
COM MEUS QUATRO FILHOS(eu de tomara que caia,a outra é minha irmã)
EU COM MEU PAI...
A Educação do Espírito é um caminho de ascensão e toda ascensão requer empenho e amor. (Equipe Eurípedes Barsanulfo [2, p. 29])
MEUS FILHOS E A CONSCIÊNCIA DO DEVER CUMPRIDO!!!
Somos todos viajantes em uma jornada milenar repleta de quedas vertiginosas e também de tímidos, mas valorosos, acertos. Reconhecer nossa condição de Espíritos em experiência de redenção é um passo fundamental para o sucesso desta nova oportunidade que a Misericórdia Divina nos concedeu. E é também condição básica para nos entendermos no breve diálogo que se desenrola pelas próximas linhas.
Explica-nos Vinícius (3, p. 30) que "a obra da salvação é obra de educação", acrescentando com a clareza do educador experiente que "nunca será demais afirmar esta tese". Se há uma razão comum para estarmos hoje na Escola da Terra, é a necessidade de educarmo-nos. Educar emoções doentes, pensamentos viciados e a vontade enfraquecida pela falta de uso consciente e sistemático. Somos Espíritos, disso sabemos com maior ou menor clareza talvez já há alguns séculos. E nem por isso deixamos de agir como se fôssemos corpos que se admitem possuidores de almas.
A Educação do Espírito é o processo de reconhecimento profundo de si. Das virtudes, dos potenciais, da filiação divina, da irmandade universal, da Luz. Mas também das dores, da culpa, do medo, dos vícios e das sombras. É o reconhecimento daquilo que somos, de forma a nos dar condições para edificar, desde já, aquilo que viremos a ser. É, por isso mesmo, um caminho de ascensão, que nos pede abandonar a cumplicidade com as quedas do passado para empreender um novo esforço de elevação de propósitos, valores e atitudes.
Um passo fundamental para bem trilharmos esse caminho é o aproveitamento adequado da vida que temos hoje. Longe de ser "apenas mais uma", ela é oportunidade amorosamente planejada por nós mesmos sob a orientação de Espíritos que nos acompanham de longa data com paciência e dedicação. É uma experiência arquitetada em detalhes para nos permitir as vivências específicas no campo do sentimento e dos relacionamentos que são mais importantes para a educação do Ser Espiritual que somos neste momento da jornada de ascensão. (Cf. 1, pp 55-59)
É nessa perspectiva que nos parece proveitoso refletir sobre os papéis de evangelizando e evangelizador que nos é dado ocupar durante uma experiência terrena. Jovens, em princípio, todos seremos, somos ou já fomos na atual experiência terrena. Educadores, mesmo que informais, eventuais ou inconsciente, de membros mais novos da família, por exemplo, também. O mesmo não vale para os papéis de evangelizando e evangelizador que o Espírito tem a Sagrada oportunidade de experimentar dentro de um planejamento feito sob medida para atender às suas necessidades. (Cf. 1, pp 55-59)
Como evangelizador, o Espírito é convidado a rever construções doentes no campo do autoritarismo, da imposição, da centralização e da sensibilidade. Evangelizar exige, mais do que falatório sobre os Evangelhos, disposição para acolher como acolhia o Evangelizador por excelência. Disposição para se diminuir ante a necessidade de expansão do outro. E disposição para sentir as necessidades reais do evangelizando, antes de tentar impor aquilo que lhe parece, simplesmente, mais importante.
Conhecer em profundidade o texto evangélico, saber analisá-lo de forma transversal e multidisciplinar, inseri-lo no contexto sócio-histórico e cultural em que foi elaborado e colocá-lo em diálogo com as Obras Básicas e Complementares da Doutrina Espírita são recursos que podem enriquecer significativamente o trabalho do evangelizador. Mas para que eles desempenhem esse papel ampliador do potencial de ação, é preciso que o evangelizador esteja no empenho de conhecimento profundo do Ser Espiritual que é. É fundamental que esse Espírito compreenda por que lhe foi dado desempenhar esse papel, quais as necessidades que traz e que podem ser atendidas na realização do trabalho e, acima de tudo, o que ele próprio tem a aprender com a oportunidade de ser um fomentador da Verdade no coração de outros Espíritos.
Por "fomentador da Verdade", entenda-se alguém chamado a estimular nos outros a Chama Divina que é própria de cada Espírito. A propensão ao Bom, o gosto pelo Belo e o compromisso com o Verdadeiro. Só é possível fomentar a Verdade quando a Palavra do Evangelizador é carregada da vibração que só a Verdade traz consigo. E quando o educador a serviço do Cristo oferece aos que estão sob sua responsabilidade a oportunidade de construir o novo com as próprias mãos. "Ao realizar o Bem, o Espírito apresenta estabilidade do pensamento (...) e sua realização gera no Espírito uma necessidade permanente de reviver o bem vivido", explica Eurípedes Barsanulfo (2, p. 73) sobre a importância da ação na educação do Espírito.
Vamos estudar Deus? Busquemos o contato com a Natureza, obra-prima da Criação! O cheiro da flor, a textura da folha, os sons do pássaro, a visão do Universo... Preparemos um pedaço de solo para a seguir semeá-lo, regá-lo e acompanhar, numa experiência inesquecível, a manifestação do poder co-criador que herdamos do Pai! Vamos estudar o Cristo? Multipliquemos com Ele o pão do corpo e o pão da alma aos necessitados nas visitas fraternas e nos trabalhos de assistência e promoção social. Curemos com Jesus, chamando o evangelizando a aplicar o passe regularmente, com a mesma simplicidade com que o Rabi e seus discípulos impunham as mãos sobre todos os que necessitavam desse recurso. Ensinemos com o Senhor, convidando os Espíritos sob nossa responsabilidade ao compromisso de estimularem, eles também, o Bem e a Verdade em seus irmãos, assumindo estudos e conduzindo reflexões sobre o Evangelho e a Doutrina. É hora de estudar a mediunidade? Ao estudo teórico, aliemos a vivência prática do intercâmbio espiritual, avaliando a utilidade de o Espírito em corpo jovem experimentar os exercícios de educação mediúnica e abrindo espaço para visitas a reuniões reais, onde ele poderá sentir e entender com clareza inigualável o que é a mediunidade em ação. (Cf. 4, pp. 240-241)
Todo essas possibilidades de educação pela ação devem ser trabalhadas com base nas necessidades individuais de cada evangelizando, sentidas e refletidas pelo evangelizador. Este, por sua vez, deve estar no exercício regular de compreensão das próprias necessidades e dos próprios compromissos, porque só assim poderá ser capaz de auxiliar o outro Espírito a identificar as demandas espirituais particulares que veio trabalhar aqui.
E já que falamos dos propósitos existenciais do evangelizando, tratemos agora deste que é o último tópico do nosso diálogo de hoje. Assim como o evangelizador, o evangelizando é também um Espírito que retornou à carne para reconstruir caminhos mal traçados do ontem. Diferente de outros bilhões de irmãos seus, inclusive da maioria dos evangelizadores, ele teve a oportunidade de contar com esse poderoso suporte para a manutenção do próprio alinhamento com a Verdade que é a frequência a turmas de evangelização juvenil.
Vivemos numa mundo em que a religião é tratada como assunto cada vez mais distante do cotidiano, e as coisas espirituais não passam de preocupações "aceitáveis" na vida de um profissional bem-sucedido que seja cidadão honesto. Ou seja: aquilo que é a razão de ser da experiência da alma no corpo material ganha cada vez mais ares de adereço dotado de importância secundária, na mesma medida em aquilo que não passa de meio, de recurso para a aquisição dos Valores Eternos por parte do Espírito assume papel central na vida das sociedades contemporâneas.
O que, senão o contato com a Verdade, que brota cristalina das narrativas evangélicas e se concretiza em nosso esforço por servir com Jesus, pode garantir a renovação da Vontade do Espírito em cumprir os compromissos assumidos antes de reencarnar?
Fora da condição de evangelizando, o Espírito que atravessa a adolescência abre mão do mais poderoso sustento com que poderia contar para se manter no caminho da realização de seus propósitos existenciais, colocando-se à mercê dos estímulos tão poderosos quanto vazios que alimentam uma sociedade de espetáculos ilusórios e valores aparentes.
A oportunidade que a Misericórdia Divina concede hoje a Espíritos como nós, que precisamos aprender a edificar a própria existência sobre a Verdade, é valorosa demais para ser desperdiçada em nome da preguiça, do tédio ou da “curtição”.
O convite de Jesus não é só para que tenhamos contato com o Trabalho no Bem. É para fazermos dele um recurso concreto para a edificação de um Novo Tempo em nossa existência. Tempo de desapego à ilusão e às emoções de doentes. Tempo de deixar para trás a sombra e a ilusão. Tempo de assumirmos um novo compromisso. Desta vez, finalmente, com a Verdade!
MINHA NETA COM 17 ANOS!!OUTRA ETAPA JÁ....
1. AMUI, Alzira França Bessa (médium), pela Equipe Eurípedes Barsanulfo (Espírito), O que é Evangelização de Espíritos. Sacramento: Esperança e Caridade, 2005.
2. AMUI, Alzira França Bessa (médium), pela Equipe Eurípedes Barsanulfo (Espírito), Princípios que Fundamentam a Educação do Espírito. Sacramento: Esperança e Caridade, 2007.
3. VINÍCIUS, pseud. (CAMARGO Pedro de). Em torno do Mestre. Rio de Janeiro: FEB, 1979
4. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Araras: IDE, 2007