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terça-feira, 2 de agosto de 2011

O QUE É DEUS??


CAPÍTULO
1
DEUS
Deus e o infinito –
Provas da existência de Deus –
Atributos da Divindade – Panteísmo

DEUS E O INFINITO

1 O que é Deus?

– Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.1
2 O que devemos entender por infinito?
– O que não tem começo nem fim; o desconhecido; tudo o que é
desconhecido é infinito.
3 Poderíamos dizer que Deus é infinito?
– Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, que é
insuficiente para definir as coisas que estão acima de sua inteligência.
G Deus é infinito em suas perfeições, mas o infinito é uma abstração.
Dizer que Deus é infinito é tomar o atributo2 de uma coisa por ela
própria, é definir uma coisa que não é conhecida por uma outra igualmente
desconhecida.
PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS
4 Onde podemos encontrar a prova da existência de Deus?
– Num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem
causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e a vossa
razão vos responderá.
G Para acreditar em Deus, basta ao homem lançar os olhos sobre as
obras da criação. O universo existe, portanto ele tem uma causa. Duvidar
da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa e
admitir que o nada pôde fazer alguma coisa.
1 - O texto colocado após o travessão na seqüência das perguntas é a resposta que os Espíritos
deram. O sinal G indica que é um comentário de Kardec às respostas dos Espíritos (N. E.).
2 - Atributo: qualidade de um ser, aquilo que lhe é próprio. Neste caso, ser infinito é uma das
qualidades de Deus entre todas as demais, mas não é só isso, ou não é o bastante para O concebermos
(N. E.).

5 Que conclusão podemos tirar do sentimento intuitivo que todos
os homens trazem em si mesmos da existência de Deus?
– A de que Deus existe; de onde lhes viria esse sentimento se repousasse
sobre o nada? É ainda uma conseqüência do princípio de que não
há efeito sem causa.
6 O sentimento íntimo que temos em nós da existência de Deus
não seria o efeito da educação e das idéias adquiridas?
– Se fosse assim, por que vossos selvagens teriam também esse
sentimento?
G Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse o produto
de um ensinamento, não seria universal. Somente existiria naqueles que
tivessem recebido esse ensinamento, como acontece com os conhecimentos
científicos.
7 Poderemos encontrar a causa primária da formação das coisas
nas propriedades íntimas da matéria?
– Mas, então, qual teria sido a causa dessas propriedades? Sempre é
preciso uma causa primária.
G Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas
da matéria seria tomar o efeito pela causa, porque essas propriedades
são elas mesmas um efeito que deve ter uma causa.
8 O que pensar da opinião que atribui a formação primária a uma
combinação acidental e imprevista da matéria, ou seja, ao acaso?
– Outro absurdo! Que homem de bom senso pode conceber o acaso
como um ser inteligente? E, além de tudo, o que é o acaso? Nada.
G A harmonia que regula as atividades do universo revela combinações
e objetivos determinados e, por isso mesmo, um poder inteligente.
Atribuir a formação primária ao acaso seria um contra-senso, porque o
acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz.
Um acaso inteligente não seria mais um acaso.
9 Onde é que se vê na causa primária a manifestação de uma
inteligência suprema e superior a todas as inteligências?
– Tendes um provérbio que diz: “Pela obra reconhece-se o autor.”
Pois bem: olhai a obra e procurai o autor. É o orgulho que causa a incredulidade.
O homem orgulhoso não admite nada acima dele; é por isso que
se julga um espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!
G Julga-se o poder de uma inteligência por suas obras. Como nenhum
ser humano pode criar o que a natureza produz, a causa primária
é, portanto, uma inteligência superior à humanidade.
Quaisquer que sejam os prodígios realizados pela inteligência humana,
essa inteligência tem ela mesma uma causa e, quanto mais grandioso for
o que ela realize, maior deve ser a causa primária. É essa inteligência
superior que é a causa primária de todas as coisas, qualquer que seja o
nome que o homem lhe queira dar.

ATRIBUTOS DA DIVINDADE

10 O homem pode compreender a natureza íntima de Deus?
– Não, falta-lhe, para isso, um sentido.
11 Um dia será permitido ao homem compreender o mistério da
Divindade?
– Quando seu Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e,
pela sua perfeição, estiver mais próximo de Deus, então o verá e o compreenderá.
G A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender
a natureza íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem O
confunde muitas vezes com a criatura, da qual lhe atribui as imperfeições;
mas, à medida que o senso moral nele se desenvolve, seu pensamento
compreende melhor o fundo das coisas e ele faz uma idéia de Deus mais
justa e mais conforme ao seu entendimento, embora sempre incompleta.
12 Se não podemos compreender a natureza íntima de Deus,
podemos ter idéia de algumas de suas perfeições?
– Sim, de algumas. O homem as compreende melhor à medida que
se eleva acima da matéria. Ele as pressente pelo pensamento.
13 Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial,
único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos
uma idéia completa de seus atributos?
– Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abranger tudo. Mas
ficai sabendo bem que há coisas acima da inteligência do homem mais
inteligente e que a vossa linguagem, limitada às vossas idéias e sensações,
não tem condições de explicar. A razão vos diz, de fato, que Deus
deve ter essas perfeições em grau supremo, porque se tivesse uma só de
menos, ou que não fosse de um grau infinito, não seria superior a tudo e,
por conseguinte, não seria Deus. Por estar acima de todas as coisas, Ele
não pode estar sujeito a qualquer instabilidade e não pode ter nenhuma
das imperfeições que a imaginação possa conceber.
G Deus é eterno. Se Ele tivesse tido um começo teria saído do nada,
ou teria sido criado por um ser anterior. É assim que, de degrau em
degrau, remontamos ao infinito e à eternidade.
É imutável; se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o
universo não teriam nenhuma estabilidade.
É imaterial, ou seja, sua natureza difere de tudo o que chamamos
matéria; de outro modo não seria imutável, porque estaria sujeito às
transformações da matéria.
É único; se houvesse vários deuses, não haveria unidade de desígnios,
nem unidade de poder na ordenação do universo.
É todo-poderoso, porque é único. Se não tivesse o soberano poder,
haveria alguma coisa mais ou tão poderosa quanto Ele; não teria feito
todas as coisas e as que não tivesse feito seriam obras de um outro Deus.
É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das Leis
Divinas se revela nas menores como nas maiores coisas, e essa sabedoria
não permite duvidar de sua justiça nem de sua bondade.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

SEXO


SEXO

Pergunta o jovem:
– E daí, Chico. sexo antes do casamento é proibido?
Responde o médium:
– Meu filho, nada é proibido. No entanto, sem amor, nada vale a pena, nem o sexo, nem o casamento.
Notável observação!
A Doutrina Espírita, proverbialmente, enfatiza a consciência livre.
Não há proibições, considerando-se que a responsabilidade é uma planta frágil que só cresce em regime de liberdade.
Isso não consagra a idéia do liberou geral, já que tudo o que fizermos, dentro dos princípios de causa e efeito que nos regem, terá uma conseqüência.
Tenho a liberdade de fazer o que me aprouver, mas sempre responderei por minhas iniciativas.
Digamos, caro leitor, que desfrutamos todos de uma liberdade vigiada.
Os deslizes de comportamento fatalmente resultarão em cobranças, não na forma de punições divinas, mas de reações de nossa própria consciência, considerando que fomos programados para o que é certo, justo, verdadeiro.
O mal será sempre um desvio transitório de rota, com retorno obrigatório aos caminhos do Bem.
Em última instância, temos a liberdade de fazer exatamente… o que Deus espera de nós!
Tudo o que não for compatível com os desígnios divinos resultará em males tendentes a corrigir nossa rota.
Detalhe importante: as cobranças serão tanto mais severas quanto mais desenvolvido o Espírito em conhecimento, quanto mais amadurecido, mais capaz de distinguir o certo do errado, o Bem do mal.
***
Com relação à vida sexual, operou-se na década de sessenta, no século passado, uma revolução nos países ocidentais.
Vão longe os tempos em que sexo era considerado algo de pecaminoso, a ser exercitado apenas para a procriação, conforme ensinavam os manuais religiosos.
Vale lembrar que o dogma da virgindade perene de Maria foi inspirado nessa idéia. Como, argumentavam os teólogos, poderia a mãe de Jesus, personificação da pureza, ter se dado ao desfrute de uma relação sexual?
A forma de contornar essa dificuldade foi o dogma da virgindade perene de Maria. Não teria coabitado com José, mantendo-se casta.
Havia um problema: nos Evangelhos há referência aos irmãos de Jesus.
Resolveu-se a pendência com a idéia de que José tivera filhos de um casamento anterior, ou seriam apenas primos seus.
Não há limites para a fantasia quando renunciamos à lógica e ao bom senso.
***
Para o Espiritismo a atividade sexual não tem nada de pecaminosa.
É por ela que viemos ao Mundo.
É graças a ela que as espécies subsistem.
O problema para os teólogos estaria no prazer.
Sem prazer não haveria excessos, viciações, desajustes, paixões avassaladoras, traições...
Em contrapartida, estaria ameaçada a sobrevivência humana!
Já pensou, leitor amigo: sexo burocrático, frio, apenas para perpetuar a espécie?
Na realidade, o que compromete o relacionamento sexual são os excessos.
Sexo, na atualidade, deixou de ser parte do amor, convertendo-se em sinônimo dele.
Quando o jovem fala em fazer amor, expressão lamentável, está se referindo à prática sexual, como se o amor fosse sexo e não parte dele apenas.
E sem amor, como diz Chico, nada vale a pena, nem mesmo o sexo!


Do livro Rindo e Refletindo com Chico Xavier, volume II
RICHAR SIMONETTI


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