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sábado, 19 de janeiro de 2013

O que é ser manso e pacífico?



                  O que é ser manso e pacífico?


Muitos acreditam que ser manso e pacífico é estar predisposto a aceitações permanentes das intempéries naturais que a existência possa oferecer ao indivíduo. Acreditam ainda que ser manso e pacífico é ser subserviente a qualquer proposta, sem relutar, reclamar, propor, modificar.

Vejamos o exemplo de Jesus: Ele andou como um homem simples em meio a um povo cheio de lágrimas, opulências e maldades. Em momento algum deixou de ser o espírito altaneiro e virtuoso que é. Sua mansuetude encanta a todos que estuda Suas lições, comportamentos e propostas. A paz que Ele transmitiu referenda toda a Sua mensagem e ações. Assim sendo, ser manso e pacífico tem outros atributos que precisam ser pesquisados.

A mansidão, segundo os dicionários, é a brandura de índole, mas também é atributo do gênio. Um espírito genial não necessita sobrepor-se a nada ou a ninguém para mostrar suas qualidades. Elas são suas marcas, seus aparatos, seu espelho. A serenidade lhes é peculiar, pois sabem dar o passo certo para o local exato. Sabem esperar, sabem propor, sabem praticar seus misteres com tranquilidade porque conscientes de si mesmos. Os gênios são aqueles que já romperam as barreiras do ego inferior e buscam com permanência os status superiores do existir, permitindo igualmente que o irmão ou irmã ao lado faça o mesmo. Neles busca seus pares, semelhantes que lhe possa enriquecer numa espetacular projeção de crescimentos do self. Olha o mundo não como uma gaiola de loucos ou uma jaula para humanos e sim como uma feliz oportunidade de manipular todas as informações contidas na natureza e suas leis. O manso olha para a tempestade em fúria e vê nela a ação do puro se fazendo. Olha para o fogo abrasador de um incêndio e vê nele a restauração de um ouro perdido, presto a modificações salutares e revitalizadoras.

O manso não é aquele que deita numa rede de balanço e olha para o céu como um ser estático perante a grandiosidade cósmica. Se deita numa rede o faz para meditar enquanto se enriquece das presenças dos raios que emanam de Deus através da Sua Augusta e perene criação. O manso não é aquele que aceita propostas indecorosas para manter-se vivo perante as modalidades fétidas e passageiras de ações infelizes impetradas por espíritos belicosos que nada produzem de útil para a sociedade. Antes, sugam dela seus legítimos direitos, envolvendo-se em deveres atrozes que lhes cobrarão ações hercúleas num futuro. Muitas vezes em dores lancinantes da culpa, do arrependimento, através torturas físicas e morais difíceis de serem descritas.

O manso entende que o dinamismo próprio para as solturas espirituais demanda tolerância, indulgência e bondade. Assim ele se estabelece como um ser em busca da sua própria plenitude. Somente o ser pleno consegue atingir os atributos da reta consciência. Pela questão 615 de “O Livro dos Espíritos” somos informados de que a Lei de Deus é eterna e imutável. Enquanto não a praticamos sofremos as injunções das nossas rebeldias. Sabemos hoje que somente a prática do bem e a consciência reta podem nos garantir os avanços à plenitude espiritual. Sem mansuetude isto é impossível. Sem mansuetude nossos olhares continuarão travessos; nossas mãos, garras perigosas, nossos pés buscarão trilhas e escarpas ao invés de caminhos. A mansuetude é luz que guia que promove o indivíduo a patamares onde as observações podem ser feitas com maiores profundidades. Na mansuetude respiramos ares benfazejos porque nos é possível seleciona-los sem atropelos. Na mansuetude os esgares cedem espaços a tudo que é convicto porque pensado com parcimônia. Somente na mansuetude é possível buscar nos seres e propostas seus reais valores e credibilidades. Por isto o gênio é manso.

Na cadência mansa do cordeiro Jesus estabeleceu Seu aprisco. Na cadência mansa dos astros a rolarem peremptórios pelos espaços cósmicos, Deus estabeleceu a Casa para morada dos Seus filhos. Na cadência feliz dos espíritos que se auto descobrem a centelha divina vai se expandido, enriquecendo o indivíduo, tornando-o livre. O espírito livre vê mais distante, vê as entrelinhas, vê as essências – fundamentos primeiros das coisas e causas, tornando-se diferenciado, respeitado, um dínamo propulsor do progresso, genial! Sabe de antemão que o orgulho e o egoísmo representam o maior obstáculo ao progresso. E reunidos criam no ser um estado de inconstância e apreensões, medos e inseguranças que o fazem retrógrado, muitas vezes avançado intelectualmente e estirado num lamaçal no campo da moralidade. Isto não é plenitude que promove a mansuetude. São desvarios que promovem guerras internas e externas.

O manso sabe que o entrelaçamento dos valores intelectuais e morais promovem a corrente do bem e avança por ele e, através dele, atinge os cumes dos seus ideais para entendê-los além numa feliz sucessão de probidades espirituais. Sabe que os bens terrenos são apenas passageiros e não conduzem os seres aos próprios “vir-a-ser” de excelências. Ele estudou a questão 785 de “O Livro dos Espíritos” e aprendeu que a humanidade ainda não atingiu o apogeu da perfeição, mas que ela é perfectível, portanto, ele próprio é um ser perfectível por pertencer à raça humana.

E o ser pacífico, quem seria ele? Um pregador ermitão morando nas alturas do mundo, confortando almas em desalinho que de quando em vez o procura? Ou um intérmino dialogador silencioso conversando infinitamente com os vegetais numa atitude quase ante social? Seria um andarilho de cajado liso a andar pelas estradas à procura do seu “eu” superior? Seria ainda o mediador das contendas a promover as bondades em meias partes iguais? Afirmamos que o ser pacífico é maior e mais aparelhado dinamizador do progresso real da humanidade. Passividade não representa compassividade para com o erro ou o atraso moral e intelectual de quem quer que seja e em qual civilização for. Há um provérbio chinês que diz: “Em plena paz deves agir com intensa atividade e, em intensa atividade, deves agir com intensa paz”. Um é perfeito corolário do outro. Um complementa o outro. O pacífico é, pois aquele que vislumbra o belo e a perfeição, a face do bem em todas as moedas que encontra pelo caminho. Sabe das temporalidades dos eventos. Sabe das distorções promovidas pelos incautos, sabe das propostas promissoras ao surgimento de novas alianças com a luz. Somente o pacífico pode ver a luz. Somente o pacífico pode agir com justiça, solidariedade e amor pelas pessoas e circunstâncias. Porque somente naquele estado as intuições saudáveis podem penetrar-lhe o ser buscando suas profundidades de filho de Deus.

Por isso que Jesus disse: “Felizes são os mansos e os pacíficos porque eles herdarão a Terra”. Ver em Mateus Cap. 5 Vv.  4 e 9. E que Terra eles herdarão? Juntemos aqui outra palavra do Mestre Jesus: “Meu Reino ainda não é deste mundo”. Ver João Cap. 18 Vv. 33 a 37. Ora, Ele estava defronte Pilatos ali representando o poder temporal. O mesmo poder que todas as nações do mundo estabelecem ainda hoje como critérios de representatividades. Roma era o máximo. Isto, na pura concepção da transitoriedade. Jesus O representante do Poder Divino que rege toda a Criação através das suas leis imutáveis porque absolutamente justas. Roma e Jesus o mesmo que os reinos atuais e o Reino Futuro. No Reino de Jesus os brandos e os pacíficos aprendem com Ele, convivem com Ele, trabalham para Ele. Gradativamente a Terra vem sendo saneada pelas propostas da mansuetude e da paz. Cada gênio que aqui nasce ou renasce estabelece novas diretrizes, novos caminhos, criando pilares para que o projeto do Senhor desta humanidade possa, enfim, estabelecer-se nos sítios inferiores do planeta Seu reinado é de eficácia e luz, liberdade para todos e responsabilidade aliada. Assim, os murros, socos, pontapés, lixos orais ou grafados, atividades bélicas, corrupções, negociatas, infidelidades, drogas lícitas ou não, mentiras e um sem conta de propostas e comportamentos, filhos eficientes do orgulho e do egoísmo, estão com seus dias contados neste mundo. Como no futuro não haverá cidades fantasmas, esses agêneres infelizes terão que ser remanejados. Para onde? Para onde suas consciências indicarem, suportar e aninhar dentro dos seus propósitos de egos inflados ou subservientes.


                   Não se trata de amedrontamentos. De temores a Deus, de falácias próprias das religiões. Trata-se de buscas aparelhadas com a lógica Divina. Entendamos que tudo que pensamos já foi antes pensado. Tudo que não podemos por hora aprofundar, já foi antes estabelecido. É assim o universo. Ele não cresce ou se expande através das nossas descobertas. É uma casa repleta de aprendizados e apropriações que nos compete realizar. Não é a ciência que cria as coisas, ela apenas dá-lhe os sentidos e as formas, as possibilidades ou não. A filosofia não pode ser impregnada de “achismos”. Necessita estar isenta para melhor analisar e concluir. As religiões devem aliar-se à ciência e à filosofia para melhor encaminhar a Deus os Seus filhos em trânsito pelas vias da evolução. Não podem estar impregnadas de doutos, supostos condutores de almas, necessitando antes melhor conduzir-se. Os céus não são conquistados por gritos e tampouco são comprados por dinheiro terreno. A moeda que circula aqui, somente a este mundo pertence. A moeda dos céus é o amor a Deus e ao próximo como a si mesmo. Não se compra pedacinhos de felicidades. Felicidades são conquistadas com trabalho e orientação eficaz. Com persistência e avanços. Não há atropelos nas conquistas espirituais. Vejamos os exemplos dos embriões. Desenvolvem-se no tempo certo e nas condições adequadas. 

Os mansos e pacíficos serão os governadores do mundo do futuro. Serão os leais e dignos representantes de Jesus entre as humanidades futuras. Por isso eles se preparam nos planos espirituais. Tornarão vivaz a árvore da família. E serão inúmeras aquelas árvores a acolher em seus galhos as folhas, vivificando-as para que cresçam, tornando-se sementes para novas árvores. No futuro as famílias estarão alinhadas entre si e com suas frondes direcionadas para Deus. As famílias abraçarão a proposta de criar e educar com realeza os seus membros. E pai não matará o filho e filho não matará a mãe e irmãos estarão de braços dados rumando para o justo. Naqueles tempos as infidelidades conjugais ou não, estarão banidas para sempre do mundo e marido e mulher entenderão seus reais valores no cômputo das sociedades. E juntos erguerão diariamente um brinde à vida por tê-los unidos. E será um brinde nas taças das virtudes, recheadas de luzes e cores provindas dos seios cósmicos que a tudo provê. 

Os mansos e os pacíficos caminharão sobre a Terra em construção social maviosa. A cidadania avançará para as sociedades espirituais e a sabedoria será buscada avidamente por todos. Os salões de festas estarão repletos de convivas cônscios dos seus deveres uns para com os outros e saberão que os corpos físicos contêm em sua essência um espírito e que na essência de cada espírito pulsa a centelha de Deus. Assim se respeitarão e serão respeitados. E não se jogarão como dados num tabuleiro de aventuras. O sorriso sincero e leal será a marca da beleza pessoal. Também eles estarão nas grandes mesas dos negócios, não para enriquecerem-se de uma moeda de valor apenas nominal. E sim de valores reais que adquirirão pelo trabalho perfeito e em constante busca da perfeição. As escolas serão transformadas em templos e os templos em escolas. Os hospitais em laboratórios de pesquisas aprofundadas e os leitos cederão lugar aos equipamentos de alta precisão onde será possível estabelecer cada vez mais e maiores as metas da saúde física e espiritual.

A engenharia e a arquitetura desenharão e construirão no mundo as visões alcandoradas das mentes em plena liberdade para ver e sentir os planos sublimados do além. Os tribunais cederão lugar a refúgios onde a consciência possa buscar os parâmetros legítimos da justiça e aplica-la em suas lidas diárias. Por não haver violência, não haverá processos criminais. Por não haver culpabilidades individuais e coletivas, as varas judiciais encerrarão suas atividades no mundo, aliando-se ao contingente dos construtores eficazes das sociedades futuras, estabelecendo-lhes as regras a partir da Lei Maior em seus dez artigos. 

Podemos concluir dizendo que ser mando e pacífico é ser inteligente, culto, perspicaz, futurista, empreendedor e representante em si do bem e do belo. Sem esses requisitos não se poderá habitar na Terra em pleno Reino de Jesus. E dizem que este futuro já bate às nossas portas. Que os encaminhamentos legais a ele devem ser protocolados desde já, que embainhemos nossas espadas, que sepultemos nossos vícios, que modifiquemos nossa maneira de ver e agir sexualmente, que... Enfim, que nos tornemos ovelhas mansas e pacíficas em pleno exercício da genialidade e do dinamismo que proporcione o progresso espiritual, individual e coletivo. É a proposta real porque vinda Daquele que é O Caminho, A Verdade e A Vida. Deixemos de lado as ideias de fim do mundo. Energia criada, energia perpetuada em contínuas transformações. Isto é o que somos. Isto é o que é. Entender assim a vida é ser de fato manso e pacífico, atuante eficaz a favor da vida em suas múltiplas dimensões e devidamente aparelhado para herdar o mundo em seu futuro glorioso.



            Guaraci de Lima Silveira




Clique aqui para ler mais: 
http://www.forumespirita.net/fe/accao-do-dia/o-que-e-ser-manso-e-pacifico/#ixzz21etFKgXb


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

PROGRAMAÇÃO DA 9ª SEMANA ESPÍRITA


AMANHÃ DIA 10/11/12, TERÁ INÍCIO A 9ª SEMANA ESPÍRITA DE CARPINA, REALIZADA PELO CEAC.VOCÊ,NÃO ESPÍRITA É O NOSSO PÚBLICO ALVO,POIS A IDEIA É DIVULGAR,É LEVAR OS ENSINAMENTOS DE JESUS PARA TODOS!!!COMPAREÇA E LEVE UM AMIGO. CONHECEREIS A VERDA
DE E ELA VOS LIBERTARÁ, SÃO PALAVRAS DO MESTRE JESUS.

Programação da 9ªSemana Espírita de Carpina
DE 10/11/2012 À 18/11/2012

Tema central: O ESPIRITISMO ANTE OS PROBLEMAS HUMANOS

Dia 10 de novembro Palestra de abertura: O espiritismo ante os problemas humanos
Palestrante: ADEMAR FARIA - Auditório do CEAC – 20:00 HS

Dia 11 - Seminário REENCARNAÇÃO,A GRANDE LEI DA VIDA (Auditório do CEAC)
Horário 8.30 às 12h com ADEMAR FARIA

Seminário OBSESSÃO um enfoque médico e espírita com HUGO MARTINS
Horário 13.30 às 16h.

Às 16.15 Palestra pública com ADEMAR FARIA - POR QUE SONHAMOS?

Dia 12 - Palestra Pública: SUICÍDIO SOLUÇÃO ENGANOSA com ALISSON GUEDES (Auditório da Prefeitura) 19.30 ÀS 21:00 HS

Dia 13 - Palestra Pública SEPARAÇÕES CONJUGAIS com NANE MENDONÇA (Auditório CEAC) 19.00 hs ÀS 20 hs

Dia 14 - Palestra Pública A SEXUALIDADE E A EDUCAÇÃO DO SER com RODRIGO DEODATO (Auditório da Prefeitura) 19.30 às 21:00 hs

Dia 15 - Palestra Pública A VIOLÊNCIA DOS NOSSOS LARES E DAS RUAS com ALEXANDRE SALSA (Auditório da Prefeitura) 19.30 às 21:00hs

Dia 16 - Palestra pública ABORTAMENTO, UMA VISÃO MÉDICO ESPÍRITA com LEONARDO MACHADO (Auditório da Prefeitura) 19:30 às 21:00hs

Dia17 - Palestra Pública MORTE, PORQUE NÃO TEMÊ-LA com SUELI WERKAUSER (GENOL) 20.00 hs

Dia 18 - Seminário A EDUCAÇÃO DOS SENTIMENTOS com NANE MENDONÇA das 9 às 12.30h no Auditório do CEAC.

Às 15h. PALESTRA DE ENCERRAMENTO O AMOR COMO SOLUÇÃO NO RANCHO DO HIMALAIA COM REGINA.

Obs: No dia 30 de Novembro, dias 1 e 2 de dezembro como extensão do trabalho da semana espírita, palestras e seminário com VILSON DISPOSTI, autor do livro FILHOS DA DOR, prefaciado por DIVALDO FRANCO. Ele é Delegado de Polícia, Professor e Mestre em Direito Penal, em SÃO PAULO, fundador e diretor do Centro de Reabilitação AVE CRISTO para dependentes químicos em Birigui estado de São Paulo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

ANTE OS QUE PARTIRAM


Nenhum sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio.
Ver a névoa da morte estampar-se, inexorável, na fisionomia dos que mais amamos, e cerrar-lhes os olhos no adeus indescritível, é como despedaçar a própria alma e prosseguir vivendo.
Digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho transfigurado em anjo da agonia; um esposo que se despede, procurando debalde mover os lábios mudos; uma companheira cujas mãos consagradas à ternura pendem extintas; um amigo que tomba desfalecente para não mais se erguer, ou um semblante materno acostumado a abençoar, e que nada mais consegue exprimir senão a dor da extrema separação, através da última lágrima.
Falem aqueles que, um dia, se inclinaram, esmagados de solidão, à frente de um túmulo; os que se rojaram em prece nas cinzas que recobrem a derradeira recordação dos entes inesquecíveis; os que caíram, varados de saudade, carregando no seio o esquife dos próprios sonhos; os que tatearam, gemendo, a lousa imóvel, e os que soluçaram de angústia, no ádito dos próprios pensamentos, perguntando, em vão, pela presença dos que partiram.
Todavia, quando semelhante provação te bata à porta, reprime o desespero e dilui a corrente da mágoa na fonte viva da oração, porque os chamados mortos são apenas ausentes e as gotas de teu pranto lhes fustigam a alma como chuva de fel.
Também eles pensam e lutam, sentem a choram.
Atravessam a faixa do sepulcro como quem se desvencilha da noite, mas, na madrugada do novo dia, inquietam-se pelos que ficaram… Ouvem-lhes os gritos e as súplicas, na onda mental que rompe a barreira da grande sombra e tremem cada vez que os laços afetivos da retaguarda se rendem à inconformação ou se voltam para o suicídio.
Lamentam-se quanto aos erros praticados e trabalham, com afinco, na regeneração que lhes diz respeito.
Estimulam-te à prática do bem, partilhando-te as dores e as alegrias.
Rejubilam-se com as tuas vitórias no mundo interior e consolam-te nas horas amargas para que te não percas no frio do desencanto.
Tranqüiliza-te, desse modo, os companheiros que demandam o Além, suportando corajosamente a despedida temporária, e honra-lhes a memória, abraçando com nobreza os deveres que te legaram.
Recorda que, em futuro mais próximo que imaginas, respirarás entre eles, comungando-lhes as necessidades e os problemas, porquanto terminarás também a própria viagem no mar das provas redentoras.
E, vencendo para sempre o terror da morte, não nos será lícito esquecer que Jesus, o nosso Divino Mestre e Herói do Túmulo Vazio, nasceu em noite escura, viveu entre os infortúnios da Terra e expirou na cruz, em tarde pardacenta, sobre o monte empedrado, mas ressuscitou aos Cânticos da manhã, no fulgor de um jardim.
Emmanuel – psicografia de Chico Xavier.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Anete Gumarães Forças interiores da mudança

PALESTRA "FORÇAS INTERIORES DA MUDANÇA" COM DRA. ANETE GUIMARÃES

A psicóloga, oradora internacional e pesquisadora universitária Drª Anete Guimarães, do Rio de Janeiro, RJ, palestrou na Sociedade Colatinense de Estudos Espíritas (Colatina-ES) sobre o tema 'Com o tema “Forças Interiores da Mudança”.
Filha de dois dos maiores palestrantes espírita do Brasil, Ana e Geraldo Guimarães, ela nos mostrou os recentes estudos e pesquisas da estrutura da mente humana e seus mecanismos de mudanças para melhoria do ser, com enfoque espiritualista. Ela é uma das maiores autoridades do assunto atualmente no mundo.'
Nesta palestra, ela expõe uma incrível abordagem científica para esclarecer uma frase específica de Jesus"Vinde a Mim todos vós que sofreis e vos acheis sobrecarregados que eu vos aliviarei porque o meu fardo é leve e meu jugo é suave".

sábado, 8 de setembro de 2012

O Estranho Mundo dos Suicidas


O Estranho Mundo dos Suicidas
Frederico Francisco
A IMAGEM É UMA INDICAÇÃO DE LEITURA

Frequentemente somos procurados por iniciantes do Espiritismo, para explicações sobre este ou aquele ponto da Doutrina. Tantas são as perguntas, e tão variadas, que nos chegam, até mesmo através de cartas, que chegamos à conclusão de que a dúvida e a desorientação que lavram entre os aprendizes da Terceira Revelação partem do fato de eles ainda não terem percebido que, para nos apossarmos dos seus legítimos ensinamentos, havemos de estabelecer um estudo metódico, parcelado, partindo da base da Doutrina, ou exposição das leis, e não do coroamento, exatamente como o aluno de uma escola iniciará o curso da primeira série e não da quarta ou da quinta.
Desconhecendo a longa série dos clássicos que expuseram as leis transcendentes em que se firmam os valores da mesma Doutrina, não somente nos veremos contornados pela confusão, impossibilitados de um sadio discernimento sobre o assunto, como também o sofisma, tão perigoso em assuntos de Espiritismo, virá em nosso encalço, pois não saberemos raciocinar devidamente, uma vez que só a exposição das leis da Doutrina nos habilitará ao verdadeiro raciocínio.
Procuraremos responder a uma dessas perguntas, de vez que nos chegou através de uma carta, pergunta que nos afligiu profundamente, visto que fere assunto melindroso, dos mais graves que a Doutrina Espírita costuma examinar. A dita pergunta veio acompanhada de interpretações sofismadas, próprias daquele que ainda não se deu ao trabalho de investigar o assunto para deduzir com a segurança da lógica. Pergunta o missivista:
- Um suicida por motivos nobres sofre os mesmos tormentos que os demais suicidas? Não haverá para ele uma misericórdia especial?
E então respondemos:
- De tudo quanto, até hoje, temos estudado, aprendido e observado em torno do suicídio à luz da Doutrina Espírita, nada, absolutamente, nos tem conferido o direito de crer que existam motivos nobres para justificar o suicídio perante as leis de Deus. O que sabemos é que o suicídio é infração às leis de Deus, considerada das mais graves que o ser humano poderia praticar ante o seu Criador. Os próprios Espíritos de suicidas são unânimes em declarar a intensidade dos sofrimentos que experimentam, a amargura da situação em que se agitam, consequentes do seu impensado ato. Muitos deles, como o grande escritor Camilo Castelo Branco, que advertiu os homens em termos veementes, em memorável comunicação concedida ao antigo médium Fernando de Lacerda, afirmam que a fome, a desilusão, a pobreza, a desonra, a doença, a cegueira, qualquer situação, por mais angustiosa que seja,, sobre a Terra, ainda seria excelente condição "comparada ao que de melhor se possa atingir pelos desvios do suicídio".
Durante nosso longo tirocínio mediúnico, temos tratado com numerosos Espíritos de suicidas, e todos eles se revelam e se confessam superlativamente desgraçados no Além-Túmulo, lamentando o momento em que sucumbiram. Certamente que não haverá regra geral para a situação dos suicidas. A situação de um desencarnado, como também de um suicida, dependerá até mesmo do gênero de vida que ele levou na Terra, do seu caráter pessoal, das ações praticadas antes de morrer.
Num suicídio violento como, por exemplo, os ocasionados sob as rodas de um trem de ferro, ou outro qualquer veículo, por uma queda de grande altura, pelo fogo, etc., necessariamente haverá traumatismo perispiritual e mental muito mais intenso e doloroso que nos demais. Mas a terrível situação de todos eles se estenderá por uma rede de complexos desorientadores, implicando novas reencarnações que poderão produzir até mesmo enfermidades insolúveis, como a paralisia e a epilepsia, descontroles do sistema nervoso, retardamento mental, etc. Um tiro no ouvido, por exemplo, segundo informações dos próprios Espíritos de suicidas, em alguns casos poderá arrastar à surdez em encarnação posterior; no coração, arrastará a enfermidades indefiníveis no próprio órgão, consequência essa que infelicitará toda uma existência, atormentando-a por indisposições e desequilíbrios insolúveis.
Entretanto, tais consequências não decorrerão como castigo enviado por Deus ao infrator, mas como efeito natural de uma causa desarmonizada com as leis da vida e da morte, lei da Criação, portanto. E todo esse acervo de males será da inteira responsabilidade do próprio suicida. Não era esse o seu destino, previsto pelas leis divinas. Mas ele próprio o fabricou, tal como se apresenta, com a infração àquelas leis. E assim sendo, tratando-se, tais sofrimentos, do efeito natural de uma causa desarmonizada com leis invariáveis, qualquer suicida há de suportar os mesmos efeitos, ao passo que estes seguirão seu próprio curso até que causas reacionárias posteriores os anulem.
No caso proposto pelo nosso missivista, poderemos raciocinar, dentro dos ensinamentos revelados pelos Espíritos, que o suicida poderia ser sincero ao supor que seu suicídio se efetivasse por um motivo nobre. Os duelos também são realizados por motivos que os homens supõem honrosos e nobres, assim como as guerras, e ambos são infrações gravíssimas perante as leis divinas. O que um suicida suporia motivo honroso ou nobre, poderia, em verdade, mais não ser do que falso conceito, sofisma, a que se adaptou, resultado dos preconceitos acatados pelos homens como princípios inabaláveis.
A honra espiritual se estriba em pontos bem diversos, porque nos induzirá, acima de tudo, ao respeito das mesmas leis. Mas, sendo o suicida sincero no julgar que motivos honrosos o impeliram ao fato, certamente haverá atenuantes, mas não justificativa ou isenção de responsabilidades. Se assim não fosse, o raciocínio indica que haveria derrogação das próprias leis de harmonia da Criação, o que não se poderá admitir.
Quanto à misericórdia a que esse infrator teria direito como filho de Deus, não se trataria, certamente, de uma "misericórdia especial". A misericórdia de Deus se estende tanto sobre esse suicida como sobre os demais, sem predileções nem protecionismo. Ela se revela no concurso desvelado dos bons Espíritos, que auxiliarão o soerguimento do culpado para a devida reabilitação, infundindo-lhe ânimo e esperança e cercando-o de toda a caridade possível, inclusive com a prece, exatamente como na Terra agimos com os doentes e sofredores a quem socorremos. Estará também na possibilidade de o suicida se reabilitar para si próprio, através de reencarnações futuras, para as duas sociedades, terrena e invisível, as quais escandalizou com o seu gesto, e para as leis de Deus, sem se perder irremissivelmente na condenação espiritual.
De qualquer forma, com atenuantes ou agravantes, o de que nenhum suicida se isentará é da reparação do ato que praticou com o desrespeito às leis da Criação, e uma nova existência o aguardará, certamente em condições mais precárias do que aquela que destruiu, a si mesmo provando a honra espiritual que infringira.
O suicídio é rodeado de complexos e sutilezas imprevisíveis, contornado por situações e consequências delicadíssimas, que variam de grau e intensidade diante das circunstâncias. As leis de Deus são profundas e sábias, requerendo de nós outros o máximo equilíbrio para estudá-las e aprendê-las sem alterá-las com os nossos gostos e paixões.
Assim sendo, que fique bem esclarecido que nenhum motivo neste mundo será bastante honroso para justificar o suicídio diante das leis de Deus. O suicida é que poderá ser sincero ao supor tal coisa, daí advindo então atenuantes a seu favor. O melhor mesmo é seguirmos os conselhos dos próprios suicidas que se comunicam com os médiuns: - Que os homens suportem todos os males que lhes advenham da Terra, que suportem fome, desilusões, desonra, doenças, desgraças sob qualquer aspecto, tudo quanto o mundo apresente como sofrimento e martírio, porque tudo isso ainda será preferível ao que de melhor se possa atingir pelos desvios do suicídio. E eles, os Espíritos dos suicidas, são, realmente, os mais credenciados para tratar do assunto.
Revista Reformador de Março de 1964

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Introdução de O Livro dos Espíritos (3ªparte da postagem)


   Introdução de O Livro dos Espíritos (3ª parte da postagem) 
                                                      
                                                          
                                                                   V
                                                              
Reconheceu -se mais tarde que a cesta e a prancheta não eram, realmente, mais do
que um apêndice da mão; e o médium, tomando diretamente do lápis, se pôs a escrever por
um impulso involuntário e quase febril. Dessa maneira, as comunicações se tornaram mais
rápidas, mais fáceis e mais completas. Hoje é esse o meio geralmente empregado e com
tanto mais razão quanto o número das pessoas dotadas dessa aptidão é muito considerável e
cresce todos os dias. Finalmente, a experiência deu a conhecer muitas outras variedades da
faculdade mediadora, vindo-se a saber que as comunicações podiam igualmente ser
transmitidas pela palavra, pela audição, pela visão, pelo tato, etc., e até pela escrita direta
dos Espíritos, isto é, sem o concurso da mão do médium, nem do lápis.
Obtido o fato, restava comprovar um ponto essencial - o papel do médium nas
respostas e a parte que, mecânica e moralmente, pode ter nelas. Duas circunstâncias
capitais, que não escapariam a um observador atento, tornam possível resolver-se a questão.
A primeira consiste no modo por que a cesta se move sob a influência do médium, apenas
lhe impondo este os dedos sobre os bordos. O exame do fato demonstra a impossibilidade
de o médium imprimir uma direção qualquer ao movimento daquele objeto. Essa
impossibilidade se patenteia, sobretudo, quando duas ou três pessoas colocam juntamente
as mãos sobre a cesta. Fora preciso entre elas uma concordância verdadeiramente fenomenal de movimentos. Fora preciso,
demais, a concordância dos pensamentos, para que pudessem estar de acordo quanto à
resposta a dar à questão formulada. Outro fato, não menos singular, ainda vem aumentar a
dificuldade. É a mudança radical da caligrafia, conforme o Espírito que se manifesta,
reproduzindo-se a de um determinado Espírito todas as vezes que ele volta a escrever. Fora
necessário, pois que o médium se houvesse exercitado em dar à sua própria caligrafia vinte
formas diferentes e, principalmente, que pudesse lembrar-se da que corresponde a tal ou tal
Espírito.
A segunda circunstância resulta da natureza mesma das respostas que, as mais das
vezes, especialmente quando se ventilam questões abstratas e científicas, estão
notoriamente fora do campo dos conhecimentos e, amiúde, do alcance intelectual do
médium, que, além disso, como de ordinário sucede, não tem consciência do que se escreve
debaixo da sua influência; que, frequentemente, não entende ou não compreende a questão
proposta, pois que esta o pode ser num idioma que ele desconheça, ou mesmo mentalmente,
podendo a resposta ser dada nesse idioma. Enfim, acontece muito escrever a cesta
espontaneamente, sem que se haja feito pergunta alguma, sobre um assunto qualquer,
inteiramente inesperado.
Em certos casos, as respostas revelam tal cunho de sabedoria, de profundeza e de
oportunidade; exprimem pensamentos tão elevados, tão sublimes, que não podem emanar
senão de uma Inteligência superior, impregnada da mais pura moralidade. Doutras vezes,
são tão levianas, tão frívolas, tão triviais, que a razão recusa admitir derivem da mesma
fonte. Tal diversidade de linguagem não se pode explicar senão pela diversidade das
Inteligências que se manifestam. E essas Inteligências estão na Humanidade ou fora da
Humanidade? Este o ponto a esclarecer-se e cuja explicação se encontrará completa nesta
obra, como a deram os próprios Espíritos.
Eis, pois, efeitos patentes, que se produzem fora do círculo habitual das nossas
observações; que não ocorrem misteriosamente, mas, ao contrário, à luz meridiana, que
toda gente pode ver e comprovar; que não constituem privilégio de um único indivíduo e
que milhares de pessoas repetem todos os dias. Esses efeitos têm necessariamente uma
causa e, do momento que denotam a ação de uma inteligência e de uma vontade, saem do
domínio puramente físico. Muitas teorias foram engendradas a este respeito. Examiná-las-emos dentro em pouco e
veremos se são capazes de oferecer a explicação de todos os fatos que se observam.
Admitamos, enquanto não chegamos até lá, a existência de seres distintos dos humanos,
pois que esta é a explicação ministrada pelas Inteligências que se manifestam, e vejamos o
que eles nos dizem.
                                         VI
Conforme notamos acima, os próprios seres que se comunicam se designam a si
mesmos pelo nome de Espíritos ou Gênios, declarando, alguns, pelo menos, terem
pertencido a homens que viveram na Terra. Eles compõem o mundo espiritual, como nós
constituímos o mundo corporal durante a vida terrena.
Vamos resumir, em poucas palavras, os pontos principais da doutrina que nos
transmitiram, a fim de mais facilmente respondermos a certas objeções.
“Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.
“Criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e
“imateriais.
“Os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o
“mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.
“O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente
a “tudo.
“O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais
“existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita.
“Os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja
“destruição pela morte lhes restitui a liberdade.
“Entre as diferentes espécies de seres corpóreo, Deus escolheu a espécie humana
“para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe
“superioridade moral e intelectual sobre as outras.
“A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório

“Há no homem três coisas: 1°, o corpo ou ser material análogo aos animais e
“animado pelo mesmo princípio vital; 2°, a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no
“corpo; 3°, o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o
“Espírito.

“Tem assim o homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos
“instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos.
“O laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório
“semimaterial.

 A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o
“segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém
que “pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno
das “aparições.
“O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo
“pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela
“vista, pelo ouvido e pelo tato.
“Os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem
em “inteligência, nem em saber, nem em moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos
“superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua
“proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os
anjos “ou puros Espíritos. Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa
“perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria eivados das nossas
“paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. Comprazem-se no mal. Há também,
entre “os inferiores, os que não são nem muito bons nem muito mais, antes perturbadores e
“enredadores, do que perversos. A malícia e as inconseqüências parecem ser o que neles
“predomina. São os Espíritos estúrdios ou levianos.
“Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram
“passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da
“encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é
“uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta
“perfeição moral.
“Deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar
“por nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o
qual “permanece em estado de Espírito errante. (1)
_________
(1) Há entre esta doutrina da reencarnação e a da metempsicose, como a admitem certas seitas,
uma diferença característica, que é explicada no curso da presente obra.


“Tendo o Espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido
“muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na
Terra, “quer em outros mundos.
“A encarnação dos Espíritos se dá sempre na espécie humana; seria erro acreditar-se
“que a alma ou Espírito possa encarnar no corpo de um animal.
“As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca
“regressivas; mas, a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à
“perfeição.
“As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o
“homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um Espírito
“impuro.
“A alma possuía sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se
“haver separado do corpo.
“Na sua volta ao mundo dos Espíritos, encontra ela todos aqueles que conhecera na
“Terra, e todas as suas existências anteriores se lhe desenham na memória, com a
lembrança “de todo bem e de todo mal que fez.
“O Espírito encarnado se acha sob a influência da matéria; o homem que vence esta
“influência, pela elevação e depuração de sua alma, se aproxima dos bons Espíritos, em
cuja “companhia um dia estará. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe
todas as “suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros, se aproxima dos Espíritos
impuros, “dando preponderância à sua natureza animal.
“Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo.
“Os não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita;
“estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo.
“É toda uma população invisível, a mover-se em torno de nós.
“Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o
mundo “físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das
potências da “Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então
inexplicados ou mal “explicados e que não encontram explicação racional senão no
Espiritismo.
“As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos
“atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com “coragem e resignação. Os maus nos impelem para o mal: é-lhes um gozo ver-nos e
“assemelhar-nos a eles.
“As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As
“ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia.
“Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se
“dão por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, quase sempre
“pelos médiuns que lhes servem de instrumentos.
“Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou mediante evocação.
“Podem evocar-se todos os Espíritos: os que animaram homens obscuros, como os
“das personagens mais ilustres, seja qual for a época em que tenham vivido; os de nossos
“parentes, amigos, ou inimigos, e obter-se deles, por comunicações escritas ou verbais,
“conselhos, informações sobre a situação em que se encontram no Além, sobre o que
“pensam a nosso respeito, assim como as revelações que lhes sejam permitidas fazer-nos.
“Os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do
“meio que os evoca. Os Espíritos superiores se comprazem nas reuniões sérias, onde
“predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se
“instruírem e melhorarem. A presença deles afasta os Espíritos inferiores que,
inversamente, “encontram livre acesso e podem obrar com toda a liberdade entre pessoas
frívolas ou “impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos.
Longe de se “obterem bons conselhos, ou informações úteis, deles só se devem esperar
futilidades, “mentiras, gracejos de mau gosto, ou mistificações, pois que muitas vezes
tomam nomes “venerados, a fim de melhor induzirem ao erro.
“Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos
superiores “usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta
moralidade, “escoimada de qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece
dos “conselhos, que objetivam sempre o nosso melhoramento e o bem da Humanidade. A
dos “Espíritos inferiores, ao contrário, é inconseqüente, amiúde trivial e até grosseira. Se,
por “vezes, dizem alguma coisa boa e verdadeira, muito mais vezes dizem falsidades e
absurdos, “por malícia ou ignorância. Zombam da credulidade dos homens e se divertem à
custa dos “que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade, alimentando-lhes os desejos com
falazes “esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na “mais ampla acepção do termo, só são dadas nos centros sérios, onde intima comunhão de
“pensamentos, tendo em vista o bem.
“A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima
“evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o
“bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder,
“mesmo para as suas menores ações.
“Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos
“aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste
mundo, “se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo,
se “avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as
“faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o Forte e o
“Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porquanto transgride a Lei de Deus aquele
“que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no
“mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e
“patenteadas todas as suas torpezas, que a presença inevitável, e de todos os instantes,
“daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos
estão “reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos
correspondem “penas e gozos desconhecidos na Terra.
“Mas, ensinam também não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa
“apagar. Meio de consegui-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe
permitem “avançar, conformemente aos seus desejos e esforços, na senda do progresso,
para a “perfeição, que é o seu destino final.”
Este o resumo da Doutrina Espírita, como resulta dos ensinamentos dados pelos
Espíritos superiores. Vejamos agora as objeções que se lhe contrapõem...
                                             CONTINUA...


segunda-feira, 16 de julho de 2012

BCAP - 5ªFASE – REINTEGRAÇÃO


BCAP - 5ªFASE – REINTEGRAÇÃO


FAZENDO UMA VIAGEM ENTRE O QUE  FOI,O QUE É E O QUE DEVERIA SER,ROGANDO QUE JESUS NOS AMPARE , NOS DANDO FORÇAS PARA SEGUIRMOS SEMPRE A MELHOR DIREÇÃO.QUE POSSAMOS RECONHECER NOSSAS FALHAS,PERDOAR E SER INDULGENTE COM AS FALHAS DOS OUTROS JÁ QUE PRECISAMOS DA INDULGÊNCIA DOS OUTROS PARA CONOSCO.MINHA GRATIDÃO COM AS AMIGAS ROSÉLIA,RUTE E LUMA PELA OPORTUNIDADE DE TANTA REFLEXÃO.
ZILDA

O amor é de origem divina. Quanto mais se doa, mais multiplica sem jamais exaurir-se. Partidários da libertinagem, porém, empenham-se em insensata cruzada para torná-lo livre, como se jamais não o houvera sido. Confundem-no com sensualidade e pensam convertê-lo apenas em instinto primitivo, padronizado pelos impulsos da sexualidade atribulada. Liberdade para amar, sem dúvida, disciplina para o sexo também.
JOANNA DE ÂNGELIS

Casamento e Família

Diante das contestações que se avolumam, na atualidade, pregando a
reforma dos hábitos e costumes, surgem os demolidores de mitos e de
Instituições, assinalando necessidade de uma nova ordem que parece assentar
as bases na anarquia.
A onda cresce e o tresvario domina, avassalador ameaçando os mais
nobres patrimônios da cultura, da ética e da civilização, conquistados sob ônus
pesados, no largo processo histórico da evolução do homem.
Os aficionados da revolução destruidora afirmam que valores ora
considerados, são falsos, quando não falidos, que os mesmos vêm
comprimindo o indivíduo, a sociedade e as massas, que permanecem jungidos
ao servilismo e a hipocrisia, gerando fenômenos alucinatórios e mantendo, na
miséria de vários matizes, grande parte da humanidade.
Entre as instituições que, para eles, se apresentam ultrapassadas,
destacam o matrimônio e a família, propondo a promiscuidade sexual, que
disfarçam com o nome “amor livre”, e a independência do jovem, imaturo e
inconseqüente, sob a justificativa de liberdade pessoal, que não pode nem
deve ser asfixiada sob os impositivos da ordem, da disciplina, da educação...
Excedendo-se, na arbitrariedade das propostas ideológicas ainda não
confirmadas pela experiência social nem pela convivência na comunidade,
afirmam que a criança e o jovem não são dependentes quanto parecem,
podendo defender-se e realizar-se, sem a necessidade da estrutura familiar, o
que libera os pais negligentes de manterem os vínculos conjugais, separando-se tão logo enfrentam insatisfações e desajustes, sem que se preocupem com
a prole.
Não é necessário que analisemos os problemas existenciais destes dias,
nem que façamos uma avaliação dos comportamentos alienados, que parecem
resultar da insatisfação, da rebeldia e do desequilíbrio, que grassam em larga
escala.
Não podemos, no entanto, numa visão apressada, mediante exame
superficial, acusar o casamento dos fracassos das uniões carnais, sem o
amadurecimento emocional dos parceiros, nem o instituto da família, ainda
vítima de tal situação.
A monogamia é conquista de alto valor moral da criatura humana, que se
dignifica pelo amor e respeito ao ser elegido, com ele compartindo alegrias e
dificuldades, bem-estar e sofrimentos, dando margem às expressões da
afeição profunda, que se manifesta sem a dependência dos condimentos
sexuais, nem dos impulsos mais primários da posse, do desejo insano.
Utilizando-se da razão, o homem compreende que a vida biológica é uma
experiência muito rápida, que ainda não alcançou biótipos de perfeição, graças
ao que, é frágil, susceptível de dores, enfermidades, limitações, sendo, os
estágios da infância como o da juventude, preparatórios para os períodos do
adulto e da velhice.
Assim, o desgaste e o abuso de agora tornam-se carência e infortúnio mais
tarde, na maquinaria que deve ser preservada e conduzida com morigeração.
Aprofundando o conceito sobre a vida, se lhe constata a anterioridade ao
berço e a continuidade após o túmulo, numa realidade de interação espiritual
com objetivos definidos e inamovíveis, que são os mecanismos inalienáveis do
14progresso, em cujo contexto tudo se encontra sob impositivos divinos
expressos nas leis universais.
Desse modo, baratear, pela vulgaridade, a vida e atirá-la a situações
vexatórias, destrutivas, constitui crime, mesmo quando não catalogado pelas
leis da justiça, exaradas nos transitórios códigos humanos.
O matrimônio é uma experiência emocional que propicia a comunhão
afetiva, da qual resulta a prole sob a responsabilidade dos cônjuges, que se
nutrem de estímulos vitais, intercambiando hormônios preservadores do bem estar físico e psicológico.
Não é, nem poderia ser  uma incursão ao país da felicidade, feita de sonhos
e de ilusões.
Representa um tentame, na área da educação do sexo, exercitando a
fraternidade e o entendimento, que capacitam as criaturas para mais largas
incursões na área do relacionamento social.
Ao mesmo tempo, a família constitui a célula experimental, na qual se
forjam valores elevados e se preparam os indivíduos para uma convivência
salutar no organismo universal, onde todos nos encontramos fixados.
A única falência, no momento, é a do homem, que perturba, e, insubmisso,
deseja subverter a ordem estabelecida, a seu talante, em vãs tentativas de
mudar a linha do equilíbrio, dando margem às alienações em que mergulha.
Certamente, muitos fatores sociológicos, psicológicos, religiosos e
econômicos contribuíram para este fenômeno. Não obstante, são injustificáveis
os comportamentos que investem contra as instituições objetivando demoli-las,
ao invés de auxiliar de forma edificante em favor da renovação do que pode ser
recuperado, bem como da transformação daquilo que se encontre
ultrapassado.
O processo da evolução é inevitável. Todavia, a agressão, pela violência,
contra as conquistas que devem ser alteradas, gera danos mais graves do que
aqueles que buscam corrigir.
O lar, estruturado no amor e no respeito aos direitos dos seus membros, é
a mola propulsionadora do progresso geral e da felicidade de cada um, como
de todos em conjunto.
Para esse desiderato, são fixados compromissos de união antes do berço,
estabelecendo-se diretrizes para a família, cujos membros se voltam a reunir
com finalidades específicas de recuperação espiritual e de crescimento
intelecto-moral, no rumo da perfeição relativa que todos alcançarão.
Esta é a finalidade primeira da reencarnação. A precipitação e o
desgoverno das emoções respondem pela ruptura da responsabilidade
assumida, levando muitos indivíduos ao naufrágio conjugal e à falência familiar
por exclusiva responsabilidade deles mesmos.
Enquanto houver o sentimento de amor no coração do homem — e ele
sempre existirá, por ser manifestação de Deus ínsita na vida — o matrimônio
permanecerá, e a família continuará sendo a célula fundamental da sociedade.
Envidar esforços para a preservação dos valores morais, estabelecidos pela
necessidade do progresso espiritual, é de todos que, unidos, contribuirão para
uma vida melhor e uma humanidade mais feliz, na qual o bem será resposta
primeira de todas as aspirações.

Benedita Fernandes

S.O.S. FAMÍLIA
DIVALDO PEREIRA FRANCO
DITADO POR JOANNA DE ÂNGELIS E DIVERSOS ESPÍRITOS



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