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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

PARAÍSO, INFERNO E PURGATÓRIO



 
PARAÍSO, INFERNO E PURGATÓRIO
ALLAN KARDEC
O LIVRO DOS ESPÍRITOS - PARTE QUARTA

 
1012 Haverá lugares determinados no universo destinados às
penalidades e aos prazeres dos Espíritos, conforme seus méritos?
 
– Já respondemos a essa questão. As penalidades e os prazeres são
inerentes ao grau de perfeição dos Espíritos; cada um tira de si mesmo o
princípio de sua própria felicidade ou infelicidade; e como estão por toda
parte, nenhum lugar localizado nem fechado está destinado a um ou a outro.
Quanto aos Espíritos encarnados, eles são mais ou menos felizes ou
infelizes conforme o mundo que habitem seja mais ou menos avançado.
 
1012 a Em vista disso, o inferno e o paraíso não existiriam como
o homem os representa?
– São apenas figuras: existem Espíritos felizes e infelizes por toda parte.
Entretanto, como também dissemos, os Espíritos da mesma ordem se
reúnem por simpatia; mas podem se reunir onde quiserem quando são
perfeitos.
 
 
A localização exata dos lugares de penalidades e recompensas existe
apenas na imaginação do homem e provém da tendência dde materializar e
circunscrever as coisas das quais eles não podem compreender a essência infinita.
 
1013 O que se deve entender por purgatório?
 
– Dores físicas e morais: é o tempo de expiação. É quase sempre na
Terra que fazeis vosso purgatório e onde sois obrigados a expiar vossas
faltas.
 O que o homem chama de purgatório é igualmente uma figura pela
qual se deve entender não como um lugar qualquer determinado, mas
como o estado dos Espíritos imperfeitos, que estão em expiação até a
purificação completa que deve elevá-los ao plano dos Espíritos bem aventurados.
Essa purificação, operando-se nas diversas encarnações,
faz com que o purgatório consista nas provas da vida corporal.
 
1014 Como se explica que Espíritos, que pela sua linguagem
revelam superioridade, tenham respondido a pessoas muito sérias a
respeito do inferno e do purgatório, de acordo com a idéia corrente
que se faz desses lugares?
 
– Eles falam uma linguagem que possa ser compreendida pelas pessoas
que os interrogam, e quando essas pessoas se mostram convictas
de certas ideias evitam chocá-las bruscamente para não ferir suas convicções.
Se um Espírito quisesse dizer, sem precauções oratórias, a um
muçulmano que Maomé não foi profeta, seria muito mal compreendido.
 
1014 a Concebe-se que assim possa ser com a maioria dos Espíritos
que desejam nos instruir; mas como se explica que Espíritos
interrogados sobre sua situação tenham respondido que sofriam torturas
do inferno ou do purgatório?
 
– Quando são inferiores e ainda não completamente desmaterializados,
conservam parte de suas ideias terrenas e transmitem suas impressões se
servindo de termos que lhes são familiares. Eles se encontram num meio
que lhes permite sondar o futuro apenas imperfeitamente, e é por isso que
frequentemente Espíritos errantes, ou recém-desencarnados, falarão como
se estivessem encarnados. Inferno pode se traduzir por uma vida de provações
extremamente dolorosa, com a incerteza de haver outra melhor.
Purgatório, por uma vida também de provações, mas com consciência de
um futuro melhor. Quando passais por uma grande dor, não dizeis que
sofreis como um condenado? São apenas palavras, e sempre no sentido
figurado.
 
1015 O que se deve entender por uma alma penada?
 
– Um Espírito errante e sofredor, incerto de seu futuro, e a quem podeis
proporcionar o alívio que, muitas vezes, solicita ao se comunicar
convosco. (Veja a questão 664.)
 
1016 Em que sentido se deve entender a palavra céu?
 
– Acreditais que seja um lugar, como os Campos Elíseos7 dos antigos,
onde todos os bons Espíritos estão indistintamente aglomerados com
a única preocupação de desfrutar, durante a eternidade, de uma felicidade
passiva? Não. É o espaço universal; são os planetas, as estrelas e todos
os mundos superiores onde os Espíritos desfrutam de todas as suas qualidades
sem os tormentos da vida material nem as angústias próprias à
inferioridade.
 
1017 Alguns Espíritos disseram estar habitando o quarto, o quinto
céu, etc.; o que quiseram dizer com isso?
 
– Se lhes perguntais qual céu habitam é porque tendes uma idéia de
muitos céus sobrepostos, como os andares de uma casa. Então, eles
respondem conforme vossa linguagem. Mas, para eles, essas palavras,
quarto e quinto céu, exprimem diferentes graus de depuração e, consequentemente,
de felicidade. É exatamente como quando se pergunta a
um Espírito se ele está no inferno; se é infeliz, dirá que sim, porque para ele
inferno é sinônimo de sofrimento; porém, ele sabe muito bem que não é
uma fornalha. Se fosse um pagão diria que estava no Tártaro.
 
 O mesmo acontece com muitas outras expressões semelhantes,
como: cidade das flores, cidade dos eleitos, primeira, segunda ou terceira
esfera, etc., que não passam de expressões usadas por certos
Espíritos, quer como figuras, quer algumas vezes por ignorância da realidade
das coisas e até mesmo das mais simples noções científicas.
De acordo com a ideia restrita que se fazia antigamente dos lugares
de sofrimentos e recompensas, e principalmente com a opinião de que
a Terra era o centro do universo, de que o céu formava uma abóbada e
que havia uma região de estrelas, colocava-se o céu em cima e o inferno
embaixo. Daí as expressões: subir ao céu, estar no mais alto dos
céus, estar precipitado no inferno. Hoje a ciência demonstra que a Terra
não passa de um dos menores planetas, sem importância especial. Entre
milhões de outros, traçou a história de sua formação e descreveu
sua constituição; provou que o espaço é infinito, que não há nem alto
nem baixo no universo, e assim impôs a rejeição à ideia de situar o céu
acima das nuvens e o inferno nos lugares baixos. Quanto ao purgatório,
nenhum lugar lhe fora designado. Estava reservado ao Espiritismo dar
sobre todas essas coisas a explicação mais racional, grandiosa e, ao
mesmo tempo, mais consoladora para a humanidade. Assim, pode-se
dizer que levamos em nós mesmos nosso inferno e nosso paraíso e,
quanto ao purgatório, nós o encontramos em nossa encarnação, em
nossas vidas físicas.
 
7 - Campos Elíseos: na Mitologia, lugar onde se encontravam, após a morte, as almas dos heróis
e dos justos (N. E.).
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 

 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 


2 comentários:

  1. Olá, querida Zilda
    Vivemos as três dimensões espirituais já aqui na Terra... para repensarmos valores para a vida eterna...
    Bjm fraterno

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  2. Parabéns pelo o blog, adorei... muito bom mesmo!

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