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terça-feira, 23 de novembro de 2010

O cérebro primitivo do anencéfalo



MARLENE NOBRE

Colegas da AME-Brasil (Associação Médico-Espírita do Brasil) têm se surpreendido, tanto quanto eu mesma, com as colocações de confrades, em conversas nas Casas Espíritas, em artigos na internet, ou mesmo em cartas, a favor do aborto do anencéfalo. Muitos alegam que o feto nessas condições não possui cérebro, sendo óbvio, portanto, que não tenha nenhum espírito ligado a ele. Este argumento, porém, não tem o respaldo da embriologia. Durante a sua formação, o feto anencéfalo pode ter, por distúrbios ou falhas do sistema vascular, a paralisação do desenvolvimento do Sistema Nervoso Central em pontos distintos. Assim, pode ter um único hemisfério cerebral, não ter nenhum, mas, sem dúvida, terá o diencéfalo ou as estruturas reptilianas responsáveis pelas funções primitivas e inconscientes.
Tanto é verdade que o anencéfalo tem todas as atividades instintivas básicas preservadas, como o pulsar do coração e a possibilidade de expandir os pulmões, nos movimentos respiratórios normais. Não se pode dizer, portanto, que ele não tem cérebro, nem tampouco que morre ou pára de respirar ao nascer.
Há inúmeros anencéfalos que persistem vivos por horas ou dias, após o nascimento, mesmo desconectados do cordão umbilical, justamente porque possuem o cérebro primitivo, responsável pelas funções básicas instintivas.
Perante o anencéfalo é como se estivéssemos diante de uma pessoa adulta em estado de coma profundo: o coração bombeia, os pulmões recebem a carga necessária, os órgãos trabalham, mas ele não tem consciência.
Com o Espiritismo aprendemos que a alma secreta os pensamentos de maneira extra-física e é muito mais importante que o próprio cérebro orgânico, porque o comanda, ainda que precariamente nos casos de lesões graves, sobrevivendo à sua morte. É o que acontece nos vários graus do estado de coma.
Se somos espíritas, a explicação para os fetos anencéfalos é muito mais lógica e racional. Não podemos nos esquecer de que só o Espírito tem capacidade de agregar matéria.
Se não tivesse um Espírito no comando, o anencéfalo não poderia formar os seus próprios órgãos − e o fazem a tal ponto que eles são cogitados para transplantes −, não cumpriria o seu metabolismo basal, e não teria preservadas as suas funções vitais.
O Espírito expressa-se através do perispírito ou do corpo espiritual e este, por sua vez, modela o corpo físico.
Se há erros ou deficiências na modelagem, isto significa que o Espírito deformou o seu perispírito por faltas cometidas em outras vidas.
Assim como podem ocorrer deficiências nos mais variados órgãos, a questão não é diferente em relação ao cérebro.No caso do anencéfalo, o perispírito está lesado, principalmente, em seu centro de força cerebral que é responsável pela percepção (visão, audição, tato etc), pela inteligência (palavra, cultura, arte, saber) e atua no córtex.
O Espírito com este tipo de má-formação errou, portanto, na aplicação da inteligência e da percepção.
Os confrades favoráveis ao aborto do anencéfalo alegam que nele não há Espírito destinado à reencarnação conforme explica "O Livro dos Espíritos" (São Paulo: Petit Editora).
Aqui, detectamos um erro clássico, não se pode basear unicamente em uma resposta dos instrutores espirituais. Levantemos todas as respostas que eles nos dão acerca da formação dos seres humanos e destaquemos as mais importantes para a elucidação deste assunto.
Na questão 344, eles afirmam que a união da alma com o corpo dá-se no momento da concepção; um pouco mais adiante, na pergunta 356, advertem que há corpos para os quais nenhum Espírito está destinado, explicando que isto acontece como prova para os pais.
E ainda no desdobramento desta questão enfatizam que a criança somente será um ser humano se tiver um espírito encarnado. Se juntarmos todas estas respostas, concluiremos que os corpos para os quais poderíamos afirmar que nenhum espírito estaria destinado seriam os dos fetos teratológicos, monstruosos, que não têm nenhuma aparência humana, nem órgãos em funcionamento.
Como vimos, nada disto se aplica ao anencéfalo, porque o espírito comanda, ainda que precariamente, um organismo vivo.

Resgate

Há ainda outros equívocos no raciocínio dos que são favoráveis ao aborto. Alguns ponderam que, tendo a mãe ou o casal nascido numa época em que a ciência já pode detectar prematuramente o problema, eles teriam o direito de evitar essa expiação, promovendo o aborto.
Aqui, a pergunta é inevitável: desde quando se evita o sofrimento, provocando a morte de um ser indefeso? Jamais o aborto aliviará o resgate de alguém, muito pelo contrário, somente o agravará.
Só haveria um meio de se adiar esse compromisso, seria pelo impedimento da concepção, porque, quando a vida se manifesta no zigoto, entra em jogo um Poder Superior, que é responsável por ela, e ao qual devemos obediência e respeito.
O raciocínio, portanto, deve ser outro: diante do feto deficiente, é preciso que os pais pensem no grau de comprometimento que têm para com esta alma doente, e nos esforços que devem empreender para ajudá-la a recuperar-se.
Também não há nenhuma razão para se invocar direitos que não existem, como o da mãe, o do pai, o da equipe médica ou o do Estado, de provocar o aborto, porque o anencéfalo constitui-se em um organismo humano vivo.
Eliminá-lo, portanto, é crime.
A consciência responde-nos, portanto, que a única atitude compatível com a lei do amor é a da misericórdia, a da compaixão, para com o feto anencéfalo.

MARLENE NOBRE é médica Ginecologista. Presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil e Internacional. A autora de diversos livros - entre eles "O clamor da vida", também é diretora responsável do jornal "Folha Espírita" no qual o texto acima foi originalmente publicado.

http://www.jornaldosespiritos.com/11novembro/col22.htm



sábado, 20 de novembro de 2010

EVOLUÇÃO DO PRINCÍPIO INTELIGENTE

EVOLUÇÃO DO PRINCÍPIO INTELIGENTE
ENTREVISTADO: JORGE ANDRÉA DOS SANTOS


RCE - A resposta à questão 23 de O Livro dos Espíritos diz que o espírito é o princípio inteligente do universo. Então existe alguma coisa não inteligente no universo? O que se entende aí por inteligência, já que, na resposta à questão 25, está dito que a união do espírito e da matéria é necessária para dar inteligência à matéria?

 JAS - Hoje nós sabemos que não existem grandes diferenças entre matéria e organização espiritual, que uma é conseqüência da coagulação da outra. E, depois,  deve existir no mundo, de um modo geral,  aquilo que chamamos energias divinas, campo formador, campo cobertor, campo donde tudo se deriva, porque este campo tem condições inteligentes e porque toda causa resultante desses elementos são efeitos absolutamente inteligentes.

RCE - Então existe alguma coisa não inteligente no universo?

 JAS - Não. Porque a coisa mais simples que existe, chamada átomo, que hoje já se sabe não ser  tão simples, porque ele já vem de elementos outros chamados cordas, super cordas - que são campos vibratórios ainda não coaguláveis, ainda não organizados como átomos - esses elementos são absolutamente cheios de vida, porque estão balsamizados por esse campo de energia, daí nós não podermos dizer que há uma diferença entre matéria e espírito, mas que a matéria é uma consequência desta organização espiritual. De maneira que a resposta seria que tudo tem a sua consequência.

RCE - Fala-se hoje em “consciência do átomo”. Tem isso a ver com a presença do princípio inteligente na base mesma da estrutura material?

JAS - É que o átomo está mergulhado nesse grande campo. Se o átomo está mergulhado nesse grande campo, ele está submetido a isso.  Hoje nós vemos pesquisas notabilíssimas em que se mexe com a organização atômica; o seu par, inclusive fora de qualquer distância, repercute e dá um efeito, uma resposta precisa desse acontecimento. A essa inteligência que está localizada, ela vai se situando lentamente porque vem desse outro campo onde ela está mergulhada, onde nós vivemos, que é o mundo de totalidade. Que energia é essa? Divina. É como vemos Deus. Ele está em tudo, por quê? É o grande campo, e a menor fatia dessa vibração é inteligente.

RCE - Então isso corrobora “o nele somos, nele existimos, nele nos movemos”.

JAS – É claro!

RCE - A “inteligência” que se encontra no reino mineral aparece em níveis diferenciados nos demais reinos da criação? O surgimento da vida e suas propriedades como, por exemplo, o instinto, é indicação de evolução do princípio inteligente? Podemos dizer, no reino hominal, que a inteligência é o instinto que evoluiu?

JAS - Sem dúvida alguma que viemos desta contingência porque, se no reino mineral houve uma pequena coagulação dessas grandes energias, já em formação, que também se vê nos princípios da vida atômica dos vegetais, como é que esse elemento tem o caminho preciso para alguma coisa? Aí tem o nascimento daquilo de que precisamos, que é o processo que vai alcançar o período hominal, que seria o resultado de toda essa totalidade de vivência que se passa nos reinos da natureza, isto é, forças de coesão e atração no mineral, sensibilidade nos vegetais, instinto nos animais, e o descortinar da inteligência no hominal.

Tem-se, porém, a considerar o seguinte: este foco inicial que vai se formando, ainda não o podemos considerar como espírito porque faz parte de uma família. É aquilo que os orientais com muita precisão chamavam “alma grupo da espécie”.
Essa alma grupo, pouco a pouco, vai começando a se diferenciar.
 É como se fosse um lençol todo cravejado de pequenas condensações e que são futuros espíritos saindo da alma grupo, e isso vai ser encontrado, na nossa natureza, nos lacertídeos, nas iguanas, quando já começa essa diferença, porque até antes deles tudo é alma grupo da espécie, a espécie funciona com a totalidade.
Mas por que isso acontece? Porque na matéria há elementos que podem já conter esse pequeno grupo, esse pequeno ponto, esse elemento inicial que seria o espírito, com instinto, etc.
E que elemento é esse na matéria que se formou? A glândula pineal, que surge sob a forma, ainda muito simples, com pequenas células chamadas “o olho pineal”, depois é que vai se formando, etc.

RCE - Esse seu conceito preciso sobre alma grupo, reportando-se aos princípios orientais, tem uma distância conceitual do que hoje alguns companheiros nossos no movimento espírita chamam de alma grupo dos cães, dos equinos...?

JAS - Eles colocam também nessa posição, que seria uma posição diversa, que seria mais ao que se poderia dizer daquele tipo de espécie; aquelas almas que estão lá, aqueles grupos espirituais que estão lá já agregados por afinidade, também podem ser chamados dessa forma.

RCE - Mas antes ainda não há essa agregação por afinidade. Ainda é aquela parte inicial em que seria uma espécie de emanação da inteligência causa primária de todas as coisas?

JAS - Exato. E tem mais o seguinte, nesses elementos, vai-se formando a afetividade, aos poucos, pelos processos instintivos, lentamente.

RCE - Podemos dizer que o limite superior da progressão evolutiva do princípio inteligente, uma vez atingido, faz surgir o espírito individualizado?

JAS - Claro que sim, porque aí vai um espírito que já está começando a tomar elementos que lhe são próprios. Para você incorporar onde? Eu gostaria de saber.
 Essa é a função nossa espiritual. Vamos dizer que o espírito já esteja na zona hominal, que é a zona com a qual convivemos, em que já estamos procurando evoluir, que já tem essa individualidade. E por que isso?
 Deve ter uma grande finalidade isso. O que representa isso dentro desse universo, dentro do desconhecido, dentro da eternidade, dentro desse infinito que não se sabe definir? Os físicos quânticos são altamente inteligentes porque colocam tudo isso em fórmulas matemáticas. Mas quando você pede a alma da fórmula matemática já fica mais difícil dizer o que é.

RCE - Somos criados simples e ignorantes. Qual o limite superior da nossa progressão evolutiva e como poderemos alcançá-lo?

JAS - Nós vamos saindo, pouco a pouco, da formação instintiva e quanto mais avançamos no processo evolutivo, esses instintos vão sendo então formados em elementos mais responsáveis e aí entra o processo do livre-arbítrio.
Quanto menos instinto por evolução, mais o livre arbítrio existe aberto para o indivíduo fazer suas escolhas.
 Isso se deve a uma grande finalidade, porque já se alcança uma individualidade, tem-se um alargamento de conhecimento, já se tem as grandes responsabilidades.
E isso nós vemos agora nessa fase de transformação humana que anda por aí dentro das coisas. Há indivíduos que estão saindo dessa faixa instintiva e caminhando para outras dimensões de conhecimento.
 Não mais as análises, os detalhes e sim a síntese do processo em que os instintos desembocam na quarta dimensão espiritual. Nessa fase mais evoluída, o indivíduo não precisa mais da análise, ele já sabe o que é, então ele está partindo para outro elemento com outras condições, buscando novas intenções desconhecidas no momento por nós. Então já se fica com dificuldade e com muitas limitações, porque já se tem o livre-arbítrio, já há essa dimensão maior. E como é que se vai adiante?
Se começamos a navegar nesses elementos que conhecemos o que é, não precisamos analisar as coisas, já sabemos o que é, apenas dizemos. Há muitos indivíduos, hoje, encarnados, alguns da fase filosófica, que, perguntado, dizem “eu não posso provar, mas eu sei que é”. Ele não precisa analisar mais, ele não sabe qual é a análise daquilo, ele vai e diz: “a verdade é essa, eu sei que é”.

RCE - Esse nível de atividade intelectual, no plano da terra atualmente, que já vimos transparecer em algumas criaturas, então seria não só o embrião, mas já a anunciação, eventualmente, e até a consubstanciação da intuição. No futuro, o homem regenerado trabalhará ao nível da intuição?

JAS - Junto da intuição vem a afetividade e o amor. Isso junto alarga o novo conhecimento da intuição, que é a próxima fase que está nos esperando. Os grandes raciocínios humanos estão no processo intuitivo e isso é comum entre os companheiros nossos. Esse negócio de “eu tive um palpite”.
Às vezes não é palpite, às vezes é intuição e, às vezes, é palpite mesmo. É preciso muito cuidado com isso. Às vezes o sujeito tem certeza do processo e está certo. Quanta coisa o nosso Kardec falou e que hoje a ciência está mostrando! Que intuição era essa dele? Um homem evoluído, um homem com outras condizências. Também pra ele ter aquela perceptibilidade e inserir aquela totalidade com aquele pouco tempo que ele teve na Terra, com aqueles elementos todos...

RCE - É próprio de uma inteligência que trabalha ao nível da síntese. Aliás, toda a codificação é uma síntese. Tanto é síntese que todas as obras subsidiárias da Doutrina, que vieram depois, são desdobramentos nobres, valorosíssimos! Não estamos usando síntese como sinônimo de resumo, mas sim como nível de capacidade intelectual, de habilidades intelectuais na estrutura do intelecto.

JAS - E esses desdobramentos podem estar num infinito fenomênico.

Fonte: Revista Cultura Espírita,  Setembro de 2010

Peregrino




Peregrino

Francine Moreno

Um dos maiores divulgadores da doutrina espírita por todo o mundo, Divaldo Pereira Franco teve sua primeira experiência mediúnica quando tinha quatro anos. Nascido em Feira de Santana, o médium mora atualmente em Salvador, onde mantém, há mais de 50 anos, a mansão do Caminho, um centro especializado em espiritualidade e caridade. Com mais de 200 livros psicografados e editados, Divaldo Franco passa pelo menos 250 dias por ano fora de Salvador, visitando e fazendo palestras. 

A missão é sempre a mesma: levar uma mensagem de paz e de renovação dentro dos princípios preconizados por Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita. Em Rio Preto, o médium vai fazer palestra gratuita no Hospital Adolfo Bezerra de Menezes, no Jardim Esplanada. A palestra acontece nesta quarta-feira, dia 28, às 20 horas, no Centro Terapêutico. O médium falou com o Diário sobre seu trabalho e sobre espiritualidade.
Segue abaixo a entrevista

Diário - Como o senhor resumiria a doutrina espírita? 
Divaldo Pereira Franco - O Espiritismo, conforme declarou o venerando Espírito Manuel Vianna de Carvalho, é a ciência da filosofia, a filosofia da religião e a religião da ciência. Isto equivale a dizer que se trata de uma doutrina que investiga a imortalidade do espírito, explica as razões do sofrimento na Terra e conforta os corações com a esperança resultante da prática do bem e do amor através da caridade. 

Diário - Que tipo de mensagem o senhor procura levar nesses encontros com as pessoas pelo Brasil e fora dele? 
Divaldo - A nossa preocupação maior é atender-lhes as necessidades espirituais, elucidando as razões geradoras dos problemas, as técnicas preventivas e aquelas que podem contribuir em favor da paz. Procuro demonstrar que todo efeito provém de uma causa, logo os efeitos inteligentes têm causas igualmente inteligentes, conforme as teses doutrinárias, pois somente sofremos o que é necessário para nossa evolução, avançando sempre no rumo da plenitude. Procuro explicar que o importante não é apenas vincular-se a uma doutrina filosófica, ética ou religiosa, porém, o comportamento moral do indivíduo é importante, onde quer que se localize. Diante dos magnos problemas da atualidade, somos o que fizemos de nós mesmos em outras existências, cabendo-nos o dever de nos tornarmos melhores hoje, objetivando a felicidade amanhã, que não é utópica, mas realidade. Toda sementeira resulta em colheita compulsória, especialmente as de qualidade moral. 

Diário - O número de adeptos do Espiritismo tem crescido nos últimos anos. A que se deve isso? 
Divaldo - Isso deve-se aos conteúdos de lógica de que se constitui a doutrina, que é despida de subterfúgios, de rituais, de superstições, de cerimoniais, apelando sempre para a lógica e o bom senso de cada profitente, marchando ao lado das conquistas da Ciência que logo são incorporadas. As terapêuticas espíritas colocadas a serviço do ser humano, constituem benefício moral de alta significação, ao lado das demonstrações da imortalidade da alma, através das reuniões mediúnicas ou experimentais. 

Diário - A espiritualidade não é algo separado da vida diária, uma atividade, entre outras, a ser enquadrada na agenda? 
Divaldo - O ser humano é um espírito encarnado, logo, o seu lado espiritual não pode ser deixado à margem para determinados momentos de religiosidade. É parte integrante de todos os seus momentos, sem nenhuma acomodação mística nem revolucionária, constituindo razão de reflexões em torno dos pensamentos, das palavras, dos atos, vivendo em harmonia consigo mesmo e com os demais. 

Diário - Quais são os benefícios de quem é um ser espiritual? 
Divaldo - Quanto mais o indivíduo se espiritualiza mais supera as paixões primitivas, experienciando alegrias incomuns, sem os conflitos existenciais que tanto afligem a sociedade. A conquista interior é um desafio espiritual, filosófico e histórico, em razão de ali encontrar-se a razão de todos os desafios morais adormecidos no cerne do ser - no seu inconsciente profundo, no seu perispírito - que necessitam vir à luz. Aquele que se controla e que se ilumina, inevitavelmente, torna-se um sábio. 

Diário - Viver conectado espiritualmente é manter a consciência alinhada em todos os níveis: físico, emocional e espiritual? 
Divaldo - Sem dúvida. Quando estamos conscientizados da realidade, da transcendência da vida que prossegue após o túmulo, somos invadidos por uma grande harmonia psicológica, que se reflete no comportamento emocional, mental e, portanto, fisiológico. O neurologista e psiquiatra suíço Karl Gustav Jung, fundador da psicologia analítica, já sugeria essa conduta, ao afirmar que o ser humano é um animal profundamente religioso, e que a busca da sua individuação deve ser a meta a conquistar, o que corresponde ao estado de luz, de pacificação interna. 

Diário - Qual é a importância de Deus na vida de homens e mulheres? 
Divaldo - A importância da crença em Deus é essencial na vida do ser humano, das mulheres e dos homens, por facultar-lhes melhor entendimento das finalidades existenciais, da transitoriedade do corpo, do futuro imortal. A crença racional em Deus é básica para a construção da existência feliz. 

Diário - Quais são as causas que conduzem às tragédias que assolam a humanidade? 
Dilvaldo - As tragédias do cotidiano, sejam de que natureza se manifestem, são os efeitos naturais dos atos de insanidade moral e espiritual das criaturas através dos tempos. Naturalmente, existe a lei de destruição, que é um fenômeno normal do processo evolutivo do planeta e das criaturas. Apesar disso, são os nossos atos que geram os distúrbios que retornam de maneira afligente e desesperadora. Podemos evitá-los mediante comportamento edificante, lembrando-nos sempre que a morte não significa o fim, a destruição da vida, mas o passaporte para a vida.

Diário - Só a transformação moral pode mudar o mundo? 
Divaldo - Somente a transformação moral das criaturas no processo de crescimento intelecto-moral poderá mudar o mundo no qual nos encontramos, por nós próprios elaborado. Construtor do próprio destino, o ser humano está fadado à plenitude, ao reino dos céus, conforme assinalou Jesus. 
diarioweb.com.br


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

MULTA PARA ACADÊMICO QUE CHAMOU ESPÍRITAS DE "CHARLATÕES"

MULTA PARA ACADÊMICO QUE CHAMOU ESPÍRITAS DE "CHARLATÕES"



 

O Tribunal de Justiça de Albacete, na Espanha, no último dia 7 de novembro condenou, por difamação um catedrático e vice-diretor acadêmico de uma universidade que chamou os participantes de um congresso espírita de "charlatões".
Fernando Cuartero, da Universidade de Castilla-La Mancha (UCLM), tentou impedir, no ano passado, que o campus universitário da UCLM sediasse um seminário espírita chamado "Vida depois da vida". Como não conseguiu, fez um protesto público diante dos participantes e os chamou de "enganadores vulgares".

A organização do evento, que contou com a participação de médiuns, videntes, parapsicólogos e escritores, processou o catedrático. Segundo a juíza do caso, Otília Martínez Palácios, a crítica de Cuartero teve caráter de injúria e difamação. "Chamar parapsicologia de pseudociência é uma crítica social aceita, mas isso não quer dizer que (os parapsicólogos) sejam vulgares enganadores", disse ela ao anunciar a sentença."Estas expressões são desnecessárias para criticar um seminário", completou a juíza, que condenou o catedrático a pagar uma multa de 204 euros (R$ 483), mais os custos do processo (valor não divulgado pela Justiça) e uma retratação pública.

O organizador do seminário que levou o catedrático aos tribunais, Rafael Campillo, disse que a decisão judicial é uma vitória não só dos espíritas, mas de todos os que defendem a liberdade religiosa. "Quando o senhor catedrático Fernando Cuartero se sentiu livre para nos chamar de vulgares enganadores, ultrapassou um limite legal. Nenhuma fé religiosa pode ser atacada em nome de uma liberdade de expressão ofensiva", afirmou Campillo.
O incidente aconteceu em outubro de 2009. O departamento de comunicação da universidade disse que o espaço do campus foi alugado para o evento e que a UCLM permitiu que seu logotipo aparecesse nos cartazes de propaganda como "colaboradora de forma gratuita, sem mais participações ou interesses".

Ao ser informado do seminário, Cuartero entregou pessoalmente ao reitor uma carta dizendo que "no campus de Albacete se celebrará uma espécie de curso sobre experiências ligadas à morte, espiritismo e outras bobagens de pura pseudociência de charlatões. Algo impróprio de uma instituição científica como uma universidade".

"Como vice-reitor do campus quero manifestar minha total desaprovação a estes tipos de atos, tais como sessões de astrologia, vidências, enganos e crenças absurdas em uma sede como a nossa, usada de má fé por vulgares charlatães." Cuartero disse ainda que não desmente nenhuma das palavras escritas na carta ao reitor. Mas disse que não tem intenção de retratar-se e que apelará contra a sentença, que considera "inadequada".

 

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

SEXO


SEXO

Pergunta o jovem:
– E daí, Chico. sexo antes do casamento é proibido?
Responde o médium:
– Meu filho, nada é proibido. No entanto, sem amor, nada vale a pena, nem o sexo, nem o casamento.
Notável observação!
A Doutrina Espírita, proverbialmente, enfatiza a consciência livre.
Não há proibições, considerando-se que a responsabilidade é uma planta frágil que só cresce em regime de liberdade.
Isso não consagra a idéia do liberou geral, já que tudo o que fizermos, dentro dos princípios de causa e efeito que nos regem, terá uma conseqüência.
Tenho a liberdade de fazer o que me aprouver, mas sempre responderei por minhas iniciativas.
Digamos, caro leitor, que desfrutamos todos de uma liberdade vigiada.
Os deslizes de comportamento fatalmente resultarão em cobranças, não na forma de punições divinas, mas de reações de nossa própria consciência, considerando que fomos programados para o que é certo, justo, verdadeiro.
O mal será sempre um desvio transitório de rota, com retorno obrigatório aos caminhos do Bem.
Em última instância, temos a liberdade de fazer exatamente… o que Deus espera de nós!
Tudo o que não for compatível com os desígnios divinos resultará em males tendentes a corrigir nossa rota.
Detalhe importante: as cobranças serão tanto mais severas quanto mais desenvolvido o Espírito em conhecimento, quanto mais amadurecido, mais capaz de distinguir o certo do errado, o Bem do mal.
***
Com relação à vida sexual, operou-se na década de sessenta, no século passado, uma revolução nos países ocidentais.
Vão longe os tempos em que sexo era considerado algo de pecaminoso, a ser exercitado apenas para a procriação, conforme ensinavam os manuais religiosos.
Vale lembrar que o dogma da virgindade perene de Maria foi inspirado nessa idéia. Como, argumentavam os teólogos, poderia a mãe de Jesus, personificação da pureza, ter se dado ao desfrute de uma relação sexual?
A forma de contornar essa dificuldade foi o dogma da virgindade perene de Maria. Não teria coabitado com José, mantendo-se casta.
Havia um problema: nos Evangelhos há referência aos irmãos de Jesus.
Resolveu-se a pendência com a idéia de que José tivera filhos de um casamento anterior, ou seriam apenas primos seus.
Não há limites para a fantasia quando renunciamos à lógica e ao bom senso.
***
Para o Espiritismo a atividade sexual não tem nada de pecaminosa.
É por ela que viemos ao Mundo.
É graças a ela que as espécies subsistem.
O problema para os teólogos estaria no prazer.
Sem prazer não haveria excessos, viciações, desajustes, paixões avassaladoras, traições...
Em contrapartida, estaria ameaçada a sobrevivência humana!
Já pensou, leitor amigo: sexo burocrático, frio, apenas para perpetuar a espécie?
Na realidade, o que compromete o relacionamento sexual são os excessos.
Sexo, na atualidade, deixou de ser parte do amor, convertendo-se em sinônimo dele.
Quando o jovem fala em fazer amor, expressão lamentável, está se referindo à prática sexual, como se o amor fosse sexo e não parte dele apenas.
E sem amor, como diz Chico, nada vale a pena, nem mesmo o sexo!


Do livro Rindo e Refletindo com Chico Xavier, volume II
RICHAR SIMONETTI


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

PARE DE PLANTAR ERVAS DANINHAS EM SUA VIDA

PARE DE PLANTAR ERVAS DANINHAS EM SUA VIDA

quinta-feira, 11 de novembro de 2010



Eu não sei se você já reparou, mas às vezes parece que todo mundo ao nosso redor começa a enxergar tudo cinza. De repente, reclamar da vida virou senso comum. As pessoas reclamam do trânsito, da correria, da crise, do tempo, de tudo. E se não percebemos, acabamos entrando para o time, colaborando para expandir ainda mais essa onda sombria que vai cobrindo nossas cabeças, nublando a luz do sol.

Não se trata de fingir que as coisas não acontecem, mas de que adianta ficar reproduzindo essa visão negativa do mundo, como se fôssemos um gravador mal assombrado recriando o arrastar de correntes fantasmagóricas por onde quer que passemos?

As nossas palavras e os nossos pensamentos são como sementes. A partir do momento em que os trazemos para fora, semeamos o terreno ao nosso redor. Num primeiro momento, as sementes ficam lá quietas, como se estivessem mortas, como se não tivessem vida própria. Mas elas têm. Na medida em que as continuamos alimentando, elas crescem, ficam cada vez mais fortes, frutificam e povoam nossa vida.

Preste muita atenção ao que você tem plantado ao seu redor, pois será com isso que você terá que conviver num futuro breve, bem como as pessoas que vivem perto de você.

Não parece difícil entender que uma pessoa que tem uma visão negativa de tudo acaba plantando um jardim sombrio ao seu redor. Nele florescem horrendas trepadeiras de tristeza, plantas rasteiras cheias de desânimo, vários tipos de ervas daninhas: inveja, ódio, ressentimento.

E pior... o triste jardim, uma vez criado por nós, ganha vida própria. Pragas proliferam, espinhos surgem e ele vai se tornando cada vez mais intransponível à medida que as plantas carnívoras ganham força e se alimentam de qualquer possibilidade de otimismo que ouse se aproximar. Assim, perpetuamos em nossa vida essa visão sombria do mundo, sem nos dar conta do quanto colaboramos para sua criação.

Não importa o que digam as pessoas ao seu redor, assuma a responsabilidade pelo seu jardim. Arranque, corajosamente, as ervas daninhas. Prefira o vazio fértil de uma terra virgem a essa profusão de negatividades à sua volta. Escolha o que quer perto de você, rodeie-se de beleza. Ela nos reconecta à leveza fluida da nossa alma, nos dá asas de borboleta, enfeita nosso jardim. Escolha belas palavras e bons pensamentos, cada um deles será como sementes de flores lançadas sobre a terra ao seu redor. Em breve um campo florido surgirá, trazendo cor e perfume para a sua vida.

Você ainda terá um ganho adicional... amigos e bons relacionamentos. Afinal, quem não se sente atraído pela beleza de um jardim florido? E com as pessoas vêm oportunidades, e abertura na vida, e conforto, troca, carinho, amor. Não é tão difícil perceber que quando escolhemos olhar para o que de belo existe, atraímos mais beleza, e vice-versa.

Assim, não siga a onda sombria que vem se espalhando, principalmente nos grandes centros urbanos, e que faz com que as pessoas obtenham um prazer mórbido em reclamar da vida. Mesmo sabendo que dificuldades existem, alimente o que de belo existe ao seu redor. Aguce seu olhar, não é tão difícil encontrar coisas boas para falar ou pensar.

Seja um ponto luminoso na escuridão de nossos dias e perceba que essa simples mudança de enfoque pode mudar não só a sua vida, mas a de muitos ao seu redor.

PATRÍCIA Gebrim  

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

MERLÂNIO POETA MAIA # O MENESTREL: AS DEZ FACES DO ORGULHO

MERLÂNIO POETA MAIA # O MENESTREL: AS DEZ FACES DO ORGULHO: "AS DEZ FACES DO ORGULHOMerlânio Maia O orgulho é a maior chagaQue consome a humanidadeÉ uma chama que queimaDestruindo a igualdadeÉ um mal ..."

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