sábado, 29 de janeiro de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Blogagem coletiva pelo aniversário do blog"A VIDA DE UMA GUERREIRA"que nos presenteia com a chance de fazermos uma declaração de amor!!!!PARABÉNS NILCE E OBRIGADA!

Há quase 30 anos me vi em uma situação para mim,totalmente inusitada e que me causou muito sofrimento,até porque me mantive em silêncio por amor aos meus filhos;a consequência do silêncio foi um estado de desânimo total,uma apatia que me impedia de fazer o que mais amo:LER...Fiquei um ano,sem ter concentração para fazê-lo,e não comentava com ninguém;até que um dia um amigo da família me emprestou um livro,A VINGANÇA DO JUDEU,que li em uma noite e passei a entender tudo que me acontecera,porque me acontecera e como eu deveria encarar a situação;mergulhei no estudo da DOUTRINA ESPÍRITA,por dois anos sem frequentar nenhuma instituição.Ao começar a frequentar foi para ser uma trabalhadora para sempre desta Doutrina consoladora.

"Pelo Espiritismo, o homem sabe donde vem, para onde vai, porque está na Terra, porque sofre temporariamente, e vê por toda a parte a justiça de Deus. Sabe que a alma progride incessantemente, através de uma série de existências sucessivas, até atingir o grau de perfeição que a aproxima de Deus. Sabe que todas as almas, tendo um mesmo ponto de origem, são criadas iguais, com idêntica aptidão para progredir, em virtude do seu livre arbítrio; que todas são da mesma essência e que não há entre elas diferença, senão quanto ao progresso realizado; que todas têm o mesmo destino e alcançarão a mesma meta, mais ou menos rapidamente, pelo trabalho de boa vontade."Hoje posto a mensagem abaixo como uma declaração do meu amor e da minha gratidão ao ínsigne codificador da Doutrina Espírita e ao Mestre Jesus que assim o permitiu!
ALLAN KARDEC

*
EM LEMBRANÇA AOS 141 ANOS DE DESENCARNE DE ALLAN KARDEC
Iluminado Kardec — Salve!
Das ultimas etapas percorridas pelo teu Espírito aprimorado e brilhante, através de encarnações diversas, deixaste fulgurante e indelével traço do teu desdobramento espiritual fadado, quiçá, para continuados da evangelização dos povos.
O esforço sincero sempre foi e será o partir para a Victoria! Partiste, desde séculos, para o campo de investigações da Verdade e Deus, soprando-te a alma, a alentou e enrijou, caldeando-a nas ardentias do seu coração, onde crepitam as chamais da sabedoria, do amor e da bondade!
Assim alentado, partiste para a Victoria do Cristianismo espírita e hoje, nos cérebros emancipados e operosos de grande parte da população terráquea, a crença raciocinada germina e floresce, mostrando ao homem livre a Luz que vem de Deus para todos os seus filhos amados.
O “teu” Evangelho é um mar de verdades filosóficas, onde todas as celebrações emancipadas do preconceito de tradições esmaecidas e até absurdas, bebem avidamente a cristalina água da Verdade eterna!
Quando Deus mandou tocar — Sentido! não ficaste bocejando. Ao contrario, empunhaste a tua espada e partiste para a trincheira, cheio dessa convicção inabalável, que gera os heróis no campo da peleja!
E, ainda hoje,teus golpes sobre as doutrinas comodistas e indolentes abatem irremediavelmente o gozador insensível ou o fanático impenitente!
Qual facho luminoso penetrando em cavernas soturnas, espavorindo os que ai se ocultassem, teu verbo, escrito em preciosas paginas, atravessa de geração em geração, fulgurante de verdade.
O Evangelho que nos deixaste faz surgir o do Cristo, que o ensinou de viva voz e que a humanidade deturpa, ao sabor dos tempos e dos costumes corruptos de cada época!
O “dae de graça o que de graça recebestes”, com respeito aos bens espirituais, transformou-se em tão egoístico objeto de mercancia, que dá a idéia de que Deus se vende!
Contudo, como membros de uma só família a família do Cristo — cumpre-nos respeitar as crenças alheias, ainda que falsas, resguardando-nos, todavia, do contagio delias.
O teu despertar para a Verdade nos veio despertar para a fé raciocinada, que se completa com o culto da humildade, da caridade e do amor!...
Continua, pois, oh! Espírito iluminado, mesmo do astral, a nos incutir a sinceridade, para que possamos cultivar o amor a Deus e ao próximo.
Salve, Kardec iluminado! Bendito seja Deus!
Fonte: Reformador – junho, 1936 
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sábado, 15 de janeiro de 2011
A Mediunidade e a Psicanálise
A Mediunidade e a Psicanálise - entrevista com Dr. Sérgio Felipe de Oliveira
Há quase um século se estuda os fenômenos orgânicos e psíquicos da mediunidade. No Brasil um dos mais importantes estudiosos nesta área é o neuropsiquiatra Sérgio Felipe de Oliveira, mestrado em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretor da Clínica Pineal Mind de São Paulo.
Nesta entrevista para a revista “Saúde e Espiritualidade” (“Health and Spirituality”), Dr. Sérgio nos conta um pouco de seus estudos e investigações sobre a glândula pineal e a mediunidade.
A Ciência reconhece o tema da “mediunidade”?
O Código Internacional de Enfermidades (CID) N°10 (F44.3) de certa forma o reconhece; do mesmo modo que o tratado de Psiquiatria de Kaplane e Sadock, no capítulo sobre as teorias da Personalidade, quando se refere ao estado de transe e de possessão pelos espíritos. Carl Gustav Jung, fez um estudo com uma médium possuída por espíritos. Enfim, já é uma abertura para discutir o tema do ponto de vista científico.
No seu curso, como o senhor orienta as pessoas para o estudo da mediunidade?
De início, é necessário apresentar os conceitos de Universos Paralelos e a Teoria das Superquedas, porque essas hipóteses científicas buscam a unificação de todas as forças físicas conhecidas e pressupõem a existência de 11 dimensões, coincidindo com a revelação espírita sobre os diversos planos da vida espiritual. Temos que estudar também outros temas científicos importantes, tal como a Física Quântica, apresentada por Einstein e desenvolvida por Paul Dirac, assim como o teorema de Gödel. Precisamos discutir um pouco sobre os tipos de matéria que participam da construção dos corpos sutis do espírito, além de estudar a dinâmica da Psicologia Transpessoal. Assim podemos entender melhor como se pruduz a comunicação entre os espíritos, sejam esses encarnados ou desencarnados.
Que seria realmente a mediunidade?
A mediunidade é uma faculdade da percepção sensorial. Como qualquer faculdade deste tipo, para ser exercida, a mediunidade necessita de um órgão que capte e o outro que interprete. A nossa hipótese é que a glândula pineal é um órgão sensorial da mediunidade, como um telefone celular, que capta as ondas do aspecto eletromagnético, que vêm da dimensão espiritual, e o lóbulo frontal faz o juízo crítico da mensagem, auxiliado pelas demais áreas encefálicas.
Mas a glândula pineal não se calcifica depois dos 10 anos de idade?
De fato, ocorre o processo bio-mineral da glândula e ela se calcifica. Em minha tese de doutorado da USP, investiguei os cristais da glândula pineal mediante a difração dos raios X.
Eu usei também a tomografia computadorizada e a resonância magnética. Tive a oportunidade de observar nos cristais uma micro circulação sangüínea que os mantinha metabolicamente ativos e vivos.
Acredito que sejam estruturas diamagnéticas que repelem ligeiramente o campo magnético, cujas ondas se deixam ser recocheteadas de um cristal a outro. Isso é como um seqüestro dos campos magnéticos pela glândula. Quanto mais cristais uma pessoa tem, mais possibilidades terá de captar as ondas eletromagnéticas. Os Médiums ostensivos têm mais cristais.
Quais são os sintomas da mediunidade?
Variam dependendo do tipo da mediunidade. Nos fenômenos espíritas, como é o caso da psicofonia, da psicografia, da possessão, etc, há captação pelos cristais da glândula pineal e sua ativação adenergética, quero dizer que pode ocorrer ataque cardíaco, aumento do fluxo renal, circulação periférica diminuída, etc. Nos fenômenos psíquicos, em que a alma do encarnado se afasta do corpo, como em estado de desdobramento, os sintomas são outros: podemos ter distúrbios de sono, sonambulismo, terror noturno, ranger de dentes, angústia, fobia, etc. Encaixam-se aqui também os fenômenos de cura e ectoplasma. Nos psíquicos, ocorrem mais fenômenos colienergéticos: expansão das atividades do aparelho digestivo, diminuição da pressão arterial, etc.
Quer dizer que a mediunidade não se manifesta sempre como fenômeno paranormal?
Correto. Uma boa parte das vezes, se expressa mediante alterações do comportamento psicobiológico. A explicação é a seguinte: a glândula pineal, um órgão sensorial, capta as ondas magnéticas dos universos paralelos; a percepção seria enviada ao lóbulo frontal que a interpretaria. Para isso é necessário se ter um certo treino e, antes de mais nada, a transcendência, do contrário não há desenvolvimento nessa área.
E no caso de a pessoa não conseguir essa trascendência?
Nesse caso as ondas magnéticas vão influir diretamente sobre as áreas do hipotálamo e as estruturas ao seu redor, sem passar pelo juízo crítico do lóbulo frontal e sem receber seu comando. Conseqüentemente a pessoa perde o controle do comportamento psicobiológico e orgânico. É o que acontece em muitos casos de obesidade, quando a pessoa come sem fome ou nos casos de dificuldades nas relações sexuais.
Se o efeito se produz na área da agressividade, haverá talvez um aumento da auto-agressividade (desencadeando depressão e fobia) ou da hetero-agressividade (com violência contra outras pessoas). Se o sistema reticular ascendente é ativado (esse sistema é responsavel pelos estados de sono e vigilia) podem ocorrer distúrbios nessa área. Nos casos citados ocorrem sintomas sem desenvolvimento da mediunidade, com alterações hormonais, psiquiátricas ou orgânicas. Se não há o controle do lóbulo frontal, as áreas mais primitivas predominam. A pessoa não usa a capacidade de transcendência. Essas são hipóteses que acumulei durante as investigações e nos casos clínicos.
Se um paciente lhe perguntasse se o seu problema é espiritual ou orgânico, qual seria a sua resposta?
Não existe uma coisa separada da outra. Eu parto da hipótese de que a pessoa é um espírito. Por isso a influência espiritual tem repercursão biológica e os comportamentos psico-orgânicos têm influência sobre o espírito.
Qual e o caminho para a integração da ciência e da espiritualidade?
O cérebro está, como um embrião, ligado ao coração. Não existe raciocínio sem emoção. Somente a capacidade de amar constrói a verdadeira identidade das pessoas. Somente após a união definitiva entre a Ciência e a Espiritualidade, a humanidade poderá encontrar a paz e o amor.
O entrevistado,Sérgio Felipe de Oliveira, é neuropsiquiatra com mestrado em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretor da Clínica Pineal Mind de São Paulo.
Revista Saúde e Espiritualidade da Associação Médico Espírita.
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Escolha das provas, parte 1


258. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena?
“Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu livre-arbítrio.”
a) – Não é Deus, então, quem lhe impõe as tribulações da vida, como castigo?
“Nada ocorre sem a permissão de Deus, porquanto foi Deus quem estabeleceu todas as leis que regem o Universo. Ide agora perguntar por que decretou Ele esta lei e não aquela. Dando ao Espírito a liberdade de escolher, Deus lhe deixa a inteira responsabilidade de seus atos e das conseqüências que estes tiverem. Nada lhe estorva o futuro; abertos se lhe acham, assim, o caminho do bem, como o do mal. Se vier a sucumbir, restar-lhe-á a consolação de que nem tudo se lhe acabou e que a bondade divina lhe concede a liberdade de recomeçar o que foi mal feito. Demais, cumpre se distinga o que é obra da vontade de Deus do que o é da do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós quem o criou e sim Deus. Vosso, porém, foi o desejo de a ele vos expordes, por haverdes visto nisso um meio de progredirdes, e Deus o permitiu.”
259. Do fato de pertencer ao Espírito a escolha do gênero de provas que deva sofrer, seguir-se-á que todas as tribulações que experimentamos na vida nós as previmos e buscamos?
“Todas, não, porque não escolhestes e previstes tudo o que vos sucede no mundo, até às mínimas coisas. Escolhestes apenas o gênero das provações. As particularidades correm por conta da posição em que vos achais; são, muitas vezes, conseqüências das vossas próprias ações. Escolhendo, por exemplo, nascer entre malfeitores, sabia o Espírito a que arrastamentos se expunha; ignorava, porém, quais os atos que viria a praticar. Esses atos resultam do exercício da sua vontade, ou do seu livre-arbítrio. Sabe o Espírito que, escolhendo tal caminho, terá que sustentar lutas de determinada espécie; sabe, portanto, de que natureza serão as vicissitudes que se lhe depararão, mas ignora se se verificará este ou aquele êxito. Os acontecimentos secundários se originam das circunstâncias e da força mesma das coisas. Previstos só são os fatos principais, os que influem no destino. Se tomares uma estrada cheia de sulcos profundos, sabes que terás de andar cautelosamente, porque há muitas probabilidades de caíres; ignoras, contudo, em que ponto cairás e bem pode suceder que não caias, se fores bastante prudente. Se, ao percorreres uma rua, uma telha te cair na cabeça, não creias que estava escrito, segundo vulgarmente se diz.”
260. Como pode o Espírito desejar nascer entre gente de má vida?
“Forçoso é que seja posto num meio onde possa sofrer a prova que pediu. Pois bem! É necessário que haja analogia. Para lutar contra o instinto do roubo, preciso é que se ache em contacto com gente dada à prática de roubar.”
a) – Assim, se não houvesse na Terra gente de maus costumes, o Espírito não encontraria aí meio apropriado ao sofrimento de certas provas?
“E seria isso de lastimar-se? É o que ocorre nos mundos superiores, onde o mal não penetra. Eis por que nesses mundos, só há Espíritos bons. Fazei que em breve o mesmo se dê na Terra.”
261. Nas provações por que lhe cumpre passar para atingir a perfeição, tem o Espírito que sofrer tentações de todas as naturezas? Tem que se achar em todas as circunstâncias que possam excitar-lhe o orgulho, a inveja, a avareza, a sensualidade, etc.?
“Certo que não, pois bem sabeis haver Espíritos que desde o começo tomam um caminho que os exime de muitas provas. Aquele, porém, que se deixa arrastar para o mau caminho, corre todos os perigos que o inçam. Pode um Espírito, por exemplo, pedir a riqueza e ser-lhe esta concedida. Então, conforme o seu caráter, poderá tornar-se avaro ou pródigo, egoísta ou generoso, ou ainda lançar-se a todos os gozos da sensualidade. Daí não se segue, entretanto, que haja de forçosamente passar por todas estas tendências.”
262. Como pode o Espírito, que, em sua origem, é simples, ignorante e carecido de experiência, escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha?
“Deus lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazeis com a criancinha. Deixa-o, porém, pouco a pouco, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve, senhor de proceder à escolha e só então é que muitas vezes lhe acontece extraviar-se, tomando o mau caminho, por desatender os conselhos dos bons Espíritos. A isso é que se pode chamar a queda do homem.”
a) – Quando o Espírito goza do livre-arbítrio, a escolha da existência corporal dependerá sempre exclusivamente de sua vontade, ou essa existência lhe pode ser imposta, como expiação, pela vontade de Deus?
“Deus sabe esperar, não apressa a expiação. Todavia, pode impor certa existência a um Espírito, quando este, pela sua inferioridade ou má-vontade, não se mostra apto a compreender o que lhe seria mais útil, e quando vê que tal existência servirá para a purificação e o progresso do Espírito, ao mesmo tempo que lhe sirva de expiação.”
263. O Espírito faz a sua escolha logo depois da morte?
“Não, muitos acreditam na eternidade das penas, o que, como já se vos disse, é um castigo.”
264. Que é o que dirige o Espírito na escolha das provas que queira sofrer?
“Ele escolhe, de acordo com a natureza de suas faltas, as que o levem à expiação destas e a progredir mais depressa. Uns, portanto, impõem a si mesmos uma vida de misérias e privações, objetivando suportá-las com coragem; outros preferem experimentar as tentações da riqueza e do poder, muito mais perigosas, pelos abusos e má aplicação a que podem dar lugar, pelas paixões inferiores que uma e outros desenvolvem; muitos, finalmente, se decidem a experimentar suas forças nas lutas que terão de sustentar em contacto com o vício.”
265. Havendo Espíritos que, por provação, escolhem o contacto do vício, outros não haverá que o busquem por simpatia e pelo desejo de viverem num meio conforme aos seus gostos, ou para poderem entregar-se materialmente a seus pendores materiais?
“Há, sem dúvida, mas tão-somente entre aqueles cujo senso moral ainda está pouco desenvolvido. A prova vem por si mesma e eles a sofrem mais demoradamente. Cedo ou tarde, compreendem que a satisfação de suas paixões brutais lhes acarretou deploráveis conseqüências, que eles sofrerão durante um tempo que lhes parecerá eterno. E Deus os deixará nessa persuasão, até que se tornem conscientes da falta em que incorreram e peçam, por impulso próprio, lhes seja concedido resgatá-la, mediante úteis provações.”
266. Não parece natural que se escolham as provas menos dolorosas?
“Pode parecer-vos a vós; ao Espírito, não. Logo que este se desliga da matéria, cessa toda ilusão e outra passa a ser a sua maneira de pensar.”
Sob a influência das idéias carnais, o homem, na Terra, só vê das provas o lado penoso. Tal a razão de lhe parecer natural sejam escolhidas as que, do seu ponto de vista, podem coexistir com os gozos materiais. Na vida espiritual, porém, compara esses gozos fugazes e grosseiros com a inalterável felicidade que lhe é dado entrever e desde logo nenhuma impressão mais lhe causam os passageiros sofrimentos terrenos. Assim, pois, o Espírito pode escolher prova muito rude e, conseguintemente, uma angustiada existência, na esperança de alcançar depressa um estado melhor, como o doente escolhe muitas vezes o remédio mais desagradável para se curar de pronto. Aquele que intenta ligar seu nome à descoberta de um país desconhecido não procura trilhar estrada florida. Conhece os perigos a que se arrisca, mas também sabe que o espera a glória, se lograr bom êxito.
A doutrina da liberdade que temos de escolher as nossas existências e as provas que devamos sofrer deixa de parecer singular, desde que se atenda a que os Espíritos, uma vez desprendidos da matéria, apreciam as coisas de modo diverso da nossa maneira de apreciá-las.
Divisam a meta, que bem diferente é para eles dos gozos fugitivos do mundo. Após cada existência, vêem o passo que deram e compreendem o que ainda lhes falta em pureza para atingirem aquela meta. Daí o se submeterem voluntariamente a todas as vicissitudes da vida corpórea, solicitando as que possam fazer que a alcancem mais presto. Não há, pois, motivo de espanto no fato de o Espírito não preferir a existência mais suave. Não lhe é possível, no estado de imperfeição em que se encontra, gozar de uma vida isenta de amarguras. Ele o percebe e, precisamente para chegar a fruí-la, é que trata de se melhorar.
Não vemos, aliás, todos os dias, exemplos de escolhas tais? Que faz o homem que passa uma parte de sua vida a trabalhar sem trégua, nem descanso, para reunir haveres que lhe assegurem o bem-estar, senão desempenhar uma tarefa que a si mesmo se impôs, tendo em vista melhor futuro? O militar que se oferece para uma perigosa missão, o navegante que afronta não menores perigos, por amor da Ciência ou no seu próprio interesse, que fazem, também eles, senão sujeitar-se a provas voluntárias, de que lhes advirão honras e proveito, se não sucumbirem? A que se não submete ou expõe o homem pelo seu interesse ou pela sua glória? E os concursos não são também todos provas voluntárias a que os concorrentes se sujeitam, com o fito de avançarem na carreira que escolheram? Ninguém galga qualquer posição nas ciências, nas artes, na indústria, senão passando pela série das posições inferiores, que são outras tantas provas. A vida humana é, pois, cópia da vida espiritual; nela se nos deparam em ponto pequeno todas as peripécias da outra. Ora, se na vida terrena muitas vezes escolhemos duras provas, visando posição mais elevada, por que não haveria o Espírito, que enxerga mais longe que o corpo e para quem a vida corporal é apenas incidente de curta duração, de escolher uma existência árdua e laboriosa, desde que o conduza à felicidade eterna? Os que dizem que pedirão para ser príncipes ou milionários, uma vez que ao homem é que caiba escolher a sua existência, se assemelham aos míopes, que apenas vêem aquilo em que tocam, ou a meninos gulosos, que, a quem os interroga sobre isso, respondem que desejam ser pasteleiros ou doceiros.
O viajante que atravessa profundo vale ensombrado por espesso nevoeiro não logra apanhar com a vista a extensão da estrada por onde vai, nem os seus pontos extremos. Chegando, porém, ao cume da montanha, abrange com o olhar quanto percorreu do caminho e quanto lhe resta dele a percorrer. Divisa-lhe o termo, vê os obstáculos que ainda terá de transpor e combina então os meios mais seguros de atingi-lo. O Espírito encarnado é qual viajante no sopé da montanha. Desenleado dos liames terrenais, sua visão tudo domina, como a daquele que subiu à crista da serrania. Para o viajor, no termo da sua jornada está o repouso após a fadiga; para o Espírito, está a felicidade suprema, após as tribulações e as provas.
Dizem todos os Espíritos que, na erraticidade, eles se aplicam a pesquisar, estudar, observar, a fim de fazerem a sua escolha. Na vida corporal não se nos oferece um exemplo deste fato? Não levamos, freqüentemente, anos a procurar a carreira pela qual afinal nos decidimos, certos de ser a mais apropriada a nos facilitar o caminho da vida? Se numa o nosso intento se malogra, recorremos a outra. Cada uma das que abraçamos representa uma fase, um período da vida. Não nos ocupamos cada dia em cogitar do que faremos no dia seguinte? Ora, que são, para o Espírito as diversas existências corporais, senão fases, períodos, dias da sua vida espírita, que é, como sabemos, a vida normal, visto que a outra é transitória, passageira?
267. Pode o Espírito proceder à escolha de suas provas, enquanto encarnado?
“O desejo que então alimenta pode influir na escolha que venha a fazer, dependendo isso da intenção que o anime. Dá-se, porém, que, como Espírito livre, quase sempre vê as coisas de modo diferente. O Espírito por si só é quem faz a escolha; entretanto, ainda uma vez o dizemos, possível lhe é fazê-la, mesmo na vida material, por isso que há sempre momentos em que o Espírito se torna independente da matéria que lhe serve de habitação.”
a) – Não é decerto como expiação, ou como prova, que muita gente deseja as grandezas e as riquezas. Será?
“Indubitavelmente, não. A matéria deseja essa grandeza para gozá-la e o Espírito para conhecer-lhe as vicissitudes.”
Extraído da obra: O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro, Editora FEB, 76ª edição, p. 199 (versão do site Domínio Público).
***
domingo, 9 de janeiro de 2011
Lições de Herculano Pires sobre a Vida e a Morte
Lições de Herculano Pires sobre a Vida e a Morte
Heloísa Pires
Março chega e a saudade de Herculano fica mais intensa.
Vinte e um anos se passaram! Tanto tempo! Parece que foi ontem: a desencarnação, a surpresa (infarto!), a multidão, a despedida do corpo físico.
As lembranças surgem carregadas de música e cores. Foi a libertação de um grande guerreiro que, terminada a tarefa, projetou-se no Mundo Espiritual. Interexistente, mesmo encarnado habitava a cidade dourada de Mário Quintana (Baú de Espantos).
Alegre, corajoso, otimista, lutador. Chega feliz, nada tem a temer. Realizou tudo que pretendia e muito mais: 84 trabalhos cujo valor foi e é reconhecido.
Reencontro o pai Herculano através da imaginação. O lugar é lindo! Árvores, pássaros, flores, músicas. Tudo o que ele apreciava na Terra.
- Pai! Como você está bem! Mais moço do que eu!
- Larga de tolice, menina; é que você me ama!
- Saudade, pai! Imensa! Você era a luz maior da nossa casa! A nossa alegria! A mãe "apagou" um pouco com a sua mudança para o Mundo espiritual.
- Filha! Não existe morte, nem separação, ou qualquer barreira para os que se amam. Continuam unidos.
- Sei, pai. Você foi um grande professor. Mas a morte impede o contacto físico. Saudade de ouvi-lo, abraçá-lo, escutar o barulho da máquina de escrever no seu quarto. Ouvir as suas histórias, as suas risadas, a conversa agradável. O seu sapato velho produzia um ruído gostoso pela casa. O ruído dos ventiladores amenizando o calor que você sentia. E o "chiado" do bule de café fervendo no fogão (tomava café o dia inteiro).
Saudade de vê-lo rodeado de livros no quarto-escritório.
As minhas tardes perderam um pouco da graça, porque não posso mais trocar idéias com você.
Ah! Pai! A morte ainda é difícil na Terra. A separação dói muito, pai!
- Filha! Que materialismo! Você está apegada ao corpo físico, à "energia condensada". Somos espíritos, filha! Pensamento e vontade! A comunicação, mesmo no mundo material, é realizada pelo pensamento.
- Sei de tudo isso, papai, no campo da Razão é muito fácil! Mas no dos sentimentos é mais difícil. Como a vida na Terra fica deliciosa quando estamos lado a lado com os nossos queridos, a nossa família espiritual. Nossos Natais, pai! Os aniversários, o chá da tarde!
- Fico feliz, querida, ao ouvir isso, porque procurei saber ser o melhor possível. Mas Heloisa, como dizia e repito, a minha sorte foi a de ter recebido jóias como filhos; vocês foram maravilhosos (É o que ele pensava). A esposa Virgínia é inigualável (é o que todos pensamos).
- Continua o mesmo, papai. Educando pelo amor e convidando a "crescer" através da auto-imagem positiva.
- E existe outro jeito, querida? Como entender o "Sois deuses e Luzes", de Jesus?
- Tem razão, pai. Mas vou lhe pedir um favor: pode me auxiliar a encontrar com você durante o sono e a lembrar do sonho?
- Ah! Querida menina! Os reencontros acontecem sempre, mas, voltados para as necessidades da nossa encarnação, esquecemos ao acordar. É a lei! Lembra do capítulo de O Livro dos Espíritos sobre o sonho e o sono?
- Claro. "Ás vezes desejamos acordados encontrar alguém; mas dormimos e vamos atender a outros compromissos. Temos como que duas vidas em uma só: a vida no Mundo físico e a do Mundo espiritual". Mas se der um jeito, ajude-me a lembrar do sonho, certo? Precisamos da sua presença luminosa e bem humorada em nossas vidas.
- Conte comigo. Mas quando for ficar triste lembre que hoje, se encarnado, o meu corpo físico estaria em um estado terrível. Agradeçamos a Lei do Amor desse Pai Justo e Misericordioso, que nos permite a expressão no corpo energético indestrutível.
- Vou lembrar, papai. E das palavras da sua poesia linda sobre a morte e a vida: "Não procures no túmulo vazio, alma querida que deixou a Terra ...
...Hás de encontrá-lo quando num momento, vencendo a ilusão do teu conflito,Possas falar-lhe pelo pensamento..."
HELOÍSA PIRES,excelente educadora espírita,com vários livros escritos,mas,gente como agente.Há pessoas que pensam que os espíritas não choram quando seus familiares partem para a Pátria espiritual,ou desencarnam;esta não e a realidade;na verdade sofremos,sentimos saudades,choramos,sem desespero,mas choramos esta ausência física a qual ela se refere apesar de termos a certeza do reencontro.Sabemos que eles nos vêem,mas gostaríamos de tocá-los.Nada mais natural.A morte não existe,mas a saudade,sim!!!
Heloísa Pires
Março chega e a saudade de Herculano fica mais intensa.
Vinte e um anos se passaram! Tanto tempo! Parece que foi ontem: a desencarnação, a surpresa (infarto!), a multidão, a despedida do corpo físico.
As lembranças surgem carregadas de música e cores. Foi a libertação de um grande guerreiro que, terminada a tarefa, projetou-se no Mundo Espiritual. Interexistente, mesmo encarnado habitava a cidade dourada de Mário Quintana (Baú de Espantos).
Alegre, corajoso, otimista, lutador. Chega feliz, nada tem a temer. Realizou tudo que pretendia e muito mais: 84 trabalhos cujo valor foi e é reconhecido.
Reencontro o pai Herculano através da imaginação. O lugar é lindo! Árvores, pássaros, flores, músicas. Tudo o que ele apreciava na Terra.
- Pai! Como você está bem! Mais moço do que eu!
- Larga de tolice, menina; é que você me ama!
- Saudade, pai! Imensa! Você era a luz maior da nossa casa! A nossa alegria! A mãe "apagou" um pouco com a sua mudança para o Mundo espiritual.
- Filha! Não existe morte, nem separação, ou qualquer barreira para os que se amam. Continuam unidos.
- Sei, pai. Você foi um grande professor. Mas a morte impede o contacto físico. Saudade de ouvi-lo, abraçá-lo, escutar o barulho da máquina de escrever no seu quarto. Ouvir as suas histórias, as suas risadas, a conversa agradável. O seu sapato velho produzia um ruído gostoso pela casa. O ruído dos ventiladores amenizando o calor que você sentia. E o "chiado" do bule de café fervendo no fogão (tomava café o dia inteiro).
Saudade de vê-lo rodeado de livros no quarto-escritório.
As minhas tardes perderam um pouco da graça, porque não posso mais trocar idéias com você.
Ah! Pai! A morte ainda é difícil na Terra. A separação dói muito, pai!
- Filha! Que materialismo! Você está apegada ao corpo físico, à "energia condensada". Somos espíritos, filha! Pensamento e vontade! A comunicação, mesmo no mundo material, é realizada pelo pensamento.
- Sei de tudo isso, papai, no campo da Razão é muito fácil! Mas no dos sentimentos é mais difícil. Como a vida na Terra fica deliciosa quando estamos lado a lado com os nossos queridos, a nossa família espiritual. Nossos Natais, pai! Os aniversários, o chá da tarde!
- Fico feliz, querida, ao ouvir isso, porque procurei saber ser o melhor possível. Mas Heloisa, como dizia e repito, a minha sorte foi a de ter recebido jóias como filhos; vocês foram maravilhosos (É o que ele pensava). A esposa Virgínia é inigualável (é o que todos pensamos).
- Continua o mesmo, papai. Educando pelo amor e convidando a "crescer" através da auto-imagem positiva.
- E existe outro jeito, querida? Como entender o "Sois deuses e Luzes", de Jesus?
- Tem razão, pai. Mas vou lhe pedir um favor: pode me auxiliar a encontrar com você durante o sono e a lembrar do sonho?
- Ah! Querida menina! Os reencontros acontecem sempre, mas, voltados para as necessidades da nossa encarnação, esquecemos ao acordar. É a lei! Lembra do capítulo de O Livro dos Espíritos sobre o sonho e o sono?
- Claro. "Ás vezes desejamos acordados encontrar alguém; mas dormimos e vamos atender a outros compromissos. Temos como que duas vidas em uma só: a vida no Mundo físico e a do Mundo espiritual". Mas se der um jeito, ajude-me a lembrar do sonho, certo? Precisamos da sua presença luminosa e bem humorada em nossas vidas.
- Conte comigo. Mas quando for ficar triste lembre que hoje, se encarnado, o meu corpo físico estaria em um estado terrível. Agradeçamos a Lei do Amor desse Pai Justo e Misericordioso, que nos permite a expressão no corpo energético indestrutível.
- Vou lembrar, papai. E das palavras da sua poesia linda sobre a morte e a vida: "Não procures no túmulo vazio, alma querida que deixou a Terra ...
...Hás de encontrá-lo quando num momento, vencendo a ilusão do teu conflito,Possas falar-lhe pelo pensamento..."
1ª FOTO:Heloísa Pires e a 2ª Herculano a esquerda da foto.
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