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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O QUE É A MORTE?

 



ENTREVISTA SOBRE A MORTE - DIVALDO FRANCO
O que é a morte para o Espiritismo?
Qual o seu significado?
O que é morrer?
 
1) -O que é a morte para o Espiritismo? Qual o seu significado? O que é morrer?
DF -A Doutrina Espírita considera a morte biológica como sendo a interrupção do fluxo vital que mantém os órgãos físicos em funcionamento. Quando ocorre a anóxia cerebral e, consequentemente, a paralisação do tronco encefálico, dá-se o fenómeno denominado morte.
Para o Espiritismo, a morte da indumentária carnal serve para libertar o Espírito temporariamente aí encarcerado, a fim de que prossiga no processo de evolução, no rumo da plenitude ou Reino dos Céus.
Morrer, desse modo, é encerrar o ciclo biológico, facultando o prosseguimento da vida do Espírito em outros campos vibratórios, além da dimensão física.
2) -Qual a postura de um espírita diante da proximidade da morte, como no caso de um paciente terminal – enquanto Entidade e enquanto paciente?  
DF -Considerando a morte como o término de uma etapa do longo processo da vida, o espírita, embora os sentimentos de ternura, de carinho e de amor por alguém que se encontra em fase terminal, não lamenta a situação, nem se rebela com a sua ocorrência, tendo em vista que a tem como acontecimento natural do desgaste orgânico.
Não obstante, procura contribuir para melhorar a qualidade de vida do paciente, proporcionando-lhe, quando possível, os recursos da Ciência e da Tecnologia, jamais admitindo a possibilidade de, em nome da compaixão ou da caridade, lhe ser aplicada a eutanásia.
Na condição de Entidade imortal, são-lhe oferecidos conforto moral e esperança, de modo que evite o desequilíbrio, às vezes, comum, em situações dessa natureza.
3) -Qual o papel da fé nesse momento?  
DF -A fé desempenha, nesse momento, um papel relevante, porque oferece a convicção de que, cessados os fenómenos pertinentes à matéria, o Espírito liberta-se, feliz, após haver cumprido os seus deveres em relação a si mesmo, ao seu próximo e a Deus.  
4) -Durante o tratamento, o que é mais importante – ter mais qualidade de vida ou tentar todas as possibilidades de terapia?
DF -Tendo-se em vista a inevitabilidade do fenómeno morte, oferecer melhor qualidade de vida ao paciente, acredito, deve ser a meta prioritária que todos devemos atender, sem qualquer descuido pela aplicação das terapias que possam reverter o quadro assustador. Aliás, a utilização das terapêuticas modernas, muito valiosas, quando se dispõe de recursos para a sua aplicação, transformam-se também em melhoria na qualidade de vida do enfermo, mesmo que não impeçam em definitivo a ocorrência da morte.
5) -Existe algum procedimento de preparação para a morte, como é a extrema-unção da Igreja Católica? Um passe talvez?  
DF -Em virtude de não possuirmos dogmas, cerimoniais ou liturgias na Doutrina Espírita, não temos nenhum procedimento estabelecido para a preparação de alguém para a morte. Procuramos conscientizá-lo da gravidade do seu quadro orgânico, elucidando que a morte (ou desencarnação) é inevitável, porque virá no momento próprio, e, desse modo, é válido preparar-se para a sua ocorrência, mesmo que não se dê nessa conjuntura.
Dialogamos com franqueza a respeito do despertar no Além-Túmulo, quando a consciência adquire a sua plena lucidez, sugerindo que sejam tomadas desde então, providências que evitem o remorso, a culpa, a amargura.
Simultaneamente, lemos e discutimos páginas de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec ou de alguma das muitas obras mediúnicas de consolação e de esperança, procurando revitalizar a fé em torno da libertação espiritual.
Normalmente aplicamos passes em nossos pacientes, terminais ou não.  
6) -Quando se é um paciente terminal, é hora de fazer o quê? Reunir amigos? Orar? Preparar os parentes? É hora de viver ou de se preparar para a morte?
DF -O ideal é viver-se com a mente desperta para a inevitável chegada da morte, mesmo porque, não raro, no momento grave, especialmente quando se está paciente terminal, o tempo urge, as circunstâncias podem apresentar-se adversas e o campo emocional nem sempre contribui para que seja feito o mais importante, devido a muitos factores, inclusive resultado da própria devastadora enfermidade.
Apesar disso, é muito válido iniciar-se a preparação para a morte mediante a oração, a entrega a Deus e a meditação em torno da libertação dos apegos a pessoas, objectos, bens diversos e paixões pessoais...
Sendo possível, pode reunir-se pequenos grupos de amigos para um encontro fraternal optimista, sem qualquer presença de desespero ou de angústia, em clima de bem-estar.
Sem dúvida, torna-se necessária a preparação de parentes e familiares, a fim de que saibam comportar-se diante da ocorrência que se desenrola, considerando que ali não termina a vida e que o reencontro é inevitável, após transcorrido o tempo reservado a cada viandante carnal.
Essa é a hora segura de preparação para a continuação da vida após a morte. O período de viver, aquele que foi reservado, deve ter sido utilizado antes, não mais nesse instante, quando já se encerra o ciclo existencial.  
7) -Quais os procedimentos mais valorizados: enterro, cremação, doação do corpo? Doam-se órgãos?
DF -Graças ao avanço das doutrinas médicas, na actualidade, a doação dos órgãos para transplantes salvadores de vidas constitui-nos razão de grande significado, facultando-nos oferecer tudo quanto em nosso corpo, após a morte, possa contribuir em favor da saúde e do bem-estar do nosso próximo.
O enterro ou cremação do cadáver para nós não é de relevante importância, cada um escolhendo o que lhe pareça mais conveniente, tendo em vista os recursos financeiros em disponibilidade para uma ou outra opção.
Raramente tem ocorrido doação de todo o corpo para estudos científicos ou equivalentes.
Embora respeitemos a maneira de como dar destino ao cadáver, sempre consideramos que o velório deve ser realizado com respeito pela memória do desencarnado, porquanto, por um período de aproximadamente 72 horas continua o desprendimento total do Espírito, desimantando-se da matéria. Em casos excepcionais, essa ocorrência prolonga-se por um tempo maior... 
8) -Há algum trabalho junto aos Hospitais ou Órgãos de apoio a pacientes terminais? O que se faz?
DF -Oficialmente, que eu saiba, não existe qualquer trabalho específico sobre a morte e o morrer, junto aos Hospitais ou a outros Órgãos.
Temos conhecimento de grupos particulares, formados por pessoas que visitam os enfermos espontaneamente, em especial os pacientes terminais, oferecendo-lhes lenitivo, esperança e certeza da sobrevivência do Espírito, e que assim procedem quando solicitados pelos enfermos ou seus familiares.
Essas visitas, que hoje se multiplicam em pequenos grupos por todo o país, constituem actividade de apoio moral e espiritual, com objectivo de diminuir as aflições, preencher a solidão, colaborar na acção fraternal da caridade junto aos enfermos e/ou seus familiares.
Fotos:LIVROS QUE PODEM LHE AJUDAR A ENCARAR A MORTE COM NATURALIDADE.


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A Família em Primeiro Lugar



                                  Dois dos neus  filhos com o pai e mulheres para representar a família!! 


     
         O administrador Stephen Kanitz, colunista da revista Veja, escreveu em edição de fevereiro de 2002 mais ou menos o seguinte:

         Há vinte anos presenciei uma cena que modificou radicalmente minha vida. Foi num almoço com um empresário respeitado e bem mais velho que eu.

         O encontro foi na própria empresa. Ele não tinha tempo para almoçar com a família em casa, nem com os amigos num restaurante. Os amigos tinham de ir até ele.

         Seus olhos estavam estranhos. Achei até que vi uma lágrima no olho esquerdo. “Bobagem minha”, pensei. Homens não choram, especialmente na frente dos outros.

         Mas, durante a sobremesa, ele começou a chorar copiosamente. Fiquei imaginando o que eu poderia ter dito de errado. Supus que ele tivesse se lembrado dos impostos pagos no dia.

         “Minha filha vai se casar amanhã”, disse sem jeito, “e só agora a ficha caiu. Percebo que mal a conheci.

         Conheço tudo sobre meu negócio, mal conheço minha própria filha. Dediquei todo o tempo à minha empresa e me esqueci de me dedicar à família.”

         Voltei para casa arrasado. Por meses, me lembrava dessa cena e sonhava com ela. Prometi a mim mesmo e a minha esposa que nunca aceitaria seguir uma carreira assim.

         Colocar a família em primeiro lugar não é uma proposição tão aceita por aí. Normalmente, a grande discussão é como conciliar família e trabalho. Será que dá?

         O cinema americano vive mostrando o clichê do executivo atarefado que não consegue chegar a tempo para a peça de teatro da filha ou ao campeonato mirim de seu filho.

         Ele se atrasou justamente porque tentou conciliar trabalho e família. Só que surgiu um imprevisto de última hora, e a cena termina com o pai contando uma mentira ou dando uma desculpa esfarrapada.

         Se tivesse colocado a família em primeiro lugar, esse executivo teria chegado a tempo. Teria levado pessoalmente a criança ao evento.

         Teria dado a ela o suporte psicológico necessário nos momentos de angústia que antecedem um teatro ou um jogo.

         A questão é justamente essa. Se você, como eu e a grande maioria das pessoas, tem de conciliar família com amigos, trabalho, carreira ou política, é imprescindível determinar quem você coloca em primeiro lugar.

         Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem arcar. Implica menos dinheiro, fama e projeção social.

         Muitos de seus amigos poderão ficar ricos, mais famosos que você e um dia olhá-lo com desdém. Nessas horas, o consolo é lembrar um velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena:

         “Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar.”

         Qual o verdadeiro sucesso de ter um filho drogado por falta de atenção, carinho e tempo para ouvi-lo no dia-a-dia?

         De que adianta ser um executivo bem-sucedido e depois chorar durante a sobremesa porque não conheceu sequer a própria filha?
*   *   *
         O lar constitui o cadinho redentor das  almas. Merece nosso investimento em recursos de afeto, compreensão e boa vontade, a fim de dilatar os laços da estima.

         Os que compõem o lar são os marcos vivos das primeiras grandes responsabilidades do Espírito encarnado.
 

         Assim, acima de todas as contingências de cada dia, compete-nos ser o cônjuge generoso e o melhor pai, o filho dedicado e o companheiro benevolente.

         Afinal, na família consangüínea, temos o teste permanente de nossas relações com toda a Humanidade.
 

(Redação do Momento Espírita, baseado no artigo de Stephen Kanitz, revista Veja, seção Ponto de vista, de 20 de fevereiro de 2002 e no cap. 19 do livro Conduta espírita, do Espírito André Luiz, psicografia de Waldo Vieira, ed. Feb.
http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1924&let=F&stat=0)


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