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terça-feira, 20 de julho de 2010

FALTAS

FALTAS


       É possível que o constrangimento do companheiro tenha surgido do gesto impensado de tua parte.
       O gracejo impróprio ou o apontamento inoportuno teria tido o efeito de um golpe.
       Decerto, não alimentaste a intenção de ferir, mas a desarmonia partiu de bagatela, agigantando-se em conflito de grandes proporções.

       De outras vezes, a mente adoece, conturbada.
       Teremos ofendido, realmente.
       A cólera ter-nos-á cegado o discernimento e brandimos o tacape da injúria.
       Pretendemos aconselhar e cortamos o coração de quem ouve.
       Alegando franqueza, envenenamos a língua.
       No pretexto de consolar, ampliamos chagas abertas.
       E começa para logo a distância e a aversão.
*
       Se a consciência te acusa, repara a falta enquanto é cedo.
       Chispa de fogo gera incêndio.
       Leve alfinetada prepara a infecção.
       Humildade é caminho.
       Entendimento é remédio.
       Perdão é profilaxia.
       Muitas vezes, loucura e crime, dispersão e calamidade nascem de pequeninos desajustes acalentados.
       Não hesites rogar desculpas, nem vaciles apagar-te, a favor da concórdia, com aparente desvantagem particular, porquanto, na maioria dos casos de incompreensão, em que nos imaginamos sofrer dores e ser vítimas, os verdadeiros culpados somos nós mesmos.

(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Justiça Divina)


quinta-feira, 8 de julho de 2010

A espiritualidade punitiva



A espiritualidade punitiva

A espiritualidade é a própria manifestação de uma consciência mais ampla, que se dá através de uma conexão simples, direta e, principalmente, natural. Essa conexão acontece pelo canal do coração (sentimento) e da mente (intenção).

Na atualidade, as pessoas buscam uma espiritualidade leve, sem muitas regras ou premissas engessadas e deterministas. Ninguém agüenta mais os termos: pecado, blasfêmia, confissão, castigo, sofrimento, salvação, vida eterna, culpa, extrema unção, etc.

Não estou aqui dizendo que os erros não aconteçam e, principalmente, que a busca de evolução não seja necessário. Ao contrário, escrevo sempre com o objetivo principal de mostrar meios para ajudar as pessoas evoluírem, transformando seus erros em crescimento pessoal. Mas quero lembrar que a espiritualidade punitiva está totalmente fora de moda. Que tremenda injustiça dizer que Deus castiga, vendo toda a grandeza do universo e a Lei do Livre Arbítrio que nos dá tanta liberdade. A lei do karma como exemplo: justa, reta e precisa como um bom relógio suíço.

Certa vez, fui a uma ótima livraria no interior do estado do Rio Grande do Sul. Surpreendi-me pela grande variedade de livros de espiritualidade, auto-ajuda, entre outros que tanto aprecio. Quando estava saindo, vi um pequeno livro que me chamou a atenção por um motivo que na hora eu não conseguia entender.

Então, fui na direção daquele livro, podendo ler perfeitamente o que estava escrito na capa. Surpreendi-me com o título, que por uma questão de respeito não vou revelar. Posso dizer que a mensagem principal do livro era determinar quais coisas as pessoas seguidoras daquela religião (tão cheia de adeptos aqui no Brasil) não deveriam fazer, impondo de forma determinista.

Eu fiquei estarrecido, pensei: como pode? Determinar impositivamente não faça isso, não faça aquilo, etc. O pior é que os argumentos eram baseados em citações da Bíblia, que foram interpretados de maneira tão distorcida, que cheguei a repudiar aquele livro. Mas pensei: não vou parar de ler, vou mais adiante, acreditando que iria ficar mais interessante.

Foi, então, que insisti em procurar sobre dicas que pudessem estimular os leitores a analisar todas as coisas de maneira mais amorosa. Na verdade, eu queria encontrar naquele livro coisas que não encontrei. Eu não podia acreditar que alguém fizesse uma obra daquelas - sinceramente fiquei triste.

Até respeito o fato de que a idéia do livro fosse alertar o seu leitor sobre os perigos de algumas práticas que não fossem condizentes a tal religião, mas daí até determinar com tanta arrogância o que cada ser deveria fazer... O que eu gostaria de ter visto naquele livro, na verdade, é que seu alerta fosse dado, mas que recomendasse seu leitor a meditar sobre cada ato, a questionar de coração e a ouvir a voz da intuição. Mas, pelo visto, neste tipo de espiritualidade punitiva, a intuição não tem vez.

Por isso pergunto: Que caminhos espirituais são esses que não deixam as pessoas se guiarem pelos seus lemes interiores, que são seus corações e intuições?  Que espiritualidade é essa que não respeita o livre arbítrio de cada pessoa e que usa o determinismo como forma de controle?

Vejo com bons olhos as religiões que transferem para cada próprio ser as responsabilidades de crescer, evoluir, ser feliz ou ser triste, alertado sobre as inferioridades e atitudes negativas, no entanto permitindo tomar suas decisões. Por esse motivo é que estamos vendo um movimento anti-religião que assusta aos interessados em mantê-las, e por que será?

As igrejas mais tradicionais do ocidente estão experimentando uma evasão de fiéis muito grandes. Isso tudo acontecendo porque as pessoas estão como nunca sentindo que essa liberdade de expressão conquistada é muito positiva no que se refere à espiritualidade, e isso é ótimo se a pessoa quiser evoluir e buscar Deus com leveza.

Não estou tripudiando as religiões, tampouco as ridicularizando. Estou alertando para a necessidade de buscarmos a espiritualidade, sim, a todo  tempo e intensamente. No entanto, sempre estimulando que essa busca aconteça de forma livre, universalista, leve e natural.

Imagem:Foto surrealista de Rob Gonsalves

sexta-feira, 2 de julho de 2010

AS MESAS GIRANTES














AS MESAS GIRANTES






Curso de Introdução ao Espiritismo ( Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec )



A história das irmãs Fox se divulgou rapidamente, e de todas as partes tiveram lugar manifestações do que se chamava então de telegrafia espiritual. Cansou-se logo desse procedimento tão incômodo, e os próprios batedores indicaram um novo modo de comunicação. Era necessário simplesmente se reunir ao redor de uma mesa, colocar as mãos em cima, e em se erguendo, enquanto se recitava o alfabeto, a mesa bateria um golpe a cada uma das letras que o Espírito queria dar. Esse procedimento, se bem que muito lento, produzia excelentes resultados, e se tinha, assim, as mesas girantes e falantes.

É preciso dizer que a mesa não se limitava a se elevar sobre um pé para responder às questões que se lhe colocavam; ela se agitava em todos os sentidos, girava sob os dedos dos experimentadores, algumas vezes se elevava no ar, sem que se pudesse ver a força que a mantinha assim suspensa. De outras vezes as respostas eram dadas por meio de pequenos golpes, que se ouviam no interior da madeira. Esses fatos estranhos chamaram a atenção geral e logo a moda das mesas girantes invadiu a América inteira.

A mesa ensinou um novo procedimento mais rápido. Sob suas indicações, se adaptou a uma prancheta triangular três pés munidos de rodinhas, e a um deles, se prendeu um lápis, colocou-se o aparelho sobre uma folha de papel, e o médium colocava as mãos sobre o centro dessa pequena mesa. Via-se então o lápis traçar letras, depois frases, e logo essa prancheta escrevia com rapidez e dava mensagens. Mais tarde ainda, se percebeu que a prancheta era de fato inútil, e que seria suficiente ao médium colocar sua mão com um lápis sobre o papel, e o Espírito a fazia agir automaticamente.

Ao lado das pessoas frívolas, que passavam seu tempo interrogando os Espíritos sobre seus problemas amorosos, ou sobre um objeto perdido, espíritos sérios, sábios, pensadores, atraídos pelo ruído que se fazia em torno desses fenômenos, resolveram estudá-los cientificamente, para colocar seus concidadãos em guarda contra aquilo que chamavam de uma folia contagiosa. Em 1856, o juiz Edmonds, jurisconsulto eminente que gozava de uma autoridade incontestável no Mundo Novo, publicou uma obra sobre as pesquisas que havia empreendido com a idéia de demonstrar a falsidade dos fenômenos espíritas; o resultado final foi diametralmente oposto e o juiz Edmonds reconheceu a realidade dessas surpreendentes manifestações. O professor Mapes que ensinava Química na Academia Nacional dos Estados Unidos, se entregou a uma investigação rigorosa que terminou, como a precedente, em uma constatação arrazoada, segundo a qual os fenômenos eram devidos à intervenção dos Espíritos. Mas o que produziu maior efeito, foi à conversão às novas idéias do célebre Robert Hare, professor da Universidade da Pensilvânia, que experimentou cientificamente o movimento das mesas e consignou suas pesquisas, em 1856, em um volume intitulado: Investigações experimentais da manifestação Espírita.

Desde então, a batalha entre os incrédulos e os crentes se engajou a fundo. Escreventes, sábios, oradores, homens da igreja, se lançaram na refrega, e para dar uma idéia do desenvolvimento tomado pela polêmica, é suficiente recordar que já em 1854, uma petição assinada por 15000 nomes de cidadãos, tinha sido apresentada ao Congresso sediado em Washington rogando nomear uma comissão encarregada de estudar o “moderno espiritualismo” (este o nome dado na América ao Espiritismo). Essa demanda foi repelida pela assembléia, mas o impulso tinha sido dado e viu-se surgir sociedades que fundaram jornais onde se continua a guerra contra os incrédulos. Em 1852, teve lugar em Cleveland o 1º Congresso “Espírita” (a palavra ainda não tinha sido inventada). Os Espíritas americanos enviaram à comitiva do Congresso médiuns da velha Europa. Tinham feito girar as mesas na França desde 1853. Em todas as classes da sociedade não se falava senão dessa novidade; Não se abordava quase nada sem a pergunta sacramental: “Bem! Você faz girar as mesas?” Depois, como tudo que é da moda, após um momento de graça, as mesas cessaram de ocupar a atenção, que se transferiu para outros assuntos. Essa mania de fazer girar as mesas teve todavia um resultado importante, que foi o de fazer as pessoas refletirem muito sobre a possibilidade das relações entre mortos e vivos.

Em 1854, se contava então mais de 3.000.000 de adeptos na América e uma dezena de milhares de médiuns. Os adeptos se tornaram igualmente numerosos na França, mas faltava uma explicação verdadeira, teórica e prática, do estranho fenômeno. É nesse momento que Allan Kardec que se interessava havia trinta anos pelos fenômenos ditos do magnetismo animal, do hipnotismo e do sonambulismo, e que não via nos novos fenômenos senão um ‘conto para dormir em pé’ assistiu a várias sessões espíritas, a fim de estudar de perto o fundamento dessas aparições. Longe de ser um entusiasta dessas manifestações, e absorvido por suas outras ocupações, estava a ponto de os abandonar quando lhe remeteram cinqüenta cadernos de comunicações diversas recebidas durante cinco anos e lhe pediram que as sintetizasse : assim nasceu o Livro dos Espíritos.André Moreil escreveu que, estudando pelo método positivista e codificando o Espiritismo, « Allan Kardec o salvou do perigo de ser uma simples fantasia, um divertimento de salão. »

domingo, 27 de junho de 2010

A Bíblia e o Espírita

A Bíblia e o espírita
Esse Capelli



Os idólatras da Bíblia se comportam como gladiadores, manuseando-a como espada flamejante contra os que não se arrimam nela, tendo por alvo predileto os espíritas. Entendemos que os seguidores da Doutrina Espírita não devem temer a Bíblia, nem as ameaças das penas que dela efluem, dardejadas pelos biblidólatras.
Carlos Imbassahy, o saudoso e combativo defensor da Doutrina, ao ser questionado sobre qual seria a Bíblia dos espíritas, respondeu sem titubear: "nenhuma". Aquela, resposta se coaduna com o pensamento espírita, uma vez que não é aquele livro a baliza para o comportamento dos seguidores de Kardec.
No seu conteúdo, a Bíblia guarda coisas boas e más, contém contradições e absurdos científicos de tal monta que não pode ser levada a sério e, muito menos causar temor aos espíritas. Como exemplo dos disparates, basta comparar o que diz o versículo 18 do Capítulo I, de João, onde está escrito: "ninguém jamais viu a Deus, o Deus unigênito que está no seio do Pai, é que o revelou".
Pois bem, aí está dito que ninguém viu a Deus; agora, leiamos o que está em Êxodo, XXXIII, versículo 11: "falava o Senhor a Moisés, face a face...".
Vê ou não vê, fala ou não fala, face a face? De qualquer modo, mostra uma das milhares de contradições do livro, que pode ser bom, mas não é a palavra de Deus e não pode servir para condenar ninguém.
Além da arca de Noé, com trezentos côvados de comprimento, por trinta de largura e quinze de altura que dá um volume aproximado de cento e trinta mil metros cúbicos, para comportar sete casais dos animais puros, dois casais dos impuros, de todos os que existiam, bem como alimento para quarenta dias e noites, da Torre de Babel, que embora indo aos Céus não deixou vestígios, da parada do sol e da lua, como absurdos científicos, temos, ainda, o conciliábulo de Deus com um espírito mentiroso, para espalhar mentiras pelo mundo e que está em I, Reis, Capítulo XXII, versículos 19 a 23, onde, entre outras besteiras, lemos: " Micaias prosseguiu: Ouve, pois, a palavra do Senhor: vi o Senhor assentado no seu trono (e veja que Deus nunca foi visto), e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua direita e à sua esquerda. Perguntou o Senhor: quem enganará a Acabe, para que suba e caia em Ramote - Gileade? Então saiu um espírito e se apresentou diante do Senhor e disse: Eu o enganarei. Perguntou-lhe o Senhor: com o quê? Respondeu ele: sairei e serei espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Disse o Senhor: tu o enganaras; e ainda prevalecerás; sai e faze-o assim. Eis que o Senhor pôs o espírito mentiroso na boca de todos estes teus profetas, e o Senhor falou o que é mau contra ti".
Crendo, como cremos, que Deus é sabedoria e bondade infinitas, não poderíamos admitir que Ele se mancomunasse com espíritos mentirosos, para espalhar mentiras e fazer o mal.
Por estas e outras, tenho a Bíblia como um livro humano, com virtudes e defeitos, não a tomando como norma de comportamento. Por isso, não devem causar temores, as ameaças de penas eternas brandidas pelos seus idólatras.
Preferimos continuar crendo num Deus de Justiça, que não mente, não faz guerra e não condena seus filhos à perdição eterna.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Período de cidadania


PERÍODO DE CIDADANIA

Período da Cidadania
Fernando Clímaco Santiago Maciel


Foi em meio a um período de tenazes perseguições que o professor Rivail – Allan Kardec – organizou um estudo sobre a marcha do Espiritismo no mundo. O ano era o de 1863, quando ele publica na Revista Espírita a sua extraordinária visão de futuro a respeito da evolução do pensamento espírita e de sua influência na sociedade humana.

Kardec era, sem dúvida, um entusiasta da idéia espírita. Talvez por sua percepção quanto ao potencial de interferência da Doutrina na estrutura social. Não era a visão de um apaixonado, mas a noção quase matemática de que a medida que o homem conhece sua verdadeira natureza, compreendendo que todos temos a mesma origem e destinação, ocorre toda uma revalorização de sua estrutura moral e ética. Como disse Kardec, um verdadeiro golpe no egoísmo, visto pelos Espíritos superiores como o vício radical, que está na base de todas as quedas morais.

Este era o caminho. A Doutrina Espírita para alcançar os seus objetivos, precisaria interferir na sociedade. Contribuir para a construção de uma estrutura renovada, baseada, de forma concreta, nos princípios da liberdade, igualdade e fraternidade. A meta não era a fundação de uma nova religião, mas apresentar ao homem um conhecimento novo, com sólidas bases racionais, para servir de lastro à transformação social tão sonhada.

O Codificador percebia o quanto este conhecimento poderia interferir nas instituições sociais e muitas vezes referiu-se a estas transformações, que ele esperava ocorresse em alguns anos. Foi, certamente, num destes momentos de profunda reflexão sobre o futuro do Espiritismo e diante dos muitos ataques que a Doutrina e seus seguidores vinham sofrendo, que Kardec elaborou este estudo sobre as diversas fases do pensamento espírita no mundo. Sintetiza esta evolução em seis fases ou períodos:

Período da Curiosidade

Período Filosófico

Período da Luta

Período Religioso

Período Intermediário

Período da Renovação Social

O foco do Período da Curiosidade, segundo Kardec, foram as mesas girantes, ou seja, os fenômenos mediúnicos. O interesse gerado pelo fenômeno, estimulou a pesquisa e a observação, fazendo surgir os primeiros estudos. O professor Rivail foi um dos homens que pesquisou o fenômeno na Europa, organizando sua pesquisa através de um método com bases científicas.

Em 1857, Kardec publica O Livro dos Espíritos, o marco inicial do Período Filosófico. O foco passa a ser a filosofia, o conhecimento revelado pelo mundo espiritual e deduzido pela observação humana. A partir daí “o Espiritismo tomou um caráter diferente” , afirma o próprio codificador; “foram entrevistos o objetivo e a importância, nele se hauriu a fé e a consolação, e a rapidez de seus progressos foi tal que nenhuma outra doutrina, filosófica ou religiosa, ofereceu igual exemplo”.

É exatamente a força da idéia espírita, que faz surgir os principais adversários do Espiritismo. Como Kardec gostava sempre de destacar, quanto maior a idéia, mais obstinados serão seus adversários. “(...) toda grande idéia não pode se estabelecer sem ferir interesses; é necessário que ela tome lugar, e as pessoas deslocadas não podem vê-la com bom olhar” . À medida que a idéia cresceu em propagação, diversos interesses viram-se gravemente “ameaçados” e, utilizando a expressão do próprio Kardec, “uma verdadeira cruzada foi dirigida contra ele”, começando o Período da Luta, cujo marco inicial foi o famoso auto-de-fé de Barcelona, de 9 de outubro de 1860.

Importante destacar o caráter destes ataques ao Espiritismo e seus seguidores, pois, a princípio, o Espiritismo tinha sido alvo da ironia e dos sarcasmos dos incrédulos que zombam das coisas que não compreendem, no entanto, a partir dali, afirma Kardec que “os ataques tomaram um caráter de violência estranha”; vieram os sermões coléricos, os anátemas e excomunhões, perseguições individuais e publicações não poucas vezes caluniosas. Muitas vezes os espíritas viram-se atacados em sua honra e na de seus familiares e foram surpreendidos por manobras envolvendo o nome da Doutrina, buscando relaciona-la à loucura, a poderes demoníacos e outras peripécias.

Kardec vivia este período de luta quando escreveu este estudo, publicado na Revista Espírita de dezembro de 1863. Certamente por isso, deteve-se mais nos comentários desta fase, inclusive acrescentando duas comunicações do espírito Erasto “A Guerra Surda” e “Os Conflitos”, nas quais os Espíritos advertem quanto ao momento difícil. Não obstante a importância deste estudo, – até porque a luta não terminou – nosso objetivo neste artigo é mais geral, não nos permitindo estender muito as considerações sobre ele.

Até aqui, Kardec comentava períodos que ele próprio vivera ou estava vivendo. A partir deste ponto seus comentários passam a ser feitos a partir de sua visão de futuro e, possivelmente por isso, não se estendeu muito sobre as características dos demais períodos, dedicando apenas um parágrafo para comentar os três subseqüentes:

“A luta determinará uma nova fase do Espiritismo e conduzirá ao quarto período, que será o período religioso; depois virá o quinto, período intermediário, conseqüência natural do precedente, e que receberá mais tarde sua denominação característica. O sexto e último período será o da renovação social, que abrirá a era do século vinte. Nessa época, todos os obstáculos à nova ordem de coisas queridas por Deus, para a transformação da Terra, terão desaparecido; a geração que se levanta, imbuída de idéias novas será toda sua força, e preparará o caminho daquela que inaugurará o triunfo definitivo da união, da paz e da fraternidade entre os homens, confundidos numa mesma crença pela prática da lei evangélica.” (KARDEC, 1863)

É notável a seqüência definida por Kardec, principalmente por sua capacidade de antevisão. Basta um lançar de vistas para a história do Movimento Espírita mundial e especialmente o Brasileiro (o maior país espírita do mundo), para identificarmos o surgimento do período religioso que ele previu. É uma pena que ele tenha escrito tão pouco sobre sua visão acerca deste momento, para compararmos com a realidade histórica e suas características.

É interessante, contudo, verificarmos que Kardec afirma que o período de lutas conduziria ao período religioso. Mas como isso se daria? Que tipos de conseqüências teria esta luta que desaguaria num Espiritismo religioso? Estas questões são muito importantes para compreendermos melhor esta fase e sua gênese.

É difícil alcançar exatamente o que Kardec queria dizer com isso, todavia, podemos fazer alguns raciocínios que não fujam da lógica e do bom senso, como era tão ao gosto do codificador e, com o auxílio dele mesmo, através de escritos complementares.

Chamo atenção, a princípio, dos seguintes trechos, ainda sobre o período de luta:

“Espíritas, sede-o, pois, sem inquietação, porque o resultado não é duvidoso; a luta é necessária, e o seu triunfo não será senão mais brilhante. No entanto, a luta será viva, e se, no conflito, houver algumas vítimas de sua fé, que elas disso se alegrem, como o fizeram os primeiros mártires cristãos, dos quais vários estão dentre vós para vos encorajar e vos dar o exemplo; que elas se lembrem destas palavras do Cristo: “Bem aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus (...) estremecei de alegria, porque uma grande recompensa vos está reservada nos céus; porque foi assim que perseguiram os profetas que vieram antes de vós.” (Mt. VI, 10,11, 12) (KARDEC, 1863)

“O Espiritismo, até o presente, não achou senão um caminho fácil e quase florido, porque as injúrias e zombarias que vos foram dirigidas não tiveram nenhuma importância séria e mantiveram-se sem efeito, ao passo que doravante os ataques que forem dirigidos contra vós terão um caráter diferente: eis a chegar a hora em que Deus vai apelar a todos os devotamentos, em que vai julgar seus servidores fiéis para dar a cada um a parte que terá merecido. Não sereis martirizados corporalmente, como nos primeiros tempos da igreja, nem se levantarão fogueiras homicidas, como na idade média, mas vos torturarão moralmente; (...) se explorarão todas as fraquezas.” (ERASTO, 1863, A Guerra Surda)

Parece que podemos inferir destes trechos, que durante o período da luta foi bastante estimulado nos espíritas este sentimento eminentemente religioso. As comparações com os primeiros cristãos, o chamamento à resistência moral e as promessas de compensações, evocam habilmente um sentido novo para os agrupamentos espíritas, que precisariam agora fortalecer-se moralmente, estando cada vez mais unidos, para resistir aos ataques da calúnia e da vaidade.

As palavras de ordem passaram a ter profundo sentido moral-religioso, diferentemente do que ocorria nos períodos anteriores nos quais, parece, que buscava-se muito mais o pesquisador sério, o estudioso sincero, sem necessariamente passar pelo sentimento de um quase apóstolo. Coragem, perseverança, humildade, união, abnegação e devotamento eram os chamamentos da hora. O Espírito Erasto, na comunicação “A Guerra Surda”, chega a conclamar: “Coragem, pois, e perseverança, meus filhos! (...) o triunfo, e não mais o holocausto sangrento, se irradiará do Gólgota espírita.” Era o convite emocionado ao sacrifício da fidelidade, desafiando os espíritas de então, a uma dedicação a que ainda não tinham sido requisitados em nome da idéia nova.

Ao encontro deste sentimento, um outro fator veio somar-se para a consolidação do período religioso, que foi a publicação de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (abril de 1864), ocorrida apenas três meses depois deste estudo realizado por Kardec.

Assim, à medida que o Espiritismo foi sendo conhecido por um maior número de pessoas que precisavam fortalecer-se na sua fé para prosseguir afirmando-se espíritas, e que o aspecto da vivência cristã foi colocado em foco, o Espiritismo, pouco a pouco, vai ganhando uma tonalidade diferente, a de nova crença, de nova religião e não apenas de ciência nova, de conhecimento novo.

É possível verificarmos esta realidade, quando vemos Kardec admitindo nos períodos iniciais as expressões espíritas-católicos e espíritas-protestantes, como perfeitamente cabíveis para expressar a condição de pessoas que eram estudiosas da Doutrina Espírita e continuavam freqüentando suas igrejas, ou mesmo situações onde, por exemplo, uma jovem lhe escreve agradecida por a Doutrina Espírita ter lhe ajudado a resgatar a fé que havia perdido em Deus e na religião após um grande sofrimento, e que após o estudo de “O Livro dos Espíritos”, voltara a freqüentar a sua igreja porque agora não duvidava mais.

Portanto, só após este período de intensas lutas e de combate ao Espiritismo é que parece ter surgido este sentimento de comunidade com o seguidor passando a declarar-se Espírita, quando se inquire sobre sua religião. Antes tínhamos católicos que se declaravam espíritas, protestantes que se diziam espíritas e pessoas sem religião que também eram espíritas. O Espiritismo permitia toda essa abrangência porque era eminentemente conhecimento. Nesse novo momento, todos aqueles (ou quase todos) passaram a ser da religião espírita. Embora o grupo tenha se fortalecido moralmente diante da luta e das dificuldades, reduziu-se a abrangência e o Espiritismo isolou-se, criando uma redoma em torno de si mesmo. Com uma linguagem toda particular e fechada como uma nova religião, o Espiritismo foi ficando, de certa forma, à margem da sociedade e sob fortíssimos preconceitos dos quais, em quase 150 anos não conseguimos nos livrar. Passou-se a acreditar que transformando cada espírita em uma pessoa que não faz o mal e que está ligada a alguma atividade assistencialista, transformaríamos a sociedade.

A realidade tem sido, no entanto, implacável. Kardec sonhava com o período da renovação social abrindo a era do século vinte. “Nessa época, todos os obstáculos à nova ordem de coisas queridas por Deus” teriam desaparecido. O século vinte expirou e parece que os obstáculos se multiplicaram. Teria errado o codificador? Talvez apenas o otimismo o tenha levado a antecipar demais os efeitos do pensamento espírita na sociedade, o que em nada diminui a sua lucidez quanto ao futuro do Espiritismo. O período religioso prolongou-se por todo século vinte, principalmente com o Movimento Espírita Brasileiro, excessivamente místico e absolutamente fechado para o intercâmbio com outros setores da sociedade.

Diante disso, a visão de Kardec parece cada vez mais clara, mais lógica, com um sentido histórico cada vez mais concreto. Diferente do que nos acostumamos a ouvir, a condição de um Espiritismo religioso não seria o ápice da evolução do pensamento espírita. Ele foi capaz de prever a necessidade do período religioso e percebeu que não seria nessa fase que o Espiritismo atingiria a condição de interferir significativamente na estrutura da sociedade, no sentido da ética, da justiça e da fraternidade. O período religioso daria lugar, segundo Kardec, a um quinto período que seria um período de transição entre este e o período de renovação social, caracterizado pela vivência da justiça e pela conquista da paz.

Mas que período intermediário é este? Foi o único que Kardec não nomeou, deixando para mais tarde dar-lhe uma denominação característica. Que elemento novo ele deveria trazer? O período filosófico legou-nos o conhecimento; do período de luta veio a experiência para a convivência com as diferenças e do período religioso, herdamos uma profundo sentimento ético inspirado nos ensinamentos de Jesus. Este quinto período deverá ser caracterizado por algo que consiga interligar todos estes elementos numa ação concreta dos homens a serviço do próprio homem.

Só o homem renovado poderá renovar a sociedade. Só homens justos organizarão uma sociedade justa. Só um homem ético constituirá uma sociedade ética e só um homem com profundo sentimento de espiritualidade, será capaz de sensibilizar-se diante da carência ou da dor alheia. Tudo isso parece muito claro, no entanto também é verdadeiro que só um homem realmente cidadão compromete-se com as ações de mudança.

Poderemos ter o sentimento de justiça e a percepção ética; poderemos até nos sensibilizar diante da dor e do sofrimento mas muitas vezes nada fazemos para promover as mudanças que sonhamos. Só a cidadania atua, participa, interfere nas estruturas sociais, organizando-se e fazendo-se ouvir. Não alcançaremos a renovação social só através de oração. Imagine se Gandhi tivesse ficado orando em casa para que a Inglaterra libertasse a Índia! Se Luther King ficasse apenas orando para vencer o preconceito e combater a violência contra os negros americanos! Um homem de bons sentimentos pode ser omisso com relação às necessidades de mudança e não se compromete. Um homem de bons sentimentos e cidadão, jamais se omite e comprometer-se é o sentido de sua vida!

Isto é verdadeiro também para os movimentos humanos. Só um movimento cidadão compromete-se com a mudança. Só um Espiritismo cidadão se comprometerá com a renovação social. E um Espiritismo cidadão precisa de um intenso intercâmbio com a sociedade e todos os seus setores. Sem isso, por favor, respondam:

Como poderemos esperar que o pensamento espírita interfira no Direito, contribuindo para códigos mais justos, que valorizem a vida e o ser humano?

Como contribuir com uma filosofia espírita da educação na prática educacional vigente na sociedade?

Como somar para uma visão mais ampla sobre a saúde, que englobe a visão de um homem integral?

Como colaborar com iniciativas que minimizem o problema dos milhões de seres humanos que vivem abaixo da linha de pobreza, em plena miséria?

Como oferecer possibilidades para minimizar o problema da violência?

Só com um Movimento Espírita cidadão, participando ativamente da dinâmica social, conseguiremos conferir ao Espiritismo “direitos de cidadania entre os conhecimentos humanos” , como sonhava Allan Kardec (O Livro dos Espíritos – Conclusão, tomo VIII) 1.

Por isso ousamos propor, que o quinto período, chamado por Kardec de intermediário porque seria o elo entre o período religioso e o período de renovação social, poderia ser denominado, com a licença do codificador, de PERÍODO DA CIDADANIA. E sob a influência do que vem ocorrendo em todo mundo, esta fase já começou. Principalmente desde as últimas décadas do século vinte, os ares de liberdade, democratização e cidadania têm soprado mundialmente e, naturalmente, o Movimento Espírita também tem sido bafejado por eles.

É fundamental avançarmos neste sentido, para que com espíritas mais cidadãos nossas instituições comecem a cumprir com o papel social que lhes cabe. As organizações espíritas (são cerca de 8.000 no Brasil) poderão transformar-se numa das maiores forças de transformação social do planeta, à medida que convertam-se em geradoras da verdadeira promoção humana, em todos os seus aspectos. Nesse sentido, evocamos alguns trechos do artigo “No Centro Espírita, A Recuperação do Homem” de Helena Maurício Craveiro Carvalho:

“Em que pese a legítima função restauradora do Centro Espírita, perante a qual o desesperado encontra guarida e recursos para o necessário equilíbrio, seu objetivo principal deveria ser o de mostrar aos seus freqüentadores a missão social de cada um na mecânica da existência, tomando posição como ser pensante e agente de decisões individuais e coletivas, capaz de transformar para melhor o mundo que o rodeia. (grifo nosso)

É preciso cuidar ainda que a citada evangelização (passada através principalmente das palestras nas reuniões públicas) não concorra para acomodar o homem em demasia à indiscutível Lei de Causa e Efeito, no que tange à expiação, como se esta fosse tão determinística que ao cidadão só lhe caiba abaixar o pescoço e ajustar melhor seu mecanismo. A observação nos leva a temer tais excessos, principalmente quando muitos se referem ao Centro Espírita como uma "casa de oração" (modismo recente aqui no Brasil) enfatizando subrepticiamente para a atitude habitual em outras religiões quanto a petitórios e similares... 2

A evangelização está exigindo de todos um cuidado maior: ao invés de transfundir no homem conformismo exagerado, é preciso que lhe confira a consciência de suas potencialidades...

Embora o sofrimento espalhe-se por toda parte, cabe ao cidadão lutar contra ele, sem revolta, mas procurando superá-lo porque tem energia e vontade para isso.

(Do livro Centros e Dirigentes Espíritas; edições USE)

O texto caracteriza muito bem a transição que o Movimento Espírita inicia a viver. Não apenas ajudar o homem a compreender as leis do mundo espiritual e suas conseqüências morais, mas, principalmente um homem capaz de mobilizar seus recursos internos para a transformação do mundo e da realidade que o cerca. Este é o foco do Período da Cidadania, que nos conduzirá, num trabalho de parceria que envolva toda a sociedade, ao Período da Renovação Social, quando, finalmente, poderemos dizer que o Reino de Deus também é deste mundo.

(1) Nota: Usamos a tradução de Herculano Pires (EME), na qual aparece a expressão “direitos de cidadania”. Na tradução de Guillon Ribeiro (FEB) a expressão foi traduzida como “direito de cidade”, o que nos parece um tanto sem sentido.

(2) Características muito claras do Período Religioso.

- Fernando Clímaco Santiago Maciel

sexta-feira, 11 de junho de 2010

150 ANOS DE ESPIRITISMO CIENTÍFICO
MARLENE NOBRE


Naturalmente, os 150 anos de O Livro dos Espíritos, suscitam em nós, seus beneficiários, justas homenagens e comemorações; não devemos esquecer, todavia, de enfatizar a importância da contribuição desse legado à renovação de todas as áreas do conhecimento humano. De nossa parte, gostaríamos de rememorar, sobretudo, algumas questões ligadas ao campo do pioneirismo científico.
Antes de tudo, é preciso relembrar que Kardec situou toda sua pesquisa em bases experimentais, procurando não somente estabelecer a veracidade fática, mas também submeter a controle os ensinos coletados pelos Espíritos, desde que pôde observar divergência de opiniões entre eles debitável às diferenças de conhecimento intelectual e estado moral.
A primeira edição de O Livro dos Espíritos foi lançada em 1857, com 501 itens. Em março de 1860, já publicava ele a 2a edição consideravelmente aumentada, com 1018 itens, além de notas , abrangendo questões científicas , filosóficas e religiosas.
O Livro dos Espíritos não é uma obra científica, mas nele encontramos, referências a distintos ramos do saber. Anotemos algumas: na 2a edição, há revelações sobre a evolução que possuem uma amplidão maior que a suscitada pela obra de Darwin – A Origem das Espécies, de 1859, na qual confirmou os dados expostos na Royal Society juntamente com Wallace em 1858. Darwin não incluiu, porém, o homem na teoria evolucionista; somente no ano de 1871 veio a fazê-lo (veja-se Sobre a Descendência do homem), estimulado pelas publicações de Haeckel em 1866 e 1868.
O conceito exposto em O Livro dos Espíritos é mais amplo: nos itens 540, 560, 604,606 e 607, Kardec colecionou referências à evolução , abrangendo os reinos do mineral ao hominal bem como o próprio espírito, demarcando assim uma evolução biológica e espiritual dos seres, todos eles emergentes do mundo atômico. Isto indica a necessidade de se levar em conta o espírito humano numa descrição do universo pela Física, como postulava Teilhard de Chardin, posicionamento que vai adquirindo seguidores como se pode verificar pelos trabalhos do físico francês Jean Charon, no qual o homem é visto como um participante ativo no processo de criação.
Como se vê, desde 1860, os espíritas não são criacionistas, pelo menos, não no sentido literal dado a este termo, e que tanta polêmica tem causado entre cientistas e religiosos em geral. Somos evolucionistas de primeira hora, embora de uma maneira muito especial, porque colocamos Deus no princípio de tudo e o princípio espiritual como uma de Suas criações, evoluindo do “átomo ao arcanjo”, através de encarnações sucessivas.
No item 36, negam os Espíritos a existência de um vácuo absoluto, por estar o espaço ocupado por uma “substância invisível”, algo como um campo quantizado dos físicos, do qual surge a matéria visível, sempre que ocorrem condensações no meio. Na questão n.39, ensinavam os Espíritos que a formação das partículas nucleares, que dão lugar ao surgimento do universo, resultaria da condensação de uma substância cósmica primitiva, disseminada no espaço. Os itens 39 e 41 referem-se ao nascimento, envelhecimento e dissolução dos astros com a disseminação da matéria pelo espaço. O sentido da unidade de todas as coisas encontra-se nos itens 23 e 33: “Tudo está em tudo”.
Do conceito de que a substância cósmica é imponderável, Kardec deduziu que a gravidade era uma propriedade relativa e que, fora da ação dos mundos, não haveria peso, conforme se tem comprovado pelas pesquisas espaciais. A afirmativa de John Gribbin de que “a gravidade é a força que mantém unido o universo” corresponde à idéia enunciada no item 27: o fluido cósmico seria o princípio sem o qual a matéria estaria em estado contínuo de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá”. Em última análise, é o fluido cósmico que mantém unido o universo.
Na questão 36, que reproduz a de n. 16 da 1a edição, os Espíritos afirmaram que “existe mesmo infinito em todas as coisas”. Ressalta da assertiva o princípio de não-separabilidade a unidade de todos os seres e coisas a partir de uma origem única: eles estão de tal modo relacionados entre si que podem ser ditos infinitos, sem separações, ao contrário do que se apresentam à nossa percepção.
Essas idéias científicas pioneiras terão, neste ano de 2007, pelo menos em parte, excelente oportunidade de serem testadas, uma vez que, no 2o semestre, entrará em funcionamento o Grande Colisor de Hádrons (LHC) no CERN, famoso centro de pesquisas científicas no campo da Física, em Genebra, Suíça, quando será testado pelo menos um dos fundamentos da Teoria das Supercordas - a supersimetria. Esta Teoria, além da supersimetria – existência de uma família de partículas desconhecidas - prevê a existência de 11 dimensões, além das conhecidas, como também a da existência de uma quinta força no Universo, com a qual nós somente entraríamos em conexão , através da gravidade. Para nós, seria o nosso conhecido e decantado fluido cósmico universal ou matéria cósmica primitiva.
É preciso ressaltar ainda que O Livro dos Espíritos foi um marco na difusão da reencarnação no Ocidente. E foi graças ao estudo da reencarnação que se abriram portas para múltiplas investigações, inclusive terapêuticas.
Ainda como decorrência natural de O Livro dos Espíritos, Kardec continuou suas pesquisas, lançando, em seguida, O Livro dos Médiuns, um verdadeiro tratado para a prática do paranormal. Neste livro, ao pesquisar os estados alterados de consciência , o Codificador defrontou-se , antes de Freud, com o inconsciente, no estudo dos fenômenos mediúnicos: sujeitos existiam capazes de recepcionar campos informacionais extrafísicos sem terem consciência do fato; outros, dotados de energia singular , eram capazes de, por eles mesmos, produzirem efeitos físicos (pessoas elétricas , torpedos humanos).
Com os inquéritos a que submeteu os Espíritos comunicantes, a partir da elaboração do livro basilar que ora completa 150 anos, Kardec credenciou-se como o criador de uma sociologia do mundo espiritual.
Certamente, ainda existem muitos outros avanços a serem respigados nessa obra renovadora: as idéias de responsabilidade social, previdenciárias, educacionais, etc. Sem dúvida, um campo aberto a mais amplos estudos e pesquisas.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O Corpo Plasmático do Espírito
Extraído de: As Sete Linhas da Umbanda
Psicografia de Rubens Saraceni, New Trancendentalis Editora
Adaptação dos Comentários de Pai Benedito de Aruanda, M. L.

O corpo plasmático "plasmável "permite a um espírito assumir "conscientemente" as mais variadas aparências, ou inconscientemente ser induzido a se prender numa aparência em nada parecida com a humana.
No Astral Negativo é muito comum encontrarmos espíritos devedores da Lei Maior ocultados em aparências "bestiais" de animais, como cães, cobras, morcegos, etc., ou então prisioneiros delas! O Astral Negativo são as trevas mais densas, onde verdadeiros "reinos" há muito lá formados, acolhem espíritos de criminosos, homicidas, suicidas, infanticidas, genocidas, blasfemos, apóstatas, governantes inescrupulosos, traficantes, escravagistas, policiais assassinos, juízes ímprobos, advogados corruptores da lei, religiosos indignos, etc. Neste meio, impera a lei do mais forte, do mais cruel.
O reverso desse lado, é o lado positivo, onde os espíritos assumem aparências luminosas, coloridas e irradiantes, devido à vivenciação de nobres e virtuosos sentimentos religiosos, fraternais, de sapiência, etc.. Eles também podem recorrer às aparências que possuíram em outras encarnações, plasmando-as após despertá-las de suas memórias ancestrais.
Enquanto encarnado, o espírito absorve o tempo todo, irradiações energéticas do lado espiritual da vida, quando desencarnado, o inverso ocorre e ele fica sujeito as irradiações energéticas do lado material.
Antes de um ser natural adentrar no ciclo reencarnacionista, é preciso que passe por um processo preparatório conhecido como "cristalizador". Essa cristalização é realizada em câmaras cristalinas muito especiais, semelhantes a gigantescas colmeias, onde cada ser ocupará um módulo cristalino captador de energias provenientes dos planos matéria-espírito, da dimensão vegetal, ígnea, aquática, aérea, terrena, mineral e cristalina, que inundarão o interior do módulo com energias as mais diversas possíveis.
O mental do ser, ligado ao mental planetário, responsável pelo ciclo humano da evolução, é dotado de um magnetismo de padrão humano, e começa a absorver as energias oriundas de diversas dimensões. Após "processá-las" em seu interior (dentro do mental), dota seu corpo energético de um campo magnético que captará uniformemente as energias e dará início à formação do revestimento plasmático, que no espírito humano chamamos de corpo plasmático (corpo astral).
Uns o chamam com outros nomes, mas nós o chamamos assim por entendermos que esse revestimento é a cristalização de diferentes energias amalgamadas, cada uma numa certa quantidade, formando um envoltório que irá sustentar o corpo energético durante todo o ciclo reencarnacionista (corpo energético é o corpo etérico).
Esse corpo (envoltório) plasmático, sofrerá alterações, pois muitas aparências o ser terá, uma vez que numa encarnação será branco, noutra poderá ser um negro, ou um amarelo, ou um vermelho, etc.
O corpo plasmático cristalizado dentro dos módulos cristalinos tem por função isolar o corpo energético e protegê-lo, impedindo que energias não afins, penetrem ou sejam absorvidas, incorporando-se ao todo energético do ser... onde o incomodariam e o desestabilizariam (O corpo astral, em seu envoltório mais externo, constituiria a tela búdica, que protege o corpo etérico).
Esse corpo plasmático envolve todo o ser energia e o torna um ser espiritual, possibilitando-lhe, quando for encarnar, que seja reduzido ao tamanho de um feto dentro do ventre materno. À medida que o corpo carnal for crescendo, o corpo plasmático o acompanhará. Ele o estará revestindo junto à epiderme, crescendo também.
E quando o ser desencarnar, no corpo plasmático ou "espiritual" estarão impressas todas as suas características "pessoais". Nem uma ruga deixará de ser visível. Uma mancha na pele (pintas, verrugas, cicatrizes, etc.) ali, no corpo plasmático, estará presente. A aparência que o ser possuía quando encarnado, irá ostentar após o desencarne.
Esse corpo também estará apto a "expressar" todos os sentimentos do ser, e caso uma doença infecciosa tenha sido a causa do desencarne, então poderemos ver no corpo plasmático ou astral, a "causa mortis". Se a causa foi um tiro, facada ou acidente violento, nele estará visível. Se foi uma morte "natural", o corpo não apresentará lesões visíveis. Também podem ocorrer deformações nesse corpo plasmático, caso o ser seja portador de doenças psíquicas.
As doenças psíquicas canalizam as energias geradas através da vivenciação de sentimentos desequilibradores, que tanto podem atrofiar quanto deformar os "’órgãos" dos sentidos do corpo energético. E isso altera o interior dele (íntimo) e deixa visível, através do corpo plasmático, que o ser sofre de perturbações psíquicas.
Tudo é possível porque o corpo plasmático ou espiritual é a aparência "externa" do ser, assim como, é uma tela refletora do seu "interior".
No plano material, porque o corpo físico não é plasmável, um ser pode alimentar certos vícios (ódio, inveja, ambição, volúpia, etc.), e tudo estará oculto. Mas assim que desencarnar, esses sentimentos negativos "explodirão" com intensidade e o deformarão, deixando visíveis as suas viciações, não mais ocultáveis. O corpo plasmático ou espiritual do ser mostra o que vibra em seu íntimo (pensamentos ou sentimentos). Até aqui, mostramos o lado negativo.
Mas quando o ser é virtuoso, o corpo plasmático ou espiritual também é tela refletora de seu íntimo, pensamentos e sentimentos. A aura do ser torna-se irradiante, luminescente e colorido, pois cada sentimento irradiado possui uma cor que o distingue de outros sentimentos virtuosos.
Nos sentimentos negativos, a aura não é irradiante, mas sim concentrador, e sua cor (tonalidade) é monocromática (cinza, preto, mostarda, rubro, etc.), mostrando-se em acordo com o sentimento negativo que o ser vivencia naquele instante de sua vida.
Não vamos inventariar sentimentos ou tonalidades positivas ou negativas. Apenas desejamos deixar claro que a tela refletora, o aura, está intimamente ligada aos sentimentos (emocional) e ao mental (corpo plasmático).
A tonalidade determina se o sentimento é positivo ou negativo, e qual a sua intensidade. Já a aparência, mostra o estado em que se encontra o mental (se positivo ou negativo) e o estado do corpo energético ao qual ele reveste externa e internamente.
Esse corpo plasmático pode sofrer deformações acentuadas, mas caso o ser venha a ter suas faculdades mentais (psique) reequilibradas, ele (o corpo plasmático) também será regenerado, e deixará de ostentar o que o ser já não vivencia em seu íntimo.
É por isso que pessoas que desencarnam em idades avançadas, mas com a psique equilibrada, com pouco tempo no lado espiritual já começam a rejuvenescer sem que se apercebam. Os sentimentos que vibram as predispõe a externarem a beleza interior (nobreza, virtuosismo).
O inverso também ocorre, e acontece de pessoas jovens no plano material assumirem aparências de anciões porque sentiam-se velhas, cansadas ou incapazes de vivenciar a vida com "jovialidade".
O plasma que forma o corpo plasmático ou espiritual só é formado dentro dos módulos cristalinos, localizados nos domínios dos senhores orixás responsáveis pela evolução natural, e também pelo ciclo reencarnacionista da evolução: o estágio humano.
Todos seguimos estágios bem definidos, nos quais evoluímos e vamos incorporando qualidades e atributos que em nós, os seres espiritualizados, culminam com nosso ciclo reencarnacionista, onde nossa consciência humana será despertada em todos os sentidos (fé, amor, razão, conhecimento, etc.).
E só quando o arco-íris sagrado estiver irradiante (visível) em nossa coroa de luz, é que estaremos aptos a adentrarmos no estágio seguinte da evolução, pois aí já não seremos seres espirituais, mas sim, seres "angelicais".
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