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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Comecemos de nós mesmos



    Ensina a caridade, dando aos outros algo de ti mesmo, em forma de trabalho e carinho e aqueles que te seguem o passos virão ao teu encontro oferecendo ao bem quanto possuem.

    Difunde a humildade, buscando a Vontade Divina com esquecimento de teus caprichos humanos e os companheiros de ideal, fortalecidos por teu exemplo, ou vidarão a si mesmos, calando as manifestações de vaidade e de orgulho.

    Propaga a fé, suportando os revezes de teu próprio caminho, com valor moral e fortaleza infatigável e quem te observa crescerá em otimismo e confiança.

    Semeia a paciência, tolerando construtivamente os que se fazem instrumentos de tua dor no mundo, auxiliando sem desânimo e amparando sem reclamar, e os irmãos que te buscam mobilizarão os impulsos de revolta que os fustigam, na luta de cada dia, transformando-a em serena compreensão.

    Planta a bondade, cultivando com todos a tolerância e gentileza e os teus associados de ideal encontrarão contigo a necessária inspiração para o esforço de extinção da maldade.

    Estende as noções do serviço e da responsabilidade, agindo incessantemente na religião do dever cumprido e os amigos do teu círculo pessoal envergonhar-se-ão da ociosidade.

    As boas obras começam de nós mesmos.

    Educaremos, educando-nos.

    Não faremos a renovação de paisagem de nossa vida, sem renovar-nos.

    Somos arquitetos de nossa própria estrada e seremos conhecidos pela influência que projetamos naqueles que nos cercam.

    Que o Espírito de Cristo nos infunda a decisão de realizar o auto-aprimoramento, para que nos façamos intérpretes do Espírito do Cristo.

    A caridade que salvará o mundo há de regenerar-nos primeiramente.

    Sigamos ao encontro do Mestre, amando, aprendendo e servindo e o Mestre, hoje ou amanhã, virá ao nosso encontro, premiando-nos a perseverança com a luz da ressurreição.
(Francisco Cândido Xavier/André Luiz. In: Apostilas da Vida)


Foto recebida da amiga Ellen Sue no Facebook

sábado, 7 de agosto de 2010

Continuação da entrevista com Raul Teixeira...

O Consolador: A eutanásia, como sabemos, é uma prática que não tem o apoio da doutrina espírita. Surgiu, no entanto, ultimamente, a idéia da ortotanásia, defendida até mesmo por alguns médicos espíritas. Qual a sua opinião a respeito?


O mais importante na esfera da ortotanásia será sempre o uso do bom-senso, pois uma coisa é deixar o indivíduo morrer naturalmente, quando se veja que sua vitalidade vai baixando de nível como uma chama que se apaga. Outra situação, porém, será ver alguém sofrendo e cruelmente não lhe aplicar qualquer sedativo ou medicamento, deixando que morra em meio ao desespero ou à dor intensa. Nem a eutanásia nem a ortotanásia, quando fuja ao bom-senso e se aproxime da crueldade. Que os conhecimentos médicos vigentes possam ajudar os que se acham à beira da desencarnação, facilitando-lhe um tranqüilo retorno ao Invisível sem comprometimento negativo de médicos, enfermagem ou familiares.

O Consolador: Como você vê o nível da criminalidade e da violência que parece aumentar em todo o país e no mundo, e como os espíritas podemos cooperar para que essa situação seja revertida?

Nada obstante as informações dos Imortais de que estão renascendo no planeta muitos Espíritos ainda inferiorizados, no que se relaciona às suas condições morais, não deveremos perder de vista a proeminência da educação como bem frisou Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos. Faz-se necessária uma educação moral capaz de bem formar os caracteres dos indivíduos.

Como espíritas, torna-se fundamental a observância dos cuidados com a auto-educação (a partir dos esforços pelo autoconhecimento), a fim de que nos capacitemos para orientar e educar os próprios filhos que são vítimas, muitas vezes, da incúria ou do desmazelo dos seus pais que estão mais preocupados com o sucesso social dos filhos do que com a sua felicidade.

A educação, contudo, é um processo que terá êxito em longo prazo, visto que corresponde a uma modificação gradual de mentalidade e à adoção e fixação de novos valores por parte das criaturas. Há, no entanto, providências que podem ser tomadas por quem de direito, no sentido de diminuir a gravidade dos quadros de violência vigentes atualmente no mundo, e isso tem a ver com a legitimidade, maturidade e respeitabilidade moral das autoridades constituídas e que estão à frente das sociedades, assim como tem relação com a necessidade de imputar-se responsabilidades aos cidadãos e fazer com que aqueles que cometem desatinos sejam levados aos trabalhos de quitação perante suas vítimas, sejam indivíduos ou grandes grupos sociais. Enquanto persistir, em nome de escusos interesses e criminosos desinteresses, o clima de impunidade, como se nada estivesse acontecendo, pela falta de coragem de pôr-se o guizo no pescoço do gato, é certo que a situação tanto do Brasil quanto do restante do mundo não sofrerá significativas alterações.

O Consolador: A preparação do advento do mundo de regeneração em nosso planeta já deu, como sabemos, seus primeiros passos. Daqui a quantos anos você acredita que a Terra deixará de ser um mundo de provas e de expiações, passando plenamente à condição de um mundo de regeneração, em que, segundo Santo Agostinho, a palavra amor estará escrita em todas as frontes e uma eqüidade perfeita regulará as relações sociais?

Muito embora possamos desenvolver alguma ansiedade em torno desse futuro anunciado pelos Imortais, o certo é que não temos nenhuma possibilidade de datar essas ocorrências, uma vez que estarão sempre pendentes dos movimentos dos progressos humanos.

As bases geológicas do planeta estão dando seus passos na direção do amadurecimento ciclópico do mundo. Contudo, o aspecto moral, grande definidor de tudo, depende das disposições morais da humanidade.

Não nos cabe nenhuma tormenta com relação a esses tempos. Cada um de nós deverá assumir a parte que lhe corresponde nesse esforço individual e coletivo para a construção desse mundo melhor que anelamos. Então, trabalhemos com dedicação e verdade, cuidando de realizar o que nos compete, e deixemos tudo o mais nas mãos de Deus, pois só Ele sabe a respeito dos tempos, como o afirmou nosso Mestre Jesus

domingo, 1 de agosto de 2010

Entrevista com Raul Teixeira - Células tronco



Fonte:Revista Espírita-O Consolador


O Consolador: Há muitos debates sobre células-tronco embrionárias. Considerando como são formados os embriões resultantes da fertilização in vitro, é-nos difícil entender que a todos eles estejam ligados Espíritos, visto que, para um mesmo casal, produzem-se diversos embriões, dos quais alguns são implantados e outros mantidos em baixíssima temperatura. Se tudo correr bem na gestação, é comum que os embriões congelados sejam esquecidos e, por conseguinte, jamais utilizados. Em alguns países, como a Inglaterra, a lei estipula um prazo, findo o qual eles são eliminados. Ainda que não se tratando de uma posição do Espiritismo, e sim um argumento pessoal, como você vê essa questão?


Sendo uma pessoa vinculada às ciências, vejo como muito delicada essa questão, tendo em vista muitos posicionamentos extremadamente apaixonados e que nos remetem aos tempos distantes das posições ultramontanas em relação ao progresso científico.


É comum que os religiosos, em geral, evoquem para si o direito de atuar nas suas crenças como bem o desejem ─ ainda que toda a sociedade se depare, incontável número de vezes, com posicionamentos argumentativos e práticas ardilosos, anti-sociais e mesmo criminosos contra o povo ─, sem admitirem qualquer intromissão de cientistas, nenhuma opinião que se oponha aos seus intentos ou que não façam parte dos seus quadros, quase sempre distanciados dos verdadeiros fins dos ensinamentos imortais deixados por Jesus Cristo e por outros Missionários espirituais da humanidade. Contudo, quase sempre os mesmos religiosos arrogam-se o direito de não somente opinar mas de determinar sobre as reflexões e práticas da Ciência, como se fossem detentores da absoluta verdade.


Afora os posicionamentos políticos, laboratoriais, comerciais e demais interesses particulares que se atiram nos caminhos dos cientistas-pesquisadores ─ que costumam estar presentes nessas discussões, fazendo lobbies em favor de empresas ou de grupos, com os quais se deve ter muita cautela pelo cinismo e pelas pressões com que atuam ─, sou de parecer que aos religiosos caberia ressaltar e propagar a realidade espiritual do ser humano, trabalhar na educação moral dos indivíduos, o que lhes possibilitaria tomar as melhores decisões diante do mundo e diante da Espiritualidade, deixando àqueles que assumiram responsabilidades perante a Ciência o labor que lhes cabe, oferecendo, quando solicitados, os seus mais lúcidos pareceres que deverão ser tão lúcidos quão desapaixonados. O que não me parece coerente é que os religiosos desejem governar todos os ângulos de visão da sociedade, como se tivessem o privilégio da verdade sobre os demais pensadores.


Indiscutivelmente, encontraremos abusos que à justiça caberá questionar e corrigir, evocando os preceitos éticos imponentes. O que creio não ser razoável é partirmos do princípio de que, por adotar posições muitas vezes materialistas ou ateístas (em relação aos preceitos e dogmas das religiões institucionais), devam os cientistas ser considerados como não sérios ou como irresponsáveis. Entendo que deveremos respeitar esse grande pugilo de pesquisadores que têm oferecido suas vidas em prol de uma sociedade melhor, permitindo que realizem seus empreendimentos, seus trabalhos, suas pesquisas.


Tenho ouvido do Espírito Camilo que muitos desencarnados, retidos em situações de complexos conflitos e sofrimentos no além, são visitados e indagados quanto ao interesse que tenham de servir de instrumentos ao progresso da Ciência no mundo, apresentando-se para animarem embriões que se prestarão às pesquisas. Findadas as experiências, essas entidades que reencarnariam em delicadas situações de enfermidades físicas, mentais ou sócio-econômicas, ou todas conjugadas, logram obter melhorias significativas nos processos em que estão incursas. São muitas as que aceitam e que são levadas a tais lidas nas esferas do trabalho científico.


É real que nem todos os embriões, tendo-se em vista as fases iniciais em que são tomados, estão ligados a inteligências espirituais, mas outros tantos estão, sim, animados por essas entidades referidas, ou seja, as que se apresentam para servir de “cobaias” nas atividades de pesquisas científicas.


Há, por outro lado, uma questão que se quer calar. Por que há defesas tão extremadas dos possíveis embriões com ligações espirituais, enquanto que não há a mesma paixão pelas crianças já reencarnadas, malnascidas, abandonadas nas ruas ou nos orfanatos? O que deve passar pela mente geral relativamente a tais crianças e os citados embriões? Por que não costumamos ver ninguém solicitar aos laboratórios detentores dos embriões algum deles como filho? Diante das quantidades que são atiradas fora, após os períodos exigidos por lei, é de estranhar que ninguém reclame uns dois ou três para serem cuidados, implantados na condição de filhos, de modo a salvá-los da destruição...
Raul Teixeira,um dos responsáveis ao lado de Divaldo P.Franco pela divulgação da Doutrina Espírita no Brasil e no exterior. 






quarta-feira, 28 de julho de 2010

Livre Arbítrio e Providência


Livre Arbítrio e Providência



Léon Denis


Do livro Depois da Morte


Um dos problemas que mais preocuparam os filósofos e os teólogos é o do livre arbítrio: conciliar a vontade e a liberdade do homem com o fatalismo das leis naturais e com a vontade divina, parecia tanto mais difícil quanto um cego acaso parecia pesar, aos olhos de muitos, sobre o destino humano. O ensinamento dos espíritos esclareceu o problema: a fatalidade aparente que semeia de males o caminho da vida, não é mais que a conseqüência lógica do nosso passado, um efeito que se refere a uma causa, é o cumprimento do destino por nós mesmos aceito antes de renascer, e que nossos guias espirituais nos sugerem para nosso bem e nossa elevação.


Nas camadas inferiores da criação, o ser não tem ainda consciência; apenas a fatalidade do instinto o impele, e não é senão nos tipos superiores da animalidade que surgem, timidamente, os primeiros sintomas das faculdades humanas. A alma, jungida ao ciclo humano, desperta para a liberdade moral, o juízo e a consciência desenvolvem-se cada vez mais no curso de sua imensa parábola: colocada entre o bem e o mal, ela faz o confronto e escolhe livremente, tornada sábia pelas quedas e pela dor; e na prova, sua experiência forma-se e sua força mental se afirma.


A alma humana, livre e consciente, não pode mais recair na vida inferior: suas encarnações sucedem-se na dos mundos, até que, ao fim de seu longo trabalho, tenha conquistado a sabedoria, a ciência e o amor, cuja posse a emancipará para sempre das encarnações e da morte, abrindo-lhe a porta da vida celeste.


A alma alcança seus destinos, prepara suas alegrias ou dores, exercendo sua liberdade, porém, no curso de sua jornada, na prova amarga e na ardente luta das paixões, a ajuda superior não lhe será negada e, se ela mesma não a afasta, por parecer indigna dela, quando a vontade se afirma para retomar o caminho do bem, o bom caminho, a providência intervém e propicia-lhe ajuda e apoio, Providência é o espírito superior, o anjo que vigia na desventura, o Consolador invisível cujas inspirações aquecem o coração enregelado pelo desespero, cujos fluidos vivificadores fortalecem o peregrino cansado; providência é o farol aceso na noite para salvação daqueles que erram no oceano proceloso da existência; providência é, ainda e sobretudo, o amor divino que se derrama sobre suas criaturas. E quanta solicitude, quanta previdência neste amor. Não suspendeu os mundos no espaço, acendeu os sois, formou os continentes, os mares, para servir de teatro à alma, de campo aos seus progressos? Esta grande obra de criação cumpre-se somente para a alma, para ela combinam-se as forças naturais, os mundos deixam as nebulosas.


A alma é nascida para o bem, mas para que ela possa apreciá-lo na justa medida, para que possa conhecer-lhe todo o valor, deve conquistá-lo desenvolvendo livremente as próprias potencialidades: a liberdade de ação e a responsabilidade aumentam com sua elevação, pois quanto mais ela se ilumina mais pode e deve conformar a sua obra pessoal às leis que regem o universo.


A liberdade do ser é exercida, pois, em um círculo limitado, parte pelas exigências da lei natural que não sobre violações ou desordens neste mundo, parte pelo passado do próprio ser, cujas conseqüências se refletem sobre ele através dos tempos, até a completa reparação.


Assim o exercício da liberdade humana não pode obstar, em caso algum, a execução do plano divino, sem o que a ordem das coisas seria continuamente perturbada: acima de nossas vistas limitadas e variáveis, permanece e continua a ordem imutável do universo. Somos quase sempre maus juizes daquilo que é nosso verdadeiro bem; se a ordem natural das coisas devesse dobrar-se aos nossos desejos, que espantosas perturbações não resultariam disto?


A primeira coisa que o homem faria, se possuísse liberdade absoluta, seria afastar de si todas as causas de sofrimento, e assegurar para si uma vida plena de felicidade: ora, se existem males que a inteligência humana tem o dever e os meios de conjurar e destruir, como os que provêm do ambiente terrestre, outros existem que são inerentes à nossa natureza, como os vícios, que somente a dor e a repressão podem domar.


Neste caso a dor torna-se uma escola, ou antes, um remédio indispensável, pelo qual as provas são apenas uma repartição equânime da infalível justiça: é por ignorar os fins desejados por Deus, que nos tornamos rebeldes à ordem do mundo e às suas leis, e se elas são suscetíveis de nossas críticas, é apenas porque ignoramos o seu oculto poder.


O destino é conseqüência de nossos atos e de nossas livres resoluções: no suceder-se das existências, na vida espiritual, mais esclarecidos sobre nossas imperfeições e preocupações com os meios de eliminá-las, aceitamos a vida material sob a forma e nas condições que nos parecem adequadas a atingir esta finalidade. Os fenômenos do hipnotismo e da sugestão mental explicam-nos o que acontece em tais casos, sob a influência de nossos protetores espirituais; no estado de sonambulismo, a alma empenha-se a realizar uma certa ação em certo momento, por sugestão do magnetizador, e, despertada, sem recordar aparentemente a promessa, executa com exatidão o ato imposto. Assim o homem não conserva lembrança das resoluções que tomou antes de renascer, mas, chegada a hora, afronta os acontecimentos previstos, e participa deles na medida necessária ao seu progresso, ou ao cumprimento da lei inexorável.






terça-feira, 20 de julho de 2010

FALTAS

FALTAS


       É possível que o constrangimento do companheiro tenha surgido do gesto impensado de tua parte.
       O gracejo impróprio ou o apontamento inoportuno teria tido o efeito de um golpe.
       Decerto, não alimentaste a intenção de ferir, mas a desarmonia partiu de bagatela, agigantando-se em conflito de grandes proporções.

       De outras vezes, a mente adoece, conturbada.
       Teremos ofendido, realmente.
       A cólera ter-nos-á cegado o discernimento e brandimos o tacape da injúria.
       Pretendemos aconselhar e cortamos o coração de quem ouve.
       Alegando franqueza, envenenamos a língua.
       No pretexto de consolar, ampliamos chagas abertas.
       E começa para logo a distância e a aversão.
*
       Se a consciência te acusa, repara a falta enquanto é cedo.
       Chispa de fogo gera incêndio.
       Leve alfinetada prepara a infecção.
       Humildade é caminho.
       Entendimento é remédio.
       Perdão é profilaxia.
       Muitas vezes, loucura e crime, dispersão e calamidade nascem de pequeninos desajustes acalentados.
       Não hesites rogar desculpas, nem vaciles apagar-te, a favor da concórdia, com aparente desvantagem particular, porquanto, na maioria dos casos de incompreensão, em que nos imaginamos sofrer dores e ser vítimas, os verdadeiros culpados somos nós mesmos.

(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Justiça Divina)


quinta-feira, 8 de julho de 2010

A espiritualidade punitiva



A espiritualidade punitiva

A espiritualidade é a própria manifestação de uma consciência mais ampla, que se dá através de uma conexão simples, direta e, principalmente, natural. Essa conexão acontece pelo canal do coração (sentimento) e da mente (intenção).

Na atualidade, as pessoas buscam uma espiritualidade leve, sem muitas regras ou premissas engessadas e deterministas. Ninguém agüenta mais os termos: pecado, blasfêmia, confissão, castigo, sofrimento, salvação, vida eterna, culpa, extrema unção, etc.

Não estou aqui dizendo que os erros não aconteçam e, principalmente, que a busca de evolução não seja necessário. Ao contrário, escrevo sempre com o objetivo principal de mostrar meios para ajudar as pessoas evoluírem, transformando seus erros em crescimento pessoal. Mas quero lembrar que a espiritualidade punitiva está totalmente fora de moda. Que tremenda injustiça dizer que Deus castiga, vendo toda a grandeza do universo e a Lei do Livre Arbítrio que nos dá tanta liberdade. A lei do karma como exemplo: justa, reta e precisa como um bom relógio suíço.

Certa vez, fui a uma ótima livraria no interior do estado do Rio Grande do Sul. Surpreendi-me pela grande variedade de livros de espiritualidade, auto-ajuda, entre outros que tanto aprecio. Quando estava saindo, vi um pequeno livro que me chamou a atenção por um motivo que na hora eu não conseguia entender.

Então, fui na direção daquele livro, podendo ler perfeitamente o que estava escrito na capa. Surpreendi-me com o título, que por uma questão de respeito não vou revelar. Posso dizer que a mensagem principal do livro era determinar quais coisas as pessoas seguidoras daquela religião (tão cheia de adeptos aqui no Brasil) não deveriam fazer, impondo de forma determinista.

Eu fiquei estarrecido, pensei: como pode? Determinar impositivamente não faça isso, não faça aquilo, etc. O pior é que os argumentos eram baseados em citações da Bíblia, que foram interpretados de maneira tão distorcida, que cheguei a repudiar aquele livro. Mas pensei: não vou parar de ler, vou mais adiante, acreditando que iria ficar mais interessante.

Foi, então, que insisti em procurar sobre dicas que pudessem estimular os leitores a analisar todas as coisas de maneira mais amorosa. Na verdade, eu queria encontrar naquele livro coisas que não encontrei. Eu não podia acreditar que alguém fizesse uma obra daquelas - sinceramente fiquei triste.

Até respeito o fato de que a idéia do livro fosse alertar o seu leitor sobre os perigos de algumas práticas que não fossem condizentes a tal religião, mas daí até determinar com tanta arrogância o que cada ser deveria fazer... O que eu gostaria de ter visto naquele livro, na verdade, é que seu alerta fosse dado, mas que recomendasse seu leitor a meditar sobre cada ato, a questionar de coração e a ouvir a voz da intuição. Mas, pelo visto, neste tipo de espiritualidade punitiva, a intuição não tem vez.

Por isso pergunto: Que caminhos espirituais são esses que não deixam as pessoas se guiarem pelos seus lemes interiores, que são seus corações e intuições?  Que espiritualidade é essa que não respeita o livre arbítrio de cada pessoa e que usa o determinismo como forma de controle?

Vejo com bons olhos as religiões que transferem para cada próprio ser as responsabilidades de crescer, evoluir, ser feliz ou ser triste, alertado sobre as inferioridades e atitudes negativas, no entanto permitindo tomar suas decisões. Por esse motivo é que estamos vendo um movimento anti-religião que assusta aos interessados em mantê-las, e por que será?

As igrejas mais tradicionais do ocidente estão experimentando uma evasão de fiéis muito grandes. Isso tudo acontecendo porque as pessoas estão como nunca sentindo que essa liberdade de expressão conquistada é muito positiva no que se refere à espiritualidade, e isso é ótimo se a pessoa quiser evoluir e buscar Deus com leveza.

Não estou tripudiando as religiões, tampouco as ridicularizando. Estou alertando para a necessidade de buscarmos a espiritualidade, sim, a todo  tempo e intensamente. No entanto, sempre estimulando que essa busca aconteça de forma livre, universalista, leve e natural.

Imagem:Foto surrealista de Rob Gonsalves

sexta-feira, 2 de julho de 2010

AS MESAS GIRANTES














AS MESAS GIRANTES






Curso de Introdução ao Espiritismo ( Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec )



A história das irmãs Fox se divulgou rapidamente, e de todas as partes tiveram lugar manifestações do que se chamava então de telegrafia espiritual. Cansou-se logo desse procedimento tão incômodo, e os próprios batedores indicaram um novo modo de comunicação. Era necessário simplesmente se reunir ao redor de uma mesa, colocar as mãos em cima, e em se erguendo, enquanto se recitava o alfabeto, a mesa bateria um golpe a cada uma das letras que o Espírito queria dar. Esse procedimento, se bem que muito lento, produzia excelentes resultados, e se tinha, assim, as mesas girantes e falantes.

É preciso dizer que a mesa não se limitava a se elevar sobre um pé para responder às questões que se lhe colocavam; ela se agitava em todos os sentidos, girava sob os dedos dos experimentadores, algumas vezes se elevava no ar, sem que se pudesse ver a força que a mantinha assim suspensa. De outras vezes as respostas eram dadas por meio de pequenos golpes, que se ouviam no interior da madeira. Esses fatos estranhos chamaram a atenção geral e logo a moda das mesas girantes invadiu a América inteira.

A mesa ensinou um novo procedimento mais rápido. Sob suas indicações, se adaptou a uma prancheta triangular três pés munidos de rodinhas, e a um deles, se prendeu um lápis, colocou-se o aparelho sobre uma folha de papel, e o médium colocava as mãos sobre o centro dessa pequena mesa. Via-se então o lápis traçar letras, depois frases, e logo essa prancheta escrevia com rapidez e dava mensagens. Mais tarde ainda, se percebeu que a prancheta era de fato inútil, e que seria suficiente ao médium colocar sua mão com um lápis sobre o papel, e o Espírito a fazia agir automaticamente.

Ao lado das pessoas frívolas, que passavam seu tempo interrogando os Espíritos sobre seus problemas amorosos, ou sobre um objeto perdido, espíritos sérios, sábios, pensadores, atraídos pelo ruído que se fazia em torno desses fenômenos, resolveram estudá-los cientificamente, para colocar seus concidadãos em guarda contra aquilo que chamavam de uma folia contagiosa. Em 1856, o juiz Edmonds, jurisconsulto eminente que gozava de uma autoridade incontestável no Mundo Novo, publicou uma obra sobre as pesquisas que havia empreendido com a idéia de demonstrar a falsidade dos fenômenos espíritas; o resultado final foi diametralmente oposto e o juiz Edmonds reconheceu a realidade dessas surpreendentes manifestações. O professor Mapes que ensinava Química na Academia Nacional dos Estados Unidos, se entregou a uma investigação rigorosa que terminou, como a precedente, em uma constatação arrazoada, segundo a qual os fenômenos eram devidos à intervenção dos Espíritos. Mas o que produziu maior efeito, foi à conversão às novas idéias do célebre Robert Hare, professor da Universidade da Pensilvânia, que experimentou cientificamente o movimento das mesas e consignou suas pesquisas, em 1856, em um volume intitulado: Investigações experimentais da manifestação Espírita.

Desde então, a batalha entre os incrédulos e os crentes se engajou a fundo. Escreventes, sábios, oradores, homens da igreja, se lançaram na refrega, e para dar uma idéia do desenvolvimento tomado pela polêmica, é suficiente recordar que já em 1854, uma petição assinada por 15000 nomes de cidadãos, tinha sido apresentada ao Congresso sediado em Washington rogando nomear uma comissão encarregada de estudar o “moderno espiritualismo” (este o nome dado na América ao Espiritismo). Essa demanda foi repelida pela assembléia, mas o impulso tinha sido dado e viu-se surgir sociedades que fundaram jornais onde se continua a guerra contra os incrédulos. Em 1852, teve lugar em Cleveland o 1º Congresso “Espírita” (a palavra ainda não tinha sido inventada). Os Espíritas americanos enviaram à comitiva do Congresso médiuns da velha Europa. Tinham feito girar as mesas na França desde 1853. Em todas as classes da sociedade não se falava senão dessa novidade; Não se abordava quase nada sem a pergunta sacramental: “Bem! Você faz girar as mesas?” Depois, como tudo que é da moda, após um momento de graça, as mesas cessaram de ocupar a atenção, que se transferiu para outros assuntos. Essa mania de fazer girar as mesas teve todavia um resultado importante, que foi o de fazer as pessoas refletirem muito sobre a possibilidade das relações entre mortos e vivos.

Em 1854, se contava então mais de 3.000.000 de adeptos na América e uma dezena de milhares de médiuns. Os adeptos se tornaram igualmente numerosos na França, mas faltava uma explicação verdadeira, teórica e prática, do estranho fenômeno. É nesse momento que Allan Kardec que se interessava havia trinta anos pelos fenômenos ditos do magnetismo animal, do hipnotismo e do sonambulismo, e que não via nos novos fenômenos senão um ‘conto para dormir em pé’ assistiu a várias sessões espíritas, a fim de estudar de perto o fundamento dessas aparições. Longe de ser um entusiasta dessas manifestações, e absorvido por suas outras ocupações, estava a ponto de os abandonar quando lhe remeteram cinqüenta cadernos de comunicações diversas recebidas durante cinco anos e lhe pediram que as sintetizasse : assim nasceu o Livro dos Espíritos.André Moreil escreveu que, estudando pelo método positivista e codificando o Espiritismo, « Allan Kardec o salvou do perigo de ser uma simples fantasia, um divertimento de salão. »

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