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segunda-feira, 4 de março de 2013


·         Mensagem

Entrevista com Divaldo

 
 
 
 

 

 
Entrevista com Divaldo - 2009
 
ADEP - Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal

http://www.veg11.com.br/site/entrevista-com-divaldo

ADEP/JDE – Como é que se deve dar o auto-passe, por exemplo, se eu estou necessitado, estou obsidiado, ou perturbado, se eu vou dar o auto-passe eu não me vou auto-perturbar na mesma?
Divaldo – Não, porque vai criar a condição necessária mediante a oração.
Para você poder aplicar-se o auto-passe, irá concentrar-se, orar, e enquanto realiza esse mister desvincula-se do psiquismo negativo e, nesse momento revigora-se.
As suas energias, como numa auto-hemoterapia, irão auxiliá-lo no refazimento.
No meu caso, porque estou sempre junto a muitas pessoas, quando me sinto indisposto, recorro a esse maravilhoso expediente autoterapêutico.
Noutras ocasiões, solicito a Nilson que me aplique a bioenergia, quando nos encontramos juntos, ocorrendo com ele o mesmo, o que nos ajuda a manter o equilíbrio e o bem-estar.
 
ADEP/JDE – (…) é no sentido dos ponteiros do relógio ou ao contrário?
Divaldo – No sentido dos ponteiros do relógio.
Após o que eu denominaria, embora com imprecisão, como sendo uma limpeza psíquica, concentro-me nos plexo coronário e cardíaco, logo conseguindo a recuperação anelada.
 
ADEP/JDE – Olhe Divaldo, se os espíritas são a minoria porque é que sofrem tanto o assédio dos Espíritos inferiores?
Divaldo – Porque aqueles Espíritos inimigos foram nossas vítimas, e vendo hoje o nosso esforço para melhorarmos moralmente, agridem-nos a fim de manter-nos na retaguarda onde se encontram.
Um número expressivo de espíritas, é constituído de cristãos que falimos e que geramos situações embaraçosas, infelicitando muitas vidas, de forma que essas vítimas tornaram-se nossos adversários e não nos desculpam o mal que lhes fizemos.
 
ADEP/JDE – Então não é pela grandeza, vá lá, da Doutrina Espírita mas sim por uma perseguição pessoal?
Divaldo – Exatamente.
Porque eles vêm para a cobrança e sabem que o Espiritismo representa tudo de libertador, e que, se nos afeiçoarmos à doutrina, servindo-a com abnegação eles nos perdem, entregando-se, desse modo ao infeliz tentame de prejudicar-nos.
 
ADEP/JDE – Com o avanço tecnológico destes últimos cem anos é esperado que a tecnologia no Além pelo menos esteja igual, ou superior, não é?
Se assim for, podemos dizer que as obsessões deixaram de ser pessoais, isto é, o obsessor andar atrás de outro e passar a haver obsessões eletrônicas?
Divaldo – Eles usam muitas técnicas e utilizam de recursos que antes não conhecíamos, portanto, não sabendo precatar-nos.
Desse modo, já os utilizavam, só que os ignorávamos, porque nos faltavam esclarecimentos próprios.
Muitos casos, por exemplo, de auto-obsessão decorrem de chips colocados no cérebro perispiritual, resultando na hipnose por uma voz monótona, repetitiva, levando o indivíduo a certos estados psicopatológicos com o tempo; outras vezes, eles utilizam a ressonância magnética.
Ao invés de ficarem ao lado, enviam ondas mentais sucessivas.
As mesmas vêm em nossa direção e se encontram resistência não nos afetam, mas isso raramente ocorre.
Com o tempo, porém, a sua insistência como que vai gastando o campo defensivo até sermos alcançados, passando a sentir-lhes as idéias infelizes, assim estabelecendo-se o vínculo que abre espaço ao intercâmbio doentio.
 
ADEP/JDE – E como é que os trabalhadores espíritas se podem preparar para combater essas obsessões, esses trabalhos?
É só confiar na equipe espiritual?
Divaldo – Não.
Têm que fazer o esforço de deter-se numa auto-análise a respeito da própria conduta.
Encontramos essa diretriz na resposta que os Mentores deram à questão de n° 919, conforme exarada em O Livro dos Espíritos, lutando, sem cessar para superar as más inclinações e fazer todo o bem possível.
Se, por exemplo, me dou conta de que estou muito interessado numa coisa que não me é normal e que me pode trazer danos, eu reflexiono que essa ocorrência pode ser uma inspiração negativa.
Então eu procuro diluí-la, substituindo esse tipo de pensamento por um outro edificante.
Os cuidados com a mente, as palavras e os atos devem ser constantes.
 
ADEP/JDE – Vigilância.
Divaldo – Vigilância, sim, sem cessar.
 
ADEP/JDE – Uma pergunta, Divaldo, Infante D. Henrique é o guia de Portugal, não é?
Porque é que ele se chama Helil?
Divaldo – Eu tenho a impressão que o nome procede de uma tradição do mundo espiritual, na condição de membro dos primeiros colaboradores de Jesus na construção das sociedades terrestres, sendo uma designação muito especial, e que não foi física, a ele dada, talvez, pelos Espíritos nobres.
 
ADEP/JDE – E o Infante D. Henrique não reencarnou desde que foi Infante D. Henrique?
Divaldo – Acredito que não.
Ele veio com a missão especial de alargar os horizontes do mundo e de desenhar para Portugal a missão do país dos navegantes mais notáveis de todos os tempos...
 
ADEP/JDE – Então era um Espírito muito evoluído.
Divaldo – Sem qualquer dúvida, sim.
 
ADEP/JDE – A Rainha Santa Isabel, desde que foi rainha também não voltou a encarnar?
Divaldo – Segundo a informação que tenho do mundo espiritual, não, porque ela atingiu um estado de completude.
A sua vida foi tão notável, que não deixou débitos morais para futuros resgates.
As emoções nobilitantes foram-lhe tão superiores que ela não precisou mais de retornar.
Espíritos desse nível podem retornar nestes ou nos dias do futuro, no período de regeneração, para promover a sociedade de maneira mais rápida, digamos que num salto quântico.
 
ADEP/JDE – Ela é o guia do movimento espírita?
Divaldo – Acredito que sim, mas não apenas do movimento espírita...
 
ADEP/JDE – Lá na organização do mundo espiritual cada país tem um guia?
São subordinados de quem?
É tipo presidente da república e cada cidade tem um governador?
Divaldo – Seria mais um conselho de administradores dos povos.
Cada um deles estaria vinculado a um povo sob a presidência de Jesus, como numa grande empresa, em que Jesus é o presidente e os outros são chefes de departamentos...
 
ADEP/JDE – Os Apóstolos estão reencarnados na Terra ou estão “santificados”?
Divaldo – Os Apóstolos continuam trabalhando.
Daquilo que sabemos, Judas teve a sua última reencarnação como Joana d’Arc, João Evangelista como Francisco d’Assis.
De alguns outros não temos informações confiáveis, porém eles continuam no Colégio Apostólico trabalhando pela construção do mundo novo sob a égide de Jesus.
 
ADEP/JDE – 2012 é um ano mágico? Segundo as tradições Maias e outras, parece que vão acontecer muitas coisas, terremotos, tsunamis.
Divaldo – Eu confesso que não acredito.
Porque é provável que os Maias hajam parado o seu calendário por qualquer circunstância que nos escapa.
A humanidade gosta muito de tragédias, de fenômenos físicos dolorosos, de apocalipses e desgraças.
Os Espíritos nobres afirmam que essas profecias não podem ter data fixa, porque dependem muito do livre-arbítrio da sociedade.
Se nós prosseguirmos em determinadas circunstâncias acontecerão tais ou quais ocorrências, mas se mudarmos para melhor acontecerão outras.
Então, o ano 2012 talvez esteja dentro desse cômputo das transformações naturais lentas, porque em todas as épocas temos tido maremotos, tsunamis e outros fenômenos sísmicos tão graves quanto esses que ora se encontram anunciados.
 
ADEP/JDE – A ciência vai descobrir o Espírito?
Divaldo – Já o descobriu em diversas ocasiões através de diversos cientistas, que optaram porém, em dar-lhe outra denominação.
Por exemplo, o Dr. Firsoff, inglês, declarou: «O espírito, para mim, é um ser de interação universal, semelhante à eletricidade e à gravidade, que pensa.»
Utilizando-se da palavra inglesa Mind, afirmou que o mesmo é constituído de mindons, de corpúsculos.
Portanto, um astrofísico dessa talha fazer tal afirmação, é a constatação da descoberta do Espírito.
O Dr. Rupert Scheldrak, que é um notável biólogo, autor dos campos "morfogenéticos", muito criticado na época (o que não lhe tira o valor de pesquisador honesto e respeitado por outros), quando apresentou a sua tese, também conseguiu constatar que existe no universo uma força oculta.
De igual maneira, diversos outros estudiosos lograram encontrar o Espírito.
 
ADEP/JDE – A transcomunicação instrumental praticamente não evoluiu desde os anos sessenta.
Quer dizer, há assim uns fatos, mas vá lá, não há uma coisa mais aprofundada. Isto deve-se a quê?
À falta de condições ético-morais da humanidade ou estão à espera de novas oportunidades?
Divaldo – Não, eu acredito que não.
Se bem observarmos, o fenômeno espírita veio até à TCI, só que usando os instrumentos da época: a mesinha, a ardósia, a cesta de vime.
Com o advento dos gravadores, da televisão, acreditou-se que se poderia mais facilmente detectar essa realidade nessa área, assim como na virtual.
Mas os passos até então conseguidos não foram muito expressivos.
Que eu saiba hoje são poucos os grupos que estão trabalhando em TCI com os resultados desejáveis, salvadas algumas nobres exceções.
 
ADEP/JDE – Divaldo, há tempos, se não me falha a memória, o Divaldo tinha apontado que por volta mais ou menos de 2050 poderia iniciar-se a época da Regeneração…
Divaldo – Sim, é verdade.
Nessa época já estaremos em um período avançado na condição de mundo de regeneração.
Penso, que esse, é também o conceito defendido pelo Espírito Emmanuel através de Francisco Cândido Xavier.
 
ADEP/JDE – A grande maioria da população não é espiritualista, ou se o é, é boca para fora, não é?
A guerra, o compadrio - (Significado: Proteção injusta ou ilícita, favorecimento.), tráfico de armas, tráfico de pessoas, tráfico de drogas, será a sensação que está tudo num caos.
Falta tão pouco tempo, os espíritas são tão pouquinhos, não vivem um bocado à margem da realidade?
Será que Deus tem outros planos mais assertivos para mudar?
Divaldo – Acredito que sim.
Tenho certeza que as reencarnações, conforme vem ocorrendo, serão massivas e o número de Espíritos nobres que se reencarnarão é muito grande.
Teremos uma espécie de Renascença da beleza, do amor e da verdade...
 
ADEP/JDE – Nessa altura, não é?
Divaldo – Nessa altura, sim, nesses anos próximos.
A partir de 2025 a 2050 teremos o momento da grande transição e, como os Espíritos maus, segundo as tradições, não encontrarão campo vibratório para reencarnar na Terra, irão para planos inferiores.
Haverá uma mudança em breve, graças às gerações que formarão a Era Nova.
 
ADEP/JDE – A Igreja Católica vai acabar?
Divaldo – Não acredito.
Como organização acredito que se adaptará aos novos métodos como vem acontecendo através da História.
 
ADEP/JDE – Emmanuel estará com nove anos, segundo dizem.
Ele vai ser espírita?
Tem uma missão fora do Espiritismo?
Divaldo – Confesso que, a esse respeito, tenho poucas ou quase nenhumas informações que mereçam confiança.
A considerar-se como verdadeiras, acredito que o nobre Espírito desempenhará um papel de alta relevância na sociedade do porvir.
 
ADEP/JDE - A Joanna d’Ângelis segundo lhe disse vai reencarnar por volta de 2015.
Vai ser no Brasil?
Divaldo – Na oportunidade em que abordou o tema, ela não estabeleceu uma data, informando-me que estava sendo programada para renascer no Brasil.
Esclareceu que, terminada a tarefa que desenhou para realizar orientando-me, logo que ocorra a minha desencarnação, ela estará de retorno...
 
ADEP/JDE – Ela disse que vinha ser espírita?
Divaldo – Ela foi religiosa católica, nas próximas anteriores reencarnações, no entanto, nos últimos duzentos anos no Além estudou muito o Espiritismo, fez parte da equipe de o Consolador, e pretende vir na condição de espírita.
 
ADEP/JDE – (risos). Olhe, não sente um friozinho na barriga por ela estar voltando e você ter de partir primeiro?
Divaldo – Não, pelo contrário, sinto-me jubiloso, porque ela constatará como é difícil a existência na Terra...
 
ADEP/JDE – Tem conhecimento de outros Espíritos nobres que estejam voltando, para além dela?
Divaldo – Os Espíritos amigos me esclarecem que várias Entidades superiores que estiveram na Terra nos períodos passados estão preparando-se para retornar, quais estrelas do Céu que cairão sobre o planeta, para fazerem a grande mudança para mundo de regeneração, adotando o comportamento espírita.
 
ADEP/JDE – Quem é que o vai substituir na condição de “Paulo de Tarso” da atualidade ? Raul Teixeira?
Divaldo – José Raul Teixeira é um grande trabalhador, um verdadeiro missionário da seara espírita.
Eu acredito, porém, que cada um de nós tem um tipo de tarefa.
Desse modo, cada qual encerra o seu ciclo de atividades e a Divindade envia novos trabalhadores bem equipados para darem prosseguimento à construção do Bem.
 
ADEP/JDE – O que é que os Espíritos lhe dizem sobre a cura do cancro, do sida, do Alzheimer? Estão aí com a genética?
Divaldo – Informam-me que, por enquanto, essas doenças ainda são uma necessidade para o nosso processo de auto-iluminação.
 
ADEP/JDE – Porque é que as pessoas têm ansiedade sem a querer ter, e sem ter razões para isso?
Divaldo – Muitas dessas aflições procedem de existências pretéritas que se impõem como necessidade de libertação.
Desse modo, a culpa, ínsita no inconsciente do indivíduo, produz-lhe reações emocionais, que impulsionam aos distúrbios de ansiedade, assim como de outras denominações.
 
ADEP/JDE – Quem foi Maria, Mãe de Jesus? Ela voltou a encarnar?
Divaldo – A Mãe de Jesus é um Espírito de alta estirpe, que foi elegida para recebê-lO na Terra.
Não acredito que ela haja retornado ao proscênio terrestre, reencarnando-se.
 
ADEP/JDE – Ela é endeusada pelas religiões ou é mesmo um Espírito muito evoluído?
DivaldoO endeusamento é fruto da ignorância, das superstições das massas.
Nada obstante, trata-se de um Espírito muito elevado.
Eu estive na Turquia, na casa onde ela teria vivido os seus últimos dias, e confesso que foi um dos ambientes psíquicos mais agradáveis que eu já vivenciei.
Oportunamente, eu visitei a Gruta da Natividade, o local do Calvário, a Cave de Lázaro, conforme asseveram as tradições, mas em nenhum desses recintos eu experimentei as emoções dulçurosas que senti naquele recanto de paz...
Aquela região impressionou-me profundamente, como se permanecesse impregnada pelos fluidos dos antigos tempos...
Para ser elegida como a mãe de Jesus não podia ser um Espírito qualquer, e que veio nessa missão única, não mais tendo retornado em corpo físico.
 
ADEP/JDE – E o Pai de Jesus?
Divaldo – Também foi um homem extraordinário, isso eu sei.
E o tenho em alto conceito, em razão da sua renúncia e humildade, apagando-se, quanto possível, como enunciou João Baptista: «É necessário que eu diminua para que Ele cresça».
 
ADEP/JDE – Mas também terá deixado de reencarnar na Terra?
Divaldo – Penso, que sim.
 
ADEP/JDE – As notícias veiculadas nos meios de comunicação (eu não sabia disto) informam que, na América, já se faz uma operação que consiste numa pequena rede num cabo perto da axila, debaixo da pele, isto sobre a depressão.
Depois uma nova incisão no cérebro onde é colocado um arame que irá provocar um estímulo elétrico ao nervo vago.
Mediante este tratamento a depressão desaparece.
A questão é a seguinte: como é que se pode analisar à luz da Doutrina Espírita se está ligada a processos obsessivos ou a espíritos?
Divaldo – Caso isso seja verdade, porque eu também desconheço a técnica, ocorre que, no problema cármico a pessoa já merece a libertação do transtorno, conforme sucede com tantas outras enfermidades.
Todavia, se o paciente ainda não possua créditos morais para a libertação, o processo terapêutico poderá produzir estímulos para a produção da serotonina, da noradrenalina, o que ajudará na melhora da depressão, mas não, penso, na conquista da saúde integral.
Passará a apresentar outros distúrbios de conduta, outros tipos de problemáticas afligentes, porque, para as Divinas Leis não importa como a pessoa resgate os seus débitos, mas que os resgate.
 
ADEP/JDE – Duas últimas: Barack Obama é um enviado de Deus?
Divaldo – Eu diria que ele veio numa grande missão para resgatar o seu povo que se encontrava equivocado, politicamente, acreditando-se senhores do mundo, como ocorrera no passado com os romanos...
Tornou-se necessário que viesse um Espírito sereno e não belicoso para colocar certos limites e favorecer com a humildade de reconhecer os limites a que todos estamos submetidos.
 
ADEP/JDE – Está no nosso carma passarmos por uma guerra mundial, com tanto armamento militar?
Divaldo – Por incrível que pareça, o excesso de armas inibe a guerra, porque todos têm medo de iniciá-la, face aos danosos resultados que podem advir..
O Professor Pietro Ubaldi disse-me, faz muitos anos, quando estivemos juntos, que uma 3ª guerra mundial não seria factível, porque o vencedor tombaria sobre o vencido.
As armas de destruição em massa seriam de tal forma desastrosas, que os ventos contaminariam toda a Terra, e ninguém seria vencedor...
Desse modo, pessoalmente não creio numa 3ª guerra mundial, mas acredito que muitas dessas armas, quando superadas, são utilizadas em movimentos destrutivos locais, guerrilhas, terrorismo, agressividade...
 
ADEP/JDE – Uma última mensagem?
Divaldo Está na hora de todos nos abraçarmos e construirmos uma sociedade saudável, caracteriza pelo ideal que dignifique a presença do homem novo, do cristão autêntico; que esqueçamos mágoas e ressentimentos e nos recordemos que o amor é a única solução, conforme recomendaram Allan Kardec e Jesus.
Deveremos, nós, os espíritas, olhar o futuro com otimismo e trabalharmos para que o bem e a verdade sejam os sinais defluentes do amor na edificação da felicidade humana.
 
Entrevista concedida ao Jornal de Espiritismo (ADEP), em Portugal, 05/10/2009.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Por que utilizar a metodologiade projetos na Educação Espírita Infanto Juvenil?


Por que utilizar a metodologia de projetos na Educação Espírita Infanto juvenil?

Irty Kaliny

Pedagoga, membro da Área de Educação do Instituto de Intercâmbio do Pensamento Espírita de Pernambuco – IPEPE.

Os estudos do Espiritismo com crianças e adolescentes, em geral, refletem as diversas práticas das escolas de ensino regular. Tais práticas estão baseadas em concepções de homem, de mundo e de educação que lhes dão sentido ao refletir um tempo histórico e uma sociedade com suas demandas políticas, econômicas, culturais e sociais.

É importante que as instituições espíritas tenham consciência de quais são as concepções norteadoras de seus trabalhos com a infância e juventude. Isto significa que, no momento de escolher uma metodologia para o estudo espírita destinado a este público, é preciso ter clareza do que está implícito em cada prática existente. Para tanto, é fundamental considerar as características do objeto de estudo (a Doutrina Espírita), do grupo, dos trabalhadores desta área, da instituição e da comunidade em que está inserida.

Atualmente, os estudos realizados em diversas universidades do mundo apontam a Metodologia de Projetos como uma ferramenta metodológica versátil, que se adequa a necessidades e realidades diferentes. Esta Metodologia está baseada em concepções de ensino e de aprendizagem contemporâneas, nas quais todos os envolvidos no processo são provocados a encontrar, nos conhecimentos produzidos pela humanidade, soluções para problemas e desafios reais. Um projeto didático trata-se de:

(...) uma pesquisa ou uma investigação, mas desenvolvida em profundidade sobre um tema ou um tópico que se acredita interessante conhecer. (...) é um esforço investigativo, deliberadamente voltado a encontrar respostas convincentes para questões sobre o tema. (ANTUNES, 2001, p. 15).

Todo projeto parte de um problema ou situação desafiadora a ser resolvida da melhor forma possível. Para isto, a criatividade e as diferenças individuais dos integrantes do grupo são valorizadas e consideradas fundamentais, pois ampliam o horizonte das percepções do problema em foco, bem como multiplicam as possibilidades de solução e de estratégias para alcançá-las.

Desse modo, os conteúdos deixam de ser estudados porque alguém disse que é preciso e passam a ser buscados como instrumentos preciosos para a compreensão e a intervenção no mundo. Assim, esta metodologia contribui para que os sujeitos da aprendizagem possam analisar criticamente o meio no qual estão inseridos, aguçando a curiosidade filosófica e, ao serem mobilizados por uma situação observada, buscar, com autonomia e criatividade, formas de intervir na realidade visando encontrar uma solução.

Com o intuito de educar para a vida, a Metodologia de Projetos deve considerar processos pedagógicos que envolvam a responsabilidade, o respeito, a igualdade, a auto direção, a autonomia, a proposição de soluções múltiplas, o pensamento independente, enfim, a vivência da democracia em ações, atos e atitudes que levem à aprendizagem. (BEHRENS, 2008, p.38).

A presença constante de atividades em grupo, de debates, de socializações de experiências e pesquisas realizadas em diversas fontes, oportuniza o desenvolvimento da autonomia, do fazer científico e do senso crítico de todos os envolvidos. Como todos têm a meta de produzir algo que responda ao problema inicial, há um clima de colaboração e as aulas ficam, naturalmente, mais movimentadas e prazerosas, além de elevar a autoestima de todos os envolvidos na medida em que as etapas vão sendo superadas. Além disto, estas atividades oferecem a vivência do que o educador Paulo Freire chamou de “escuta amorosa”, na qual todos ouvem com atenção a fala do outro e o respeito às diferenças individuais, sobretudo no que se refere ao pensar diferente, é exercitado. O diálogo é constantemente usado na mediação de conflitos visando ao bem comum e à autogestão.

O trabalho baseado na Metodologia de Projetos abre a possibilidade de se explorar os conteúdos programados dentro de situações reais de uso, desta forma, a aprendizagem torna-se mais significativa, ampla e aprofundada, pois não ocorre em apenas uma aula, mas ao longo de um período. Como a aprendizagem acontece dentro de um contexto, ao vivenciar situações semelhantes, a criança ou o jovem tem mais possibilidades de conseguir utilizar os conhecimentos adquiridos, demonstrando que as aprendizagens não ficaram apenas no campo do saber, pois estão presentes em seu dia a dia através de suas atitudes e procedimentos.

Como as crianças e jovens passam a compartilhar o poder de decisão sobre o que, por que e como estudar, em geral, desenvolvem a autonomia, demonstram maior interesse nas aulas e compromisso na realização das atividades. Isto também é vivido pelos educadores na relação com a coordenação e a direção do Centro uma vez que deixam de receber os planos de aula prontos e passam a elaborá-los com base nas necessidades e escolhas definidas conjuntamente no grupo. Desta forma, o educador também desenvolve sua autonomia e criatividade.

Ninguém é autônomo primeiro para depois decidir. A autonomia vai se constituindo na experiência de várias, inúmeras decisões, que vão sendo tomadas. (...) A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser. Não ocorre em data marcada. É neste sentido que uma pedagogia da autonomia tem de estar centrada em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, vale dizer, em experiências respeitosas da liberdade. (FREIRE, 1996, p. 120-121)

O educador é constantemente desafiado a ampliar e a aprofundar os seus estudos e habilidades, uma vez que não se trata de dar uma aula sobre um assunto que domine, determinando o que deve ser ensinado, direcionando as atividades desta ou daquela forma. Trata-se de ajudar o grupo a alcançar um desafio escolhido, buscando junto, nos conhecimentos e habilidades (já presentes no grupo ou construídos ao longo do projeto), as ferramentas adequadas e a melhor forma de utilizá-las.

Segundo Paulo Freire, “(...) ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” (1996, p. 52). Assim, o educador pode sentir-se livre para assumir que não sabe o suficiente sobre algo, pois não se coloca na sala de aula como aquele que sabe e vai passar o seu conhecimento como se fizesse uma transfusão de saberes, mas como aquele que está junto para pesquisar, apoiar e orientar os estudos.

Ao buscar resolver um problema, podem surgir situações que extrapolem as condições de o grupo resolver por si só, ou que poderiam ter um resultado bem melhor se unissem forças com outros grupos. Neste contexto, o trabalho com projetos didáticos pode abrir espaço para interações e parcerias com pais, outras turmas, coordenações e instituições, inclusive as não espíritas como ONG’s, igrejas, postos de saúde, bibliotecas e escolas, Corpo de Bombeiros, Conselho Tutelar, dentre outros.

Essas articulações entre diversos agentes e diferentes instituições, são essenciais num processo de renovação social, quando, segundo Kardec,

(...) todos os obstáculos à nova ordem de coisas queridas por Deus, para transformação da Terra, terão desaparecido; a geração que se levanta, imbuída de idéias novas, terá toda a sua força, e preparará o caminho daquela que inaugurará o triunfo definitivo da união, da paz e da fraternidade entre os homens, confundidos numa mesma crença pela prática da lei evangélica.(KARDEC, 1863, 252)

O desenvolvimento de projetos didáticos oportuniza o exercício dessa união, paz e fraternidade postas por Kardec, pois instiga todos os agentes envolvidos no processo a se portarem de maneira participativa, colaborativa e respeitosa.

A Metodologia de Projetos pode contribuir para a melhoria do trabalho realizado nas instituições espíritas, pois colabora para formar homens de bem. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo,

O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e caridade, na sua maior pureza. Se interroga a sua consciência sobre os próprios atos, pergunta se não violou essa lei, se não cometeu o mal, se fez todo o bem que podia, se não deixou escapar voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem do que se queixar dele, enfim, se fez aos outros tudo aquilo que queria que os outros fizessem por ele. (...) É bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças nem de crenças, porque vê todos como irmãos. Respeita nos outros todas as convicções sinceras, e não lança o anátema aos que não pensam como ele. (KARDEC, 2005, 222-223)

As concepções e práticas vivenciadas por meio da metodologia de projetos podem ser um instrumento para que os diversos agentes envolvidos no processo de ensino-aprendizagem sejam capazes de perceber o que se passa ao seu redor. O projeto possibilita o exercício do colocar-se no lugar do outro. É uma alternativa para educandos e educadores se sensibilizarem, extrapolando a esfera do conhecimento a fim de mobilizar saberes e agregar pessoas na busca de soluções para problemas individuais e coletivos.

REFERÊNCIAS

ANTUNES, Celso. Um método para o ensino fundamental:o projeto. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003. 4ª ed. Na Sala de Aula, Fascículo 7.

BEHRENS, Marilda Aparecida. Paradigma da complexidade: metodologia de projetos, contratos didáticos e portifólio. Petrópolis: Vozes, 2008. 2ª edição.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.São Paulo: Paz e Terra, 1996. 22ª edição. Coleção Leitura.

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo. Tradução de J. Herculano Pires. São Paulo: LAKE, 2005. 60ª edição.

KARDEC, Allan. Período da luta.Revista Espirita: Jornal de Estudos Psicológicos, 6º ano, nº 12, dezembro de 1863. Disponível em: < http://www.espirito.org.br/portal/download/pdf/revista-espirita-1863.pdf> Acesso em: 16/11/2012

 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Reflexões espíritas sobre a Tragédia de Santa Maria


Reflexões espíritas sobre a Tragédia de Santa Maria


 

A tragédia de Santa Maria me leva a algumas reflexões que considero importantes para o movimento espírita.

Recentemente participei de uma banca de doutorado na Universidade Metodista, em que o pesquisador José Carlos Rodrigues, examinou em ampla investigação de campo quais os principais motivos de “conversão”, eu diria, “migração” para o espiritismo, no Brasil. Ganhou disparado a “resposta racional” que a doutrina oferece para os problemas existenciais.

De fato, essa é grande novidade do espiritismo no domínio da espiritualidade: introduzir um parâmetro de racionalidade e distanciar-se dos mistérios insondáveis, que as religiões sempre mantiveram intactos e impenetráveis, sobretudo o mistério da morte.

Entretanto, essa racionalidade, que era realmente a proposta de Kardec, tem sido barateada em nosso meio, como tudo o mais, para tornar-se uma cartilha de respostinhas simples, fechadas e dogmáticas, que os adeptos retiram das mangas sempre que necessário, de maneira triunfante e apressada, muitas vezes, sem respeito pela dor do próximo e sem respeito pelas convicções do outro. Explico-me.

Por exemplo: existe na Filosofia espírita uma leitura de mundo de “causa e efeito”, que traduziram como “lei do karma”, conceito que vem do hinduísmo. Essa ideia é de que nossas ações presentes geram resultados, que colheremos mais adiante ou que nossas dores presentes podem ser explicadas à luz de nossas ações passadas. Mas há muitas variáveis nesse processo: por exemplo, estamos sempre agindo e portanto, sempre temos o poder de modificar efeitos do passado; as dores nem sempre são efeitos do passado, mas sempre são motivos de aprendizado. O sofrimento no mundo resulta das mais variadas causas: má organização social, egoísmo humano, imprevidência… Estamos num mundo de precário grau evolutivo, onde a dor é nossa mestra, companheira e o que muitas vezes entendemos como “punição” é aprendizado de evolução.

O assunto é complexo e pretendo escrever mais profundamente sobre isso. Aqui, apenas gostaria de afirmar que nós espíritas, temos sim algumas respostas racionais, mas elas são genéricas e não podem servir como camisas de força para toda a realidade. Que respostas baseadas em evidências e pesquisas temos, por exemplo, para essas famílias enlutadas com a tragédia de Santa Maria?

• que a morte não existe e que esses jovens continuam a viver e que poderão mais dia, menos dia, dar notícias de suas condições;

• que a morte traumática deixa marcas para quem fica e para quem foi e que todos precisam de amparo e oração;

• que o sofrimento deve ter algum significado existencial, que cada um precisa descobrir e transformá-lo em motivo de ascensão…

• que a fé, o contato com a Espiritualidade, seja ela qual for, dá forças ao indivíduo, para superar um trauma dessa magnitude.

Não podemos afirmar por que esses jovens morreram. Não devemos oferecer uma explicação pronta, acabada, porque não temos esses dados. Os espíritas devem se conformar com essa impotência momentânea: não alcançamos todas as variáveis de um fato como esse, para podermos oferecer uma explicação definitiva. Havia processos da lei de causa e efeito? Provavelmente sim. Houve falha humana, na segurança? Certamente sim. Qual o significado que essa tragédia terá? Cada pai, cada mãe, cada familiar, cada pessoa envolvida deverá achar o seu significado. Alguns talvez terão notícias de algum evento passado que terá desembocado nesse drama; outros extrairão dessa dor, um motivo de luta para mais segurança em locais de lazer; outros acharão novos valores e farão de seu sofrimento uma bandeira para ajudar outros que estejam no mesmo sofrimento e assim por diante.

Oremos por essas pessoas, ofereçamos nossas melhores vibrações para os que foram e para os que ficaram e ainda para os que se fizeram de alguma forma responsáveis por esse evento trágico. Mas tenhamos delicadeza ao tratar da dor do próximo! Não ofereçamos respostas fechadas, apressadas, categóricas, deterministas. Ofereçamos amor, respeito e àqueles que quiserem, um estudo aberto e não dogmático, da filosofia espírita.

http://doraincontri.com/2013/01/28/reflexoes-espiritas-sobre-a-tragedia-de-santa-maria/

 

sábado, 19 de janeiro de 2013

O que é ser manso e pacífico?



                  O que é ser manso e pacífico?


Muitos acreditam que ser manso e pacífico é estar predisposto a aceitações permanentes das intempéries naturais que a existência possa oferecer ao indivíduo. Acreditam ainda que ser manso e pacífico é ser subserviente a qualquer proposta, sem relutar, reclamar, propor, modificar.

Vejamos o exemplo de Jesus: Ele andou como um homem simples em meio a um povo cheio de lágrimas, opulências e maldades. Em momento algum deixou de ser o espírito altaneiro e virtuoso que é. Sua mansuetude encanta a todos que estuda Suas lições, comportamentos e propostas. A paz que Ele transmitiu referenda toda a Sua mensagem e ações. Assim sendo, ser manso e pacífico tem outros atributos que precisam ser pesquisados.

A mansidão, segundo os dicionários, é a brandura de índole, mas também é atributo do gênio. Um espírito genial não necessita sobrepor-se a nada ou a ninguém para mostrar suas qualidades. Elas são suas marcas, seus aparatos, seu espelho. A serenidade lhes é peculiar, pois sabem dar o passo certo para o local exato. Sabem esperar, sabem propor, sabem praticar seus misteres com tranquilidade porque conscientes de si mesmos. Os gênios são aqueles que já romperam as barreiras do ego inferior e buscam com permanência os status superiores do existir, permitindo igualmente que o irmão ou irmã ao lado faça o mesmo. Neles busca seus pares, semelhantes que lhe possa enriquecer numa espetacular projeção de crescimentos do self. Olha o mundo não como uma gaiola de loucos ou uma jaula para humanos e sim como uma feliz oportunidade de manipular todas as informações contidas na natureza e suas leis. O manso olha para a tempestade em fúria e vê nela a ação do puro se fazendo. Olha para o fogo abrasador de um incêndio e vê nele a restauração de um ouro perdido, presto a modificações salutares e revitalizadoras.

O manso não é aquele que deita numa rede de balanço e olha para o céu como um ser estático perante a grandiosidade cósmica. Se deita numa rede o faz para meditar enquanto se enriquece das presenças dos raios que emanam de Deus através da Sua Augusta e perene criação. O manso não é aquele que aceita propostas indecorosas para manter-se vivo perante as modalidades fétidas e passageiras de ações infelizes impetradas por espíritos belicosos que nada produzem de útil para a sociedade. Antes, sugam dela seus legítimos direitos, envolvendo-se em deveres atrozes que lhes cobrarão ações hercúleas num futuro. Muitas vezes em dores lancinantes da culpa, do arrependimento, através torturas físicas e morais difíceis de serem descritas.

O manso entende que o dinamismo próprio para as solturas espirituais demanda tolerância, indulgência e bondade. Assim ele se estabelece como um ser em busca da sua própria plenitude. Somente o ser pleno consegue atingir os atributos da reta consciência. Pela questão 615 de “O Livro dos Espíritos” somos informados de que a Lei de Deus é eterna e imutável. Enquanto não a praticamos sofremos as injunções das nossas rebeldias. Sabemos hoje que somente a prática do bem e a consciência reta podem nos garantir os avanços à plenitude espiritual. Sem mansuetude isto é impossível. Sem mansuetude nossos olhares continuarão travessos; nossas mãos, garras perigosas, nossos pés buscarão trilhas e escarpas ao invés de caminhos. A mansuetude é luz que guia que promove o indivíduo a patamares onde as observações podem ser feitas com maiores profundidades. Na mansuetude respiramos ares benfazejos porque nos é possível seleciona-los sem atropelos. Na mansuetude os esgares cedem espaços a tudo que é convicto porque pensado com parcimônia. Somente na mansuetude é possível buscar nos seres e propostas seus reais valores e credibilidades. Por isto o gênio é manso.

Na cadência mansa do cordeiro Jesus estabeleceu Seu aprisco. Na cadência mansa dos astros a rolarem peremptórios pelos espaços cósmicos, Deus estabeleceu a Casa para morada dos Seus filhos. Na cadência feliz dos espíritos que se auto descobrem a centelha divina vai se expandido, enriquecendo o indivíduo, tornando-o livre. O espírito livre vê mais distante, vê as entrelinhas, vê as essências – fundamentos primeiros das coisas e causas, tornando-se diferenciado, respeitado, um dínamo propulsor do progresso, genial! Sabe de antemão que o orgulho e o egoísmo representam o maior obstáculo ao progresso. E reunidos criam no ser um estado de inconstância e apreensões, medos e inseguranças que o fazem retrógrado, muitas vezes avançado intelectualmente e estirado num lamaçal no campo da moralidade. Isto não é plenitude que promove a mansuetude. São desvarios que promovem guerras internas e externas.

O manso sabe que o entrelaçamento dos valores intelectuais e morais promovem a corrente do bem e avança por ele e, através dele, atinge os cumes dos seus ideais para entendê-los além numa feliz sucessão de probidades espirituais. Sabe que os bens terrenos são apenas passageiros e não conduzem os seres aos próprios “vir-a-ser” de excelências. Ele estudou a questão 785 de “O Livro dos Espíritos” e aprendeu que a humanidade ainda não atingiu o apogeu da perfeição, mas que ela é perfectível, portanto, ele próprio é um ser perfectível por pertencer à raça humana.

E o ser pacífico, quem seria ele? Um pregador ermitão morando nas alturas do mundo, confortando almas em desalinho que de quando em vez o procura? Ou um intérmino dialogador silencioso conversando infinitamente com os vegetais numa atitude quase ante social? Seria um andarilho de cajado liso a andar pelas estradas à procura do seu “eu” superior? Seria ainda o mediador das contendas a promover as bondades em meias partes iguais? Afirmamos que o ser pacífico é maior e mais aparelhado dinamizador do progresso real da humanidade. Passividade não representa compassividade para com o erro ou o atraso moral e intelectual de quem quer que seja e em qual civilização for. Há um provérbio chinês que diz: “Em plena paz deves agir com intensa atividade e, em intensa atividade, deves agir com intensa paz”. Um é perfeito corolário do outro. Um complementa o outro. O pacífico é, pois aquele que vislumbra o belo e a perfeição, a face do bem em todas as moedas que encontra pelo caminho. Sabe das temporalidades dos eventos. Sabe das distorções promovidas pelos incautos, sabe das propostas promissoras ao surgimento de novas alianças com a luz. Somente o pacífico pode ver a luz. Somente o pacífico pode agir com justiça, solidariedade e amor pelas pessoas e circunstâncias. Porque somente naquele estado as intuições saudáveis podem penetrar-lhe o ser buscando suas profundidades de filho de Deus.

Por isso que Jesus disse: “Felizes são os mansos e os pacíficos porque eles herdarão a Terra”. Ver em Mateus Cap. 5 Vv.  4 e 9. E que Terra eles herdarão? Juntemos aqui outra palavra do Mestre Jesus: “Meu Reino ainda não é deste mundo”. Ver João Cap. 18 Vv. 33 a 37. Ora, Ele estava defronte Pilatos ali representando o poder temporal. O mesmo poder que todas as nações do mundo estabelecem ainda hoje como critérios de representatividades. Roma era o máximo. Isto, na pura concepção da transitoriedade. Jesus O representante do Poder Divino que rege toda a Criação através das suas leis imutáveis porque absolutamente justas. Roma e Jesus o mesmo que os reinos atuais e o Reino Futuro. No Reino de Jesus os brandos e os pacíficos aprendem com Ele, convivem com Ele, trabalham para Ele. Gradativamente a Terra vem sendo saneada pelas propostas da mansuetude e da paz. Cada gênio que aqui nasce ou renasce estabelece novas diretrizes, novos caminhos, criando pilares para que o projeto do Senhor desta humanidade possa, enfim, estabelecer-se nos sítios inferiores do planeta Seu reinado é de eficácia e luz, liberdade para todos e responsabilidade aliada. Assim, os murros, socos, pontapés, lixos orais ou grafados, atividades bélicas, corrupções, negociatas, infidelidades, drogas lícitas ou não, mentiras e um sem conta de propostas e comportamentos, filhos eficientes do orgulho e do egoísmo, estão com seus dias contados neste mundo. Como no futuro não haverá cidades fantasmas, esses agêneres infelizes terão que ser remanejados. Para onde? Para onde suas consciências indicarem, suportar e aninhar dentro dos seus propósitos de egos inflados ou subservientes.


                   Não se trata de amedrontamentos. De temores a Deus, de falácias próprias das religiões. Trata-se de buscas aparelhadas com a lógica Divina. Entendamos que tudo que pensamos já foi antes pensado. Tudo que não podemos por hora aprofundar, já foi antes estabelecido. É assim o universo. Ele não cresce ou se expande através das nossas descobertas. É uma casa repleta de aprendizados e apropriações que nos compete realizar. Não é a ciência que cria as coisas, ela apenas dá-lhe os sentidos e as formas, as possibilidades ou não. A filosofia não pode ser impregnada de “achismos”. Necessita estar isenta para melhor analisar e concluir. As religiões devem aliar-se à ciência e à filosofia para melhor encaminhar a Deus os Seus filhos em trânsito pelas vias da evolução. Não podem estar impregnadas de doutos, supostos condutores de almas, necessitando antes melhor conduzir-se. Os céus não são conquistados por gritos e tampouco são comprados por dinheiro terreno. A moeda que circula aqui, somente a este mundo pertence. A moeda dos céus é o amor a Deus e ao próximo como a si mesmo. Não se compra pedacinhos de felicidades. Felicidades são conquistadas com trabalho e orientação eficaz. Com persistência e avanços. Não há atropelos nas conquistas espirituais. Vejamos os exemplos dos embriões. Desenvolvem-se no tempo certo e nas condições adequadas. 

Os mansos e pacíficos serão os governadores do mundo do futuro. Serão os leais e dignos representantes de Jesus entre as humanidades futuras. Por isso eles se preparam nos planos espirituais. Tornarão vivaz a árvore da família. E serão inúmeras aquelas árvores a acolher em seus galhos as folhas, vivificando-as para que cresçam, tornando-se sementes para novas árvores. No futuro as famílias estarão alinhadas entre si e com suas frondes direcionadas para Deus. As famílias abraçarão a proposta de criar e educar com realeza os seus membros. E pai não matará o filho e filho não matará a mãe e irmãos estarão de braços dados rumando para o justo. Naqueles tempos as infidelidades conjugais ou não, estarão banidas para sempre do mundo e marido e mulher entenderão seus reais valores no cômputo das sociedades. E juntos erguerão diariamente um brinde à vida por tê-los unidos. E será um brinde nas taças das virtudes, recheadas de luzes e cores provindas dos seios cósmicos que a tudo provê. 

Os mansos e os pacíficos caminharão sobre a Terra em construção social maviosa. A cidadania avançará para as sociedades espirituais e a sabedoria será buscada avidamente por todos. Os salões de festas estarão repletos de convivas cônscios dos seus deveres uns para com os outros e saberão que os corpos físicos contêm em sua essência um espírito e que na essência de cada espírito pulsa a centelha de Deus. Assim se respeitarão e serão respeitados. E não se jogarão como dados num tabuleiro de aventuras. O sorriso sincero e leal será a marca da beleza pessoal. Também eles estarão nas grandes mesas dos negócios, não para enriquecerem-se de uma moeda de valor apenas nominal. E sim de valores reais que adquirirão pelo trabalho perfeito e em constante busca da perfeição. As escolas serão transformadas em templos e os templos em escolas. Os hospitais em laboratórios de pesquisas aprofundadas e os leitos cederão lugar aos equipamentos de alta precisão onde será possível estabelecer cada vez mais e maiores as metas da saúde física e espiritual.

A engenharia e a arquitetura desenharão e construirão no mundo as visões alcandoradas das mentes em plena liberdade para ver e sentir os planos sublimados do além. Os tribunais cederão lugar a refúgios onde a consciência possa buscar os parâmetros legítimos da justiça e aplica-la em suas lidas diárias. Por não haver violência, não haverá processos criminais. Por não haver culpabilidades individuais e coletivas, as varas judiciais encerrarão suas atividades no mundo, aliando-se ao contingente dos construtores eficazes das sociedades futuras, estabelecendo-lhes as regras a partir da Lei Maior em seus dez artigos. 

Podemos concluir dizendo que ser mando e pacífico é ser inteligente, culto, perspicaz, futurista, empreendedor e representante em si do bem e do belo. Sem esses requisitos não se poderá habitar na Terra em pleno Reino de Jesus. E dizem que este futuro já bate às nossas portas. Que os encaminhamentos legais a ele devem ser protocolados desde já, que embainhemos nossas espadas, que sepultemos nossos vícios, que modifiquemos nossa maneira de ver e agir sexualmente, que... Enfim, que nos tornemos ovelhas mansas e pacíficas em pleno exercício da genialidade e do dinamismo que proporcione o progresso espiritual, individual e coletivo. É a proposta real porque vinda Daquele que é O Caminho, A Verdade e A Vida. Deixemos de lado as ideias de fim do mundo. Energia criada, energia perpetuada em contínuas transformações. Isto é o que somos. Isto é o que é. Entender assim a vida é ser de fato manso e pacífico, atuante eficaz a favor da vida em suas múltiplas dimensões e devidamente aparelhado para herdar o mundo em seu futuro glorioso.



            Guaraci de Lima Silveira




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