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sábado, 2 de outubro de 2010

03 de Outubro – Aniversário de ALLAN KARDEC



53 anos depois do seu nascimento (18 de abril de 1857) raiou para a humanidade a “Era Espírita”, ao surgirem nas prateleiras das livrarias os primeiros volumes de “O Livro dos Espíritos”.
No dia 3 de outubro de 1804, às dezenove horas, na casa do magistrado Jean-Baptiste-Antoine Rivail localizada na cidade de Lyon à Rua Sala, 76, na França, sua esposa Jeanne Louise Duhamel dava à luz uma criança do sexo masculino. Era Denizard-Hippolyte-Léon Rivail.
FORMAÇÃO ESCOLAR E O INSTITUTO DE YVERDUN
Desde pequeno o menino Rivail revelou-se bastante inteligente e sagaz observador, sempre compenetrado de seus deveres e responsabilidades, denotando franca inclinação para as ciências e para os assuntos filosóficos. Seus primeiros estudos foram realizados em Lyon, sua cidade natal. Mais tarde, com a idade de 10 para 11 anos, Rivail foi enviado para Yverdun, na Suíça, para completar e enriquecer sua bagagem escolar.
O Instituto de Yverdun, que funcionava no castelo construído em 1135 pelo duque de Zähringen, era freqüentado todos os anos por grande números de estrangeiros, pois era tido como a escola modelo da Europa; era dirigido pelo professor-filantropo de nacionalidade suíça Johann Heinrich Pestalozzi, cujo apostolado pedagógico era bastante conhecido, o que lhe conferiu o cognome de “O Educador da Humanidade”.
Línguas, raças, crenças, culturas e hábitos diferentes ali se misturavam, aprendendo as crianças e os jovens, na vivência escolar, a lição da fraternidade, da igualdade e da liberdade.
Pestalozzi pregava que o amor é o eterno fundamento da educação. Em seu Instituto não havia castigos ou recompensas. O ensino era heurístico: aquele em que o aluno é conduzido a descobrir por si mesmo, tanto quanto possível por seu esforço pessoal, as coisas que estão ao alcance de sua inteligência.
A história, a literatura, todos os ramos dos conhecimentos humanos eram ensinados em Yverdun, dentre os quais descrevemos alguns: NOÇÕES GERAIS, PORÉM EXATAS, DE MINERALOGIA, BOTÂNICA, ZOOLOGIA E ANATOMIA COMPARADA; UM CURSO ABREVIADO DE HISTÓRIA NATURAL; ELEMENTOS DE FISIOLOGIA E PSICOLOGIA; LIÇÕES DE FÍSICA EXPERIMENTAL E DE QUÍMICA; ESTUDO DE LINGUAS MORTAS OU ANTIGAS (principalmente o grego e o latim); LÍNGUAS ATUAIS DA ÉPOCA (italiana, inglesa, francesa, alemã e outras); ESTUDO GERAL DE MATEMÁTICA (dividido em quatro seções: CÁLCULO TEÓRICO E PRÁTICO, e ARITIMÉTICA SUPERIOR; ÁLGEBRA, OU ARITIMÉTICA LITERAL E UNIVERSAL; GEOMETRIA; MECÂNICA, COM NOÇÕES DE ASTRONOMIA E GEOGRAFIA MATEMÁTICA.
Vale a pena saber que o Instituto de Yverdun possuía em média 150 alunos que se obrigavam a uma carga horária diária de 10 horas. Aos domingos, numa assembléia geral, passava-se em revista o trabalho da semana. Pestalozzi dava também bastante importância ao canto: cantava-se nos intervalos das lições, nos recreios e nos passeios. A música e o canto adquiriram ali grande impulso entre 1816 e 1817 com o notável compositor suíço Xaver Schnyder von Wartensee.
Pestalozzi foi um tipo de cristão sempre zeloso, mas eqüidistante do misticismo, dos preconceitos e das paixões religiosas, apesar de pertencer à Igreja reformada.
Acredita-se que Pestalozzi tivesse alguma noção da vida após a morte, pois numa carta que escreveu à sua amiga condessa Franziska Romana von Hallwyl, que procurara consolá-lo da dolorosa perda de um professor, o pedagogo lhe disse, confiante: “Vossa fidelidade e vossa amizade a seguirão no outro mundo, nós a reencontraremos e juntos nos rejubilaremos com alegria.”
O ALUNO RIVAIL
Assim, depois de algumas informações sobre o ambiente em que Rivail estudou e se educou, voltamos a falar sobre a sua pessoa ainda como jovem escolar lionês.
Dotado da avidez de saber e de agudo espírito observador, adquiriu ele desde cedo o hábito da investigação . Contam alguns biógrafos que, quando estudava Botânica, Denizard se interessava tanto que passava um dia inteiro nas montanhas próximas a Yverdun, com sacolas às costas, à procura de espécimes para o seu herbário.
Aos quinze anos, Rivail já conhecia as divergências religiosas observadas no próprio corpo docente, com alunos católicos romanos e ortodoxos, bem como protestantes de diferentes seitas, a se desentenderem sobre a interpretação dos textos escriturísticos, sobre a validade dos dogmas e de outras questões, embora, no fundo, todos formassem uma família unida pelos laços de amizade que sadio companheirismo gerara. Tudo isso levou Denizard a conceber, já naquela idade, a idéia de uma reforma religiosa, com o propósito de conseguir a unificação das crenças.
DE YVERDUN A PARIS
Embora não se possa afirmar, presume-se que Rivail tenha permanecido no Instituto de Yverdun até 1822, talvez desempenhando a função de submestre, senão, mestre, mesmo, seguindo depois para Paris – à Rua Harpa, 117, um dos principais eixos da vida universitária parisiense, onde ficava situado o Liceu Saint-Louis (antigo “Collège d’Harcourt”), estabelecimento escolar respeitado da Universidade. Lá, Denizard encontraria excelentes oportunidades para continuar suas atividades educacionais.
RIVAIL E AMÉLIE BOUDET
Vivendo em Paris, no mundo das letras e do ensino, Rivail conheceu a Srta. Amélie Boudet. De estatura baixa, bem proporcionada, de olhos pardos e serenos, gentil e graciosa, vivaz nos gestos e na palavra, denunciando penetração de espírito, Amélie nasceu em Thiais, comuna do departamento parisiense de Val-de-Marne, a 23 de novembro de 1795. Filha única de Julien-Louis Boudet, proprietário e tabelião, homem portanto bem colocado na vida, e de Julie-Louise Seigneat de Lacombe, recebeu na pia batismal o nome de Amélie-Gabrielle Boudet.
Após cursar a escola primária, a jovem estabeleceu-se em Paris com a família, ingressando numa Escola Normal, de onde saiu diplomada professora de 1ª classe. Alguns documentos revelam que a Senhorita Amélie também fora professora de Letras e Belas-Artes. Culta e inteligente, chegou a dar à luz três obras, assim nomeadas: “Contos Primaveris”, 1825; “Noções de Desenho”, 1826; “O Essencial em Belas-Artes”, 1828.
Em 6 de fevereiro de 1832, Denizard e Amélie firmam o contrato de casamento. Agora viveriam juntos sobre o mesmo teto até que a morte os separasse.
O POLIGLOTA
Rivail possuía uma instrução extensa e variada, conhecia também outros idiomas: o Alemão – sua língua adotiva; o Inglês, Holandês, como também eram robustos seus conhecimentos do Latim, do Grego, do Gaulês e de algumas línguas latinas nas quais se exprimia corretamente.
RIVAIL TERIA SIDO MÉDICO?
Apesar de alguns biógrafos dizerem que Rivail teria sido médico, podemos dizer que houve um mau entendido; analisemos o que escreveu André Moreil, biógrafo de Allan Kardec no livro “Vida e Obra de Allan Kardec”, 1977, Editora EDICEL, página 23:
“… fez (Rivail) estudos médicos como os primeiros Pestalozzi originários de Lyon e colheu em seus estudos sobre a eletricidade provas da existência Espírita.” 
Porém, em outro capítulo Moreil fala de outra maneira. Vejamos o que se lê na página 32:
“Consta que teria estudado medicina e até mesmo sustentado tese, aliás com muito brilho. Para nós subsiste a dúvida. É certo que o jovem Rivail tinha boa cultura humanista, e grande desejo de aprender. Interessava-se pelas “humanidades”, como pelas “ciências”: entre estas, a Física, a Química e a Geologia; a Biologia também, com certeza. Mas isso não autoriza dizer que estudou Medicina nem defendeu tese. É possível que, de volta de Yverdun, o jovem lionês tivesse freqüentado a Faculdade de Medicina da sua cidade natal ([1]). Parece, todavia, que o estudo dessa disciplina não lhe suscitou entusiasmo, pois nunca se referiu a ela em seus escritos. Apenas uma vez, ao tratar do magnetismo animal, declarou que o estudo da Medicina o interessara, trinta anos antes, o que corresponde ao seu período estudantil.” 
Assim, faz-se necessário desfazer essa confusão, já que Rivail se referiu ao Magnetismo e não à Medicina convencional. Em artigo da “Revista Espírita” de junho de 1858 intitulado “Os Banquetes Magnéticos” lê-se esta frase escrita por Kardec: “Em nossa opinião a ciência magnética, que professamos há 35 anos…”.
Podemos observar com isso que Kardec não escreveu estudo de medicina e, sim, ciência magnética, que professara havia 35 anos (e não 30, como quer Moreil). Poderíamos ainda descrever trechos de outros biógrafos; chegaríamos, porém, à mesma conclusão: que Kardec jamais foi médico.
RIVAIL E A MAÇONARIA
É necessário, também, desfazer outro equívoco: que Rivail tivesse sido maçom. Fazendo uma pesquisa na coleção da Revista Espírita, 1858-1869, conclui-se que apenas existiram, entre Denizard e a Maçonaria, afinidades de princípios e ideais, sem jamais haver ele ingressado em loja alguma. Acreditamos que nada modificaria, tanto para mais como para menos, a pessoa do biografado se tivesse ele abraçado a Maçonaria. É necessário, porém, eliminar os exageros para que a verdade triunfe.
O PROFESSOR RIVAIL E SUAS OBRAS
Em Paris Rivail fundou um Instituto Técnico na rua Sevres, 35, nos mesmos moldes daquele de Pestalozzi. No ano de 1824, Denizard, ou melhor, Professor Rivail, publica seu primeiro livro que era dividido em volumes e tinha como título: Curso Prático e Teórico de Aritmética. Além deste, o Prof. Rivail publicou, até o ano de 1849, os seguintes livros: Plano para o Melhoramento da Instrução Pública Gramática Clássica da Língua Francesa; Qual o Sistema de Estudos mais Adequado à Época?; Manual dos Exames para Certificado de Capacidade; Soluções Racionais de Perguntas e Problemas de Aritmética e Geometria; Catecismo Gramatical da Língua Francesa; Programa dos Cursos Ordinários de Química, Física, Astronomia e Fisiologia; Pontos para os Exames na Municipalidade e na Sorbone; Instruções Sobre as Dificuldades Ortográficas.
DENIZARD E O MAGNETISMO
Rivail tomou contato com o magnetismo no ano de 1823, ou talvez mesmo um pouco antes; porém, foi em Paris que sua curiosidade foi despertada para esta ciência, quando o marquês de Puységur – juntamente com d’Eslon, professor e regente da Faculdade de Medicina de Paris, mais o sábio e naturalista Deleuze -, deu novos rumos a esta ciência através da modificação dos métodos de Mesmer, que culminaram na descoberta do sonambulismo provocado. Denizard refere-se elogiosamente a esses magnetistas franceses, ombreando-lhes outros nomes, como o do barão Du Potet e o do Sr. Millet.
Rivail estudou criteriosamente essa disciplina, tendo devorado grande número de obras favoráveis e contrárias escritas por homens de evidência. Diz Anna Blackwell, no prefácio à sua tradução inglesa de “O Livro dos Espíritos”, que Rivail tomou parte ativa nos trabalhos da Sociedade de Magnetismo de Paris, uma das mais importantes da França. Fez muitos amigos nessa corrente de idéias, dentre eles o magnetizador Sr. Fortier.
AS MESAS GIRANTES
Contava Rivail 51 anos de idade em 1854 quando, através do Sr. Fortier, tomou conhecimento de certos fatos Espíritas. Disse-lhe o interlocutor:
- “Sabe o senhor da singular propriedade que acabam de descobrir no magnetismo? Parece que não são unicamente os indivíduos que se magnetizam, mas também as mesas, que podem girar e andar à vontade.”

- “É extraordinário, não há dúvida” – respondeu Rivail. “Mas em rigor é um fato que não parece radicalmente impossível. O fluido magnético, que é uma espécie de eletricidade, pode muito bem atuar sobre os corpos inertes e fazê-los moverem-se.”
Informado, pouco tempo depois, pelo mesmo Sr. Fortier, de que mesas magnetizadas – chamadas na época de “mesas girantes” -,  podiam mover-se e que davam respostas quando inquiridas, a atitude de Rivail foi de absoluta descrença:
- “Isto é uma outra questão. Só acreditarei vendo, e quando me provarem que a mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que pode tornar-se sonâmbula. Até lá, permita-me que considere isso um conto para fazer-nos dormir em pé.” 
Rivail aceitava a possibilidade do movimento por uma força mecânica, mas, ignorando a causa e a lei do fenômeno, parecia-lhe absurdo atribuir inteligência a uma coisa puramente material. Estava ele na posição dos incrédulos desta nossa época (2004), que negam porque apenas presenciam um fato que não compreendem. Vivia-se numa época em que o fato era ainda inexplicado, aparentemente contrário às leis da Natureza, o que sua razão lhe impedia aceitar. Ainda não havia visto nem observado nada. As experiências feitas na presença de pessoas de caráter e dignas de toda a confiança lhe confirmavam a possibilidade do efeito puramente material, porém, a idéia de uma mesa falante não lhe podia ainda fazer sentido.
O EPISÓDIO HYDESVILLE: PONTO DE PARTIDA DAS MESAS GIRANTES
As sessões com a “mesa girante” tiveram início nos Estados Unidos da América, com as célebres irmãs Fox. Segundo Jorge Rizzini, os Fox eram originários do Canadá, pois os Arquivos Históricos da Cidade de Nova Iorque (consultados por ele) atestam que a médium Margareth Fox nascera em Bath, uma vila próxima da cidade de Kingston, na província de Ontário, no dia 7 de outubro de 1833.
Vale a pena saber que Margareth, nessa época, tinha a idade de 14 anos; Katerine, a caçula, 11 anos; e Leah, que já lecionava piano em Rochester, era 23 anos mais velha que Margareth. Não possuímos informações dos outros irmãos, apenas sabemos que eram em seis, também canadenses, e que David era o único do sexo masculino.
John D. Fox, o pai, era campesino e pastor da Igreja Episcopal Metodista. Ele e sua família recém chegados do Canadá desembarcaram em Hydesville, no Condado de Wayne, Estado de Nova Iorque, no dia 11 de dezembro de 1847. John acomodou sua família em uma casa de madeira humilde, praticamente idêntica a todas as outras da região. A casa em que se instalaram não era bem vista pela população da cidade. Diziam que era “mal assombrada”. Inquilinos anteriores haviam ouvido ruídos estranhos e visto móveis se moverem sem nenhum contato humano; além disso, vultos também eram vistos.
Hannah Weeckman, ex-inquilina da casa, citada no livro “História do Espiritismo”de Arthur Conan Doyle, deu o seguinte testemunho: “Meu marido, eu e a empregada nos levantamos imediatamente para ver o que se passava. Ela sentou-se na cama em prantos e nós custamos a verificar o que se passava. Disse ela que algo se movimentava acima de sua cabeça e que sentia um frio sem saber o que era. Disse havê-lo sentido sobre ela toda, mas que ficara mais alarmada ao senti-lo sobre o rosto.”
Lucretia Pulver, empregada do casal Bell que, em 1844, habitara a casa, deu também seu testemunho: “A Srta. Aurélia Losey ficou comigo naquela noite; ela também ouviu o barulho e ambas ficamos muito assustadas; levantamo-nos, fechamos as janelas e trancamos a porta. Parece que alguém andava pela despensa, na adega, e até no porão, onde o barulho cessava.” Era esta a situação da casa, quando o pastor John D. Fox nela se instalou com sua família.
John atribuía os ruídos à madeira com a qual a casa fora construída e aos ratos existentes na adega. Porém, na noite do dia 31 de março, foram ouvidos ruídos com maior intensidade por todos os lados da casa e, segundo a Sra. Fox, “produziam um certo movimento nas camas e cadeiras, a ponto de notarmos quando deitadas”. O pastor John Fox, acreditando que alguém estivesse brincando consigo, saiu pé ante pé e examinou a casa pelo lado de fora e, depois, intrigado, todos os compartimentos da casa. Nada encontrou; estava tudo normal, porém, os ruídos, inclusive de passos, prosseguiam, e todos puderam ouvir.
Naquela noite, Katerine, a filha mais nova, desafiou a força invisível. Bateu um certo número de palmas. E soou na parede de madeira, imitando-a, o mesmo número de pancadas. Quando ela parou, o som logo parou. Então Margareth disse brincando:“Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro”. E bateu palmas. Então os ruídos se produziram como antes. Margareth teve medo de repetir o ensaio. Então Katerine, ou Kate, como seus familiares a chamavam, disse, na sua simplicidade infantil: “Oh! Mamãe! Eu já sei o que é. Amanhã é o dia 1º de abril e alguém quer nos pregar uma peça!”
Estava, assim, estabelecida a telegrafia espiritual. A Sra. Fox, ao lado do marido, pediu ao “espírito batedor” que dissesse a idade de cada um de seus filhos. O resultado do teste espantou a todos. Batidas se fizeram ouvir de forma que, a cada seqüência de batidas que correspondia a idade de cada um, era feita uma pausa. Insistiu a Sra. Fox, perguntando se era um ser humano que conversava com ela. O silêncio se fez angustiante. Perguntou se era um Espírito, e fortes batidas se fizeram ouvir por toda a casa.
A Sra. Fox, continuou a perguntar: “Se for o Espírito de um assassinado dê duas pancadas.” Duas pancadas foram ouvidas. John Fox foi rápido chamar a Sra. Redfield, sua vizinha, que fez um novo teste; perguntou que idade tinha ela, e obteve do Espírito a resposta correta. Entrou na casa o casal Duesler, e estabeleceu-se uma linguagem através de código, onde a letra A correspondia a uma pancada, B a duas, e assim por diante.
O Espírito chamava-se Charles B. Rosma; fora mascate; seu assassino chamava-se Bell, antigo morador daquela casa; assassinara-o para lhe roubar quinhentos dólares com uma faca de açougueiro, dando-lhe um golpe na garganta; o corpo fora levado à adega e, na noite seguinte, enterrado ali mesmo.
Foi se formando à porta da casa dos Fox uma fila de aproximadamente trezentas pessoas e o Espírito Charles Rosma deu prova de sua presença. No dia seguinte, David Fox, acompanhado de outras pessoas, fez as primeiras escavações, descobrindo ossos e cabelos. Exatamente em 1904, portanto 56 anos depois, encontrou-se um esqueleto humano ao lado de uma lata que pertencera ao mascate. Os fatos vieram confirmar a estranha denúncia de um morto que, do outro lado da vida, se utilizava de uma lei natural, desconhecida pelo homem, para relatar uma ação criminosa de que fora vítima.
Disseram os Espíritos que esse fato era o início de um movimento de caráter praticamente universal, para unir os homens, convencer as mentes para a imortalidade da alma, despertar a Humanidade para a vida espiritual.
Convém reconhecer aqui a envergadura moral do casal Fox. Contrariados e perseguidos pela Igreja Metodista a que pertenciam, preferiram de lá ser expulsos, a negar os fenômenos espíritas. Eles não abdicaram da verdade de que foram testemunhas. Este acontecimento repercutiria na Europa, despertando as consciências e, ao lado dos fenômenos das “mesas girantes”, prepararia o advento do Espiritismo.
RIVAIL E AS MESAS GIRANTES
Foi em 1855, conversando com Sr. Carlotti, outro magnetista, que lhe falou outra vez, e com grande entusiasmo, desses fenômenos, que Rivail sentiu idéias novas lhe despertarem na mente.  No entanto, o Sr. Carlotti era corso, de natureza ardente e enérgica. Denizard apreciava nele as qualidades que distinguem uma grande e bela alma, contudo, desconfiava de sua exaltação. Fora ele o primeiro a falar-lhe da intervenção dos Espíritos, e contou-lhe tantas coisas fantásticas que ao invés de convencer Rivail, aumentou-lhe as dúvidas.
Um pouco mais de um ano se passara, era num dia de maio de 1856, estava Rivail na casa da sonâmbula Sra. Roger com o Sr. Fortier, seu magnetizador. Encontrou ali o Sr. Pâtier e a Sra. Plainemaison, que lhe falaram sobre os fenômenos, desta vez sem exaltação. O Sr. Partier era um funcionário público, homem de meia idade, instruído, sério e calmo. Sua linguagem era pausada e isenta de entusiasmos. Pois bem: foi o Sr. Partier que causou uma viva impressão em Rivail que, convidado a assistir a uma das experiências realizadas na casa da Sra. Plainemaison, à Rua Grange-Batelière, 18, aceitou pressuroso. O encontro foi marcado para uma terça feira, às 20 horas.
Rivail assiste pela primeira vez, na casa da Sra. Planemaison, e testemunha o fenômeno das “mesas girantes” que saltavam e corriam, em condições tais que era impossível haver dúvidas. Presenciou alguns ensaios, ainda bastante imperfeitos, da escrita mediúnica em uma ardósia com o auxílio de uma cesta. Com as idéias ainda indefinidas, Rivail raciocinava. Ali estava um fato que devia ter uma causa. Entreviu debaixo daquela aparente futilidade e da espécie de diversão dos que se utilizavam daqueles fenômenos algo sério, como se fosse a revelação de uma nova lei. Prometeu a si mesmo que iria investigar os fenômenos a fundo.
AS MÉDIUNS SRTAS. BAUDIN
Dentro de pouco tempo, surgiu uma oportunidade de Rivail proceder a observações diretas: numa das reuniões da Sra. Planemaison conheceu a família Baudin, que morava na Rua Rochechouart. O Sr. Baudin convidou-o para ir assistir às sessões que se realizavam semanalmente em sua casa. Aceitou, e tornou-se um freqüentador assíduo das reuniões.
Eram as reuniões bem freqüentadas e, além dos assistentes habituais, era admitido sem dificuldade quem quer que o pedisse. Os dois médiuns utilizados eram as Srtas. Baudin, que escreviam em uma ardósia com o auxílio de uma cesta chamada de“cesta pião” ou cesta de bico” ([2]). Esse método exigia o concurso de duas pessoas para excluir qualquer possibilidade de participação das idéias de cada um dos médiuns. Foi assim, que Rivail, presenciou comunicações seguidas constando de respostas dadas a questões propostas, e muitas vezes a perguntas feitas mentalmente, que faziam perceber, de modo evidente, a intervenção de uma inteligência estranha.
ZÉFIRO, O ESPÍRITO
A curiosidade e o entretenimento moviam os assistentes. O Espírito que se manifestava dava o nome de Zéfiro, o que estava bem de acordo com o seu caráter e o da reunião. Porém era um Espírito muito bom, e declarava-se protetor da família Baudin. Muitas vezes sabia fazer rir, outras vezes, dava bons conselhos e não perdia oportunidade de se utilizar do dito mordaz e espirituoso. Rivail travou com ele boas relações, dando-lhe constantemente provas de grande simpatia. Zéfiro não era um Espírito muito adiantado, porém, assistido mais tarde por Espíritos superiores, ajudou Rivail em suas primeiras obras. Depois de dizer que ia reencarnar, nunca mais se ouviu falar dele.
PRIMEIROS ESTUDOS SOBRE ESPIRITISMO
Foi ali, nas reuniões da casa da família Baudin, que Rivail fez os primeiros estudos sérios sobre o Espiritismo, mais pelas observações que pelas revelações. Aplicou a essa nova ciência, como sempre fizera, o método da experimentação. Nunca se utilizou de teorias preconcebidas. Observava, comparava e deduzia as conseqüências. Era através dos efeitos que procurava se aproximar das causas. Deduzia pelo encadeamento lógico dos fatos. Só admitia uma conclusão como válida quando esta conseguia resolver todas as dificuldades da questão – procedimento este que utilizou também em seus trabalhos anteriores desde a idade de 24 anos.
Compreendeu Rivail, desde o início, a importância da pesquisa que estava empreendendo. Enxergou naqueles fenômenos a chave do problema do passado e do futuro da Humanidade, tão confuso e controvertido – a solução do problema que havia buscado durante toda a sua vida. Era preciso agir com prudência e não se deixar levar por ilusões.
Um dos primeiros resultados de suas observações foi descobrir que os Espíritos, nada mais sendo que as almas dos homens, não possuíam nem a suprema sabedoria nem a suprema ciência. Que seu saber era limitado ao grau de seu adiantamento e que sua opinião só tinha o valor de uma opinião pessoal. Esta verdade, reconhecida desde o início, o livrou do grande perigo de acreditar em sua infalibilidade, impedindo-o de formular teorias prematuras baseadas no que dizia um ou no que diziam outros.
As sessões da casa do Sr. Baudin, que até aquela data não tinham tido uma finalidade determinada, agora aconteciam de forma organizada e útil; as frivolidades desapareceram. Rivail tomou a seu cargo procurar resolver problemas interessantes sob o ponto de vista da Filosofia, da Psicologia e da natureza do mundo invisível. A cada sessão levava consigo perguntas preparadas e metodicamente dispostas que eram sempre respondidas com precisão, profundidade e lógica. Se acontecia de Rivail faltar a uma dessas sessões, as pessoas ficavam sem saber o que fazer, pois as perguntas fúteis perderam seu atrativo para a maioria dos freqüentadores.
COMEÇA A SURGIR O LIVRO DOS ESPÍRITOS
A princípio, Rivail só tinha em mente se instruir. Porém mais tarde, quando viu que aquelas comunicações formavam um conjunto e tomavam proporções de uma doutrina, teve a idéia de publicá-las para que todos se instruíssem. Foram aquelas mesmas questões que, desenvolvidas e completadas, constituíram a base do “O Livro dos Espíritos”.
DE RIVAIL A KARDEC
Em 1856, o professor Rivail recebe dos Espíritos a revelação do trabalho que tem de desenvolver na Terra. E assim surge o pseudônimo Allan Kardec, com o intuito separar das obras pedagógicas escritas pelo professor Rivail, as obras da codificação que eram feitas agora pelo Sr. Allan Kardec. O pseudônimo foi escolhido porque correspondia a um nome que teria usado em uma encarnação pregressa revelada por um Espírito que dizia conhecê-lo de remotas existências, uma das quais passada no mesmo solo da França, onde a sua individualidade tinha revestido a personalidade de um druida chamado Allan Kardec.
INÍCIO DA ERA ESPÍRITA
A 18 de abril de 1857 raiou para a humanidade a “Era Espírita”, ao surgirem nas prateleiras das livrarias os primeiros volumes de “O Livro dos Espíritos”.
Em 1° de janeiro de 1858 circula o primeiro número da “Revue Espirite” (Revista Espírita), editada em Paris por Allan Kardec; no mesmo ano foi publicado o livro“Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas”, e, ainda nesse profícuo 1858, exatamente a 1° de abril, é fundada a “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”.
Em 1859 surge o livro “O que é o Espiritismo”. A 16 de setembro de 1860 A. Kardec publica a “Carta sobre o Espiritismo”, em resposta a um artigo publicado na “Gazette de Lyon”. No mês de janeiro de 1861, Allan Kardec lança a público “O Livro dos Médiuns” e, ainda nesse ano, no dia 9 de outubro às 10:30 horas da manhã, em Barcelona, Espanha, são queima dos num auto de fé trezentos volumes e brochuras sobre Espiritismo, entre eles “O Livro dos Espíritos”.
Em fevereiro de 1862, Kardec publica “O Espiritismo na sua Expressão mais Simples”, e também neste mesmo ano, “Viagem Espírita em 1862″.
Em 1864 são editadas as seguintes obras: “Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas” ou “Primeira Iniciação” e “Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo”, chamado posteriormente de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
No dia 1º de agosto de 1865 é publicado o livro “O Céu e o Inferno”, ou a “Justiça Divina Segundo o Espiritismo”. No ano de 1866 surge a “Coleção de Preces Espíritas”, um extrato do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
Em 1867 vem a público “Estudo a cerca da Poesia Medianímica” e, em 1868, Kardec lança “A Gênese  Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”, e o livro “Caracteres da Revelação Espírita”.
RETORNO A PATRIA ESPIRITUAL
Depois deste grandioso trabalho, no dia 31 de março de 1869, com 65 anos de idade, em Paris, vítima da ruptura de um aneurisma, Allan Kardec retorna à Pátria Espiritual. Sua missão se completa, no entanto, somente no ano de 1890, quando é editado o livro “Obras Póstumas”, reunindo os últimos escritos do grande Codificador.
BIBLIOGRAFIA
Allan Kardec – Zêus Wantuil e Francisco Thiesen – Edições FEB;
Vida e Obra de Allan Kardec – André Moreil, 1977 – Editora EDICEL
O Principiante Espírita – Júlio de Abreu Filho – Editora Pensamento
História do Espiritismo – Arthur Conan Doyle – Editora Pensamento
Kardec, Irmãs Fox e outros – Jorge Rizzini – Editora Eldorado Espírita de São Paulo
Grandes Vultos do Espiritismo – Paulo Alves de Godoy – Edições FE ESP
Espiritismo Básico – Pedro Franco Barbosa – Edições FEB
Revista Informação N.35
Obras Póstumas – Allan Kardec – LAKE – Livraria Allan Kardec Editora
Pesquisa enviada por Veronique – Grupo de Apoio Francisco de Assis – GAFA


Fonte:  Elio Mollo – http://aeradoespirito.sites.uol.com.br/A ERA DO ESPIRITO – Portal/ARTIGOS/Artigos E/ALLANKARDEC.html – Colaborou no desenvolvimento ortográfico deste texto Maria Luiza Palha
Do Bem Viver Apometria
                                                               *****


Essa imagem de Allan Kardec foi criada e produzida em 2009 por Pasquale Giacabelli, a partir das conhecidas reproduções fotográficas de uma foto bem conhecida de Kardec.
Achei muito expressiva, mostrando bem sua fisionomia - que desmestifica o ar sisudo da foto anterior.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Falatórios



FALATÓRIOS

            Dentre os muitos males que o verbo infeliz pode produzir, o mexerico é, possivelmente, dos mais graves.
            Semelhante a vaso pútrido, o falatório exala miasma pestilencial, que contamina os incautos, que dele se acercam.
            Ali proliferam a maledicência insensata, o julgamento arbitrário, a acusação indébita, a suspeita inapelável, a infâmia disfarçada, quando não irrompe a calúnia maleável, capaz de engendrar a destruição dos mais nobres ideais e vidas respeitáveis.
            Atira-se a brasa do falatório inconsciente e espera-se que o fogo da irresponsabilidade ameace, devorador, a estrutura onde produz chamas.
            Nasce na conversa simples, porém, perniciosa. Emana de uma observação candente e feita de impiedade, a qual se difunde facilmente por ausência de serviço edificante, em decorrência da hora vazia, pela dilatação das apreciações indébitas.
            O falatório é, também, verdugo do falador, porquanto, aquele que se compraz em censurar, torna-se vítima da censura alheia.
*
            Acautela-te dos que somente sabem colocar ácido e observações infelizes. Não estás indene à acusação deles.
            Se te trazem informação inditosa, por mais amigo que te seja, de ti levará informação incorreta para outrem, a quem chama amigo, e que ignoras.
            Não permitas que os teus ouvidos, voltados para a verdade, se convertam em caixa de acusações desditosas.
            Ninguém te pede a santificação em um dia, nem espera a tua redenção numa hora. Aliás, se isto se dera, o beneficiado seria tu próprio. Todavia, todos aguardam que não incidas, reincidas ou insistas no erro, promovendo a renovação dos teus propósitos cada dia, a toda hora, em cada instante...
            O teu chamado ao Evangelho de Jesus significa compromisso novo para com a ida, e, se outrem erra, não te utilizes do erro dele, para que justifiques o teu erro.
            Não prestarás satisfação da tua conduta ao teu próximo, mas Àquele que te enviou a servir.
            Sempre que falares, faze o relatório do bem: desculpa, ajuda, perdoa e compreende.
            O irmão caído não necessita de empurrão para mais baixo, entretanto, espera mão amiga para reerguer-se.
            Quem erra, tem a ferida do engano; aquele que se equivoca, padece a ulceração do erro.
            Disputa a honra de acertar, falando sobre o bem, em nome do Supremo Bem, para o teu próprio bem.

(Divaldo P. Franco por Joanna de Ângelis. In: Celeiro de Bênçãos)


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Maledicência - Não fales mal de ninguém.


por Dulceny Cerqueira Leite,NO FACEBOOK terça, 21 de setembro de 2010 às 10:31
 
Toda pessoa não suficientemente realizada em si mesma tem a instintiva tendência de falar mal dos outros.
Qual a razão última dessa mania de maledicência?
É um complexo de inferioridade unido a um desejo de superioridade.
Diminuir o valor dos outros dá-nos a grata ilusão de aumentar o nosso valor próprio.
A imensa maioria dos homens não está em condições de medir o seu valor por si mesma. Necessita medir o seu próprio valor pelo desvalor dos outros.
Esses homens julgam necessário apagar as luzes alheias a fim de fazerem brilhar mais intensamente a sua própria luz.
São como vaga-lumes que não podem luzir senão por entre as trevas da noite, porque a luz das suas lanternas fosfóreas é muito fraca.
Quem tem bastante luz própria não necessita apagar ou diminuir as luzes dos outros para poder brilhar.
Quem tem valor real em si mesmo não necessita medir o seu valor pelo desvalor dos outros.
Quem tem vigorosa saúde espiritual não necessita chamar de doentes os outros para gozar a consciência da saúde própria.
As nossas reuniões sociais, os nossos bate-papos são, em geral, academias de maledicência.
Falar mal das misérias alheias é um prazer tão sutil e sedutor – algo parecido com whisky, gin ou cocaína – que uma pessoa de saúde moral precária facilmente sucumbe a essa epidemia.
A palavra é instrumento valioso para o intercâmbio entre os homens. Ela, porém, nem sempre tem sido utilizada devidamente.
Poucos são os homens que se valem desse precioso recurso para construir esperanças, balsamizar dores e traçar rotas seguras.
Fala-se muito por falar, para "matar tempo". A palavra, não poucas vezes, converte-se em estilete da impiedade, em lâmina da maledicência e em bisturi da revolta.
Semelhantes a gotas de luz, as boas palavras dirigem conflitos e resolvem dificuldades.
Falando, espíritos missionários reformularam os alicerces do pensamento humano.
Falando, não há muito, Hitler hipnotizou multidões, enceguecidas, que se atiraram sobre outras nações, transformando-as em ruínas.
Guerras e planos de paz sofrem a poderosa influência da palavra.
Há quem pronuncie palavras doces, com lábios encharcados pelo fel.
Há aqueles que falam meigamente, cheios de ira e ódio. São enfermos em demorado processo de reajuste.
Portanto, cabe às pessoas lúcidas e de bom senso, não dar ensejo para que o veneno da maledicência se alastre, infelicitando e destruindo vidas.
Pense nisso!
Desculpemos a fragilidade alheia, lembrando-nos das nossas próprias fraquezas.
Evitemos a censura.
A maledicência começa na palavra do reproche inoportuno.
Se desejamos educar, reparar erros, não os abordemos estando o responsável ausente.
Toda a palavra torpe, como qualquer censura contumaz, faz-se hábito negativo que culmina por envilecer o caráter de quem com isso se compraz.
Enriqueçamos o coração de amor e banhemos a mente com as luzes da misericórdia divina.
Porque, de acordo com o Evangelho de Lucas, "a boca fala do que está cheio o coração".

(Texto extraído do livro "A Essência da Amizade" – Huberto Rohden* – EditoraMartin Claret).

sábado, 18 de setembro de 2010

O Que é o espiritismo?

Conheça o Espiritismo

http://www.febnet.org.br/site/common/img/SetaEspacaPreta.gif  O que é
* É o conjunto de princípios e leis, revelados pelos Espíritos Superiores, contidos nas obras de Allan Kardec que constituem a Codificação Espírita: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.

* “O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.”   Allan Kardec (O que é o Espiritismo – Preâmbulo)

* “O Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.”   Allan Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo – cap. VI – 4)
  O Que Revela
* Revela conceitos novos e mais aprofundados a respeito de Deus, do Universo, dos Homens, dos Espíritos e das Leis que regem a vida.

* Revela, ainda, o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento.
  Sua Abragência
* Trazendo conceitos novos sobre o homem e tudo o que o cerca, o Espiritismo toca em todas as áreas do conhecimento, das atividades e do comportamento humanos, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.

*  Pode e deve ser estudado, analisado e praticado em todos os aspectos fundamentais da vida, tais como: científico, filosófico, religioso, ético, moral, educacional, social
 Seus Ensinos Fundamentais
* Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.
* O Universo é criação de Deus. Abrange todos os seres racionais e irracionais, animados e inanimados, materiais e imateriais.
* Além do mundo corporal, habitação dos Espíritos encarnados, que são os homens, existe o mundo espiritual, habitação dos Espíritos desencarnados.
* No Universo há outros mundos habitados, com seres de diferentes graus de evolução: iguais, mais evoluídos e menos evoluídos que os homens.
* Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o seu autor. Abrangem tanto as leis físicas como as leis morais.
* O homem é um Espírito encarnado em um corpo material. O perispírito é o corpo semimaterial que une o Espírito ao corpo material.
* Os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Constituem o mundo dos Espíritos, que preexiste e sobrevive a tudo.
* Os Espíritos são criados simples e ignorantes. Evoluem, intelectual e moralmente, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada, até a perfeição, onde gozam de inalterável felicidade.
* Os Espíritos preservam sua individualidade, antes, durante e depois de cada encarnação.
* Os Espíritos reencarnam tantas vezes quantas forem necessárias ao seu próprio aprimoramento.
* Os Espíritos evoluem sempre. Em suas múltiplas existências corpóreas podem estacionar, mas nunca regridem. A rapidez do seu progresso intelectual e moral depende dos esforços que façam para chegar à perfeição.
* Os Espíritos pertencem a diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado: Espíritos Puros, que atingiram a perfeição máxima; Bons Espíritos, nos quais o desejo do bem é o que predomina; Espíritos Imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do mal e pelas paixões inferiores.
* As relações dos Espíritos com os homens são constantes e sempre existiram. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, sustentam-nos nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os imperfeitos nos induzem ao erro.
* Jesus é o guia e modelo para toda a Humanidade. E a Doutrina que ensinou e exemplificou é a expressão mais pura da Lei de Deus.
* A moral do Cristo, contida no Evangelho, é o roteiro para a evolução segura de todos os homens, e a sua prática é a solução para todos os problemas humanos e o objetivo a ser atingido pela Humanidade.
* O homem tem o livre-arbítrio para agir, mas responde pelas conseqüências de suas ações.
* A vida futura reserva aos homens penas e gozos compatíveis com o procedimento de respeito ou não à Lei de Deus.
* A prece é um ato de adoração a Deus. Está na lei natural e é o resultado de um sentimento inato no homem, assim como é inata a idéia da existência do Criador.
* A prece torna melhor o homem. Aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo. é este um socorro que jamais se lhe recusa, quando pedido com sinceridade.
 Prática Espírita
Tendo em vista que comumente surgem informações relacionando a Doutrina Espírita com as atividades de jogos de tarô, cartas, quiromancia e outras, a Federação Espírita Brasileira esclarece como se desenvolve a prática espírita:
* Toda a prática espírita é gratuita, como orienta o princípio moral do Evangelho: “Dai de graça o que de graça recebestes”.
* A prática espírita é realizada com simplicidade, sem nenhum culto exterior, dentro do princípio cristão de que Deus deve ser adorado em espírito e verdade.
* O Espiritismo não tem sacerdotes e não adota e nem usa em suas reuniões e em suas práticas: altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgência, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais ou quaisquer outros objetos, rituais ou formas de culto exterior.
* O Espiritismo não impõe os seus princípios. Convida os interessados em conhecê-lo a submeterem os seus ensinos ao crivo da razão, antes de aceitá-los.
* A mediunidade, que permite a comunicação dos Espíritos com os homens, é uma faculdade que muitas pessoas trazem consigo ao nascer, independentemente da religião ou da diretriz doutrinária de vida que adotem.
* Prática mediúnica espírita só é aquela que é exercida com base nos princípios da Doutrina Espírita e dentro da moral cristã.
* O Espiritismo respeita todas as religiões e doutrinas, valoriza todos os esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização e pela paz entre todos os povos e entre todos os homens, independentemente de sua raça, cor, nacionalidade, crença, nível cultural ou social.  Reconhece, ainda, que “o verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza”.
                                                      ***
Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.”
                                             ***
 “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.”

www.febnet.org.br

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

CÂNCER MORAL


Joanna de Ângelis/Divaldo Pereira Franco

O mau-humor sistemático - vício de comportamento emocional - gera a irritabilidade que desencadeia inúmeros males no indivíduo, em particular, e no grupo social onde o mesmo se movimenta, em geral. 
Desconcertando a razão, açula as tendências negativas que devem ser combatidas, fomentando a maledicência e a indisposição de ânimo.
***
Todos aqueles que o alimentam, transferem-se de um para outro estado de desajuste orgânico e psicológico, dando margem à instalação de doenças psicossomáticas de tratamento complexo como resultados demorados ou nenhuns. 
Todas as criaturas têm o dever de trabalhar pelo próprio progresso intelecto-moral, esforçando-se por vencer as más inclinações.
***
O azedume resulta, também, da inveja mal disfarçada quanto do ciúme incontido. 
Atiça as labaredas destruidoras da desavença, enquanto se compraz na observância da ruína e do desconforto do próximo.
***
Muitas formas de cânceres têm sua gênese no comportamento moral insano, nas atitudes mentais agressivas, nas postulações emocionais enfermiças.
***
O mau-humor é fator cancerígeno que ora ataca uma larga faixa da sociedade estúrdia. 
Exteriorização do egoísmo doentio, aplica-se à inglória tarefa de perseguir os que discordam da sua atitude infeliz, espalhando a inquietação com que se arma de forças para prosseguir na insânia que agasalha.
***
Reveste-te de equilíbrio ante os mal-humorados e violentos, maledicentes e agressivos. 
Eles se encontram enfermos, sim, em marcha para a loucura que os vence sob o beneplácito da vontade acomodada. 
Oscilantes nos estados d’alma, mudam de um para outro episódio de revolta com facilidade, sem qualquer motivo justificável, como se motivo houvesse que justifique a vigência desse verdugo do homem.
***
Vigia as nascentes dos teus sentimentos e luta com destemor, nas paisagens íntimas, contra o mau-humor. 
Policia o verbo rude e ácido, mantendo a dignidade interior e poupando-te ao pugilato das ofensas, decorrente do azedume freqüente. 
Não olvides da gratidão, nas tuas crises de indisposição... 
O amanhã é incerto. 
Aquele a quem hoje magoas será a porta onde buscarás apoio amanhã. 
Conquista o título de pacífico ou faze-te pacificador. 
Todo agressor torna-se antipático e asfixia-se na psicosfera morbífica que produz.
***
O Evangelho é lição de otimismo sem limite e o Espiritismo que o atualiza para o homem contemporâneo convida à transformação moral contínua, sem termo, em prol da edificação interior do adepto que se lhe candidata ao ministério.

Mensagem extraída da obra RECEITA DE PAZ


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ADVERSIDADE

ADVERSIDADE


Indagar quanto ao porquê das dificuldades que a vida oferece ao homem será o mesmo que perguntar relativamente aos motivos pelos quais o homem corta a pedra para que a pedra venha a servir.
*
Abandone-se a enxada ao repouso permanente e, a breve espaço, se fará imprestável.
Negue-se a fonte a transitar sobre os percalços do solo e, a tempo curto, se transformará em tristeza do charco.
*
A rigor, a adversidade não existiria no mundo se considerássemos as tarefas da existência física por lições.
*
Fizéssemos isso e todas as provas assumiriam as dimensões que lhes são características, passando à função de testes indispensáveis ao exame dos valores que adquirimos.
*
Antes de nossa própria reencarnação, muito freqüentemente, sabemos que se tornará novo berço para a recapitulação de experiências em que não fomos felizes, seja para ressarcir débitos que largamos à retaguarda, com o objetivo de extinguir enganos perpetrados por nós mesmos, a fim de nos entregarmos à execução de compromissos alusivos ao burilamento íntimo ou no sentido de reencontrar antigos desafetos para transfigurá-los em laços de amor.
*
Reestruturadas, porém, as possibilidades de ação e renovação a nosso benefício, habitualmente, vestimos em pessimismo as melhores oportunidades de melhoria e de progresso, sem extrair delas o proveito preciso.
*
Reflitamos em semelhante realidade para facearmos as lutas do caminho sem ilusões.
Aceitemos construtivamente os desafios e problemas que a vida nos proponha, empenhando-nos a solucioná-los com segurança, sem a volúpia de retê-los indefinidamente no coração.
*
Certifiquemo-nos, sobretudo, de que ninguém evolui sem mudanças e de que não existem mudanças sem atritos ou deslocamentos, conflitos ou desajuste.
*
À vista disto, reconheçamos que as crises da vida aparecem na estrada de todos em auxílio de todos.
*
E de toda grande dificuldade, cada criatura, conforme as reações que demonstre, se retirará maior para receber encargos sempre maiores ou novamente ajustada às dimensões de espírito em que ainda se encontra, a fim de entrar outra vez, em ocasião oportuna, no clima da adversidade educativa, para realizar renovados tentames de elevação própria, em cujo trabalho se obriga a revisar-se e recomeçar.

(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Abençoa Sempre)


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