DEPOIMENTO DO JORNALISTA DATENA SOBRE CHICO XAVIER
Datena_ Jornalista_ relata como seu filho viciado em crack deixa o vício segundo ele com ajuda de Chico Xavier.

José Luiz Datena, da Band, atribui a Chico Xavier (1910-2002) a cura de seu filho do
meio, Vicente, que foi viciado em crack por seis anos.
Em 2002, Vicente almoçou em Uberaba com Chico e foi tocado por ele.
“Meu filho disse que sentiu algo ruim o deixando e nunca mais usou drogas”, conta o
jornalista a coluna Zapping do jornal Agora, que não costuma tocar no assunto. “ O
Vicente não gosta. Hoje, ele é formado em direito, casado e vai ser pai.
Na época, tentamos clínicas e psicólogos, mas nada funcionava.
Foram momentos difíceis, mas Chico o curou. Não sou espírita, mas as cartas
psicografadas e as curas, a ciência não explica.
Chico Xavier era especial.”
Abaixo o artigo do jornalista José Luiz Datena - Datena revela como Chico Xavier
salvou seu filho do crack - no Jornal Diário de São Paulo de quinta-feira, 27/01/2011:
Imagine os olhos afundados nas órbitas numa face disforme, vestindo uma pele
cinzenta, como um personagem de filme de terror em preto e branco lá dos anos
1950. Cérebro transformado em pasta, como a própria vida misturada pela droga a
outros espectros vagantes no lixo das ruas da cidade. Ruas que parecem caminhos
para lugar nenhum, escondidas em meio a cortiços. Imagine feridas infectadas e ainda
abertas, sobreviventes maltrapilhos. Imagine gente virando bicho como no romance
kafkiano, que de ficção não tem nada.
Imagine um ente querido, deitado no seu colo, expressando a dor de milhões de
almas de um purgatório real, aprisionado num quadro que mais expressa - se isso é
possível - o sentimento retratado em "O Grito", do norueguês Edvard Munch, que
pintou esse turbilhão de tormento, angústia e desespero em cores fortes há poucomais de um século. Munch não conhecia o crack que queima vidas de famílias inteiras.
Nem o terror do cheiro adocicado que brota de um cachimbo nojento, mergulhando o
nada e a angústia nas entranhas de quem algum dia já foi normal. A destruição das
veias, o apodrecer dos pulmões. A transformação do corpo em esqueleto. A mente
vazia, perigosamente equilibrada num acorde de circo de pavores.
Só de revolver essas lembranças me sinto derreter como gelatina, escorrer feito a
parafina de vela acesa, chacoalhar meu estômago, como se o vômito brotasse para
então espirrar minha alma. Alma! No outro extremo da vida, mas ainda nesta mesma
existência, essa alma quase nas trevas, que já se debatia às portas do inferno, teve um
encontro de luz! Fugida da metrópole, foi encontrar nas bandas das Minas Gerais um
desses homens que parecem brotar em meio à violência e à maldade dessa nossa
espécie, que vagueia incerta pela história e que desceu das árvores para talvez rumar,
decidida, à extinção pela soberba perante Deus.
Esse homem franzino, uma figurinha aparentemente frágil, humildemente encolhido
num paletó que dançava largo no corpo doente. Um corpo que, juro, há muito parecia
já não estar mais aqui. Mistura de Gandhi, que respondia a insultos físicos e
psicológicos com amor e não-violência, e madre Teresa de Calcutá, que sob o manto
simples e surrado abrigava galáxias inteiras de miseráveis.
Foi num almoço que o dono da alma desesperada tocou a mão desse verdadeiro raio
de esperança, espetacularmente aprisionado numa massa pequena, como um buraco
negro engolindo energia infinita que brota do criador. Um ser tão doce, que curou
milhares e que confortou outros tantos, sendo mensageiro divino. Desencarnados em
garranchos letrados, escorregados em papel como psicografados sopros de vida para
quem continuava aqui... E, quando um tocou o outro, pareciam um só. Mesmo
cansado, o homem pequenino de repente virou um Atlas a sustentar nas costas a dor
do mundo, sugando em segundos os medos causados durante tantos anos no outro
pela droga que, acreditem, nunca mais usou depois daquele aperto de mãos sem
palavras. Foi como se um pesado casaco de pele fosse retirado num escaldante verão:
um sabor refrescante de mergulho gelado na cachoeira da salvação.
Foi no almoço do Vicente com Chico Xavier, poucos meses antes da passagem do
Mestre para o plano definitivo (onde, acredito, sempre esteve), que aconteceu a cura
definitiva do meu adorado filho.
José Luiz Datena
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