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domingo, 16 de maio de 2010

NEHEMIAS MARIEN: O PASTOR QUE ACEITA O ESPIRITISMO




Fátima: Pastor, qual é a sua Igreja e onde fica?

Nehemias: Minha igreja é uma betel, vamos dizer, uma palavra hebraica, todo lugar, onde o ser humano está presente em Deus, o eterno, na imensurável transcendência. Eu tenho até constrangimento de dizer em que igreja, porque minha igreja é você, estarmos, juntos, a Eclésia no pensamento de Jesus, lá na Cesaréia, quando pela primeira vez disse: "Eu vou edificar a Igreja". É isso aí, é a vida, é o trabalho, é a família, caminhada. Quando as pessoas estão juntas, mesmo que não pensem da mesma maneira é uma igreja, é uma comunidade holística. Agora, sou de formação Calvinista, sou pastor presbiteriano, lá em Cobacabana, já há 43 anos, sem sair da igreja. Meus pais eram missionários lá em Mato Grosso, onde eu nasci, morei na Inglaterra, um período na França e estou no Rio de Janeiro há 26 anos, pastoriando a Igreja Presbiteriana Bethesda.

Fátima: É verdade que o senhor acredita em Reencarnação?

Nehemias: Olha só, muito grato pela pergunta. Até o ano de 546, no Concílio de Calcedônia, o Espiritismo fazia parte dos canônes da Igreja. Depois, por discussões mais administrativas e menos teológicas, foi banido do canône oficial e hoje a doutrina espírita, para a maioria dos pressupostos evangélicos, porque assim, numa confusão chamar de evangélicos só os crentes entre aspas, né? Evangélico é quem anuncia a Boa Nova. Então, eu sou professor de Teologia Bíblica e de Ciências Bíblicas. É meu livro de cabeceira. No estudo da Bíblia, as evidências da Reencarnação são assim incontestáveis, e eu acho que o Espiritismo é a mais caudalosa vertente do Cristianismo, pelas idéias. Você encontra, tanto no Antigo como no Novo Testamento, evidências claras da Reencarnação, isto é, do prosseguir da vida. Tanto Pedro, o pressuposto grande apóstolo Pedro, fala na sua segunda encíclica, no final da Bíblia, fala sobre a existência do espírito após a morte e nesta evolução do ser humano. E também São Judas, o apóstolo de Cristo, na sua epístola final, também fala sobre o mesmo tema. Então, sou uma pessoa estudiosa, aberta. Eu não tenho muros de espécie alguma. Eu tenho uma visão holística e aprendo muito com meus amados irmãos espíritas. Eu tenho um livro "Transcendência e Espiritualidade", onde abordo mais diretamente o assunto. Estou crescendo assim, nesta área e num certo diálogo. Tem algumas coisas que eu não entendo, pelos meus limites bíblicos e culturais, como também não entendo o próprio Cristo. Como vou compreender plenamente Allan Kardec?

Fátima: O senhor já manifestou este ponto de vista reencarnacionista na sua igreja?

Nehemias: Ah, sim, sim. A minha comunidade é uma igreja grande. Somos cerca de 350 congregados, tem cinco pastores, é um colegiado pastoral, além do livro. O livro é público, editado aí. Eu tenho participado de revistas. Por exemplo, no começo do ano a Revista Espírita Allan Kardec publicou uma síntese do pensamento meu, a respeito. A igreja ouve-me, aceita. Eu sou o pastor titular. Somos cinco pastores, mas estou ali, orientando a igreja, neste sentido. Eu não tenho nada de secreto na minha vida pastoral.

Fátima: Qual a receptividade do público de sua igreja, em relação ao seu conceito reencarnacionista?

Nehemias: Bem, a igreja, ela me aceita plenamente, mas eu tenho a impressão de que não só sobre o meu aspecto filosófico, teológico, doutrinário sobre o Espiritismo, mas em outros também. Porque eu, pessoalmente, Nehemias Marien, sou uma espécie de espinho de peixe na garganta da minha própria igreja, mas aceitam e vão atrás. Como diz o Mestre: "O pastor vai à frente do rebanho e o rebanho o segue, porque conhece a voz do seu pastor". Não segue em frente, mas segue a mim, mesmo que me engulam, vamos dizer assim goela abaixo, por não entenderem bem minhas nuances teológicas e espirituais, eles me aceitam. A gente vive num amor perfeito. Lá na minha igreja, pregou Libórni Siqueira, que é desembargador, um grande espírita. O Gérson Azevedo, que é ex-presidente da Federação Espírita do Rio de Janeiro. Vários espíritas pregando na Igreja. Não vão lá visitar, não. É subindo ao púlpito. É um púlpito bonito, mais alto. Usam até toga e se não quiser fardamento, ficam como estão, elegantemente vestidos e pregam lá. Então é uma igreja aberta.

Fátima: Já que o senhor acredita na Reencarnação, o que o faz continuar professando a teoria presbiteriana?

Nehemias: Olha, eu estou presbiteriano. Eu até não gosto muito desta palavra "presbiteriano", porque Calvino, João Calvino, que é o estruturador do pensamento teológico protestante, ele bebia muito lá na Idade Média. Mandou crucificar na maneira de falar, mandou queimar vivo Serventus, um médico, porque discordava dele. Criou uma doutrina chamada "Doutrina da Predestinação". Eu bato de frente contra isso. Agora eu estou lá, porque acho que estamos num "pool" de idéias e a minha cabeça é holística. Assim, vamos dizer, Nehemias Marien, teológica e pastoralmente, é um caleidoscópio. A beleza do caleidoscópio é exatamente ter vidros quebradinhos, bonitos e funcionais, com figuras geométricas de grande dimensão espiritual.

Fátima: O senhor já estudou a Doutrina Espírita?

Nehemias: Eu tenho o livro O Evangelho Segundo o Espiritismo e vários livros de Allan Kardec.

Fátima: E qual a sua opinião sobre a Doutrina Espírita?

Nehemias: Eu acho que o Espiritismo é o mais caudaloso afluente do Cristianismo. Considero a Bíblia como o mais antigo livro de psicografia e mediunidade. Eu acho que Jesus era o médium perfeito, e que a mentalidade kardecista todos nós a temos.

Fátima: Sobre a mediunidade, pastor, o que o senhor diz?

Nehemias: Olha, nós todos somos médiuns. Queiramos ou não. É uma questão de reconhecer, constatar e disciplinadamente desenvolver. Agora, há muitos preconceitos. Nossa cabeça é assim muito cheia de preconceitos, conceitos não, mas preconceitos temos demais. Então, eu acho o seguinte: eu, a respeito da mediunidade, até agora, estou sentindo... (emociona-se e chora). Eu acho que o verdadeiro servo de Deus é um médium. Ele não fala de si. Vamos dizer, entre aspas, traduzindo sentimentos, é uma incorporação espiritual. Ele não é dono dele, é um veículo, um canal. O importante é a mensagem que transmite.

Fátima: E quanto à comunicabilidade com os Espíritos, o que o senhor diz?

Nehemias: É isso que eu estava tentando passar. Eu tenho, até não entendo bem este espírito meu, mas eu tenho a impressão de que é uma índia, minha Biquara, mãe de minha mãe, minha avó Joana. Eu sinto assim, uma certa colocação, uma certa energia dela para mim. Todas às vezes em que eu abro o texto sagrado, para as homílias, as pregações, os sermões, sinto que estou fora de mim. Eu admito esta transcendência da Espiritualidade, esta invasão do Céu no coração humano, através da mediunidade.

Fátima: Como o senhor encara os sucessivos ataques de pastores ao Espiritismo?

Nehemias: Bom, como eu diria, nossos amados irmãos são aliados. Estamos todos no mesmo barco, mas eles fazem parte da artilharia. O artilheiro é o soldado, que vem lá atrás. A infantaria somos nós, a Doutrina Espírita, aqueles que vão lá para frente. A artilharia, ao abrir espaço à frente, solta as bombas, mas são muito ruins de cálculos matemáticos, erram os cálculos e acabam dizimando os próprios aliados. É o que acontece, criticando o Espiritismo, que está na mesma dimensão espiritual. Eu os chamo, vamos dizer assim, de bonsais espirituais, aquela plantinha que não cresce. Lá em Tóquio vi todo um horto só de bonsai, bonitos, mas não se desenvolveram espiritualmente. Estes que atacam nossos irmãos espíritas e outras tradições, com as quais não concordam, são uma espécie de pitibus. Eu acho que os ventos contrários firmam raízes de árvore e o avião sobe mais alto. Acho que é como burilando um diamante, que vira brilhante.

Fátima: Em sua opinião, qual seria o caminho mais eficiente para a Humanidade seguir em direção ao Ecumenismo?

Nehemias: Eu penso Mimo Melânquico, o grande reformador do século XVI. Ele tem uma fórmula e diz assim: "Unidade absoluta, naquilo que é essencial, o amor, por exemplo. Liberdade absoluta em tudo que é duvidoso e caridade em todas as coisas". Acho que este é o caminho do Ecumenismo.

Fátima: O que o senhor acha de Chico Xavier?

Nehemias: Chico Xavier é um nome-legenda da espiritualidade, nacional e mundial. Eu tive o privilégio de estar com ele duas vezes. Fui fazer uma série de conferências do Rio à Brasília. Viajei de carro e propus ao meu amigo levar-me em Uberaba. Oramos juntos. Olha, Chico Xavier e Dom Hélder Câmara são pessoas que me fizeram muito bem pela prece a meu favor. Rogo a Deus que este ícone da Espiritualidade, que o Mundo todo respeita, tenha assim muitos, muitos e muitos privilégios desta bênção inaudita de transbordar a Espiritualidade como ela vem fazendo pelo santo Chico Xavier.

Fátima: Espaço aberto para sua mensagem final.

Nehemias: Rogo a Deus que haja uma nova consciência no ser humano, e que é difícil abrir ao espírito. Ele, como vento, sopra onde quer, já que aqui a vida é grande Pentecostes. Que Deus abençoe os irmãos e irmãs, grandes e pequenos, que participam desta festa eucarística do Programa Nova Consciência.

(Entrevista realizada por Fátima Farias / CONSCIÊNCIA ESPÍRITA - CONSCIESP 2002 - João Pessoa, PB).

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O OPORTUNISMO ABORTEIRO DE SÉRGIO CABRAL


O OPORTUNISMO ABORTEIRO DE SÉRGIO CABRAL‏
De: Jefferson Modesto (jefferson.modesto@yahoo.com.br)
Enviada: quarta-feira, 31 de outubro de 2007 23:02:49
Para: abrade@abrade.com.br
Quando o governador Sérgio Cabral usou o trabalho do economista Steven Levitt ("Freakonomics") para defender o aborto como política de segurança pública, dizendo que a Favela da Rocinha "é uma fábrica de produzir marginal", juntou, num só "bonde", oportunismo, impostura e ignorância.
Cabral é oportunista porque, em setembro de 1996, quando era candidato a prefeito do Rio, descasou seu adversário, Luiz Paulo Conde, por defender o aborto. Nas suas palavras: "Conde foi leviano. O que o Rio precisa é melhorar o atendimento na saúde". Continua oportunista ao tentar reescrever o que disse ao repórter Aluizio Freire, do portal G1, no qual sua entrevista está conservada na íntegra.
Cabral praticou uma impostura quando embaralhou uma questão de direito - a decisão da Corte Suprema, que, em 1973, legalizou o aborto nos Estados Unidos - com as estatísticas do crime nos anos 1990. A Corte decidiu uma dúvida constitucional: o direito da mulher interromper a gravidez. Esse é o verdadeiro e único debate do aborto. Nada a ver com o propósito de fechar (ou abrir) "fábrica de produzir marginais".
Levitt, por sua vez, indicou que o aborto foi responsável por uma queda de 50% na criminalidade americana. Em momento algum apresentou-o como alternativa de controle da natalidade. Pelo contrário, qualificou-o como "um tipo de seguro rudimentar e drástico". Cabral submeteu-se a uma vasectomia e não terá mais filhos (teve cinco).
Tanto Levitt como a Corte Suprema não atravessaram a linha que o doutor transpôs, vendo no aborto uma modalidade de política pública capaz de produzir segurança. Uma coisa é dizer que houve uma relação de causa e efeito entre a liberação do aborto e queda de criminalidade. Bem outra é associar o aborto às políticas de segurança pública.
A teoria de Cabral sustentou-se na ignorância. Ele disse que a Rocinha tem taxas de fertilidade africanas. Besteira, elas equivalem à metade. Em 2000, o número médio de filhos nas favelas (2,6) era superior aos dos outros bairros do   (1,7) mas ficavam próximos da estatística nacional (2,1).
Quem acha que o problema da segurança está na barriga das faveladas deve pensar em mudar de planeta. A taxa dos morros do Rio é a mesma do mundo. Nos anos 1970, muitos sábios sustentatam que o Brasil precisava baixar sua taxa de fertilidade (5,8) para distribuir melhor a riqueza.
Passou-se uma geração, a fertilidade caiu um terço (1,9) e o índice de Gini, que mede as desigualdades de renda passou de 0,56 para 0,57, chegando ao padrão uruguaio. Nasceram menos brasileiros, mas não se reduziu o fosso social.
A tropa de elite pode acreditar que se aprimora a segurança pública com o capitão Nascimento cuidando dos morros e o governador Cabral, dos ventres. As contas de Levitt são honestas, suas conclusões são rigorosas e "Freakonomics" é um ótimo livro.
Aplicando-se a outros números de Pindorama o mesmo tipo de tortura cerebrina a que Cabral submeteu as conclusões do economista americano, seria possível dizer que a queda de 67% na taxa de fertilidade nacional provocou um aumento de 30¨% dos homicídios no Rio de Janeiro.
O artigo "The impact of legalized abortion on crime", de Steven Levitt e John Donohue III, está na internet, infelizmente em inglês. É melhor do que o resumo publicado em "Freakonomics".
ELIO GASPARI - JORNAL O LIBERAL 28/10/2007
JEFFERSON MODESTO (BELÉM PA)

terça-feira, 11 de maio de 2010


Autoconscientização

Os dias atuais, caracterizados pelos conflitos psicológicos, em face do tumulto que domina o pensamento da sociedade e as ambições de cada indivíduo, exigem profundas reflexões, a fim de que a harmonia permaneça nos sentimentos humanos e na conduta pessoal em relação a si mesmo.
As admiráveis conquistas da Psicologia profunda, contribuindo para a solução dos muitos distúrbios que se apresentam perturbadores, convidam à meditação em torno da realidade que se é, para que sejam superados os condicionamentos em que se encontra, de forma a situar-se com equilíbrio ante os desafios e as injunções, não raro, penosos, que se apresentam em toda parte exigindo decisões inadiáveis.
Atordoando-se ante o volume das atividades que defronta, o indivíduo percebe-se desequipado de valores que lhe facultem uma boa administração das injunções em que se encontra, não sabendo o rumo que deve seguir.
Convidado, porém, à auto-reflexão, à autoconscientização mediante as quais poderá descobrir a sua realidade essencial, recusa-se por automatismo, receando penetrar-se em profundidade, em razão do atavismo castrador a que se submete.
A sombra que o condiciona ao aceito e determinado ameaça-o de sofrimento, caso busque iluminar o seu lado escuro, permitindo-lhe a autoidentificação que se encarregará de libertá-lo das aflições e conflitos de comportamento, que são heranças ancestrais nele prevalecentes.
Vitimado pelo jogo das paixões sensoriais, anula a própria alma que discerne, e procura não se deixar vencer pelos desejos infrenes que o arrastam ao jogo ilusório do prazer desmedido.
Apresentando-se incapaz, no entanto, de lutar pela libertação interior, permite-se arrastar mais facilmente pelo tumulto dos jogos da sensualidade, naufragando nas aspirações de enobrecimento e de cultura, de beleza e de espiritualidade, temendo perder a oportunidade que a todos é oferecida de desfrutar as facilidades e permissões morais que constituem a ordem do dia.
A estrutura psicológica do ser humano é trabalhada por mecanismos muito delicados, sofrendo os golpes violentos da ignorância, do prazer brutalizado, dos vícios inveterados. Não suportando a alta carga de tensões que esses impositivos lhe exigem, libera conflitos e temores primitivos que estão adormecidos, desequilibrando as emoções, cujos equipamentos sutis geram distonias e depressões.
O desvario do sexo, que se tornou objeto de mercado, transformando homens e mulheres em coisas de fácil aquisição, é também instrumento de projeção social, de conquista econômica, de exaltação do ego, despertando nas mentes imaturas psicologicamente ânsias malcontidas de desejos absurdos, nele centralizando todas as aspirações, por considerá-lo indispensável ao triunfo no círculo em que se movimenta.
Incompleto, por não saber integrar os seus conteúdos psicológicos da anima à sua masculinidade e do animus à sua feminilidade, conseguindo a realização da obra-prima que lhe deve constituir meta, o ser humano deixa-se arrastar pelas imposições de um em detrimento do outro, afligindo-se sem saber por qual motivo.
Procura, então, agônico e insatisfeito, recuperação na variedade dos prazeres, identificando-se mais confuso, a um passo de transtorno sempre mais grave, qual ocorre a todo instante no organismo social e nos relacionamentos inter-pessoais.
A sombra governa-o, e ele se recusa à luz da libertação.
*
O Apóstolo Paulo afirmou: Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse eu faço. (Romanos, 7-19.)
Nesse auto-reconhecimento, o nobre servidor do Evangelho de Jesus denunciava a existência do seu lado escuro, impulsionando-o a atitudes que reprovava e não conseguia impedir-se de praticar. Mediante, porém, esforço perseverante e autoconscientização da própria fragilidade psicológica, o arauto da Era Nova conseguiu atingir a culminância do seu apostolado, quando proclamou: (...) E vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim... (Gálatas, 2:20.)
Somente através da coragem para encontrar a consciência mediante uma análise tranqüila das possibilidades de que dispõe é que a criatura humana logrará liberar-se da situação conflitiva que a domina, facultando-se selecionar os valores reais daqueles ilusórios aos quais se atribui significados, mas que sem-pre deixam frustração e vazio existencial.
A experiência física tem objetivos bem delineados que se apresentam acima da vacuidade dos interesses imediatistas que dominam na moderna sociedade consumista. Esse seu consumismo exterior resulta dos obscuros conflitos internos que projetam para fora e para outrem sua imagem de inquietação, transferindo-a do eu profundo, como necessidade de agitação para fugir de si mesmo.
Sucede que, nessa ansiosa projeção, o ser se torna consumido pelos demais, e por sua vez, destituído dos sentimentos profundos de amor, procura consumir os outros, utilizando dos seus recursos e qualidades reais ou imaginárias para saciar a sede de prazer em que se aturde, e seguir adiante.
Não saciado, porque essas experiências somente mais afligem, surge a necessidade das extravagâncias, pelas libações alcoólicas, pelo uso de substâncias químicas alucinantes, pelas aberrações sexuais intituladas de variedades para o prazer, pela agressividade, pela violência, ou pela queda nos abismos da depressão, da loucura, do suicídio...
A única alternativa disponível, portanto, para o ser humano de hoje, qual ocorreu com o de ontem, é o mergulho interior, a autodescoberta, a conscientização da sua realidade de Espírito imortal em viagem transitória pelo corpo, a fim de adquirir novas realizações, reparando males anteriores e conseguindo harmonia íntima, para que possa desfrutar de todas as concessões que se lhe encontram à disposição, premiando-o pelo esforço de autoconquista e autolibertação.
Naturalmente que, ao ser ativado o mecanismo de identificação do ser real, o hábito da fuga dos compromissos superiores induz à projeção, para poupar-se à dor, o que constitui um grande erro, porquanto o sofrimento se tornará ainda mais penoso.
É óbvio que somente a claridade vence as sombras, e a autoconscientização é o foco de luz direcionado à escuridão que predomina no comportamento psicológico do ser humano.
*
Jesus asseverou com propriedade ser a luz do mundo, porque a Humanidade se encontrava em profunda escuridão, qual ocorre nos dias presentes.
A Sua é a mensagem de responsabilidade pessoal perante a vida, e de serviço constante em favor de si mesmo e da coletividade.
Trazendo aos homens e mulheres o Seu exemplo de amor e de abnegação, não se propôs carregar o fardo do mundo, a fim de liberá-los de suas responsabilidades, mas ensinou a todos como conduzirem os seus problemas e angústias, solucionando-os com o amor a Deus, a si mesmos e ao próximo, por ser esse sentimento de amor a perene luz de libertação de toda a sombra existente no mundo íntimo e na sociedade em geral.



Autor : Joanna de Ângelis

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A espiritualidade punitiva




A espiritualidade punitiva
A espiritualidade é a própria manifestação de uma consciência mais ampla, que se dá através de uma conexão simples, direta e, principalmente, natural. Essa conexão acontece pelo canal do coração (sentimento) e da mente (intenção).

Na atualidade, as pessoas buscam uma espiritualidade leve, sem muitas regras ou premissas engessadas e deterministas. Ninguém agüenta mais os termos: pecado, blasfêmia, confissão, castigo, sofrimento, salvação, vida eterna, culpa, extrema unção, etc.

Não estou aqui dizendo que os erros não aconteçam e, principalmente, que a busca de evolução não seja necessário. Ao contrário, escrevo sempre com o objetivo principal de mostrar meios para ajudar as pessoas evoluírem, transformando seus erros em crescimento pessoal. Mas quero lembrar que a espiritualidade punitiva está totalmente fora de moda. Que tremenda injustiça dizer que Deus castiga, vendo toda a grandeza do universo e a Lei do Livre Arbítrio que nos dá tanta liberdade. A lei do karma como exemplo: justa, reta e precisa como um bom relógio suíço.

Certa vez, fui a uma ótima livraria no interior do estado do Rio Grande do Sul. Surpreendi-me pela grande variedade de livros de espiritualidade, auto-ajuda, entre outros que tanto aprecio. Quando estava saindo, vi um pequeno livro que me chamou a atenção por um motivo que na hora eu não conseguia entender.

Então, fui na direção daquele livro, podendo ler perfeitamente o que estava escrito na capa. Surpreendi-me com o título, que por uma questão de respeito não vou revelar. Posso dizer que a mensagem principal do livro era determinar quais coisas as pessoas seguidoras daquela religião (tão cheia de adeptos aqui no Brasil) não deveriam fazer, impondo de forma determinista.

Eu fiquei estarrecido, pensei: como pode? Determinar impositivamente não faça isso, não faça aquilo, etc. O pior é que os argumentos eram baseados em citações da Bíblia, que foram interpretados de maneira tão distorcida, que cheguei a repudiar aquele livro. Mas pensei: não vou parar de ler, vou mais adiante, acreditando que iria ficar mais interessante.

Foi, então, que insisti em procurar sobre dicas que pudessem estimular os leitores a analisar todas as coisas de maneira mais amorosa. Na verdade, eu queria encontrar naquele livro coisas que não encontrei. Eu não podia acreditar que alguém fizesse uma obra daquelas - sinceramente fiquei triste.

Até respeito o fato de que a idéia do livro fosse alertar o seu leitor sobre os perigos de algumas práticas que não fossem condizentes a tal religião, mas daí até determinar com tanta arrogância o que cada ser deveria fazer... O que eu gostaria de ter visto naquele livro, na verdade, é que seu alerta fosse dado, mas que recomendasse seu leitor a meditar sobre cada ato, a questionar de coração e a ouvir a voz da intuição. Mas, pelo visto, neste tipo de espiritualidade punitiva, a intuição não tem vez.

Por isso pergunto: Que caminhos espirituais são esses que não deixam as pessoas se guiarem pelos seus lemes interiores, que são seus corações e intuições? Que espiritualidade é essa que não respeita o livre arbítrio de cada pessoa e que usa o determinismo como forma de controle?

Vejo com bons olhos as religiões que transferem para cada próprio ser as responsabilidades de crescer, evoluir, ser feliz ou ser triste, alertado sobre as inferioridades e atitudes negativas, no entanto permitindo tomar suas decisões. Por esse motivo é que estamos vendo um movimento anti-religião que assusta aos interessados em mantê-las, e por que será?

As igrejas mais tradicionais do ocidente estão experimentando uma evasão de fiéis muito grandes. Isso tudo acontecendo porque as pessoas estão como nunca sentindo que essa liberdade de expressão conquistada é muito positiva no que se refere à espiritualidade, e isso é ótimo se a pessoa quiser evoluir e buscar Deus com leveza.

Não estou tripudiando as religiões, tampouco as ridicularizando. Estou alertando para a necessidade de buscarmos a espiritualidade, sim, a todo tempo e intensamente. No entanto, sempre estimulando que essa busca aconteça de forma livre, universalista, leve e natural.

terça-feira, 27 de abril de 2010

A GRANDE TRANSIÇÃO - DIVALDO/JOANNA DE ÂNGELIS





Opera-se na Terra, neste largo período, a grande transição anunciada pelas Escrituras e confirmada pelo Espiritismo.

O planeta sofrido experimenta convulsões especiais, tanto na sua estrutura fisica e atmosférica, ajustando as suas diversas camadas tectônicas, quanto na sua constituição moral.

Isto porque os Espíritos que a habitam, ainda estagiando em faixas de inferioridade, estão sendo substituídos por outros mais elevados que a impulsionarão pelas trilhas do progresso moral, dando lugar a uma era nova de paz e de felicidade.

Os Espíritos renitentes na perversidade, nos desmandos, na sensualidade e vileza, estão sendo recambiados lentamente para mundos inferiores onde enfrentarão as consequências dos seus atos ignóbeis, assim renovando-se e predispondo-se ao retorno planetário, quando recuperados e decididos ao cumprimento das leis de amor.

Por outro lado, aqueles que pemaneceram nas regiões inferiores estão sendo trazidos à reencarnação, de modo a desfrutarem da oportunidade de trabalho e de aprendizado, modificando os hábitos infelizes a que se têm submetido, podendo avançar sob a governança de Deus.

Caso se oponham às exigências da evolução, também sofrerão um tipo de expurgo temporário para regiões primárias entre raças atrasadas, tendo o ensejo de serem úteis e de sofrerem os efeitos danosos da sua rebeldia.

Concomitantemente, Espíritos nobres, que conseguiram superar os impedimentos que os retinham na retaguarda, estarão chegando, a fim de promoverem o bem e alargarem os horizontes da felicidade humana, trabalhando infatigavelmente na reconstrução da sociedade então fiel aos desígnios divinos.

Da mesma forma, missionários do amor e da caridade, procedentes de outras Esferas, estarão revestindo-se da indumentária carnal, para tornar essa fase de luta iluminativa mais amena, proporcionando condições dignificantes que estimulem ao avanço e à felicidade.

Não serão apenas os cataclismos físicos que sacudirão o planeta, como resultado da lei de destruição, geradora desses fenômenos, como ocorre com o outono que derruba a folhagem das árvores, a fim de que possam enfrentar a invernia rigorosa, renascendo exuberantes com a chegada da primavera, mas também os de natureza moral, social e humana que assinalarão os dias tormentosos que já se vivem.

Os combates apresentam-se individuais e coletivos ameaçando de destruição a vida com hecatombes inimagináveis, como se a vida pudesse ser aniquilada...

A loucura, decorrente do materialismo dos indivíduos, atira-os nos abismos da violência e da insensatez, ampliando o campo do desespero que se alarga em todas as direções.

Esfacelam-se os lares, desorganizam-se os relacionamentos afetivos, desestruturam-se as instituições, as oficinas de trabalho convertem-se em áreas de competição desleal, as ruas do mundo transformam-se em campos de lutas perversas, levando de roldão os sentimentos de solidariedade e de respeito, de amor e de caridade...

A turbulência vence a paz, o conflito domina o amor, a luta desigual substitui a fraternidade.

... Mas essas ocorrências são apenas o começo da grande transição

***

A fatalidade da existência humana é a conquista do amor que proporciona plenitude.

Há, em toda parte, uma destinação inevitável, que expressa a ordem universal e a presença de uma Consciência Cósmica atenuante.

A rebeldia, que predomina no comportamento humano, elegeu a violência como instrumento para conseguir o prazer que lhe não chega de maneira espontânea, gerando lamentáveis consequências, que se avolumam em desaires contínuos.

É inevitável a colheita da sementeira por aquele que a fez, tornando-se rico de grãos bençoados ou de espículos venenosos.

Como as leis da Vida não podem ser derrogadas, toda objeção que se lhe faz converte-se em aflição, impedindo a conquista do bem-estar.

Da mesma forma, como o progresso é inevitável, o que não seja conquistado através do dever, sê-lo-á pelos impositivos estruturais de que o mesmo se constitui.

A melhor maneira, portanto, de compartilhar conscientemente da grande transição é através da consciência de responsabilidade pessoal, realizando as mudanças íntimas que se tornem próprias para a harmonia do conjunto.

Nenhuma conquista exterior será lograda se não proceder das paisagens íntimas, nas quais estão instalados os hábitos. Esses, de natureza perniciosa, devem ser substituídos por aqueles que são saudáveis, portanto, propiciatórios do bem-estar e da harmonia emocional.

Na mente está a chave para que seja operada a grande mudança. Quando se tem domínio sobre ela, os pensamentos podem ser canalizados em sentido edificante, dando lugar a palavras corretas e a atos dignos.

O indivíduo que se renova moralmente contribui de forma segura para as alterações que se vêm operando no planeta.

Não é necessário que o turbilhão dos sofrimentos gerais o sensibilize, a fim de que possa contribuir eficazmente com os Espíritos que operam em favor da grande transição.

Dispondo das ferramentas morais do enobrecimento, torna-se cooperador eficiente, em razão de trabalhar junto ao seu próximo pela mudança de convicção em torno dos objetivos existenciais, ao tempo em que se transforma num exemplo de alegria e de felicidade para todos.

O bem fascina todos aqueles que o observam e atrai todos quantos se encontram distantes da sua ação, o mesmo ocorrendo com a alegria e a saúde.

São eles que proporcionam o maior contágio de que se tem notícia e não as manifestações aberrantes e afligentes que parecem arrastar as multidões. Como escasseiam os exemplos de júbilo, multiplicam-se os de desespero, logo ultrapassados pelos programas de sensibilização emocional para a plenitude.

A grande transição prossegue, e porque se faz necessária, a única alternativa é examinar-lhe a maneira como se apresenta e cooperar para que as sombras que se adensam no mundo sejam diminuídas pelo sol da imortalidade.

Nenhum receio deve ser cultivado, porque, mesmo que ocorra a morte, esse fenômeno natural é veículo da vida que se manifestará em outra dimensão.

***

A vida sempre responde conforme as indagações morais que lhe são dirigidas.

As aguardadas mudanças que se vêm operando trazem uma ainda não valorizada contribuição, que é a erradicação do sofrimento das paisagens espirituais da Terra.

Enquanto viceje o mal no mundo, o ser humano torna-se-lhe a vítima preferida, em face do egoísmo em que estorcega, apenas por eleição especial.

A dor momentânea que o fere convida-o, por outro lado, à observância das necessidades imperiosas de seguir a correnteza do amor no rumo do oceano da paz.

Logo passado o período de aflição, chegará o de harmonia.

Até lá, que todos o investimentos sejam de bondade e de ternura, de abnegação e de irrestrita confiança em Deus.

Joanna de Ângelis

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, no dia 30 de julho de de 2006, na cidade do Rio de Janeiro/ RJ, publicada na revista "Reformador", Ano 125/Março de 2007/N. 2.136).

domingo, 18 de abril de 2010

JOVEM CROATA ACORDA DE COMA FALANDO ALEMÃO


Jovem croata acorda de coma falando alemão

Menina de 13 anos até estudava o idioma, mas tinha somente um conhecimento básico

publicado em 13/04/2010 às 09h07:

Uma garota croata de 13 anos acordou de um coma de duas semanas e, em vez de começar a falar sua língua mãe, desembestou a conversar fluentemente em alemão.

A adolescente, que vive em Knin, na Croácia, até estudou um pouco de alemão no colégio e se interessava bastante pelo idioma. Mas seus pais juram que seu nível na língua de Goethe era básico.

Além de estar falando alemão fluentemente, a menina não consegue mais pronunciar uma só palavra em croata.

Ela já foi examinada por vários médicos e psicólogos. Ninguém consegue explicar o que se passa na cabeça da garota.

A menina foi internada em um hospital de Split há duas meses, com envenenamento sanguíneo.

Segundo o neuropsiquiatra Mijo Milas - sim, este é o nome do cara - este caso é impossível de ser explicado pela medicina.

Para ele, a mudança pode ter sido determinada pelo subconsciente da jovem.

- Muita coisa pode ficar escondida no fundo do cérebro. A garota podia saber muito mais alemão do que ela demonstrava no dia a dia. É até mesmo possível que ela tenha se conectado mentalmente com alguém que estivesse estudando a língua.

O médico explica que existem relatos semelhantes de pessoas que começaram a falar outro idioma sem querer até mesmo na Bíblia.

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