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quarta-feira, 17 de março de 2010

ALTERIDADE E ALEGRIA





SARA NOUSIAINEN




Uma palavra que nestes últimos anos vem ganhando espaço em algumas áreas do pensamento humano, inclusive nos meios espíritas, é alteridade. É o VALOR, por excelência. É o mais importante mecanismo para o crescimento do homem como ser social, que pode levá-lo a interagir pacífica e beneficamente com tudo que o cerca. É, sem dúvida, o veículo capaz de conduzir a humanidade para a tão esperada nova era.

Na questão 621 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta onde estão escritas as leis de Deus, obtendo a seguinte resposta: “Na consciência”.

Refletindo sobre as implicações da prática da alteridade pelos seres humanos, pode-se afirmar que esse é um valor que está escrito em nossas consciências e que somente agora começa a ser descoberto, quando já se podem vislumbrar alguns tênues clarões a indicarem a aurora de um novo tempo. Seu significado reflete uma nova mentalidade, aquela que deverá vigorar na civilização que, certamente, irá transformar a Terra num mundo de regeneração porque se refere à aceitação das diferenças; também significa a não-indiferença, o amar ou ser responsável pelo outro, o aprender com os diferentes, aceitando e respeitando-os em suas diferenças. A propósito, devemos lembrar que todos os seres humanos são diferentes uns dos outros.

A postura alteritária nos leva a ver todos com bons olhos, lembrando as palavras de Jesus: “Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas.” (Mateus 6:22 e 23)

Para um bom convívio é imprescindível haver alteridade, porque ela favorece a pacificação, o bom entendimento (não fingido) entre grupos e pessoas, um relacionamento maduro, fraterno e respeitoso.

Além disso, a cultura da alteridade nos favorece um “status” interno de leveza, harmonia e bem-estar, porque nos habilita a olhar a tudo e a todos com “bons olhos”.

Muitas vezes, em nossa cultura não alteritária, olhamos para o outro com olhar que se detém em seu lado negativo, ou seja, naquilo que a nossa ótica possa condenar, achar errado e criticar. Assim, mesmo sem perceber, estamos nos erigindo como modelos e descartando ou minimizando aqueles cujos valores sejam diferentes dos nossos.

Atitudes assim pesam em nossa evolução, atrasando-a. Além disso, atuam como verdadeira industria de energias negativas, ao passo que uma postura alteritária gera energias mais leves, benfazejas. Quer comprovar? Faça uma experiência: olhe para qualquer pessoa procurando ver nela alguém que traz em si, em sua individualidade, conteúdos adquiridos em longas jornadas reencarnatórias, marcadas por dores e alegrias, ora como vítima, ora como algoz, aprendendo no bojo do tempo e das experiências os valores que hão de predominar no seu futuro, próximo ou distante. Veja nessa pessoa, seja ela quem for, uma vida em crescimento, com suas sombras e sua luz, com todo o direito de vivenciar suas experiências como melhor entender. Mas veja nela também um caminhante-irmão nos longos percursos cósmicos, tão amado e tão assistido quanto você mesmo pelos “poderes mais altos”. Olhe-a com respeito e procure sentir como o amor universal está presente em tudo e em todos, em você e nela.

Observe em seguida o quanto essa forma de “ver” o outro lhe fez bem; como faz bem nos sentirmos partícipes da vida e do universo, caminhando lado a lado com os demais, respeitando a todos em suas diferenças.

Em seguida olhe para alguma pessoa (pode ser a mesma) com aquele olhar crítico que classifica, julga, seleciona e discrimina. Teça suas críticas e emita seus julgamentos, vendo-a pela ótica discriminatória e, em seguida, observe o tipo de ambiente íntimo que criou para si próprio.

Assim, é possível imaginar o tipo de ambientes que são criados nas instituições espíritas onde a alteridade não está presente.

Outro fator que concorre poderosamente para criar ambientes pesados em alguns centros é a “cultura do sofrimento”, que foi instituída no mundo cristão e da qual muitos espíritas herdaram alguns resquícios. Essa cultura reflete a mentalidade que vigorava nas teias da Inquisição, e ainda vigora na Igreja Católica, entendendo ser necessário fazer o corpo sofrer para salvar a alma, ou seja, sempre a “salvação” pelas vias do sofrimento. Até mesmo a crucificação de Jesus foi e continua a ser vista no mundo cristão pela mesma ótica.

Mas desde alguns anos, felizmente, vem surgindo nos meios espíritas a idéia do crescimento interior substituindo a cruz. Esta, sem dúvida, é necessária, tanto como fator de resgate, quanto como força propulsora de evolução espiritual. Entretanto, sempre é possível tornarmos a nossa cruz mais leve e, em alguns casos, até mesmo nos livrarmos dela.

Se, como tudo indica, já estamos entrando na etapa em que nosso mundo irá transitar da condição de expiação para a de regeneração, também precisamos começar a pensar por outros enfoques, mudar alguns paradigmas. É preciso acompanhar a evolução, nos colocarmos na sua dianteira, como integrantes da doutrina progressista que professamos e divulgamos.

Estamos num momento em que forças evolutivas nos atraem para o progresso, enquanto outras retrógradas, muitas vezes por falta de informação, procuram atrapalhar a marcha.

Exemplo disso podemos encontrar nos muitos companheiros que, talvez por não se “debruçarem” com sinceridade e sem preconceitos sobre alguns temas importantes, condenam a alteridade e outros valores que vêm sendo introduzidos nos meios espíritas, como, por exemplo, as oficinas voltadas ao crescimento interior e a auto-ajuda, afirmando que ferem a pureza doutrinária. No entanto, se cuidassem de analisar melhor essas questões, perceberiam que a alteridade é indispensável para implementar a paz e impulsionar a evolução e as oficinas em referência, assim como a auto-ajuda refletem justamente a essência dos ensinamentos espíritas e dos ensinos de Jesus, representando aquele esforço a mais que alguém faz para conhecer a si mesmo, erguer-se e começar a caminhar com os próprios pés. É o crescimento interior roteirizado, sistematizado e priorizado. É o aprofundar em questões que a Psicologia e outras ciências estudam e conhecem melhor, permitindo mais seguras orientações visando esse crescimento, em busca de plenitude.

Importa lembrar que o Mestre dizia: “Levanta-te e anda”, e essa ordem também vale para a evolução espiritual do ser. Levantar-se com a ajuda dos irmãos maiores e aprender a andar, ou seja, a desenvolver os próprios valores latentes.

Ao contrário do que muitos espíritas apregoam, auto-ajudar-se significa desenvolver recursos internos para transformar velhas viciações da alma em valores, naquelas mesmas virtudes que Jesus ensinou; buscar meios para construir em si mesmo a paz, a harmonia e o equilíbrio; cuidar melhor do interior, para que o corpo responda com saúde e bem-estar.

Pela “cultura do sofrimento” o espírita não é uma pessoa feliz, alegre, de bem com a vida; deve ter sempre presente a sua realidade de “grande devedor” que, por misericórdia divina, está tendo a oportunidade de carregar seu pesado carma, arrastando-o vida afora. Só a esperança de vir a ser feliz depois que retornar ao mundo espiritual, lhe abranda as angústias interiores e enxuga algumas das lágrimas que lhe escorrem pelo rosto.

Mas será que Deus criou os seres para sofrerem?

Muitas pessoas terminam de cumprir seus “resgates cármicos” e continuam sofrendo pesadamente, porque cultivaram o sofrimento que permaneceu ativo em seus perispíritos e acabou danificando órgãos e sistemas. Assim, carregados de achaques e problemas com a saúde continuam a cultivar estados de espírito negativos, depressivos, lamentosos, gerando cada vez mais energias pesadas, num círculo vicioso que só se rompe, com profundas mudanças internas.

Para quem estranhar falarmos em energias pesadas ou leves, lembramos aquelas pesquisas realizadas em universidades, divulgadas pela mídia, em que grupos de pessoas vibravam com ódio contra plantas e estas murchavam, ficavam mirradas e até mesmo morriam, enquanto outras que recebiam vibrações de vida e alegria ficavam cada vez mais viçosas. Essas experiências comprovaram a existência de energias benéficas e maléficas que atingem o alvo e geram efeitos. O mesmo com relação aos doentes que recebiam orações e apresentavam significativas melhoras.

Não vamos, pois, continuar impondo o peso do carma aos companheiros de ideal espírita, nem aos que transitam pelos nossos arraiais. Ao contrário, busquemos ajudá-los a se libertarem de todos os pesos desnecessários; a entenderem que a evolução é como uma caminhada em direção ao topo de alta montanha, e que ela pode ser feita com alegria no coração e passos mais leves no caminho, lembrando que a alegria é verdadeiro elixir de vida, gerador de poderosas energias necessárias para sustentar nossa jornada e torná-la mais leve.

Disse certa vez um espírito amigo que o Evangelho é a mais alegre das filosofias e o maior dos sorrisos na história do pensamento humano.

Por que então nutrir sentimentos pesados, ou imaginar fardos cármicos e neles ficar presos pelos fios do pensamento?

Muito melhor e mais saudável é mudarmos nossa ótica, passando a ver o sofrimento como alavanca para nossa evolução, como a necessária dor do crescimento espiritual. Com esse enfoque podemos pegar nossas “penas”, colocá-las dentro de um saco pintado com cores claras e com flores, jogá-lo às costas e partir para a vida, cantando a alegria de viver e de amar. Com esse enfoque podemos transformar o centro espírita num ambiente leve, num local alegre onde nos reunimos, não para pagar culpas, mas para adquirir um pouco mais de luz, um pouco mais de valores visando enriquecer nossa alma, promovendo assim, nosso crescimento interior.

As responsabilidades que assumimos com o trabalho na seara espírita e o respeito que lhe devemos, não precisam revestir-se com ar carrancudo, mas devem refletir-se em atitudes que iluminam, levantam, fortalecem, tornando o ambiente mais fraterno e mais feliz.

Se os espíritos dizem que centro espírita é um hospital, devemos entender que nós que ali militamos, formamos a equipe de trabalho e não o conjunto dos pacientes. Certamente também temos as nossas enfermidades da alma que devemos tratar com todo cuidado, mas mantendo sempre uma postura positiva, de soerguimento, para transmitir aos pacientes e ao próprio ambiente, vibrações de esperança, de fraternidade e de alegria. Lembremos a importância da alegria num hospital; daqueles grupos de pessoas que os visitam, vestidos de palhaços e fazendo brincadeiras, ou tocando e cantando coisas alegres. É público e notório o efeito benéfico produzido nos enfermos.

Assim, se já estamos começando a vislumbrar luzes além das curvas do caminho, que indicam estarmos iniciando o processo de transição para o início de uma nova era; se estamos ingressando no período das atitudes, conforme disse Bezerra de Menezes, procuremos refletir sobre tudo isto e, refletindo, pesando, analisando, certamente concluiremos que essas atitudes de que fala ,contemplam valores como o AMOR, a ALTERIDADE, a DECÊNCIA, o COMPANHEIRISMO, a RESPONSABILIDADE e o CONTENTAMENTO ou ALEGRIA.

Se a presença de um espírito superior nos transmite sentimentos de amor, de alteridade e de profundo júbilo, isto demonstra que esses valores são próprios dos seres que habitam em mais elevados patamares, para onde estamos caminhando.

Nada mais acertado, portanto, do que começarmos nós também, desde já, a cultivá-los.

Saara Nousiainen

quarta-feira, 10 de março de 2010

150 ANOS DE ESPIRITISMO CIENTÍFICO


150 ANOS DE ESPIRITISMO CIENTÍFICO

(hoje 153)

MARLENE NOBRE



Naturalmente, os 150 anos de O Livro dos Espíritos, suscitam em nós, seus beneficiários, justas homenagens e comemorações; não devemos esquecer, todavia, de enfatizar a importância da contribuição desse legado à renovação de todas as áreas do conhecimento humano. De nossa parte, gostaríamos de rememorar, sobretudo, algumas questões ligadas ao campo do pioneirismo científico.

Antes de tudo, é preciso relembrar que Kardec situou toda sua pesquisa em bases experimentais, procurando não somente estabelecer a veracidade fática, mas também submeter a controle os ensinos coletados pelos Espíritos, desde que pôde observar divergência de opiniões entre eles debitável às diferenças de conhecimento intelectual e estado moral.

A primeira edição de O Livro dos Espíritos foi lançada em 1857, com 501 itens. Em março de 1860, já publicava ele a 2a edição consideravelmente aumentada, com 1018 itens, além de notas , abrangendo questões científicas , filosóficas e religiosas.

O Livro dos Espíritos não é uma obra científica, mas nele encontramos, referências a distintos ramos do saber. Anotemos algumas: na 2a edição, há revelações sobre a evolução que possuem uma amplidão maior que a suscitada pela obra de Darwin – A Origem das Espécies, de 1859, na qual confirmou os dados expostos na Royal Society juntamente com Wallace em 1858. Darwin não incluiu, porém, o homem na teoria evolucionista; somente no ano de 1871 veio a fazê-lo (veja-se Sobre a Descendência do homem), estimulado pelas publicações de Haeckel em 1866 e 1868.

O conceito exposto em O Livro dos Espíritos é mais amplo: nos itens 540, 560, 604,606 e 607, Kardec colecionou referências à evolução , abrangendo os reinos do mineral ao hominal bem como o próprio espírito, demarcando assim uma evolução biológica e espiritual dos seres, todos eles emergentes do mundo atômico. Isto indica a necessidade de se levar em conta o espírito humano numa descrição do universo pela Física, como postulava Teilhard de Chardin, posicionamento que vai adquirindo seguidores como se pode verificar pelos trabalhos do físico francês Jean Charon, no qual o homem é visto como um participante ativo no processo de criação.

Como se vê, desde 1860, os espíritas não são criacionistas, pelo menos, não no sentido literal dado a este termo, e que tanta polêmica tem causado entre cientistas e religiosos em geral. Somos evolucionistas de primeira hora, embora de uma maneira muito especial, porque colocamos Deus no princípio de tudo e o princípio espiritual como uma de Suas criações, evoluindo do “átomo ao arcanjo”, através de encarnações sucessivas.

No item 36, negam os Espíritos a existência de um vácuo absoluto, por estar o espaço ocupado por uma “substância invisível”, algo como um campo quantizado dos físicos, do qual surge a matéria visível, sempre que ocorrem condensações no meio. Na questão n.39, ensinavam os Espíritos que a formação das partículas nucleares, que dão lugar ao surgimento do universo, resultaria da condensação de uma substância cósmica primitiva, disseminada no espaço. Os itens 39 e 41 referem-se ao nascimento, envelhecimento e dissolução dos astros com a disseminação da matéria pelo espaço. O sentido da unidade de todas as coisas encontra-se nos itens 23 e 33: “Tudo está em tudo”.

Do conceito de que a substância cósmica é imponderável, Kardec deduziu que a gravidade era uma propriedade relativa e que, fora da ação dos mundos, não haveria peso, conforme se tem comprovado pelas pesquisas espaciais. A afirmativa de John Gribbin de que “a gravidade é a força que mantém unido o universo” corresponde à idéia enunciada no item 27: o fluido cósmico seria o princípio sem o qual a matéria estaria em estado contínuo de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá”. Em última análise, é o fluido cósmico que mantém unido o universo.

Na questão 36, que reproduz a de n. 16 da 1a edição, os Espíritos afirmaram que “existe mesmo infinito em todas as coisas”. Ressalta da assertiva o princípio de não-separabilidade a unidade de todos os seres e coisas a partir de uma origem única: eles estão de tal modo relacionados entre si que podem ser ditos infinitos, sem separações, ao contrário do que se apresentam à nossa percepção.

Essas idéias científicas pioneiras terão, neste ano de 2007, pelo menos em parte, excelente oportunidade de serem testadas, uma vez que, no 2o semestre, entrará em funcionamento o Grande Colisor de Hádrons (LHC) no CERN, famoso centro de pesquisas científicas no campo da Física, em Genebra, Suíça, quando será testado pelo menos um dos fundamentos da Teoria das Supercordas - a supersimetria. Esta Teoria, além da supersimetria – existência de uma família de partículas desconhecidas - prevê a existência de 11 dimensões, além das conhecidas, como também a da existência de uma quinta força no Universo, com a qual nós somente entraríamos em conexão , através da gravidade. Para nós, seria o nosso conhecido e decantado fluido cósmico universal ou matéria cósmica primitiva.

É preciso ressaltar ainda que O Livro dos Espíritos foi um marco na difusão da reencarnação no Ocidente. E foi graças ao estudo da reencarnação que se abriram portas para múltiplas investigações, inclusive terapêuticas.

Ainda como decorrência natural de O Livro dos Espíritos, Kardec continuou suas pesquisas, lançando, em seguida, O Livro dos Médiuns, um verdadeiro tratado para a prática do paranormal. Neste livro, ao pesquisar os estados alterados de consciência , o Codificador defrontou-se , antes de Freud, com o inconsciente, no estudo dos fenômenos mediúnicos: sujeitos existiam capazes de recepcionar campos informacionais extrafísicos sem terem consciência do fato; outros, dotados de energia singular , eram capazes de, por eles mesmos, produzirem efeitos físicos (pessoas elétricas , torpedos humanos).

Com os inquéritos a que submeteu os Espíritos comunicantes, a partir da elaboração do livro basilar que ora completa 150 anos, Kardec credenciou-se como o criador de uma sociologia do mundo espiritual.

Certamente, ainda existem muitos outros avanços a serem respigados nessa obra renovadora: as idéias de responsabilidade social, previdenciárias, educacionais, etc. Sem dúvida, um campo aberto a mais amplos estudos e pesquisas.

quinta-feira, 4 de março de 2010

SÃO CHEGADOS OS TEMPOS



São chegados os tempos, dizem-nos de todas as partes, marcados por Deus, em que grandes acontecimentos se vão dar para regeneração há humanidade. Em que sentido se devem entender essas palavras proféticas? Para os incrédulos, nenhuma importância tem;

Aos seus olhos, nada mais exprimem que uma crença pueril, sem fundamento. Para a maioria dos crentes, elas apresentam qualquer coisa de místico e de sobrenatural, parecendo-lhes prenunciadoras da subversão das leis da natureza. São igualmente errôneas ambas essas interpretações; a primeira, porque envolve uma negação da providência, a segunda, porque tais palavras não anunciam a perturbação das leis da natureza, mas o cumprimento dessas leis.

Tudo na criação é harmonia; tudo revela uma previdência que não se desmente, nem nas menores, nem nas maiores coisas. Temos, pois, que afastar, desde logo, toda idéia de capricho, por inconciliável coma sabedoria divina. Em segundo lugar, se a nossa época está designada para realização de certas coisas, é que estas têm uma razão de ser na marcha do conjunto. Isto posto, diremos que o nosso globo, como tudo o que existe, está submetido à lei do progresso.Ele progride,fisicamente, pela transformação dos elementos que o compõem e, moralmente, pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam.Ambos esses progressos se realizam paralelamente, porquanto o melhoramento da habitação guarda relação com o do habitante.Fisicamente, o globo terráqueo há experimentado transformações que a Ciência tem comprovado e que o tornam sucessivamente habitável por seres de cada vez mais aperfeiçoados. Moralmente, a humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo que o melhoramento do globo se opera sob a ação das forças materiais, os homens para isso concorrem pelos esforços de sua inteligência. Sanejam as regiões insalubres, tornam mais fáceis as comunicações e mais produtiva a terra.

De duas maneiras se executa esse duplo progresso:

Uma, lenta, gradual e insensível; a outra, caracterizada por mudanças bruscas, a cada uma das quais corresponde um movimento ascensional mais rápido, que assinala, mediante impressões bem acentuadas, os períodos progressivos da Humanidade. Esses movimentos, subordinados, quanto ás particularidades, ao livre-arbítrio dos homens, são, de certo modo, fatais em seu conjunto, porque estão sujeitos a leis, como os que se verificam na germinação, mo crescimento e na maturidade das plantas. Por isso é que o movimento progressivo se efetua, ás vezes, de modo parcial, isto é, limitado a uma raça ou a uma nação, doutras vezes, de modo geral.

O progresso da humanidade se cumpre, pois, em virtude de uma lei. Ora, como todas as leis da natureza são obra eterna da sabedoria e da presciência divinas, tudo o que é feito dessas leis resulta da vontade de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável. Quando, por conseguinte, a humanidade está madura para subir um degrau, pode dizer-se que são chegados os tempos marcados por Deus,como pode dizer também que, em tal estação, eles chegam para maturação dos frutos e sua colheita (...)

Do livro A GÊNESE –ALLAN KARDEC – Cap.VXIII.itens 1 e 2

segunda-feira, 1 de março de 2010

CONHECIMENTO DE SI MESMO


Os adultos geralmente não lêem revistas em quadrinhos, mas algumas delas trazem ensinamentos profundos, de maneira lúdica e inteligente.

Com desenhos bem feitos e cores vivas, os personagens criados pelos artistas vão passando lições de filosofia e conceitos importantes para a formação de uma geração mais consciente.

Por vezes, numa única página encontramos grandes lições.

E uma dessas começa com o personagem chamado Horácio, um pequeno dinossauro verde, que caminha por entre as rochas e de repente se vê diante de um grande espelho.

Olha para sua imagem refletida diante de si, e algo lhe chama a atenção.

Depois de uma observação atenta, exclama para si mesmo: “perninhas curtinhas...

Olha mais detidamente e pensa: “bracinhos minúsculos!”

Uma olhada a mais e se dá conta: “olhos esbugalhados e um cabeção enorme!”

Observa-se um pouco mais e depois se vai, feliz da vida, pensando consigo mesmo:

“Ah, tudo bem! Deve ser um daqueles espelhos que deformam a gente!”

* * *
Nós também nos deparamos constantemente com o espelho da nossa própria consciência, que não só aponta as nossas deformidades morais, como indica a melhor conduta que deveríamos adotar.

Quando não é o espelho da consciência, são as pessoas que convivem conosco que nos falam sobre os nossos defeitos.

No entanto, muitos de nós fazemos como Horácio, damos as costas e dizemos que a deformidade é culpa do espelho.

Quando a consciência nos alerta sobre a inveja que enfeia a nossa imagem, nós nos desculpamos dizendo que o outro não tem direito ou merecimento, e que fomos preteridos pela divindade.

Se o ciúme projeta uma imagem deformada e o espelho íntimo nos assinala o problema, dizemos que é excesso de amor ou bem-querer, e que temos o direito de exigir posse exclusiva.

Se a avareza mostra sua face distorcida em nosso espelho íntimo, conformados, nos consolamos: “sou apenas econômico e previdente!”

Quando o orgulho alardeia sua soberania, e a consciência faz o alerta, a desculpa surge de imediato: “em mim só há dignidade!”

Mas se as nossas deformidades morais são apontadas pelos outros, que são nossos espelhos externos, nós dizemos que isso não passa de inveja, ciúme, despeito...

Não há dúvida de que o autoengano é uma realidade, e ocorre em nível inconsciente, mas existem maneiras de verificar se nossa conduta está ou não equivocada.

Também não há dúvida de que o autoconhecimento é a chave do progresso individual.

Para quem deseja realmente se autoconhecer, para fazer em si a reforma moral necessária à felicidade eterna, eis algumas dicas do grande filósofo santo Agostinho:

Quando estiver indeciso sobre o valor de uma de suas ações, pergunte como a qualificaria se fosse praticada por outra pessoa.

Se você a censura noutrem, não a poderia ter por legítima quando for o seu autor, pois Deus não usa de duas medidas na aplicação de sua justiça.

Procure também saber o que dela pensam os seus semelhantes e não despreze a opinião dos seus inimigos.

Os inimigos, nenhum interesse têm em mascarar a verdade e deus muitas vezes os coloca ao seu lado como um espelho, a fim de que seja advertido com mais franqueza do que o faria um amigo.

Todo aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas, deve indagar a sua consciência sempre e sem receio de ouvi-la.

É justo que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna.

Não trabalhamos todos os dias com o objetivo de juntar haveres que nos garantam repouso na velhice, que geralmente é cheia de dores e sofrimentos?

Seguramente valerá muito mais a pena investir alguns esforços para conquistar a felicidade sem fim.



Pensemos nisso!





(Equipe de Redação do Momento Espírita com base no item 919, de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.-
http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1435&let=C&stat=0 - texto recebido de A Era do Espírito)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

AJUDA-TE HOJE




Sim, nas leis da reencarnação, quase todos nós, os filhos da Terra,
Temos o passado a resgatar, o presente a viver e o futuro a construir.

Lembremo-nos, assim, de que, nas concessões da Providência Divina, o nosso mais precioso lugar de trabalho chama-se “AQUI”
e o nosso melhor tempo chama-se “AGORA”.

Detenhamo-nos, por isso, na importância das horas de HOJE.

Ontem, perturbação - Hoje, reequilíbrio
Ontem, a incompreensão - Hoje, o entendimento
Ontem, o desperdício - Hoje, a parcimônia
Ontem, a ociosidade - Hoje, a diligência
Ontem, a sombra - Hoje, a luz
Ontem, o arrependimento - Hoje, a reconstrução
Ontem, a violência - Hoje, a harmonia
Ontem, o ódio - Hoje, o Amor

Diz-nos a sabedoria de todos os tempos - “ajuda-te que o céu te ajudará" - afirmativa sublime que nos permitimos parafrasear, acentuando:
"Ajuda-te hoje, que o céu te ajudará sempre".

( Francisco Cândido Xavier por André Luiz. In: Coragem)


Foto surrealista de Vladimir Kush

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

EVOLUÇÃO E REFORMA ÍNTIMA


Do site da Revista Cristã de Espiritismo

Evolução significa desenvolver algo que já existe em potencial. Ou seja, evoluir espiritualmente significa manifestar, de forma gradativa, todo o potencial que existe em nós...

Em biologia, evolução é a mudança das características hereditárias de uma população, de uma geração para outra. Este processo faz com que os organismos mudem ao longo do tempo. A seleção natural é um processo pelo qual características hereditárias que contribuem para a sobrevivência e reprodução se tornam mais comuns numa população, enquanto que características prejudiciais tornam-se mais raras.

O termo evolução vem do latim evolutio, que significa “desabrochamento”. Segundo o dicionário Aurélio, evoluir significa “evolver, passar por transformações”.

Sob a ótica espírita, quando falamos que o espírito evolui desde os primórdios de suas ligações com a matéria, não significa que cada átomo, cada planta ou cada micróbio seja um espírito, mas, que esses reinos primitivos são o molde, a base por onde o princípio inteligente se manifesta a fim de desenvolver-se. É como o casulo da borboleta. Antes, ela só existia como lagarta! Ou seja, tudo na natureza se encadeia para que o espírito realize voos mais altos, rumo ao infinito. Sem o reino animal, o princípio inteligente não teria desenvolvido o instinto, essa força da natureza que é a base da nossa manifestação como seres humanos. É “cuidando do ninho” que são desenvolvidas as primeiras noções de família, para, posteriormente, as transformarmos em sentimento de amor para conosco (autoestima) e com a família universal.

Evolução significa desenvolver algo que já existe em potencial. Ou seja, evoluir espiritualmente significa manifestar, de forma gradativa, todo o potencial que existe em nós. Somos centelhas divinas. Somos a própria manifestação de Deus. Quando amamos, é o amor divino que está em ação. Portanto, trazemos em nossa essência o “código genético do Pai”. Apenas precisamos nos iluminar, nos conhecermos em profundidade para que a grande reforma espiritual se realize e o brilho interno da nossa consciência se manifeste.

Resumindo: sem autoconhecimento não é possível a reforma íntima. “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”. A Verdade está além dos livros, além da razão, da mente. A verdade é nossa realidade maior, é Deus em toda sua Plenitude. Este caminho é eterno, infinito, e a cada passo um novo horizonte se abre diante de nós.

Boa jornada a todos!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

ENREDAMENTOS PERIGOSOS



Toda obra do Bem, no delineamento de propósitos, é nobre e transcendente, esmaecendo porém, quando se corporifica mediante a ação humana.
Sensibilizado pelos ideais de engrandecimento espiritual, o indivíduo emociona-se e procura entregar-se completamente, sonhando em tornar-se o instrumento da inspiração superior e, à vezes, consegue-o.

No entanto, porque é Espírito em rudes provas, embora os sentimentos que o animam, imprime as dificuldades pessoais, colocando sombra e empeços no labor a que se entrega.

Assim sendo, é compreensível que defrontemos no trigal dourado o escalracho infeliz, e na claridade do dia triunfante a nuvem carregada de sombras a impedir-lhe a irradiação da luz.

A Terra ainda não é o habitat, mas o educandário de homens e mulheres em lutas interiores, tentando arrancar a ganga externa para que brilhe a gema pura que lhe jaz no interior aguardando o momento de desvelar-se.

Valiosos e digno de encômios esse esforço hercúleo pela auto-superação, quando se constata o expressivo número daqueles que se escravizam aos comprometimentos torpes quão criminosos, que lhes exigirão oportuna reparação penosa.

O Senhor da Vinha não aguarda que venham cooperar com Ele os trabalhadores destituídos de mazelas ou imperfeições, pois que esses são raros, por isso aceita todos quantos despertam para a sua mensagem e se dispões a servi-lO.

Jesus conhecia a fraqueza moral de Pedro, todavia, convidou-o para o banquete da Boa Nova.

Francisco Bernardone vivia uma existência frívola e atormentada; apesar disto, doou-se, e, superando-se, tornou-se Sol medieval a clarear o futuro da humanidade.

Maria de Magdala, mesmo depois de O seguir, não ficou livre da suspeita nem da crítica severa do grupo no qual se movimenta.

Jesus aceitou-os a todos e transformou-os com o tempo em pilares da sua doutrina.

Descobrir o lírio no pantanal e a estrela além da tormenta constitui desafio para quem se candidata ao crescimento interior.

Nesse mister, surgem enredamentos perigosos, que complicam a marcha e dificultam a ascensão dos obreiros.

Dentre outros, a censura mórbida, constante, e a intriga perversa, intoxicam as melhores intenções e asfixiam muitos ideais em desenvolvimento.

São responsáveis pela crueldade da destruição de obras abençoadas e de esforços relevantes que são vencidos.

O cupim perseverante vence a madeira que sucumbe ao seu trabalho insensível.

Assim é a ação da maledicência impiedosa e insistente.


Para romper-se essa rede constritora, é necessário que o amor se compadeça do vigia dos atos alheios sempre pronto e a zurzir o látego, como se fosse inatacável.

Não te deixes contaminar pelo pessimismo nem pela censura contumaz que te tragam ao coração.

Tem paciência e dá-te conta que o acusador gratuito não ama, não coopera, apenas cria embaraços.

Ajuda em silêncio e confia em Deus, fazendo a tua parte da melhor forma ao teu alcance.

É mais valioso que teu próximo esteja tentando agir bem e auxiliar, apesar dos erros que comete, do que se estivesse no outro lado, entre os desequilibrados que aguardam a tua ajuda.

Viver em harmonia em um meio social - seja qual for, já que em todos eles existem dificuldades a vencer - constitui desafio para a evolução.

Ampara, portanto, o teu irmão que pensa em ser útil e ainda não o consegue, ao invés de hostilizá-lo, combatê-lo, semeares espinhos por onde ele segue ao levá-lo a julgamento público arbitrário pelos contumazes desocupados que se contentam em demolir.



* * *
FOTO:Joanna de Ângelis (em sua reencarnação como freira).
Divaldo P.Franco. Da obra: Fonte de Luz.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

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