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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Por que utilizar a metodologiade projetos na Educação Espírita Infanto Juvenil?


Por que utilizar a metodologia de projetos na Educação Espírita Infanto juvenil?

Irty Kaliny

Pedagoga, membro da Área de Educação do Instituto de Intercâmbio do Pensamento Espírita de Pernambuco – IPEPE.

Os estudos do Espiritismo com crianças e adolescentes, em geral, refletem as diversas práticas das escolas de ensino regular. Tais práticas estão baseadas em concepções de homem, de mundo e de educação que lhes dão sentido ao refletir um tempo histórico e uma sociedade com suas demandas políticas, econômicas, culturais e sociais.

É importante que as instituições espíritas tenham consciência de quais são as concepções norteadoras de seus trabalhos com a infância e juventude. Isto significa que, no momento de escolher uma metodologia para o estudo espírita destinado a este público, é preciso ter clareza do que está implícito em cada prática existente. Para tanto, é fundamental considerar as características do objeto de estudo (a Doutrina Espírita), do grupo, dos trabalhadores desta área, da instituição e da comunidade em que está inserida.

Atualmente, os estudos realizados em diversas universidades do mundo apontam a Metodologia de Projetos como uma ferramenta metodológica versátil, que se adequa a necessidades e realidades diferentes. Esta Metodologia está baseada em concepções de ensino e de aprendizagem contemporâneas, nas quais todos os envolvidos no processo são provocados a encontrar, nos conhecimentos produzidos pela humanidade, soluções para problemas e desafios reais. Um projeto didático trata-se de:

(...) uma pesquisa ou uma investigação, mas desenvolvida em profundidade sobre um tema ou um tópico que se acredita interessante conhecer. (...) é um esforço investigativo, deliberadamente voltado a encontrar respostas convincentes para questões sobre o tema. (ANTUNES, 2001, p. 15).

Todo projeto parte de um problema ou situação desafiadora a ser resolvida da melhor forma possível. Para isto, a criatividade e as diferenças individuais dos integrantes do grupo são valorizadas e consideradas fundamentais, pois ampliam o horizonte das percepções do problema em foco, bem como multiplicam as possibilidades de solução e de estratégias para alcançá-las.

Desse modo, os conteúdos deixam de ser estudados porque alguém disse que é preciso e passam a ser buscados como instrumentos preciosos para a compreensão e a intervenção no mundo. Assim, esta metodologia contribui para que os sujeitos da aprendizagem possam analisar criticamente o meio no qual estão inseridos, aguçando a curiosidade filosófica e, ao serem mobilizados por uma situação observada, buscar, com autonomia e criatividade, formas de intervir na realidade visando encontrar uma solução.

Com o intuito de educar para a vida, a Metodologia de Projetos deve considerar processos pedagógicos que envolvam a responsabilidade, o respeito, a igualdade, a auto direção, a autonomia, a proposição de soluções múltiplas, o pensamento independente, enfim, a vivência da democracia em ações, atos e atitudes que levem à aprendizagem. (BEHRENS, 2008, p.38).

A presença constante de atividades em grupo, de debates, de socializações de experiências e pesquisas realizadas em diversas fontes, oportuniza o desenvolvimento da autonomia, do fazer científico e do senso crítico de todos os envolvidos. Como todos têm a meta de produzir algo que responda ao problema inicial, há um clima de colaboração e as aulas ficam, naturalmente, mais movimentadas e prazerosas, além de elevar a autoestima de todos os envolvidos na medida em que as etapas vão sendo superadas. Além disto, estas atividades oferecem a vivência do que o educador Paulo Freire chamou de “escuta amorosa”, na qual todos ouvem com atenção a fala do outro e o respeito às diferenças individuais, sobretudo no que se refere ao pensar diferente, é exercitado. O diálogo é constantemente usado na mediação de conflitos visando ao bem comum e à autogestão.

O trabalho baseado na Metodologia de Projetos abre a possibilidade de se explorar os conteúdos programados dentro de situações reais de uso, desta forma, a aprendizagem torna-se mais significativa, ampla e aprofundada, pois não ocorre em apenas uma aula, mas ao longo de um período. Como a aprendizagem acontece dentro de um contexto, ao vivenciar situações semelhantes, a criança ou o jovem tem mais possibilidades de conseguir utilizar os conhecimentos adquiridos, demonstrando que as aprendizagens não ficaram apenas no campo do saber, pois estão presentes em seu dia a dia através de suas atitudes e procedimentos.

Como as crianças e jovens passam a compartilhar o poder de decisão sobre o que, por que e como estudar, em geral, desenvolvem a autonomia, demonstram maior interesse nas aulas e compromisso na realização das atividades. Isto também é vivido pelos educadores na relação com a coordenação e a direção do Centro uma vez que deixam de receber os planos de aula prontos e passam a elaborá-los com base nas necessidades e escolhas definidas conjuntamente no grupo. Desta forma, o educador também desenvolve sua autonomia e criatividade.

Ninguém é autônomo primeiro para depois decidir. A autonomia vai se constituindo na experiência de várias, inúmeras decisões, que vão sendo tomadas. (...) A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser. Não ocorre em data marcada. É neste sentido que uma pedagogia da autonomia tem de estar centrada em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, vale dizer, em experiências respeitosas da liberdade. (FREIRE, 1996, p. 120-121)

O educador é constantemente desafiado a ampliar e a aprofundar os seus estudos e habilidades, uma vez que não se trata de dar uma aula sobre um assunto que domine, determinando o que deve ser ensinado, direcionando as atividades desta ou daquela forma. Trata-se de ajudar o grupo a alcançar um desafio escolhido, buscando junto, nos conhecimentos e habilidades (já presentes no grupo ou construídos ao longo do projeto), as ferramentas adequadas e a melhor forma de utilizá-las.

Segundo Paulo Freire, “(...) ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” (1996, p. 52). Assim, o educador pode sentir-se livre para assumir que não sabe o suficiente sobre algo, pois não se coloca na sala de aula como aquele que sabe e vai passar o seu conhecimento como se fizesse uma transfusão de saberes, mas como aquele que está junto para pesquisar, apoiar e orientar os estudos.

Ao buscar resolver um problema, podem surgir situações que extrapolem as condições de o grupo resolver por si só, ou que poderiam ter um resultado bem melhor se unissem forças com outros grupos. Neste contexto, o trabalho com projetos didáticos pode abrir espaço para interações e parcerias com pais, outras turmas, coordenações e instituições, inclusive as não espíritas como ONG’s, igrejas, postos de saúde, bibliotecas e escolas, Corpo de Bombeiros, Conselho Tutelar, dentre outros.

Essas articulações entre diversos agentes e diferentes instituições, são essenciais num processo de renovação social, quando, segundo Kardec,

(...) todos os obstáculos à nova ordem de coisas queridas por Deus, para transformação da Terra, terão desaparecido; a geração que se levanta, imbuída de idéias novas, terá toda a sua força, e preparará o caminho daquela que inaugurará o triunfo definitivo da união, da paz e da fraternidade entre os homens, confundidos numa mesma crença pela prática da lei evangélica.(KARDEC, 1863, 252)

O desenvolvimento de projetos didáticos oportuniza o exercício dessa união, paz e fraternidade postas por Kardec, pois instiga todos os agentes envolvidos no processo a se portarem de maneira participativa, colaborativa e respeitosa.

A Metodologia de Projetos pode contribuir para a melhoria do trabalho realizado nas instituições espíritas, pois colabora para formar homens de bem. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo,

O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e caridade, na sua maior pureza. Se interroga a sua consciência sobre os próprios atos, pergunta se não violou essa lei, se não cometeu o mal, se fez todo o bem que podia, se não deixou escapar voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem do que se queixar dele, enfim, se fez aos outros tudo aquilo que queria que os outros fizessem por ele. (...) É bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças nem de crenças, porque vê todos como irmãos. Respeita nos outros todas as convicções sinceras, e não lança o anátema aos que não pensam como ele. (KARDEC, 2005, 222-223)

As concepções e práticas vivenciadas por meio da metodologia de projetos podem ser um instrumento para que os diversos agentes envolvidos no processo de ensino-aprendizagem sejam capazes de perceber o que se passa ao seu redor. O projeto possibilita o exercício do colocar-se no lugar do outro. É uma alternativa para educandos e educadores se sensibilizarem, extrapolando a esfera do conhecimento a fim de mobilizar saberes e agregar pessoas na busca de soluções para problemas individuais e coletivos.

REFERÊNCIAS

ANTUNES, Celso. Um método para o ensino fundamental:o projeto. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003. 4ª ed. Na Sala de Aula, Fascículo 7.

BEHRENS, Marilda Aparecida. Paradigma da complexidade: metodologia de projetos, contratos didáticos e portifólio. Petrópolis: Vozes, 2008. 2ª edição.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.São Paulo: Paz e Terra, 1996. 22ª edição. Coleção Leitura.

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo. Tradução de J. Herculano Pires. São Paulo: LAKE, 2005. 60ª edição.

KARDEC, Allan. Período da luta.Revista Espirita: Jornal de Estudos Psicológicos, 6º ano, nº 12, dezembro de 1863. Disponível em: < http://www.espirito.org.br/portal/download/pdf/revista-espirita-1863.pdf> Acesso em: 16/11/2012

 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Reflexões espíritas sobre a Tragédia de Santa Maria


Reflexões espíritas sobre a Tragédia de Santa Maria


 

A tragédia de Santa Maria me leva a algumas reflexões que considero importantes para o movimento espírita.

Recentemente participei de uma banca de doutorado na Universidade Metodista, em que o pesquisador José Carlos Rodrigues, examinou em ampla investigação de campo quais os principais motivos de “conversão”, eu diria, “migração” para o espiritismo, no Brasil. Ganhou disparado a “resposta racional” que a doutrina oferece para os problemas existenciais.

De fato, essa é grande novidade do espiritismo no domínio da espiritualidade: introduzir um parâmetro de racionalidade e distanciar-se dos mistérios insondáveis, que as religiões sempre mantiveram intactos e impenetráveis, sobretudo o mistério da morte.

Entretanto, essa racionalidade, que era realmente a proposta de Kardec, tem sido barateada em nosso meio, como tudo o mais, para tornar-se uma cartilha de respostinhas simples, fechadas e dogmáticas, que os adeptos retiram das mangas sempre que necessário, de maneira triunfante e apressada, muitas vezes, sem respeito pela dor do próximo e sem respeito pelas convicções do outro. Explico-me.

Por exemplo: existe na Filosofia espírita uma leitura de mundo de “causa e efeito”, que traduziram como “lei do karma”, conceito que vem do hinduísmo. Essa ideia é de que nossas ações presentes geram resultados, que colheremos mais adiante ou que nossas dores presentes podem ser explicadas à luz de nossas ações passadas. Mas há muitas variáveis nesse processo: por exemplo, estamos sempre agindo e portanto, sempre temos o poder de modificar efeitos do passado; as dores nem sempre são efeitos do passado, mas sempre são motivos de aprendizado. O sofrimento no mundo resulta das mais variadas causas: má organização social, egoísmo humano, imprevidência… Estamos num mundo de precário grau evolutivo, onde a dor é nossa mestra, companheira e o que muitas vezes entendemos como “punição” é aprendizado de evolução.

O assunto é complexo e pretendo escrever mais profundamente sobre isso. Aqui, apenas gostaria de afirmar que nós espíritas, temos sim algumas respostas racionais, mas elas são genéricas e não podem servir como camisas de força para toda a realidade. Que respostas baseadas em evidências e pesquisas temos, por exemplo, para essas famílias enlutadas com a tragédia de Santa Maria?

• que a morte não existe e que esses jovens continuam a viver e que poderão mais dia, menos dia, dar notícias de suas condições;

• que a morte traumática deixa marcas para quem fica e para quem foi e que todos precisam de amparo e oração;

• que o sofrimento deve ter algum significado existencial, que cada um precisa descobrir e transformá-lo em motivo de ascensão…

• que a fé, o contato com a Espiritualidade, seja ela qual for, dá forças ao indivíduo, para superar um trauma dessa magnitude.

Não podemos afirmar por que esses jovens morreram. Não devemos oferecer uma explicação pronta, acabada, porque não temos esses dados. Os espíritas devem se conformar com essa impotência momentânea: não alcançamos todas as variáveis de um fato como esse, para podermos oferecer uma explicação definitiva. Havia processos da lei de causa e efeito? Provavelmente sim. Houve falha humana, na segurança? Certamente sim. Qual o significado que essa tragédia terá? Cada pai, cada mãe, cada familiar, cada pessoa envolvida deverá achar o seu significado. Alguns talvez terão notícias de algum evento passado que terá desembocado nesse drama; outros extrairão dessa dor, um motivo de luta para mais segurança em locais de lazer; outros acharão novos valores e farão de seu sofrimento uma bandeira para ajudar outros que estejam no mesmo sofrimento e assim por diante.

Oremos por essas pessoas, ofereçamos nossas melhores vibrações para os que foram e para os que ficaram e ainda para os que se fizeram de alguma forma responsáveis por esse evento trágico. Mas tenhamos delicadeza ao tratar da dor do próximo! Não ofereçamos respostas fechadas, apressadas, categóricas, deterministas. Ofereçamos amor, respeito e àqueles que quiserem, um estudo aberto e não dogmático, da filosofia espírita.

http://doraincontri.com/2013/01/28/reflexoes-espiritas-sobre-a-tragedia-de-santa-maria/

 

sábado, 19 de janeiro de 2013

O que é ser manso e pacífico?



                  O que é ser manso e pacífico?


Muitos acreditam que ser manso e pacífico é estar predisposto a aceitações permanentes das intempéries naturais que a existência possa oferecer ao indivíduo. Acreditam ainda que ser manso e pacífico é ser subserviente a qualquer proposta, sem relutar, reclamar, propor, modificar.

Vejamos o exemplo de Jesus: Ele andou como um homem simples em meio a um povo cheio de lágrimas, opulências e maldades. Em momento algum deixou de ser o espírito altaneiro e virtuoso que é. Sua mansuetude encanta a todos que estuda Suas lições, comportamentos e propostas. A paz que Ele transmitiu referenda toda a Sua mensagem e ações. Assim sendo, ser manso e pacífico tem outros atributos que precisam ser pesquisados.

A mansidão, segundo os dicionários, é a brandura de índole, mas também é atributo do gênio. Um espírito genial não necessita sobrepor-se a nada ou a ninguém para mostrar suas qualidades. Elas são suas marcas, seus aparatos, seu espelho. A serenidade lhes é peculiar, pois sabem dar o passo certo para o local exato. Sabem esperar, sabem propor, sabem praticar seus misteres com tranquilidade porque conscientes de si mesmos. Os gênios são aqueles que já romperam as barreiras do ego inferior e buscam com permanência os status superiores do existir, permitindo igualmente que o irmão ou irmã ao lado faça o mesmo. Neles busca seus pares, semelhantes que lhe possa enriquecer numa espetacular projeção de crescimentos do self. Olha o mundo não como uma gaiola de loucos ou uma jaula para humanos e sim como uma feliz oportunidade de manipular todas as informações contidas na natureza e suas leis. O manso olha para a tempestade em fúria e vê nela a ação do puro se fazendo. Olha para o fogo abrasador de um incêndio e vê nele a restauração de um ouro perdido, presto a modificações salutares e revitalizadoras.

O manso não é aquele que deita numa rede de balanço e olha para o céu como um ser estático perante a grandiosidade cósmica. Se deita numa rede o faz para meditar enquanto se enriquece das presenças dos raios que emanam de Deus através da Sua Augusta e perene criação. O manso não é aquele que aceita propostas indecorosas para manter-se vivo perante as modalidades fétidas e passageiras de ações infelizes impetradas por espíritos belicosos que nada produzem de útil para a sociedade. Antes, sugam dela seus legítimos direitos, envolvendo-se em deveres atrozes que lhes cobrarão ações hercúleas num futuro. Muitas vezes em dores lancinantes da culpa, do arrependimento, através torturas físicas e morais difíceis de serem descritas.

O manso entende que o dinamismo próprio para as solturas espirituais demanda tolerância, indulgência e bondade. Assim ele se estabelece como um ser em busca da sua própria plenitude. Somente o ser pleno consegue atingir os atributos da reta consciência. Pela questão 615 de “O Livro dos Espíritos” somos informados de que a Lei de Deus é eterna e imutável. Enquanto não a praticamos sofremos as injunções das nossas rebeldias. Sabemos hoje que somente a prática do bem e a consciência reta podem nos garantir os avanços à plenitude espiritual. Sem mansuetude isto é impossível. Sem mansuetude nossos olhares continuarão travessos; nossas mãos, garras perigosas, nossos pés buscarão trilhas e escarpas ao invés de caminhos. A mansuetude é luz que guia que promove o indivíduo a patamares onde as observações podem ser feitas com maiores profundidades. Na mansuetude respiramos ares benfazejos porque nos é possível seleciona-los sem atropelos. Na mansuetude os esgares cedem espaços a tudo que é convicto porque pensado com parcimônia. Somente na mansuetude é possível buscar nos seres e propostas seus reais valores e credibilidades. Por isto o gênio é manso.

Na cadência mansa do cordeiro Jesus estabeleceu Seu aprisco. Na cadência mansa dos astros a rolarem peremptórios pelos espaços cósmicos, Deus estabeleceu a Casa para morada dos Seus filhos. Na cadência feliz dos espíritos que se auto descobrem a centelha divina vai se expandido, enriquecendo o indivíduo, tornando-o livre. O espírito livre vê mais distante, vê as entrelinhas, vê as essências – fundamentos primeiros das coisas e causas, tornando-se diferenciado, respeitado, um dínamo propulsor do progresso, genial! Sabe de antemão que o orgulho e o egoísmo representam o maior obstáculo ao progresso. E reunidos criam no ser um estado de inconstância e apreensões, medos e inseguranças que o fazem retrógrado, muitas vezes avançado intelectualmente e estirado num lamaçal no campo da moralidade. Isto não é plenitude que promove a mansuetude. São desvarios que promovem guerras internas e externas.

O manso sabe que o entrelaçamento dos valores intelectuais e morais promovem a corrente do bem e avança por ele e, através dele, atinge os cumes dos seus ideais para entendê-los além numa feliz sucessão de probidades espirituais. Sabe que os bens terrenos são apenas passageiros e não conduzem os seres aos próprios “vir-a-ser” de excelências. Ele estudou a questão 785 de “O Livro dos Espíritos” e aprendeu que a humanidade ainda não atingiu o apogeu da perfeição, mas que ela é perfectível, portanto, ele próprio é um ser perfectível por pertencer à raça humana.

E o ser pacífico, quem seria ele? Um pregador ermitão morando nas alturas do mundo, confortando almas em desalinho que de quando em vez o procura? Ou um intérmino dialogador silencioso conversando infinitamente com os vegetais numa atitude quase ante social? Seria um andarilho de cajado liso a andar pelas estradas à procura do seu “eu” superior? Seria ainda o mediador das contendas a promover as bondades em meias partes iguais? Afirmamos que o ser pacífico é maior e mais aparelhado dinamizador do progresso real da humanidade. Passividade não representa compassividade para com o erro ou o atraso moral e intelectual de quem quer que seja e em qual civilização for. Há um provérbio chinês que diz: “Em plena paz deves agir com intensa atividade e, em intensa atividade, deves agir com intensa paz”. Um é perfeito corolário do outro. Um complementa o outro. O pacífico é, pois aquele que vislumbra o belo e a perfeição, a face do bem em todas as moedas que encontra pelo caminho. Sabe das temporalidades dos eventos. Sabe das distorções promovidas pelos incautos, sabe das propostas promissoras ao surgimento de novas alianças com a luz. Somente o pacífico pode ver a luz. Somente o pacífico pode agir com justiça, solidariedade e amor pelas pessoas e circunstâncias. Porque somente naquele estado as intuições saudáveis podem penetrar-lhe o ser buscando suas profundidades de filho de Deus.

Por isso que Jesus disse: “Felizes são os mansos e os pacíficos porque eles herdarão a Terra”. Ver em Mateus Cap. 5 Vv.  4 e 9. E que Terra eles herdarão? Juntemos aqui outra palavra do Mestre Jesus: “Meu Reino ainda não é deste mundo”. Ver João Cap. 18 Vv. 33 a 37. Ora, Ele estava defronte Pilatos ali representando o poder temporal. O mesmo poder que todas as nações do mundo estabelecem ainda hoje como critérios de representatividades. Roma era o máximo. Isto, na pura concepção da transitoriedade. Jesus O representante do Poder Divino que rege toda a Criação através das suas leis imutáveis porque absolutamente justas. Roma e Jesus o mesmo que os reinos atuais e o Reino Futuro. No Reino de Jesus os brandos e os pacíficos aprendem com Ele, convivem com Ele, trabalham para Ele. Gradativamente a Terra vem sendo saneada pelas propostas da mansuetude e da paz. Cada gênio que aqui nasce ou renasce estabelece novas diretrizes, novos caminhos, criando pilares para que o projeto do Senhor desta humanidade possa, enfim, estabelecer-se nos sítios inferiores do planeta Seu reinado é de eficácia e luz, liberdade para todos e responsabilidade aliada. Assim, os murros, socos, pontapés, lixos orais ou grafados, atividades bélicas, corrupções, negociatas, infidelidades, drogas lícitas ou não, mentiras e um sem conta de propostas e comportamentos, filhos eficientes do orgulho e do egoísmo, estão com seus dias contados neste mundo. Como no futuro não haverá cidades fantasmas, esses agêneres infelizes terão que ser remanejados. Para onde? Para onde suas consciências indicarem, suportar e aninhar dentro dos seus propósitos de egos inflados ou subservientes.


                   Não se trata de amedrontamentos. De temores a Deus, de falácias próprias das religiões. Trata-se de buscas aparelhadas com a lógica Divina. Entendamos que tudo que pensamos já foi antes pensado. Tudo que não podemos por hora aprofundar, já foi antes estabelecido. É assim o universo. Ele não cresce ou se expande através das nossas descobertas. É uma casa repleta de aprendizados e apropriações que nos compete realizar. Não é a ciência que cria as coisas, ela apenas dá-lhe os sentidos e as formas, as possibilidades ou não. A filosofia não pode ser impregnada de “achismos”. Necessita estar isenta para melhor analisar e concluir. As religiões devem aliar-se à ciência e à filosofia para melhor encaminhar a Deus os Seus filhos em trânsito pelas vias da evolução. Não podem estar impregnadas de doutos, supostos condutores de almas, necessitando antes melhor conduzir-se. Os céus não são conquistados por gritos e tampouco são comprados por dinheiro terreno. A moeda que circula aqui, somente a este mundo pertence. A moeda dos céus é o amor a Deus e ao próximo como a si mesmo. Não se compra pedacinhos de felicidades. Felicidades são conquistadas com trabalho e orientação eficaz. Com persistência e avanços. Não há atropelos nas conquistas espirituais. Vejamos os exemplos dos embriões. Desenvolvem-se no tempo certo e nas condições adequadas. 

Os mansos e pacíficos serão os governadores do mundo do futuro. Serão os leais e dignos representantes de Jesus entre as humanidades futuras. Por isso eles se preparam nos planos espirituais. Tornarão vivaz a árvore da família. E serão inúmeras aquelas árvores a acolher em seus galhos as folhas, vivificando-as para que cresçam, tornando-se sementes para novas árvores. No futuro as famílias estarão alinhadas entre si e com suas frondes direcionadas para Deus. As famílias abraçarão a proposta de criar e educar com realeza os seus membros. E pai não matará o filho e filho não matará a mãe e irmãos estarão de braços dados rumando para o justo. Naqueles tempos as infidelidades conjugais ou não, estarão banidas para sempre do mundo e marido e mulher entenderão seus reais valores no cômputo das sociedades. E juntos erguerão diariamente um brinde à vida por tê-los unidos. E será um brinde nas taças das virtudes, recheadas de luzes e cores provindas dos seios cósmicos que a tudo provê. 

Os mansos e os pacíficos caminharão sobre a Terra em construção social maviosa. A cidadania avançará para as sociedades espirituais e a sabedoria será buscada avidamente por todos. Os salões de festas estarão repletos de convivas cônscios dos seus deveres uns para com os outros e saberão que os corpos físicos contêm em sua essência um espírito e que na essência de cada espírito pulsa a centelha de Deus. Assim se respeitarão e serão respeitados. E não se jogarão como dados num tabuleiro de aventuras. O sorriso sincero e leal será a marca da beleza pessoal. Também eles estarão nas grandes mesas dos negócios, não para enriquecerem-se de uma moeda de valor apenas nominal. E sim de valores reais que adquirirão pelo trabalho perfeito e em constante busca da perfeição. As escolas serão transformadas em templos e os templos em escolas. Os hospitais em laboratórios de pesquisas aprofundadas e os leitos cederão lugar aos equipamentos de alta precisão onde será possível estabelecer cada vez mais e maiores as metas da saúde física e espiritual.

A engenharia e a arquitetura desenharão e construirão no mundo as visões alcandoradas das mentes em plena liberdade para ver e sentir os planos sublimados do além. Os tribunais cederão lugar a refúgios onde a consciência possa buscar os parâmetros legítimos da justiça e aplica-la em suas lidas diárias. Por não haver violência, não haverá processos criminais. Por não haver culpabilidades individuais e coletivas, as varas judiciais encerrarão suas atividades no mundo, aliando-se ao contingente dos construtores eficazes das sociedades futuras, estabelecendo-lhes as regras a partir da Lei Maior em seus dez artigos. 

Podemos concluir dizendo que ser mando e pacífico é ser inteligente, culto, perspicaz, futurista, empreendedor e representante em si do bem e do belo. Sem esses requisitos não se poderá habitar na Terra em pleno Reino de Jesus. E dizem que este futuro já bate às nossas portas. Que os encaminhamentos legais a ele devem ser protocolados desde já, que embainhemos nossas espadas, que sepultemos nossos vícios, que modifiquemos nossa maneira de ver e agir sexualmente, que... Enfim, que nos tornemos ovelhas mansas e pacíficas em pleno exercício da genialidade e do dinamismo que proporcione o progresso espiritual, individual e coletivo. É a proposta real porque vinda Daquele que é O Caminho, A Verdade e A Vida. Deixemos de lado as ideias de fim do mundo. Energia criada, energia perpetuada em contínuas transformações. Isto é o que somos. Isto é o que é. Entender assim a vida é ser de fato manso e pacífico, atuante eficaz a favor da vida em suas múltiplas dimensões e devidamente aparelhado para herdar o mundo em seu futuro glorioso.



            Guaraci de Lima Silveira




Clique aqui para ler mais: 
http://www.forumespirita.net/fe/accao-do-dia/o-que-e-ser-manso-e-pacifico/#ixzz21etFKgXb


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

PROGRAMAÇÃO DA 9ª SEMANA ESPÍRITA


AMANHÃ DIA 10/11/12, TERÁ INÍCIO A 9ª SEMANA ESPÍRITA DE CARPINA, REALIZADA PELO CEAC.VOCÊ,NÃO ESPÍRITA É O NOSSO PÚBLICO ALVO,POIS A IDEIA É DIVULGAR,É LEVAR OS ENSINAMENTOS DE JESUS PARA TODOS!!!COMPAREÇA E LEVE UM AMIGO. CONHECEREIS A VERDA
DE E ELA VOS LIBERTARÁ, SÃO PALAVRAS DO MESTRE JESUS.

Programação da 9ªSemana Espírita de Carpina
DE 10/11/2012 À 18/11/2012

Tema central: O ESPIRITISMO ANTE OS PROBLEMAS HUMANOS

Dia 10 de novembro Palestra de abertura: O espiritismo ante os problemas humanos
Palestrante: ADEMAR FARIA - Auditório do CEAC – 20:00 HS

Dia 11 - Seminário REENCARNAÇÃO,A GRANDE LEI DA VIDA (Auditório do CEAC)
Horário 8.30 às 12h com ADEMAR FARIA

Seminário OBSESSÃO um enfoque médico e espírita com HUGO MARTINS
Horário 13.30 às 16h.

Às 16.15 Palestra pública com ADEMAR FARIA - POR QUE SONHAMOS?

Dia 12 - Palestra Pública: SUICÍDIO SOLUÇÃO ENGANOSA com ALISSON GUEDES (Auditório da Prefeitura) 19.30 ÀS 21:00 HS

Dia 13 - Palestra Pública SEPARAÇÕES CONJUGAIS com NANE MENDONÇA (Auditório CEAC) 19.00 hs ÀS 20 hs

Dia 14 - Palestra Pública A SEXUALIDADE E A EDUCAÇÃO DO SER com RODRIGO DEODATO (Auditório da Prefeitura) 19.30 às 21:00 hs

Dia 15 - Palestra Pública A VIOLÊNCIA DOS NOSSOS LARES E DAS RUAS com ALEXANDRE SALSA (Auditório da Prefeitura) 19.30 às 21:00hs

Dia 16 - Palestra pública ABORTAMENTO, UMA VISÃO MÉDICO ESPÍRITA com LEONARDO MACHADO (Auditório da Prefeitura) 19:30 às 21:00hs

Dia17 - Palestra Pública MORTE, PORQUE NÃO TEMÊ-LA com SUELI WERKAUSER (GENOL) 20.00 hs

Dia 18 - Seminário A EDUCAÇÃO DOS SENTIMENTOS com NANE MENDONÇA das 9 às 12.30h no Auditório do CEAC.

Às 15h. PALESTRA DE ENCERRAMENTO O AMOR COMO SOLUÇÃO NO RANCHO DO HIMALAIA COM REGINA.

Obs: No dia 30 de Novembro, dias 1 e 2 de dezembro como extensão do trabalho da semana espírita, palestras e seminário com VILSON DISPOSTI, autor do livro FILHOS DA DOR, prefaciado por DIVALDO FRANCO. Ele é Delegado de Polícia, Professor e Mestre em Direito Penal, em SÃO PAULO, fundador e diretor do Centro de Reabilitação AVE CRISTO para dependentes químicos em Birigui estado de São Paulo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

ANTE OS QUE PARTIRAM


Nenhum sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio.
Ver a névoa da morte estampar-se, inexorável, na fisionomia dos que mais amamos, e cerrar-lhes os olhos no adeus indescritível, é como despedaçar a própria alma e prosseguir vivendo.
Digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho transfigurado em anjo da agonia; um esposo que se despede, procurando debalde mover os lábios mudos; uma companheira cujas mãos consagradas à ternura pendem extintas; um amigo que tomba desfalecente para não mais se erguer, ou um semblante materno acostumado a abençoar, e que nada mais consegue exprimir senão a dor da extrema separação, através da última lágrima.
Falem aqueles que, um dia, se inclinaram, esmagados de solidão, à frente de um túmulo; os que se rojaram em prece nas cinzas que recobrem a derradeira recordação dos entes inesquecíveis; os que caíram, varados de saudade, carregando no seio o esquife dos próprios sonhos; os que tatearam, gemendo, a lousa imóvel, e os que soluçaram de angústia, no ádito dos próprios pensamentos, perguntando, em vão, pela presença dos que partiram.
Todavia, quando semelhante provação te bata à porta, reprime o desespero e dilui a corrente da mágoa na fonte viva da oração, porque os chamados mortos são apenas ausentes e as gotas de teu pranto lhes fustigam a alma como chuva de fel.
Também eles pensam e lutam, sentem a choram.
Atravessam a faixa do sepulcro como quem se desvencilha da noite, mas, na madrugada do novo dia, inquietam-se pelos que ficaram… Ouvem-lhes os gritos e as súplicas, na onda mental que rompe a barreira da grande sombra e tremem cada vez que os laços afetivos da retaguarda se rendem à inconformação ou se voltam para o suicídio.
Lamentam-se quanto aos erros praticados e trabalham, com afinco, na regeneração que lhes diz respeito.
Estimulam-te à prática do bem, partilhando-te as dores e as alegrias.
Rejubilam-se com as tuas vitórias no mundo interior e consolam-te nas horas amargas para que te não percas no frio do desencanto.
Tranqüiliza-te, desse modo, os companheiros que demandam o Além, suportando corajosamente a despedida temporária, e honra-lhes a memória, abraçando com nobreza os deveres que te legaram.
Recorda que, em futuro mais próximo que imaginas, respirarás entre eles, comungando-lhes as necessidades e os problemas, porquanto terminarás também a própria viagem no mar das provas redentoras.
E, vencendo para sempre o terror da morte, não nos será lícito esquecer que Jesus, o nosso Divino Mestre e Herói do Túmulo Vazio, nasceu em noite escura, viveu entre os infortúnios da Terra e expirou na cruz, em tarde pardacenta, sobre o monte empedrado, mas ressuscitou aos Cânticos da manhã, no fulgor de um jardim.
Emmanuel – psicografia de Chico Xavier.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Anete Gumarães Forças interiores da mudança

PALESTRA "FORÇAS INTERIORES DA MUDANÇA" COM DRA. ANETE GUIMARÃES

A psicóloga, oradora internacional e pesquisadora universitária Drª Anete Guimarães, do Rio de Janeiro, RJ, palestrou na Sociedade Colatinense de Estudos Espíritas (Colatina-ES) sobre o tema 'Com o tema “Forças Interiores da Mudança”.
Filha de dois dos maiores palestrantes espírita do Brasil, Ana e Geraldo Guimarães, ela nos mostrou os recentes estudos e pesquisas da estrutura da mente humana e seus mecanismos de mudanças para melhoria do ser, com enfoque espiritualista. Ela é uma das maiores autoridades do assunto atualmente no mundo.'
Nesta palestra, ela expõe uma incrível abordagem científica para esclarecer uma frase específica de Jesus"Vinde a Mim todos vós que sofreis e vos acheis sobrecarregados que eu vos aliviarei porque o meu fardo é leve e meu jugo é suave".

sábado, 8 de setembro de 2012

O Estranho Mundo dos Suicidas


O Estranho Mundo dos Suicidas
Frederico Francisco
A IMAGEM É UMA INDICAÇÃO DE LEITURA

Frequentemente somos procurados por iniciantes do Espiritismo, para explicações sobre este ou aquele ponto da Doutrina. Tantas são as perguntas, e tão variadas, que nos chegam, até mesmo através de cartas, que chegamos à conclusão de que a dúvida e a desorientação que lavram entre os aprendizes da Terceira Revelação partem do fato de eles ainda não terem percebido que, para nos apossarmos dos seus legítimos ensinamentos, havemos de estabelecer um estudo metódico, parcelado, partindo da base da Doutrina, ou exposição das leis, e não do coroamento, exatamente como o aluno de uma escola iniciará o curso da primeira série e não da quarta ou da quinta.
Desconhecendo a longa série dos clássicos que expuseram as leis transcendentes em que se firmam os valores da mesma Doutrina, não somente nos veremos contornados pela confusão, impossibilitados de um sadio discernimento sobre o assunto, como também o sofisma, tão perigoso em assuntos de Espiritismo, virá em nosso encalço, pois não saberemos raciocinar devidamente, uma vez que só a exposição das leis da Doutrina nos habilitará ao verdadeiro raciocínio.
Procuraremos responder a uma dessas perguntas, de vez que nos chegou através de uma carta, pergunta que nos afligiu profundamente, visto que fere assunto melindroso, dos mais graves que a Doutrina Espírita costuma examinar. A dita pergunta veio acompanhada de interpretações sofismadas, próprias daquele que ainda não se deu ao trabalho de investigar o assunto para deduzir com a segurança da lógica. Pergunta o missivista:
- Um suicida por motivos nobres sofre os mesmos tormentos que os demais suicidas? Não haverá para ele uma misericórdia especial?
E então respondemos:
- De tudo quanto, até hoje, temos estudado, aprendido e observado em torno do suicídio à luz da Doutrina Espírita, nada, absolutamente, nos tem conferido o direito de crer que existam motivos nobres para justificar o suicídio perante as leis de Deus. O que sabemos é que o suicídio é infração às leis de Deus, considerada das mais graves que o ser humano poderia praticar ante o seu Criador. Os próprios Espíritos de suicidas são unânimes em declarar a intensidade dos sofrimentos que experimentam, a amargura da situação em que se agitam, consequentes do seu impensado ato. Muitos deles, como o grande escritor Camilo Castelo Branco, que advertiu os homens em termos veementes, em memorável comunicação concedida ao antigo médium Fernando de Lacerda, afirmam que a fome, a desilusão, a pobreza, a desonra, a doença, a cegueira, qualquer situação, por mais angustiosa que seja,, sobre a Terra, ainda seria excelente condição "comparada ao que de melhor se possa atingir pelos desvios do suicídio".
Durante nosso longo tirocínio mediúnico, temos tratado com numerosos Espíritos de suicidas, e todos eles se revelam e se confessam superlativamente desgraçados no Além-Túmulo, lamentando o momento em que sucumbiram. Certamente que não haverá regra geral para a situação dos suicidas. A situação de um desencarnado, como também de um suicida, dependerá até mesmo do gênero de vida que ele levou na Terra, do seu caráter pessoal, das ações praticadas antes de morrer.
Num suicídio violento como, por exemplo, os ocasionados sob as rodas de um trem de ferro, ou outro qualquer veículo, por uma queda de grande altura, pelo fogo, etc., necessariamente haverá traumatismo perispiritual e mental muito mais intenso e doloroso que nos demais. Mas a terrível situação de todos eles se estenderá por uma rede de complexos desorientadores, implicando novas reencarnações que poderão produzir até mesmo enfermidades insolúveis, como a paralisia e a epilepsia, descontroles do sistema nervoso, retardamento mental, etc. Um tiro no ouvido, por exemplo, segundo informações dos próprios Espíritos de suicidas, em alguns casos poderá arrastar à surdez em encarnação posterior; no coração, arrastará a enfermidades indefiníveis no próprio órgão, consequência essa que infelicitará toda uma existência, atormentando-a por indisposições e desequilíbrios insolúveis.
Entretanto, tais consequências não decorrerão como castigo enviado por Deus ao infrator, mas como efeito natural de uma causa desarmonizada com as leis da vida e da morte, lei da Criação, portanto. E todo esse acervo de males será da inteira responsabilidade do próprio suicida. Não era esse o seu destino, previsto pelas leis divinas. Mas ele próprio o fabricou, tal como se apresenta, com a infração àquelas leis. E assim sendo, tratando-se, tais sofrimentos, do efeito natural de uma causa desarmonizada com leis invariáveis, qualquer suicida há de suportar os mesmos efeitos, ao passo que estes seguirão seu próprio curso até que causas reacionárias posteriores os anulem.
No caso proposto pelo nosso missivista, poderemos raciocinar, dentro dos ensinamentos revelados pelos Espíritos, que o suicida poderia ser sincero ao supor que seu suicídio se efetivasse por um motivo nobre. Os duelos também são realizados por motivos que os homens supõem honrosos e nobres, assim como as guerras, e ambos são infrações gravíssimas perante as leis divinas. O que um suicida suporia motivo honroso ou nobre, poderia, em verdade, mais não ser do que falso conceito, sofisma, a que se adaptou, resultado dos preconceitos acatados pelos homens como princípios inabaláveis.
A honra espiritual se estriba em pontos bem diversos, porque nos induzirá, acima de tudo, ao respeito das mesmas leis. Mas, sendo o suicida sincero no julgar que motivos honrosos o impeliram ao fato, certamente haverá atenuantes, mas não justificativa ou isenção de responsabilidades. Se assim não fosse, o raciocínio indica que haveria derrogação das próprias leis de harmonia da Criação, o que não se poderá admitir.
Quanto à misericórdia a que esse infrator teria direito como filho de Deus, não se trataria, certamente, de uma "misericórdia especial". A misericórdia de Deus se estende tanto sobre esse suicida como sobre os demais, sem predileções nem protecionismo. Ela se revela no concurso desvelado dos bons Espíritos, que auxiliarão o soerguimento do culpado para a devida reabilitação, infundindo-lhe ânimo e esperança e cercando-o de toda a caridade possível, inclusive com a prece, exatamente como na Terra agimos com os doentes e sofredores a quem socorremos. Estará também na possibilidade de o suicida se reabilitar para si próprio, através de reencarnações futuras, para as duas sociedades, terrena e invisível, as quais escandalizou com o seu gesto, e para as leis de Deus, sem se perder irremissivelmente na condenação espiritual.
De qualquer forma, com atenuantes ou agravantes, o de que nenhum suicida se isentará é da reparação do ato que praticou com o desrespeito às leis da Criação, e uma nova existência o aguardará, certamente em condições mais precárias do que aquela que destruiu, a si mesmo provando a honra espiritual que infringira.
O suicídio é rodeado de complexos e sutilezas imprevisíveis, contornado por situações e consequências delicadíssimas, que variam de grau e intensidade diante das circunstâncias. As leis de Deus são profundas e sábias, requerendo de nós outros o máximo equilíbrio para estudá-las e aprendê-las sem alterá-las com os nossos gostos e paixões.
Assim sendo, que fique bem esclarecido que nenhum motivo neste mundo será bastante honroso para justificar o suicídio diante das leis de Deus. O suicida é que poderá ser sincero ao supor tal coisa, daí advindo então atenuantes a seu favor. O melhor mesmo é seguirmos os conselhos dos próprios suicidas que se comunicam com os médiuns: - Que os homens suportem todos os males que lhes advenham da Terra, que suportem fome, desilusões, desonra, doenças, desgraças sob qualquer aspecto, tudo quanto o mundo apresente como sofrimento e martírio, porque tudo isso ainda será preferível ao que de melhor se possa atingir pelos desvios do suicídio. E eles, os Espíritos dos suicidas, são, realmente, os mais credenciados para tratar do assunto.
Revista Reformador de Março de 1964

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