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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Jornal Paraná entrevista Divaldo P. Franco


O JORNAL PARANÁ ENTREVISTA DIVALDO


Perg. 1)-O Paraná: Quais são os fundamentos da Doutrina Espírita? 


Divaldo: Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, na introdução da obra básica que se chama "O Livro dos Espíritos", estabelece os itens fundamentais que caracterizam a Doutrina: A crença em Deus; na imortalidade da alma; na comunicabilidade dos Espíritos; na reencarnação; na pluralidade dos mundos habitados e na ética moral apresentada na Doutrina de Jesus, conforme Ele e os Seus apóstolos a viveram nos primórdios do Seu apostolado. Como extensão, o Espiritismo tem como fundamento essencial a prática da caridade, dando-lhe uma abrangência que sai do paternalismo de oferecer coisas ao invés de libertar da miséria. O Espiritismo fundamenta a sua proposta dentro da ciência social. Ao invés de dar esmola, dê trabalho. Ao invés de oferecer o pão habitualmente, dê salário, porque através do salário o indivíduo dignifica-se e liberta-se daquela dependência emocional que o indignifica cada vez mais.


 
Perg. 2)O Paraná: Existem rituais no Espiritismo?


Divaldo: O Espiritismo, inicialmente, é o resultado de uma investigação científica, por isso mesmo dizemos que o Espiritismo é ciência, não uma ciência convencional, porque o material com que labora não obedece às leis das doutrinas físicas. Trabalhando com o espírito imortal, está sempre na dependência das suas reações psicológicas, das suas atitudes emocionais. Essa investigação científica, que é resultado da observação, ofereceu uma visão filosófica, e nessa proposta filosófica, o Espiritismo responde aos quesitos que perturbam o pensamento filosófico. Por efeito, tem uma ética moral. Nessa ética moral surge uma vertente religiosa, não do ponto de vista de uma religião constituída, que se caracteriza por um misticismo, por paramentos, por sacerdócio organizado, pelas expressões seitistas, ou que se permita caracterizar por uma forma ou fórmula de culto externo. É, portanto, uma doutrina destituída de toda e qualquer apresentação visual que tenha por meta impressionar. É uma Doutrina que leva o indivíduo a uma auto-reflexão a respeito da vida e das suas responsabilidades perante a consciência cósmica.


 
Perg. 3)O Paraná: Como o Espiritismo comprova a reencarnação?
 

Divaldo: Através das experiências de regressão de memória, chamadas ecminésia; das lembranças espontâneas; das revelações mediúnicas e das análises psicológicas da memória extracerebral. Sempre preocupou a psicologia o chamado "déjà vu", em que um indivíduo tem a sensação de já ter visto, de já ter ouvido, de já ter conhecido determinadas coisas. Carl Gustav Jung narrava que, nas suas viagens pela Europa, antes de chegar a determinado lugar, tinha a impressão nítida de que antes houvera estado ali. Conhecia detalhes, hábitos, cultura, e, ao chegar, para sua surpresa, verificava que aquela percepção era verdadeira. Naturalmente, ele teve uma explicação psicanalítica, que parecia concordar com a sua idéia da irradiação mental. Para nós, os espíritas, é uma reminiscência de ocorrências já experimentadas em encarnações anteriores, o que, por dilatação, vem explicar as simpatias, as antipatias, os ódios acendrados, as animosidades entre familiares. Ademais, a reencarnação pode ser constatada, conforme estabeleceu o Dr. Banerjee, parapsicólogo indiano, através, também, de um outro ângulo da chamada memória não cerebral. O conhecimento de idiomas, que a pessoa jamais teve a oportunidade de os estudar; as lembranças de vidas pregressas que fluem espontaneamente, e, ao mesmo tempo, a genialidade precoce. Embora nós acreditemos profundamente nas heranças de natureza genética; nos fenômenos denominados pelo próprio Jung como fenômenos de sincronicidade, em que as coisas acontecem por uma lei de sincronidade, há fatos históricos de crianças que se recordam ou se recordaram de haver vivido antes, ou também de ser possuidoras de um conhecimento que não tem nenhuma explicação, nem genética, nem de natureza psicossocial. Somente a lembrança da reencarnação é que as pode elucidar.


 
Perg. 4)O Paraná: Muitos acreditam no final dos tempos, a partir da virada para o próximo milênio. Como o Espiritismo encara isso?
 

Divaldo: Como uma superstição. Normalmente, através da história, a mudança de século sempre trouxe, particularmente na idade média, o fantasma do horror. Baseado em que, nessa mudança, a Terra se deslocaria do eixo, haveria uma erupção de epidemias, de terremotos, maremotos, de fenômenos sísmicos e, na virada do milênio, foi ainda mais apavorante, por causa desse mesmo critério supersticioso. Em todo o Evangelho, nos 27 livros que o constituem, não há nenhuma referência ao novo milênio. As observações, a respeito do "fim do mundo", estão no Apocalipse de João, quando ele dirá, através de metáforas e de imagens, de uma concepção de um estado alterado de consciência, que vê a transformação que se operaria na Humanidade. Mais tarde poderíamos colher outros resultados também no chamado sermão profético de Jesus, que está no evangelista Marcos, capítulo 13, versículo 1 e seguintes, quando Jesus saía do templo de Jerusalém e os discípulos, muito emocionados, dizem: - "Senhor, vede que pedras, vede que templo". E Jesus lhes redargue: - "Em verdade vos digo que não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada". Foram para o Getsêmani, no Horto das Oliveiras, e ali os amigos disseram: "Conta-nos quais serão os sinais que antecederão a isso". Ele narra uma série de fenômenos que certamente atingiriam a Terra. Aconteceu que, realmente, no ano 70, Tito teve a oportunidade de derrubar o templo de Jerusalém, que não foi mais reerguido, e no ano 150, na segunda diáspora dos hebreus, praticamente Jerusalém foi destituída da Terra, somente voltando a ter cidadania quando a ONU reconheceu o Estado de Israel com os direitos que, aliás, lhe são credenciados e que ele merece. Mas as doutrinas religiosas, com o respeito que nos merecem, que sempre se caracterizaram pelo Deus-temor ao invés do Deus-amor, por manterem as pessoas na ignorância e intimidá-las, ao invés de libertá-las pelo esclarecimento, estabeleceram que o fim do mundo seria desastroso, seria cruel, como se não vivêssemos perpetuamente num mundo desastroso e cruel, cheio de acidentes, de vulcões, de terremotos, de maremotos, de guerras, de pestes, etc. Para nós, espíritas, o fim do mundo será o fim do mundo moral negativo, quando nós iremos combater os adversários piores, que são os que estão dentro de nós: as paixões dissolventes; os atavismos de natureza instintiva agressiva; a crueldade; o egoísmo e, por conseqüência, todos veremos uma mudança da face da Terra, quando nós, cidadãos, nos resolvamos por libertar-nos em definitivo das nossas velhas amarras ao ego e das justificativas por mecanismos de fuga. Então o homem do futuro será um homem mais feliz, sem dúvida. Haverá uma mudança também da justiça social. Haverá justiça social na Terra, porque nós, as criaturas, compreenderemos os nossos direitos, mas acima de tudo, os nossos deveres, deveres esses como fatores decisivos aos nossos direitos. Daí, a nossa visão apocalíptica do fim dos tempos é a visão da transformação moral em que esses tempos de calamidade passarão a ser peças de museu, que o futuro encarará com uma certa compaixão, como nós encaramos períodos do passado que nos inspiram certo repúdio e piedade pela ignorância, então, que vicejava naquelas épocas. 


 
Perg. 5)O Paraná: Qual a concepção do Espiritismo sobre o demônio?
 

Divaldo: A palavra demônio vem de daimon, anjo, espírito tutelar, e ela foi enunciada possivelmente com mais ênfase por Sócrates, que afirmava ser dirigido por um daimon. No caso de Sócrates, era um Espírito tutelar que o defendia do perigo. Mais tarde, traduzida ao latim, ela sofreu uma corruptela, para significar anjo mau, anjo perverso. Nós não temos uma concepção demoníaca de um ser eterno criado por Deus perpetuamente para o mal, que seria o diabo, Lúcifer. Essa dualidade do bem e do mal é uma dualidade psicológica e de colocação filosófica, isto porque o bem é tudo aquilo que nos promove, que nos dá vida, que nos estimula, e o mal é tudo aquilo que nos perturba, que nos impede o crescimento ético e moral. Daí, o demônio é um estado patológico, que está no indivíduo, e não fora dele. Por uma necessidade de afirmação, nós projetamos para fora, mas que está profundamente enraizado no ser. Não obstante, nós acreditamos que os indivíduos maus, primitivos, perversos, que se comprazem na prática do mal, pela sua própria constituição, depois que abandonam o corpo físico, continuam maus e perversos e se comprazem em perturbar as criaturas humanas que com eles se afligem. Daí, para nós, esses Espíritos seriam os demônios, transitoriamente, porque há uma fatalidade, que é o bem, que é a perfeição, que é a libertação de si mesmo.


 
Perg. 6)O Paraná: Qual a diferença dos santos da Igreja Católica e dos Espíritos cultuados pelo Espiritismo?
 

Divaldo: A Igreja Católica, no seu alogiário, estabeleceu que determinados indivíduos gozam de bem-aventurança. Através de um processo muito bem elaborado pelo Vaticano, pela Santa Sé, é estudada a vida de homens e mulheres abnegados, que deixaram pegadas luminosas. No passado, essa atividade era mais política do que religiosa, o que custava para os países, e ainda custa, uma alta soma em dinheiro para ter o nome dos seus bem-aventurados na lista dos candidatos a santos, a fim de que possam subir aos altares. Acredito que, de início, era uma atitude de muita honestidade para destacar as pessoas nobres, os mártires da fé, os que foram sacrificados. A Idade Média, que foi o grande milênio da ignorância, porque foi quase um milênio de trevas, modificou um pouco e de tal forma que, após o Concílio Ecumênico Vaticano Segundo, a própria Igreja reconheceu que muitos indivíduos que gozavam de beatitude da santificação sequer existiram, como São Jorge, aliás, o guia da Inglaterra; como São Cosme e São Damião, e outros tantos. Nós compreendemos perfeitamente e achamos natural que erros de tal monta hajam acontecido, como a perseguição a Galileu, a perseguição a Joanna d'Arc, a perseguição a Charles Darwin e a outros que, lentamente, a Igreja vem reconhecendo e atualizando dentro dos fundamentos da ciência e da lógica. Para nós, o que os católicos chamam santos são os Espíritos nobres, Espíritos puros. Nós não santificamos a ninguém. Cada um auto-santifica-se, graças ao trabalho de depuração espiritual, de resistência contra o mal, e então, pelos atos que realizou na Terra e pelo bem que continua realizando no Além, nós lhes damos o nome de Espíritos Bons, Anjos da Guarda, Espíritos Benfeitores, Espíritos Guias, que de alguma forma têm a mesma característica, embora não seja necessariamente a mesma coisa.


 
Perg. 7)O Paraná: A canonização, então, seria um ato mais político do que propriamente religioso?


Divaldo: É um ato político-cerimonial, vinculado à uma imposição teológica para destacar os membros que merecem maior consideração do alto clero e daqueles que estão vinculados a essa denominação religiosa. Desejamos deixar bem claro que para nós e respeitável, embora, para nós, não tenha maior significação.



Perg. 8)O Paraná: O Papa é intitulado e se auto-intitula o representante de Deus na Terra. Como o Espiritismo vê isso?
 

Divaldo: Como uma presunção, com todo o respeito que ele nos merece, principalmente um homem nobre, como o Papa João Paulo II, dentre outros igualmente nobres. Jesus disse que a única característica que nos podia tornar conhecidos é de que nos amássemos uns aos outros, e Ele próprio teve ocasião de dizer, ipsis verbis: "O filho do homem não tem uma pedra para reclinar a cabeça, embora as aves do céu tenham seus ninhos e os lobos tenham os seus covis". Ele nasceu em uma manjedoura, num lugar muito modesto, numa gruta. Morreu numa cruz e toda a sua trajetória foi muito simples. Sem nenhuma mística em torno do vulto do homem Jesus, vemos Nele um exemplo de auto-imolação. Então, alguém auto-eleger-se como representante de Deus, estando na sua condição de humanidade, sujeito às vicissitudes da arteriosclerose, das disfunções de natureza enzimática do cérebro - porque os neurônios cerebrais passam por várias transformações, por estados emocionais -, não deixa de ser um salto muito audacioso, porque ao representar Deus, de alguma forma, assume-Lhe a postura. Nós o consideramos o chefe da Igreja, o chefe político, o chefe ideológico, o chefe social, mas um cidadão, embora nobre, igual a qualquer um de nós.


Perg. 9)O Paraná: Existia ou ainda existe a chamada "mesa branca" no Espiritismo? Se existe, o Sr. Poderia nos explicar o que significa?
 

Divaldo: Todas as idéias novas sofrem as interferências das superstições e das colocações ópticas de todos aqueles que aderem. A colocação da palavra, do conceito "mesa branca", tem o atavismo afro-animista, em que os nossos irmãos, quando chegaram ao Brasil, trazendo as suas doutrinas africanistas, viram-se constrangidos a submetê-las ao talante da religião oficial e dominante. Como normalmente os altares eram forrados com toalhas muito brancas, artisticamente trabalhadas, eles procuraram diferenciar as suas realizações de culto em que se encontravam na intimidade das senzalas para adorar a Deus, daquela outra que tinha o altar coberto de toalhas alvas. Quando mais tarde se deram conta da Doutrina Espírita, eles passaram a diferençar entre o culto afro - as reuniões chamadas de roda ou de giro -, e aquelas que seriam mais elevadas, as mesas brancas. No Espiritismo, as nossas mesas são normalmente marrons, porque são envernizadas. Não existem toalhas; não existem adornos; não tem nada que caracterize e também não temos a presunção de que as nossas atividades sejam superiores àquelas que outros realizam em denominações variadas das suas crenças na Umbanda, na Quimbanda. Nós não temos senão o interesse de demonstrar que o Espiritismo está isento de qualquer expressão de culto e de qualquer colocação de natureza seitista. Daí, não existe nenhum ponto de contato entre a mesa branca ou não, não existe este conceito. É nada mais do que uma colocação atávica, de natureza supersticiosa.


Perg. 10)O Paraná: O que é médium ou mediunidade?
 

Divaldo: Allan Kardec, em "O Livro dos Médiuns", capítulo XIV, diz, ipsis verbis: "Todo aquele que sente a presença dos Espíritos em determinado grau, é, por isso mesmo, médium". A palavra médium foi criada por Allan Kardec, utilizando-se do verbete latino, para tipificar aqueles que serão instrumentos dos recursos que facultam a comunicação entre o chamado mundo espiritual e o chamado mundo material. A mediunidade é a faculdade da alma. A alma tem uma disposição que o organismo veste de células, para poder proporcionar um intercâmbio. Médiuns, por extensão, somos todos nós, porque estamos sempre no meio de energias diferentes, que estão em faixas vibratórias as mais distintas. No entanto, existem aqueles que são mais ricos, os chamados médiuns ostensivos, por intermédio de quem os fenômenos são muito mais imperiosos do que os convencionalmente mais sutis. Allan Kardec, então, dividiu esses médiuns em duas classes: aqueles que são os médiuns naturais, e aqueles que são os médiuns de prova; aqueles que são portadores de distúrbios, provocados pelos Espíritos, e aqueles que são dotados de uma faculdade límpida, cristalina. Isso é fácil de entender, porque, genericamente, todos somos seres inteligentes, pelo fato de sermos criaturas humanas. No entanto, existem os super dotados, como Goethe, Einstein, Machado de Assis, e existem aqueloutros, que temos o discernimento, porém muito limitado, embora todos estejamos tecnicamente como pessoas inteligentes. Daí, a mediunidade é a faculdade da alma que o corpo veste de células para o fenômeno, e ser médium é ter a capacidade de captar ondas, vibrações transpessoais que sejam transmitidas pelos Espíritos encarnados ou desencarnados.


Perg. 11)O Paraná: E a mediunidade só pode ser lapidada através do Espiritismo?
 

Divaldo: Seria, de certo modo, uma presunção de nossa parte achar que é só através. A metodologia, hoje, mais eficaz, é dada pelo Espiritismo, que se especializou. Não obstante, uma pessoa que se moralize, em qualquer lugar; uma pessoa que se autodescubra; uma pessoa que faça uma viagem psicológica interior, forrada de bons propósitos, pode muito bem apurar as suas faculdades psíquicas; entrar em contato com o mundo espiritual com muita facilidade. Por exemplo, Francisco de Assis. Ele era médium, porque ele era interexistente. Ele estava entre os dois mundos, o material e o espiritual, e o seu caráter cristalino fez com que ele se tornasse o maior êmulo de Jesus, o seu verdadeiro copilador. Emet Fox, um dos homens notáveis deste século, que é um livre pensador evangélico admirável, entre as suas muitas obras escreveu "O Sermão da Montanha", atualizando o pensamento de Jesus. Ele era um caráter diamantino que sintonizava com o psiquismo divino. E as suas obras, embora sejam de sua lavra cultural, são portadoras de uma mensagem transcendental extraordinária - de alguma forma, portanto, médium direto. Não obstante, quando se tem distúrbios psíquicos acentuados, na mediunidade de prova atormentada, o Espiritismo possui a melhor metodologia, porque oferece o estudo do sistema nervoso; os riscos da mediunidade; as técnicas de identificação daqueles que por ele se comunicam, e, ademais, demonstra a imensa gama de fenômenos de que ele é objeto, convidando-o a especializar-se nesta ou naquela modulação. 


Perg. 12)O Paraná: Qual a mensagem que o Sr. deixa aos leitores de O Paraná?
 

Divaldo: "O ser humano vem conquistando espaço. Amplia-se o horizonte cósmico. A cada dia ele descobre a grandiosidade do infinito. As sondas espaciais trouxeram informações dantes jamais sonhadas. Os microscópios eletrônicos adentraram-se nas micropartículas, e quando o ser humano acreditou que estava com todas as respostas, ele desperta para constatar que está cheio de dúvidas. A ciência trouxe-lhe um número enorme de equações, aparentemente solucionadas. Mas, neste momento, existem mais de duzentas interrogações intrigantes para a ciência: Por que existe o Universo? Como o Universo auto fez-se? Fala-se do "Big-Bang", de que as partículas estavam condensadas e explodiram, mas isto já é um efeito. Como surgiram as partículas? Do nada. Qual é a força do nada? No campo da biologia as interrogações são ainda mais perturbadoras: como é que a célula inicial, o neuroblasto, ao dividir-se, pode apresentar células específicas para as cartilagens ou para o nervo ótico; para o neurônio cerebral ou para os cabelos; para a pele ou para a elasticidade cardíaca? Por que em um determinado momento a célula do dedo pára de crescer, ao invés de prosseguir ininterruptamente, como caberia à unha? A ciência dá-se conta, através dos seus mais eminentes investigadores, que este é um momento de perguntas: Por que existe a noite? Qualquer um de nós dirá: porque o Sol está ;do outro lado. Muito bem! E os bilhões de estrelas muito mais poderosas do que o Sol? Por que não iluminam a noite? Será que estão tão distantes que a sua luz ainda não chegou à Terra? Então, a engenharia genética, tentando copiar a natureza através dos clones e de outros inventos, ameaça o homem de respostas aberrantes. Mas, qual a solução? A viagem para dento. A criatura humana ainda não teve a coragem de autopenetrar-se. Faz uma viagem numa bólide espacial, mas tem medo de se autodescobrir. Quando o indivíduo fizer a viagem para dentro e perguntar-se "quem sou eu?" "por que estou aqui?", "qual é o objetivo essencial da minha vida?", a ciência lhe dará o contributo intelectual, mas ele descobrirá os valores morais, que servirão de ponte para endossar bem a ciência e encontrar-se consigo mesmo, o que equivale dizer com seu deus interno. Então, nossa mensagem de paz seria esta: Em qualquer conjuntura, seja você, caro amigo leitor, quem ame. Se não o amarem, se o martirizarem, se o afligirem, sem nenhum masoquismo, continue amando. Aquele que nos não compreende está de mal consigo mesmo. Nós, que já descobrimos a vida, somos como o Sol guardado numa lâmpada. E é necessário fazer com que a lâmpada que nos envolve seja transparente, para que a nossa luz, saia, não devendo permitir que o envoltório seja fosco e deixe nossa luz retira. Então, que sejamos nós aqueles que amamos e que não desistamos nunca. É verdade que aparentemente há prevalência do mal e dos maus. Há a dominação dos arbitrários, mas é transitória. A futura árvore tem que vencer a casca da semente, o sol a lustro, as pragas, as intempéries para poder perpetuar a espécie. Então, vale a pena amar porque quando nós amamos nós saímos da amargura que nos deram para participar da alegria que nós vamos dar".

Esta foi uma mensagem do Espírito Joanna de Ângelis para todos nós. 


 
Fonte :

http://joannadangelis.blogspot.com/s


 

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A CORAGEM DE FAZER A DIFERENÇA






Uma pessoa sozinha pode fazer alguma diferença em pleno caos?

As ações de uma única pessoa poderão modificar um sistema social vigente?

Quantas vezes utilizamos como desculpa a frase: De que adianta? Sou somente um na multidão...

Mas, uma mulher, durante a Segunda Guerra Mundial, pensou diferente, agiu e fez a diferença para nada menos de 2.500 vidas.

Pouco conhecida embora, é chamada de A Schindler feminina.

Irena Sendler arriscou sua vida para salvar outras vidas.

Enfermeira, tinha trânsito livre no gueto de Varsóvia, um quarteirão de 4 quilômetros quadrados, onde foram colocadas 500.000 pessoas.

Espalhando notícias, entre os nazistas, de que tifo e outras doenças contagiosas acometiam os confinados no gueto, ela planejou e colocou em prática arriscada estratégia.

Seu objetivo: salvar o maior número possível de crianças judias, retirando-as do gueto.

A parte mais difícil era convencer as mães a lhe entregarem os filhos.

Lamentos, choro, gritos. Mas, em caixas de ferramentas, sacolas, malas, cestos de lixo, sacas de batatas, por dentro do casaco, ela ajudou a retirar crianças do quarteirão.

Por ser idealista, o horror da guerra não lhe arrefeceu a esperança da primavera de paz.

E ela preservou em dois frascos, enterrados sob uma árvore, as identidades de cada uma das crianças: nome verdadeiro e para onde fora encaminhada.

Conseguiu adesão de mais de uma dezena de pessoas, através das quais conseguia documentação falsa para os pequenos.

Em 1943, ela foi presa e levada à prisão de Pawiak. A Gestapo desejava que ela confessasse o paradeiro das crianças: quantas seriam? Quem seriam? Onde estavam? Quem a havia auxiliado?

Irena teve quebrados seus pés e suas pernas e sofreu as mais vis torturas. A ninguém delatou e nada informou.

Condenada à morte, foi salva a caminho da execução por um oficial alemão, subornado pela Resistência.

As pernas fraturadas e as torturas sofridas tiveram como conseqüência a cadeira de rodas, que ela suportou sem reclamações nem queixas.

Manteve, até o final dos seus dias, a serenidade no olhar e o sorriso nos lábios.

Essa mulher corajosa desencarnou no dia 12 de maio de 2008. Foi indicada pelo governo polonês, com o apoio do governo de Israel, ao prêmio Nobel da Paz.

As vidas que salvou das garras do horror nazista e frutificaram em filhos e netos, não a esquecem.

Muitos a foram visitar, no pós-guerra.

Ela figura entre as 6.000 polonesas que ganharam o título de Justo entre as nações, concedido aos que trabalharam pelas vidas dos seus irmãos, nos negros dias da guerra vergonhosa.

Uma mulher que fez a diferença, com vontade e determinação.

Fez a diferença porque não ficou reclamando da situação em que mergulhara a Polônia, mas colocou mãos à obra e realizou a sua parte, acenando esperanças.

* * *

Pensemos nisso, reflitamos e verifiquemos se, nos dias que vivemos, a nossa voz, a nossa atitude, o nosso gesto não pode fazer a grande diferença entre a morte e a vida, entre o desespero e o cântico da esperança. 
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Pensemos...
 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Irena Sendler, colhidos nos sites http://www.slideshare.net ; noticias.uol.com e pt.wikipedia.org.

Divaldo Franco fala sobre o aborto

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O cérebro primitivo do anencéfalo



MARLENE NOBRE

Colegas da AME-Brasil (Associação Médico-Espírita do Brasil) têm se surpreendido, tanto quanto eu mesma, com as colocações de confrades, em conversas nas Casas Espíritas, em artigos na internet, ou mesmo em cartas, a favor do aborto do anencéfalo. Muitos alegam que o feto nessas condições não possui cérebro, sendo óbvio, portanto, que não tenha nenhum espírito ligado a ele. Este argumento, porém, não tem o respaldo da embriologia. Durante a sua formação, o feto anencéfalo pode ter, por distúrbios ou falhas do sistema vascular, a paralisação do desenvolvimento do Sistema Nervoso Central em pontos distintos. Assim, pode ter um único hemisfério cerebral, não ter nenhum, mas, sem dúvida, terá o diencéfalo ou as estruturas reptilianas responsáveis pelas funções primitivas e inconscientes.
Tanto é verdade que o anencéfalo tem todas as atividades instintivas básicas preservadas, como o pulsar do coração e a possibilidade de expandir os pulmões, nos movimentos respiratórios normais. Não se pode dizer, portanto, que ele não tem cérebro, nem tampouco que morre ou pára de respirar ao nascer.
Há inúmeros anencéfalos que persistem vivos por horas ou dias, após o nascimento, mesmo desconectados do cordão umbilical, justamente porque possuem o cérebro primitivo, responsável pelas funções básicas instintivas.
Perante o anencéfalo é como se estivéssemos diante de uma pessoa adulta em estado de coma profundo: o coração bombeia, os pulmões recebem a carga necessária, os órgãos trabalham, mas ele não tem consciência.
Com o Espiritismo aprendemos que a alma secreta os pensamentos de maneira extra-física e é muito mais importante que o próprio cérebro orgânico, porque o comanda, ainda que precariamente nos casos de lesões graves, sobrevivendo à sua morte. É o que acontece nos vários graus do estado de coma.
Se somos espíritas, a explicação para os fetos anencéfalos é muito mais lógica e racional. Não podemos nos esquecer de que só o Espírito tem capacidade de agregar matéria.
Se não tivesse um Espírito no comando, o anencéfalo não poderia formar os seus próprios órgãos − e o fazem a tal ponto que eles são cogitados para transplantes −, não cumpriria o seu metabolismo basal, e não teria preservadas as suas funções vitais.
O Espírito expressa-se através do perispírito ou do corpo espiritual e este, por sua vez, modela o corpo físico.
Se há erros ou deficiências na modelagem, isto significa que o Espírito deformou o seu perispírito por faltas cometidas em outras vidas.
Assim como podem ocorrer deficiências nos mais variados órgãos, a questão não é diferente em relação ao cérebro.No caso do anencéfalo, o perispírito está lesado, principalmente, em seu centro de força cerebral que é responsável pela percepção (visão, audição, tato etc), pela inteligência (palavra, cultura, arte, saber) e atua no córtex.
O Espírito com este tipo de má-formação errou, portanto, na aplicação da inteligência e da percepção.
Os confrades favoráveis ao aborto do anencéfalo alegam que nele não há Espírito destinado à reencarnação conforme explica "O Livro dos Espíritos" (São Paulo: Petit Editora).
Aqui, detectamos um erro clássico, não se pode basear unicamente em uma resposta dos instrutores espirituais. Levantemos todas as respostas que eles nos dão acerca da formação dos seres humanos e destaquemos as mais importantes para a elucidação deste assunto.
Na questão 344, eles afirmam que a união da alma com o corpo dá-se no momento da concepção; um pouco mais adiante, na pergunta 356, advertem que há corpos para os quais nenhum Espírito está destinado, explicando que isto acontece como prova para os pais.
E ainda no desdobramento desta questão enfatizam que a criança somente será um ser humano se tiver um espírito encarnado. Se juntarmos todas estas respostas, concluiremos que os corpos para os quais poderíamos afirmar que nenhum espírito estaria destinado seriam os dos fetos teratológicos, monstruosos, que não têm nenhuma aparência humana, nem órgãos em funcionamento.
Como vimos, nada disto se aplica ao anencéfalo, porque o espírito comanda, ainda que precariamente, um organismo vivo.

Resgate

Há ainda outros equívocos no raciocínio dos que são favoráveis ao aborto. Alguns ponderam que, tendo a mãe ou o casal nascido numa época em que a ciência já pode detectar prematuramente o problema, eles teriam o direito de evitar essa expiação, promovendo o aborto.
Aqui, a pergunta é inevitável: desde quando se evita o sofrimento, provocando a morte de um ser indefeso? Jamais o aborto aliviará o resgate de alguém, muito pelo contrário, somente o agravará.
Só haveria um meio de se adiar esse compromisso, seria pelo impedimento da concepção, porque, quando a vida se manifesta no zigoto, entra em jogo um Poder Superior, que é responsável por ela, e ao qual devemos obediência e respeito.
O raciocínio, portanto, deve ser outro: diante do feto deficiente, é preciso que os pais pensem no grau de comprometimento que têm para com esta alma doente, e nos esforços que devem empreender para ajudá-la a recuperar-se.
Também não há nenhuma razão para se invocar direitos que não existem, como o da mãe, o do pai, o da equipe médica ou o do Estado, de provocar o aborto, porque o anencéfalo constitui-se em um organismo humano vivo.
Eliminá-lo, portanto, é crime.
A consciência responde-nos, portanto, que a única atitude compatível com a lei do amor é a da misericórdia, a da compaixão, para com o feto anencéfalo.

MARLENE NOBRE é médica Ginecologista. Presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil e Internacional. A autora de diversos livros - entre eles "O clamor da vida", também é diretora responsável do jornal "Folha Espírita" no qual o texto acima foi originalmente publicado.

http://www.jornaldosespiritos.com/11novembro/col22.htm



sábado, 20 de novembro de 2010

EVOLUÇÃO DO PRINCÍPIO INTELIGENTE

EVOLUÇÃO DO PRINCÍPIO INTELIGENTE
ENTREVISTADO: JORGE ANDRÉA DOS SANTOS


RCE - A resposta à questão 23 de O Livro dos Espíritos diz que o espírito é o princípio inteligente do universo. Então existe alguma coisa não inteligente no universo? O que se entende aí por inteligência, já que, na resposta à questão 25, está dito que a união do espírito e da matéria é necessária para dar inteligência à matéria?

 JAS - Hoje nós sabemos que não existem grandes diferenças entre matéria e organização espiritual, que uma é conseqüência da coagulação da outra. E, depois,  deve existir no mundo, de um modo geral,  aquilo que chamamos energias divinas, campo formador, campo cobertor, campo donde tudo se deriva, porque este campo tem condições inteligentes e porque toda causa resultante desses elementos são efeitos absolutamente inteligentes.

RCE - Então existe alguma coisa não inteligente no universo?

 JAS - Não. Porque a coisa mais simples que existe, chamada átomo, que hoje já se sabe não ser  tão simples, porque ele já vem de elementos outros chamados cordas, super cordas - que são campos vibratórios ainda não coaguláveis, ainda não organizados como átomos - esses elementos são absolutamente cheios de vida, porque estão balsamizados por esse campo de energia, daí nós não podermos dizer que há uma diferença entre matéria e espírito, mas que a matéria é uma consequência desta organização espiritual. De maneira que a resposta seria que tudo tem a sua consequência.

RCE - Fala-se hoje em “consciência do átomo”. Tem isso a ver com a presença do princípio inteligente na base mesma da estrutura material?

JAS - É que o átomo está mergulhado nesse grande campo. Se o átomo está mergulhado nesse grande campo, ele está submetido a isso.  Hoje nós vemos pesquisas notabilíssimas em que se mexe com a organização atômica; o seu par, inclusive fora de qualquer distância, repercute e dá um efeito, uma resposta precisa desse acontecimento. A essa inteligência que está localizada, ela vai se situando lentamente porque vem desse outro campo onde ela está mergulhada, onde nós vivemos, que é o mundo de totalidade. Que energia é essa? Divina. É como vemos Deus. Ele está em tudo, por quê? É o grande campo, e a menor fatia dessa vibração é inteligente.

RCE - Então isso corrobora “o nele somos, nele existimos, nele nos movemos”.

JAS – É claro!

RCE - A “inteligência” que se encontra no reino mineral aparece em níveis diferenciados nos demais reinos da criação? O surgimento da vida e suas propriedades como, por exemplo, o instinto, é indicação de evolução do princípio inteligente? Podemos dizer, no reino hominal, que a inteligência é o instinto que evoluiu?

JAS - Sem dúvida alguma que viemos desta contingência porque, se no reino mineral houve uma pequena coagulação dessas grandes energias, já em formação, que também se vê nos princípios da vida atômica dos vegetais, como é que esse elemento tem o caminho preciso para alguma coisa? Aí tem o nascimento daquilo de que precisamos, que é o processo que vai alcançar o período hominal, que seria o resultado de toda essa totalidade de vivência que se passa nos reinos da natureza, isto é, forças de coesão e atração no mineral, sensibilidade nos vegetais, instinto nos animais, e o descortinar da inteligência no hominal.

Tem-se, porém, a considerar o seguinte: este foco inicial que vai se formando, ainda não o podemos considerar como espírito porque faz parte de uma família. É aquilo que os orientais com muita precisão chamavam “alma grupo da espécie”.
Essa alma grupo, pouco a pouco, vai começando a se diferenciar.
 É como se fosse um lençol todo cravejado de pequenas condensações e que são futuros espíritos saindo da alma grupo, e isso vai ser encontrado, na nossa natureza, nos lacertídeos, nas iguanas, quando já começa essa diferença, porque até antes deles tudo é alma grupo da espécie, a espécie funciona com a totalidade.
Mas por que isso acontece? Porque na matéria há elementos que podem já conter esse pequeno grupo, esse pequeno ponto, esse elemento inicial que seria o espírito, com instinto, etc.
E que elemento é esse na matéria que se formou? A glândula pineal, que surge sob a forma, ainda muito simples, com pequenas células chamadas “o olho pineal”, depois é que vai se formando, etc.

RCE - Esse seu conceito preciso sobre alma grupo, reportando-se aos princípios orientais, tem uma distância conceitual do que hoje alguns companheiros nossos no movimento espírita chamam de alma grupo dos cães, dos equinos...?

JAS - Eles colocam também nessa posição, que seria uma posição diversa, que seria mais ao que se poderia dizer daquele tipo de espécie; aquelas almas que estão lá, aqueles grupos espirituais que estão lá já agregados por afinidade, também podem ser chamados dessa forma.

RCE - Mas antes ainda não há essa agregação por afinidade. Ainda é aquela parte inicial em que seria uma espécie de emanação da inteligência causa primária de todas as coisas?

JAS - Exato. E tem mais o seguinte, nesses elementos, vai-se formando a afetividade, aos poucos, pelos processos instintivos, lentamente.

RCE - Podemos dizer que o limite superior da progressão evolutiva do princípio inteligente, uma vez atingido, faz surgir o espírito individualizado?

JAS - Claro que sim, porque aí vai um espírito que já está começando a tomar elementos que lhe são próprios. Para você incorporar onde? Eu gostaria de saber.
 Essa é a função nossa espiritual. Vamos dizer que o espírito já esteja na zona hominal, que é a zona com a qual convivemos, em que já estamos procurando evoluir, que já tem essa individualidade. E por que isso?
 Deve ter uma grande finalidade isso. O que representa isso dentro desse universo, dentro do desconhecido, dentro da eternidade, dentro desse infinito que não se sabe definir? Os físicos quânticos são altamente inteligentes porque colocam tudo isso em fórmulas matemáticas. Mas quando você pede a alma da fórmula matemática já fica mais difícil dizer o que é.

RCE - Somos criados simples e ignorantes. Qual o limite superior da nossa progressão evolutiva e como poderemos alcançá-lo?

JAS - Nós vamos saindo, pouco a pouco, da formação instintiva e quanto mais avançamos no processo evolutivo, esses instintos vão sendo então formados em elementos mais responsáveis e aí entra o processo do livre-arbítrio.
Quanto menos instinto por evolução, mais o livre arbítrio existe aberto para o indivíduo fazer suas escolhas.
 Isso se deve a uma grande finalidade, porque já se alcança uma individualidade, tem-se um alargamento de conhecimento, já se tem as grandes responsabilidades.
E isso nós vemos agora nessa fase de transformação humana que anda por aí dentro das coisas. Há indivíduos que estão saindo dessa faixa instintiva e caminhando para outras dimensões de conhecimento.
 Não mais as análises, os detalhes e sim a síntese do processo em que os instintos desembocam na quarta dimensão espiritual. Nessa fase mais evoluída, o indivíduo não precisa mais da análise, ele já sabe o que é, então ele está partindo para outro elemento com outras condições, buscando novas intenções desconhecidas no momento por nós. Então já se fica com dificuldade e com muitas limitações, porque já se tem o livre-arbítrio, já há essa dimensão maior. E como é que se vai adiante?
Se começamos a navegar nesses elementos que conhecemos o que é, não precisamos analisar as coisas, já sabemos o que é, apenas dizemos. Há muitos indivíduos, hoje, encarnados, alguns da fase filosófica, que, perguntado, dizem “eu não posso provar, mas eu sei que é”. Ele não precisa analisar mais, ele não sabe qual é a análise daquilo, ele vai e diz: “a verdade é essa, eu sei que é”.

RCE - Esse nível de atividade intelectual, no plano da terra atualmente, que já vimos transparecer em algumas criaturas, então seria não só o embrião, mas já a anunciação, eventualmente, e até a consubstanciação da intuição. No futuro, o homem regenerado trabalhará ao nível da intuição?

JAS - Junto da intuição vem a afetividade e o amor. Isso junto alarga o novo conhecimento da intuição, que é a próxima fase que está nos esperando. Os grandes raciocínios humanos estão no processo intuitivo e isso é comum entre os companheiros nossos. Esse negócio de “eu tive um palpite”.
Às vezes não é palpite, às vezes é intuição e, às vezes, é palpite mesmo. É preciso muito cuidado com isso. Às vezes o sujeito tem certeza do processo e está certo. Quanta coisa o nosso Kardec falou e que hoje a ciência está mostrando! Que intuição era essa dele? Um homem evoluído, um homem com outras condizências. Também pra ele ter aquela perceptibilidade e inserir aquela totalidade com aquele pouco tempo que ele teve na Terra, com aqueles elementos todos...

RCE - É próprio de uma inteligência que trabalha ao nível da síntese. Aliás, toda a codificação é uma síntese. Tanto é síntese que todas as obras subsidiárias da Doutrina, que vieram depois, são desdobramentos nobres, valorosíssimos! Não estamos usando síntese como sinônimo de resumo, mas sim como nível de capacidade intelectual, de habilidades intelectuais na estrutura do intelecto.

JAS - E esses desdobramentos podem estar num infinito fenomênico.

Fonte: Revista Cultura Espírita,  Setembro de 2010

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