nos ao bem ou a ignorância.
Envolvemo-nos em uma onda vibratória que modifica nosso tônus de vibração, ligando-nos imediatamente àqueles que conosco comungam os mesmos pensamentos e atos. E, quando dormimos, temporariamente, distanciamo-nos de nossa aparelhagem física, indo ter com os mesmos com os quais nos ligamos mentalmente; aí nos vêm os sonhos temerosos e “pesados”, principalmente no que concerne ao sexo, brigas, mortes, etc. Passamos os dias direcionando energias em prazeres ou pensando fortemente em tais prazeres, dessa forma criando-os fluidicamente, manifestando nossas intenções no mundo espiritual.
Conclamamos nossos irmãos leitores que revisem o livro A Gênese - capítulo XIV, Os Fluidos, item 13, Criação Fluídica - para, numa análise mais profunda, verificarem a importância de nossos pensamentos nessas criações emanadas de nós mesmos.
Lembremos sempre: praticando tanto o bem como o mal, estaremos sempre respirando na mesma faixa, intimamente associados, com as mentes ligadas ao bem ou às trevas.
Conforme já sabemos, o espiritismo não é o "dono" da mediunidade; esta é inerente ao espírito e projetada ao corpo físico, como uma faculdade orgânica. Encontra-se em quase todos os indivíduos, como um meio imensurável de progresso.
Observando algumas palavras de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier, poderemos compreender uma poderosa observação feita por esse nosso irmão: “Deus ajuda a criatura através das criaturas”. E completamos: desencarnadas ou encarnadas, ou seja, vamos verificar que o intercâmbio estará presente em todas as etapas da natureza, e em várias e diferentes condições vibracionais.
Entre os espíritos já desencarnados também há médiuns que exercem fraternalmente o labor, facultando que entidades do mais alto, das esferas mais elevadas, possam também trazer palavras de consolo e orientação àquelas que se encontram na retaguarda da evolução, ainda que o meio mais difundido seja o intercâmbio entre encarnados com os desencarnados.
A mediunidade não poderá ser utilizada como uma profissão por aquele que já se encontra revestido por ela pois, como processo de crescimento e purificação do próprio ser em caminhada estagiária no plano em que vive, a mediunidade deve sempre ser precedida pelo amor, pela sintonia, buscando acima de tudo galgar resultados mais profundos.  A raiva é um veneno que tomamos esperando que o outro morra, ou seja, essa mesma raiva ficará impregnada em nós
Vemos a medicina ser utilizada por médicos que objetivam simplesmente o ganho. Todavia, dia chegará em que os médicos utilizarão essa faculdade para o bem maior, provocando assim o aparecimento de uma medicina vibracional bem mais profunda e comprometida com a causa humana; mais envolvida com o amor conseguirá, enfim, tratar do ser como um todo e não simplesmente como um corpo.
A mediunidade deve ser canalizada para fins nobres, evitando-se transformá-la em motivo de profissionalização ou espetáculos que buscam gerar emoções passageiras.
Independentemente da vontade de seu possuidor, funciona quando acionada pelos espíritos que a manipulam, sendo, portanto, credora de assistência moral.
Sabemos que todos somos médiuns, pois todos sofremos influências dos espíritos e, na seara do Cristo, há muitas mediunidades. E ainda que não sejam ostensivas, não são menos importantes.
Se por enquanto não temos em nosso quadro de tarefas a mediunidade ostensiva, sejamos então médiuns do bem, das palavras de carinho, do consolo, da ajuda, do bom conselho, da caridade, pois mesmo aí estaremos sendo  envolvidos por aqueles do lado invisível que também trabalham para o engrandecimento da humanidade e o consolo dos corações aflitos.(FONTE:REVISTA ESPIRITISMO &CIÊNCIA-ED.17)
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