Seguidores

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O romance de Alfredo e O CALUNIADOR

O romance de Alfredo e O CALUNIADOR
CAP.XVII DO LIVRO OS MENSAGEIROS
CHICO XAVIER/ANDRÉ LUIS

COM ESTA POSTAGEM SÓ PRETENDO LEMBRAR QUE AS APARÊNCIAS ENGANAM E QUE TODA HISTÓRIA TEM DOIS LADOS.SEJAMOS PRUDENTES.
 
Depois de alguns minutos, utilizados por nós no serviço da
higiene reconfortadora, Alfredo convidou-nos à mesa, onde Ismália,
com extrema fidalguia, mandou servir frutos diversos.
Os senhores do castelo não podiam ser mais gentis.
Servidores iam e vinham, com grande júbilo a lhes transparecer
do rosto.
A palestra de Alfredo e as observações de Ismália estavam
cheias de notas interessantes e educativas.
– E qual a sua impressão dos serviços em geral? – perguntou
Aniceto, atencioso, dirigindo-se ao dono da casa.
– Excelente, quanto às oportunidades de realização que nos
oferecem – respondeu Alfredo em tom significativo –; entretanto,
não tenho o mesmo parecer quanto à situação em curso. As zonas
a que servimos estão repletas de novidades dolorosas. O presente
período humano é de conflitos devastadores e as vibrações contraditórias
que nos atingem são de molde a enfraquecer qualquer
ânimo menos decidido. Desencarnados e encarnados empenham-se
em batalhas destruidoras. É uma lástima.
– Multiplica-se o número de necessitados que recorrem ao
Posto? – continuou indagando nosso orientador.
– Enormemente. Nossa produção de alimentos e remédios
tem sido integralmente absorvida pelos famintos e doentes. Tenho
quinhentos cooperadores, mas nos sentimos presentemente incapazes
de atender a todas as obrigações. As massas de sofredores
são incontáveis. Noutro tempo, nossa paisagem se mantinha sem
sombras, durante muitas semanas, mas...
Nesse instante, Ismália pediu licença para dirigir-se ao interior.
E como Alfredo fixasse os olhos nos meus, aventurei-me a
considerar:
– Ainda bem que tendes uma abnegada companheira ao vosso
lado.
Ele e Aniceto sorriram, quase a uni só tempo, falando-nos o
administrador:
– Ah! meus amigos, por enquanto, não tenho essa felicidade
em caráter definitivo. Minha esposa e eu temos o divino compromisso
da união eterna, mas ainda não lhe mereço a presença contínua.
Ela é a bondade celeste, e eu, a realidade humana.
Depois de pequena pausa, prosseguiu com gentileza:
– “Aniceto conhece-nos a história. Vocês, porém, a ignoram.
Sentir-me-ei, portanto, contente, em relatar algumas lembranças,
com benefício duplo. Aliviarei o coração, uma vez mais, contando
minhas faltas, e vocês dois, que talvez tenham em breve novos
serviços na Terra, aproveitarão, por certo, alguma coisa das minhas
experiências.
“Ismália e eu guardávamos um escrínio de felicidade no
mundo; no entanto, os salteadores perversos espreitavam-nos a
ventura. Minha responsabilidade era enorme no campo dos negócios
materiais e, longe de compreender as obrigações sublimes de
esposo e pai, não procurava atender aos deveres justos para com o
lar e os dois filhinhos que Deus me enviara ao círculo doméstico.
Ismália, porém, era a providência de nossa casa. Esqueci-me,
contudo, de que a virtude, a qualquer tempo, será atormentada
pelo vicio e minha nobre companheira foi vítima da maldade de
um amigo desleal, com quem tinha eu inúmeros interesses em
comum, no campo monetário. Minha esposa sofreu, em silêncio, a
perseguição dele por alguns anos consecutivos. E quando meu
desventurado sócio verificou a inutilidade da atitude criminosa,
em franco desespero buscou envenenar-me o espírito desprevenido.
Começou por advertir-me, quanto ao procedimento dela.
Atordoou-me, envolvendo-a em acusações descabidas. Subornou
criados domésticos e colocou espiões que seguissem minha querida
Ismália, nas tarefas de esposa e mãe.
“Esse homem exercia profunda influência sobre mim e, atendendo
aos laços que nos uniam, minha companheira jamais se
sentiu com bastante coragem para denunciá-lo. Enquanto dava
ouvidos à calúnia, fora de meu círculo doméstico, tornara-me
intolerável dentro dele. Não sabia contemplar minha esposa com a
despreocupação e a confiança absoluta de outra época. Via o mal
nos seus mínimos gestos e queria descobrir segundas intenções
nas suas frases mais inocentes. Cheguei a acusá-la, veladamente.
Ismália chorou e calou-se. Por fim, nosso infeliz perseguidor
subornou um homem de baixa condição que permaneceu, certa
noite, ao lado de nossos aposentos particulares como vulgar ladrão,
às ocultas, sendo eu convocado à prova máxima. Penetrei no
quarto em extremo desespero e acusei em voz alta ao ver a companheira
profundamente tranquila. Ismália levantou-se, receosa da
minha saúde mental, mas não lhe atendi os rogos, procurando,
como louco, o conspurcador da minha honra... Abri violentamente
grande armário antigo, vasculhando o quarto. Nesse instante, o
vulto de um homem esgueirou-se na sombra, do aposento próximo,
e, antes que eu pudesse agarrá-lo no meu ódio infrene, saltou
a janela, alcançando o pomar de nossa casa. Corri, desesperado,
detonando balas a esmo, mas, nada consegui. Regressei ao quarto
e, para cúmulo da calúnia odiosa, o desconhecido deixara, atrás de
si, um chapéu novo, rigorosamente moderno, para que se acentuassem
meus sentimentos terríveis. Olhos congestos, vomitando
insultos, quis eliminar Ismália, banhada em lágrimas a meus pés;
no entanto, alguma coisa, que nunca pude compreender na Terra,
paralisou-me o braço quase homicida. Vociferando blasfêmias,
surdo aos rogos dela, afastei-me do lar, tomado de horror.
 “No dia imediato, fiz valer meu direito exclusivo sobre os filhos
e providenciei para que Ismália, convertida em estátua de
dor, fosse restituída à fazenda paterna. Contratei uma governanta
para os meninos e, logo após, tomei um paquete para a Europa,
onde me demorei mais de três anos. Nunca me propus a verificações
sérias e, embora tivesse o espírito incessantemente atormentado,
humilhei os sentimentos mais íntimos, jamais procurando
notícias da companheira caluniada.
“Certo dia, recebi uma carta lacônica na costa francesa. Um
parente dava-me informações da esposa. Após dois anos angustiosos,
entre a saudade e o abandono, Ismália fora colhida pela tuberculose,
falecendo em terrível martirológio moral. Deliberei,
então, a volta. Fixei-me novamente no Rio, eduquei os filhinhos e
conservei a dolorosa viuvez no desencanto do coração.
“Os anos rolaram uns sobre os outros, quando fui chamado à
cabeceira do ex-sócio agonizante. O infeliz, em face da morte,
confessou o crime odioso, pedindo um perdão que, infelizmente,
não pude conceder. Transformei-me, desde então, num louco
irremediável. Cansado, envelhecido, procurei a propriedade rural
dos sogros, tentando reparar, de alguma sorte, a injustiça, mas a
morte não me deu ensejo e voltei para a esfera dos desencarnados,
em tristes condições espirituais.”
Nesse instante, fez uma pausa, para continuar comovido:
– Não preciso dizer que recebi de Ismália todo o amparo de
que necessitava. Todavia, infelizmente para mim, estávamos
separados. Não mereci a bênção da união sublime. Ismália segue-me
de perto, mas tem residência num plano superior, que devo
esforçar-me por alcançar. Desde muito, dediquei-me aos serviços
do nosso Posto de Socorro, consagrei-me aos ignorantes e sofredores,
e minha santa Ismália vem até aqui, mensalmente, incentivar-
me o bom ânimo e amparar-me nas lutas.
– Mas não poderia ela transferir-se definitivamente para aqui?
– indagou Vicente, tão impressionado quanto eu, com o romance
comovedor.
Alfredo sorriu e falou:
– Sei que Ismália tem trabalhado para isso, que seu ideal de
união eterna é idêntico ao meu, atendendo à circunstância de estar
o superior sempre em posição de dar ao inferior; mas não ignoro
que foi advertida por nossos maiores, sobre as minhas atuais
necessidades de esforço e solidão. Preciso conhecer o preço da
felicidade, para não menosprezar, de novo, as bênçãos de Deus.
Minha esposa deseja descer para encontrar-se definitivamente
comigo; entretanto, é necessário que eu aprenda a subir e, por este
motivo, ainda não recebemos a devida permissão para o definitivo
consórcio espiritual.
Observando-nos a emoção, concluiu:
– Estou resgatando crimes de precipitação. Pela impulsividade
delituosa, perdi minha paz, meu lar e minha devotada companheira.
Conforme ouviram, não matei nem roubei a ninguém, mas
envenenei-me a mim próprio. A calúnia é um monstro invisível,
que ataca o homem através dos ouvidos invigilantes e dos olhos

desprevenidos.

8 comentários:

  1. NA PRÓXIMA SEMANA PUBLICAREI O CAPÍTULO--O CALUNIADOR--- E SUA SITUAÇÃO NO MUNDO ESPIRITUAL....

    ResponderExcluir
  2. Zilda comentar o amado André Luís e o seu grande parceiro na Terra Chico Xavier? Meu anjo eles sempre nos passaram lições preciosíssimas, existe casos assim acontecendo todos os dias infelizmente, hoje mesmo tentei convencer um rapaz cuja namorada está grávida que ela não havia postado o que haviam dito a ele no face, ele não acreditou nela e terminou tudo, dizendo que vai cuidar do filho que vai nascer de longe, nossa a moça chorava tanto, era inocente e ele não acreditou, por que quem a caluniou foi uma amiga de infancia dele, tentei conversar com ele, mostrar que não havia provas lembrar do nene que está a caminho e da situação difícil que ela se encontra perante a família, mas ele se diz magoado e injustiçado e que não vai arriscar ficando com alguém que deixou de confiar. Como seria bom se ele lesse, eu fiquei e estou muito triste por ela, mas a abraçaremos e embalaremos e ele colocaremos nas mãos de Jesus. É amiga caiu como uma luva para o que vivi hoje, voltarei sempre, manda pelo google anunciando que postou que me dará imenso prazer, beijos Luconi

    ResponderExcluir
  3. Bom dia Caríssima Zilda Santiago. Um texto que eu chamo de " vassourinha", e adoro conteúdos assim, pois nos varre por dentro, nos limpa. Fico condoído ao ver pessoas que sabem de cor livros sacros, mas estão adormecidos espiritualmente, e não aprofundam em estudos espíritas, são mentes fechadas em dogmas milenares. Você sabe, leio muito sobre Kardecismo e todas as religiões, e como todo conhecimento humano sempre há novas descobertas; no campo religioso isto foi travado, proibido, perseguido a quem ousava praticar outros ensinamentos, Kardec abriu uma grande cortina para a humanidade. A maioria cuida do corpo, da beleza externa, mas se esquecem de cuidar do espírito, do que falam, do que pensam, e tudo que pensamos se torna realidade, se materializa; é energia. E a calúnia é muito mais devastadora do que imaginamos, condenamos à revelia um inocente com simples palavras ofensivas. Temos que ser muito cuidadosos e vigilantes no que falamos e pensamos ou fazemos.
    Um grande abraço

    ResponderExcluir
  4. Nos proporcionam belas descobertas.
    Beijo Lisette.

    ResponderExcluir
  5. Olá, querida Zilda
    Caluniar é jogar a semente em nosso coração do mal... ela vai crescer e nos prejudicar muito...
    Bjm fraterno e quaresmal

    ResponderExcluir
  6. Ismália, espírito de uma nobreza indescritível, se propõe a auxiliar seu companheiro, Alfredo, a progredir espiritualmente. Grande exemplo! Esse livro é maravilhoso! Muita paz!

    ResponderExcluir
  7. Olá, boa noite!

    Tudo bem?
    Espero que sim.

    Amei o seu blog e trabalho. Parabéns.
    Estou lhe seguindo e curtir sua fan page.

    Lhe convido a conhecer meu trabalho, é feito com muito carinho e amor.
    Espero que goste.

    Blog: http://leide-lira.blogspot.com.br/

    Fan Page: https://www.facebook.com/pages/Bolsinhas-de-uma-Leide/254377631336807

    Desde já agradeço sua visita!

    Deus lhe abençoe.

    BeijOs

    Leide
    Bolsinhas de uma Leide

    ResponderExcluir
  8. Ola sou nova blogueira e vim fazer uma visitinha no seu blog e amei já estou te seguindo se puder me retribuir ficarei muito feliz bjos http://dicasdamy14.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Gostaria de ler a sua opinião!

Copyright © 2010 - 2011 RUMOS LIBERTADORES!!.
Template customizado por Meri Pellens. Tecnologia do Blogger