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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Reflexões espíritas sobre a Tragédia de Santa Maria


Reflexões espíritas sobre a Tragédia de Santa Maria


 

A tragédia de Santa Maria me leva a algumas reflexões que considero importantes para o movimento espírita.

Recentemente participei de uma banca de doutorado na Universidade Metodista, em que o pesquisador José Carlos Rodrigues, examinou em ampla investigação de campo quais os principais motivos de “conversão”, eu diria, “migração” para o espiritismo, no Brasil. Ganhou disparado a “resposta racional” que a doutrina oferece para os problemas existenciais.

De fato, essa é grande novidade do espiritismo no domínio da espiritualidade: introduzir um parâmetro de racionalidade e distanciar-se dos mistérios insondáveis, que as religiões sempre mantiveram intactos e impenetráveis, sobretudo o mistério da morte.

Entretanto, essa racionalidade, que era realmente a proposta de Kardec, tem sido barateada em nosso meio, como tudo o mais, para tornar-se uma cartilha de respostinhas simples, fechadas e dogmáticas, que os adeptos retiram das mangas sempre que necessário, de maneira triunfante e apressada, muitas vezes, sem respeito pela dor do próximo e sem respeito pelas convicções do outro. Explico-me.

Por exemplo: existe na Filosofia espírita uma leitura de mundo de “causa e efeito”, que traduziram como “lei do karma”, conceito que vem do hinduísmo. Essa ideia é de que nossas ações presentes geram resultados, que colheremos mais adiante ou que nossas dores presentes podem ser explicadas à luz de nossas ações passadas. Mas há muitas variáveis nesse processo: por exemplo, estamos sempre agindo e portanto, sempre temos o poder de modificar efeitos do passado; as dores nem sempre são efeitos do passado, mas sempre são motivos de aprendizado. O sofrimento no mundo resulta das mais variadas causas: má organização social, egoísmo humano, imprevidência… Estamos num mundo de precário grau evolutivo, onde a dor é nossa mestra, companheira e o que muitas vezes entendemos como “punição” é aprendizado de evolução.

O assunto é complexo e pretendo escrever mais profundamente sobre isso. Aqui, apenas gostaria de afirmar que nós espíritas, temos sim algumas respostas racionais, mas elas são genéricas e não podem servir como camisas de força para toda a realidade. Que respostas baseadas em evidências e pesquisas temos, por exemplo, para essas famílias enlutadas com a tragédia de Santa Maria?

• que a morte não existe e que esses jovens continuam a viver e que poderão mais dia, menos dia, dar notícias de suas condições;

• que a morte traumática deixa marcas para quem fica e para quem foi e que todos precisam de amparo e oração;

• que o sofrimento deve ter algum significado existencial, que cada um precisa descobrir e transformá-lo em motivo de ascensão…

• que a fé, o contato com a Espiritualidade, seja ela qual for, dá forças ao indivíduo, para superar um trauma dessa magnitude.

Não podemos afirmar por que esses jovens morreram. Não devemos oferecer uma explicação pronta, acabada, porque não temos esses dados. Os espíritas devem se conformar com essa impotência momentânea: não alcançamos todas as variáveis de um fato como esse, para podermos oferecer uma explicação definitiva. Havia processos da lei de causa e efeito? Provavelmente sim. Houve falha humana, na segurança? Certamente sim. Qual o significado que essa tragédia terá? Cada pai, cada mãe, cada familiar, cada pessoa envolvida deverá achar o seu significado. Alguns talvez terão notícias de algum evento passado que terá desembocado nesse drama; outros extrairão dessa dor, um motivo de luta para mais segurança em locais de lazer; outros acharão novos valores e farão de seu sofrimento uma bandeira para ajudar outros que estejam no mesmo sofrimento e assim por diante.

Oremos por essas pessoas, ofereçamos nossas melhores vibrações para os que foram e para os que ficaram e ainda para os que se fizeram de alguma forma responsáveis por esse evento trágico. Mas tenhamos delicadeza ao tratar da dor do próximo! Não ofereçamos respostas fechadas, apressadas, categóricas, deterministas. Ofereçamos amor, respeito e àqueles que quiserem, um estudo aberto e não dogmático, da filosofia espírita.

http://doraincontri.com/2013/01/28/reflexoes-espiritas-sobre-a-tragedia-de-santa-maria/

 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

BCAP - 4ªFASE - QUESTIONAMENTOS NO CASAMENTO,NA VIDA...



OBRIGADA POR MAIS UMA OPORTUNIDADE DE REFLEXÃO E OBRIGADÉRRIMA RUTE,POR ME LEMBRAR.




União estável à luz da Doutrina Espírita
Walter José de Carvalho Bezerra

Realmente não existem coincidências. No Universo, a Inteligência Suprema que a tudo e todos dirige, traça um plano individual e coletivo para toda a humanidade, em todos os planos e mundos, conhecidos e desconhecidos dos sentidos limitados dos homens de nosso planeta. Portanto, concordamos em quenão existe o "acaso". Também não acreditamos no destino da maneira como tem sido forjado pela mente humana.
Acreditamos no Amor. Acreditamos na Lei de Reprodução, Justiça, Amor e Caridade. Acreditamos que os espíritos, encarnados e desencarnados, se buscam nas multidões deste Universo fantástico e magnífico. Em "O Livro dos Espíritos", na pergunta 386, encontramos: "Podem dois seres que se conheceram e estimaram encontrar-se em outra existência corporal e reconhecer-se?" A resposta dos Espíritos Superiores dada a Allan Kardec foi: "Reconhecer-se não. Podem, porém,sentir-se atraídos um pelo outro. E, freqüentemente, diversa não é a causa de íntimas ligações fundadas em sincera afeição. Os dois seres se aproximam devido a circunstâncias aparentemente fortuitas, mas que na realidade, resultam da atração de dois Espíritos, que se buscam reciprocamente por entre a multidão" (grifos nosso) . Só que, na verdade, podem não ter se conhecido em outras existências, mas são espíritos afins ou por ideais ou por sentimentos ou por necessidades. São espíritos simpáticos. Não podemos esquecer que isto não quer dizer estarem no caminho do bem. Nossos sentimentos, objetivos e idéias podem estar distorcidos, não acompanhando a Lei Divina. Como também podemos dizer: Somos antipáticos àquele grupo. Mas isso acontece porque nossas idéias se contrapõem às deles, por já conhecermos ou recordarmos a Lei de Deus, que está gravada em nossa consciência.Também acreditamos que dois espíritos possam encarnar para um dia se encontrarem e muito se amarem. Existem, sim, conforme citado por Saulo de Tarso do CEPEAK, as uniões,provacionais, sacrificiais, afins e transcendentais. A maioria das uniões são provacionais, onde duas almas se encontram em processo de reajustamento. Daí as desarmonias, a desconfiança, os conflitos.Mas, também, entendemos que o verdadeiro casamento ou união é o casamento ou união de “almas”. Os outros são relações de amizade, ajuda mútua ou mesmo ajuste de contas. A união sacrificial é aquela em que uma alma iluminada se propõe a ajudar uma alma que se atrasou na sua jornada evolutiva. A união afim é aquela que reúne almas esclarecidas que muito se amam. As pessoas sentem como que se já tivessem se encontrado antes. E o amor é profundo, em paz e harmonia. A união transcendente é aquela de almas engrandecidas no bem que se reencontram no plano físico para grandes realizações. Não importam, nestes casos (afins e transcendência), as diferenças culturais ou sociais. Ao longo de nossa existência e trabalho na Seara Espírita e dedicação a estudos e pesquisas, seja no espiritismo experimental, filosofia ou religião, chegamos também a conclusão que, a medida em que o homem evolui do Reino Hominal para o Reino Espiritual, sem hipocrisia, como nos alerta o Prof. José Herculano Pires, e agindo de acordo com as Leis Divinas (Leis Naturais), mesmo as pessoas casando-se mais de uma vez, para o plano maior o que vale é o casamento de almas, ou seja, a combinação vibratória de dois seres (humanos) que se amam.
Deus, em sua infinita bondade e misericórdia, não punirá seus filhos por muito amarem ou se reencontrarem em alguma destas novas viagens, mesmo quando as condições dos homens, na atualidade, com suas Leis Sociais adequadas apenas à sua ânsia de poder, sejam as mais adversas possíveis.
O que se condena são os excessos, a promiscuidade, as desculpas de que agora se encontrou a “alma gêmea” para se cometer abusos e enganar os incautos. O que a Doutrina Espírita, enquanto moral cristã, apregoa é a paciência, tolerância, abnegação, resignação, fraternidade, ajuda aos nossos semelhantes e em especial aos nossos parceiros de labuta diária, especialmente se temos filhos, presentes de Deus que temos sob nossa responsabilidade de educar e formar para o porvir.
Acreditamos que o matrimônio ou união estável verdadeiramente só se realiza com acerto e em virtude de mútua simpatia. Assim, com afinidade e transcendência, será uma união perfeita e inseparável, um laço forte que prenderá os casais pela eternidade afora.
Sabemos que nos tempos antigos a existência de muitos filhos era considerada uma grande riqueza. As mulheres estéreis eram, por sua vez, perseguidas. Daí Móises ter consentido na “carta de divórcio”. O Homem-Jesus objetivando coibir esse abuso procurou remediar e disse: “Eu, porém vos digo que aquele que repudiar sua mulher a não ser por motivo de adultério e casar com outra, comete adultério; assim como aquele que casar com uma mulher repudiada, também comete adultério”.
Ora, para Deus nada valem os corpos; só os Espíritos valem. Entendemos, então, que a união do homem e da mulher será então ao mesmo tempo a união de dois corpos para a reprodução, todavia determinada por poderosa e irresistível simpatia, uma aliança que se efetive para sustentação e apoio mútuos, no desempenho dos encargos da existência, dos sofrimentos e dos infortúnios, na inteligência de Faride Moutran do FEEU de Porto Alegre.
Concluímos que o matrimônio e/ou a União Estável de dois seres que se amam, realizados com amor sublime, puro e verdadeiro, com base nas grandes famílias espirituais das quais fazemos parte, será uma união indissolúvel de dois espíritos em cumprimento às palavras do Divino Mestre: “Já não são dois, mas uma só carne; não separe o homem o que Deus uniu”.
Que Deus abençoe todas as uniões realizadas com pureza d’alma, com simpatia plena, sem provocar dores e sofrimentos e, com profundo respeito aos que não continuarão conosco as jornadas ainda a serem trilhadas.
Somos, em fim, uma grande família e irmãos em Cristo, filhos do mesmo Pai, e, portanto, evitemos os ódios e rancores que provocam as separações traumatizantes, evitemos o desprezo de nossos filhos e, por fim, evitemos os desgostos dos familiares carnais, para que não construamos novos débitos na contabilidade divina.
Conclamamos todos os irmãos a agirem com equilíbrio e sabedoria na constituição de suas uniões, seja pelo matrimônio, seja àquelas denominadas estáveis, seja na manutenção das antigas uniões, seja na constituição de novas famílias, a partir de famílias pré-existentes. Mas, não olvidemos jamais que o homem está neste globo terrestre para crescer e se desenvolver espiritualmente, para ser feliz, e neste contexto a família, pelo matrimônio e/ou união estável é o pilar, o sustentáculo para evolução da humanidade.
Fontes:
  • O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – Ed. FEB.- 109ª Edição, 1994.
  • O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Ed. IDE, 119ª Edição, 1998.
  • Curso Dinâmico de Espiritismo – O grande desconhecido – José Herculano Pires - Ed. Paidéia – 2ª Edição, 1982.
  • Bíblia Sagrada – Edição Missionária – Tradução de João Ferreira de Almeida Atualizada no Brasil, 2ª Edição, São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.


  • Jornal do CEPEAK – MAI/JUN –2002 –Tipos de Casamento e a Sociedade Pág. 8 - Artigo de Saulo de Tarso.
  • Imitação do Evangelho – FEEU – 1ª Ed. Julho 1976 – Faride Moutran – Prefácio de Edgard Armond em 24.12.1971 e com brilhante Parecer do Prof. J. Herculano Pires, em 2.03.1972.

sábado, 2 de junho de 2012

O Livro dos Espíritos - INTRODUÇÃO


O Livro dos Espíritos
PRINCÍPIOS DA DOUTRINA ESPÍRITA
sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens,
as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade - segundo os
ensinos dados por Espíritos superiores com o concurso de diversos médiuns - recebidos e
coordenados
P O R
ALLAN KARDEC
I N T R O D U Ç Ã O
ao estudo da
DOUTRINA ESPÍRITA
I
Para se designarem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza
da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras.
Os vocábulos espiritual, espiritualista, espiritualismo têm acepção bem definida. Dar-lhes
outra, para aplicá-los à doutrina dos Espíritos, fora multiplicar as causas já numerosas de
anfibologia. Com efeito, o espiritismo é o oposto do materialismo. Quem quer que acredite
haver em si alguma coisa mais do que matéria, é espiritualista. Não se segue daí, porém,
que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível.
Em vez das palavras espiritual, espiritualismo, empregamos, para indicar a crença a que
Vimos de referir-nos, os termos espírita espiritismo, cuja forma lembra a origem e o sentido
radical e que, por isso mesmo, apresentam a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis,
deixando ao vocábulo espiritualismo a acepção que lhe é própria. Diremos, pois, que a
doutrina espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com
os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas,
ou, se quiserem, os espiritistas.
Como especialidade, o Livro dos Espíritos contém a doutrina espírita; como
generalidade, prende-se à doutrina espiritualista, uma de cujas fases apresenta. Essa a
razão porque traz no cabeçalho do seu título as palavras: Filosofia espiritualista.
II
Há outra palavra acerca da qual importa igualmente que todos se entendam, por
constituir um dos fechos de abóbada de toda doutrina moral e ser objeto de inúmeras
controvérsias, à míngua de uma acepção bem determinada. É a palavra alma.
A divergência de opiniões sobre a natureza da alma provém da aplicação particular que cada um dá a esse termo.
 Uma língua perfeita, em que cada ideia fosse expressa por um termo próprio, evitaria
muitas discussões.
Segundo uns, a alma é o princípio da vida material orgânica. Não tem existência
própria e se aniquila com a vida: é o materialismo puro. Neste sentido e por comparação,
diz-se de um instrumento rachado, que nenhum som mais emite: não tem alma. De
conformidade com essa opinião, a alma seria efeito e não causa.
Pensam outros que a alma é o princípio da inteligência, agente universal do qual
cada ser absorve uma certa porção. Segundo esses, não haveria em todo o Universo
senão uma só alma a distribuir centelhas pelos diversos seres inteligentes durante a vida
destes ,voltando cada centelha, mortos ou seres, à fonte comum, a se confundir com o
todo,como os regatos e os rios voltam ao mar, donde saíram. Essa opinião difere da precedente em que,
nesta hipótese, não há em nós somente matéria, subsistindo alguma coisa após a morte.
Mas é quase como se nada subsistisse, porquanto, destituídos de individualidade, não m
mais teríamos consciência de nós mesmos. Dentro desta opinião, a alma universal seria Deus,
e cada ser um fragmento da divindade. Simples variante do panteísmo.
Segundo outros, finalmente, a alma é um ser moral, distinto, independente da
matéria e que conserva sua individualidade após a morte. Esta acepção é, sem  
contradita a mais geral, porque, debaixo de um nome ou de outro, a ideia desse ser que sobrevive ao
corpo se encontra, no estado de crença instintiva, não derivada de ensino, entre todos os
povos, qualquer que seja o grau de civilização de cada um. Essa doutrina, segundo a
qual a alma é causa e não efeito, é a dos espiritualistas.
Sem discutir o mérito de tais opiniões e considerando apenas o lado linguístico da
questão, diremos que estas três aplicações do termo alma correspondem a três ideias
distintas, que demandariam, para serem expressas, três vocábulos diferentes. Aquela
palavra tem, pois, tríplice acepção e cada um, do seu ponto de vista, pode com razão defini-la como o faz. O mal está em a
língua dispor somente de uma palavra para exprimir três ideias. A fim de evitar todo
equívoco, seria necessário restringir-se a acepção do termo alma a uma daquelas ideias.
A escolha é indiferente; o que se faz mister é o entendimento entre todos reduzindo-se o
problema a uma simples questão de convenção. Julgamos mais lógico tomá-lo na sua
acepção vulgar e por isso chamamos ALMA ao ser imaterial e individual que em nós reside
e sobrevive ao corpo. Mesmo quando esse ser não existisse, não passasse de produto da
imaginação, ainda assim fora preciso um termo para designá-lo.
Na ausência de um vocábulo especial para tradução de cada uma das outras ideias a
que corresponde a palavra alma, denominamos:
Princípio vital o princípio da vida material e orgânica, qualquer que seja a fonte
donde promane, princípio esse comum a todos os seres vivos, desde as plantas até o
homem. Pois que pode haver vida com exclusão da faculdade de pensar, o princípio vital é
uma propriedade da matéria, um efeito que se produz achando-se a matéria em dadas
circunstâncias. Segundo outros, e esta é a ideia mais comum, ele reside em um fluido
especial, universalmente espalhado e do qual cada ser absorve e assimila uma parcela
durante a vida, tal como os corpos inertes absorvem a luz. Esse seria então o fluido vital
que, na opinião de alguns, em nada difere do fluido elétrico animalizado, ao qual
também se dão os nomes de fluido magnético, fluido nervoso, etc.
Seja como for, um fato há que ninguém ousaria contestar, pois que resulta da
observação: é que os seres orgânicos têm em si uma forma íntima que determina o
fenômeno da vida, enquanto essa força existe; que a vida material é comum a todos os seres
orgânicos e independe da inteligência e do pensamento; que a inteligência e o pensamento
são faculdades próprias de certas espécies orgânicas; finalmente, que entre as espécies
orgânicas dotadas de inteligência e de pensamento há uma dotada também de um senso
moral especial, que lhe dá incontestável superioridade sobre as outras: a espécie humana.
Concebe-se que, com uma acepção múltipla, o termo alma não exclui o
materialismo, nem o panteísmo. O próprio espiritualismo pode entender a alma de
acordo com uma ou outra das duas primeiras definições, sem prejuízo do Ser imaterial distinto,
a que então dará um nome qualquer. Assim, aquela palavra não representa uma opinião: é um Proteu, que cada um ajeita a seu bel-prazer. Daí tantas disputas intermináveis.
Evitar-se-ia igualmente a confusão, embora usando-se do termo alma nos três casos,
desde que se lhe acrescentasse um qualificativo especificando o ponto de vista em que
se está colocado, ou a aplicação que se faz da palavra. Esta teria, então, um caráter genérico,
designando, ao mesmo tempo, o princípio da vida material, o da inteligência e o do
senso moral, que se distinguiriam mediante um atributo, como os gases, por exemplo,
que se distinguem aditando-se ao termo genérico as palavras hidrogênio, oxigênio ou azoto.
Poderse-ia ,assim dizer, e talvez fosse o melhor, a alma vital - indicando o princípio da
Vida material; a alma intelectual - o princípio da inteligência, e a alma espírita - o da
Nossa individualidade após a morte. Como se vê, tudo isto não passa de uma questão de palavras,
mas questão muito importante quando se trata de nos fazermos entendidos. De
conformidade com essa maneira de falar, a alma vital seria comum a todos os seres
orgânicos: plantas, animais e homens; a alma intelectual pertenceria aos animais e aos
homens; e a alma espírita somente ao homem.
Julgamos dever insistir nestas explicações pela razão de que a doutrina espírita
repousa naturalmente sobre a existência, em nós, de um ser independente da matéria e que
que sobrevive ao corpo. A palavra alma, tendo que aparecer com frequência no curso
desta obra, cumpria fixássemos bem o sentido que lhe atribuímos, a fim de evitarmos qualquer engano.


.
Passemos agora ao objeto principal desta instrução preliminar.

III
Como tudo que constitui novidade, a doutrina espírita conta com adeptos e
contraditores. Vamos tentar responder a algumas das objeções destes últimos, examinando
o valor dos motivos em que se apoiam, sem alimentarmos, todavia, a pretensão de
convencer a todos, pois muitos há que creem ter sido a luz feita exclusivamente para eles.
Dirigimo-nos aos de boa-fé, aos que não trazem ideias preconcebidas ou decididamente
firmadas contra tudo e todos, aos que sinceramente desejam instruir-se e lhes
demonstraremos que a maior parte das objeções opostas à doutrina promanam de
incompleta observação dos fatos e de juízo leviano e precipitadamente formado.
Lembremos, antes de tudo, em poucas palavras, a série progressiva dos fenômenos
que deram origem a esta doutrina.
O primeiro fato observado foi o da movimentação de objetos diversos. Designaram -no
vulgarmente pelo nome de mesas girantes ou dança das mesas. Este fenômeno, que
parece ter sido notado primeiramente na América, ou melhor, que se repetiu nesse país,
porquanto a História prova que ele remonta à mais alta antiguidade, se produziu rodeado
de circunstâncias estranhas, tais como ruídos insólitos, pancadas sem nenhuma causa
ostensiva. Em seguida, propagou-se rapidamente pela Europa e pelas partes do mundo.
A princípio quase que só encontrou incredulidade, porém, ao cabo de pouco tempo, a
multiplicidade das experiências não mais permitiu lhe pusessem em dúvida a realidade.
Se tal fenômeno se houvesse limitado ao movimento de objetos materiais, poderia
explicar-se por uma causa puramente física. Estamos longe de conhecer todos os agentes
agentes ocultos da Natureza, ou todas as propriedades dos que conhecemos: a eletricidade
multiplica diariamente os recursos que proporciona ao homem e parece destinada a iluminar
a Ciência com uma nova luz. Nada de impossível haveria, portanto, em que a eletricidade
modificada por certas circunstâncias, ou qualquer outro agente desconhecido, fosse a
causa dos movimentos observados. O fato de que a reunião de muitas pessoas aumenta a
potencialidade da ação parecia vir em apoio dessa teoria. Visto poder-se considerar o
conjunto dos assistentes como uma pilha múltipla, com o seu potencial na razão direta
do número dos elementos.
O movimento circular nada apresentava de extraordinário: está na Natureza. Todos
os astros se movem em curvas elipsoides; poderíamos, pois, ter ali, em ponto menor, um
reflexo do movimento geral do Universo, ou, melhor, uma causa, até então desconhecida,
produzindo acidentalmente, com pequenos objetos em dadas condições, uma corrente
análoga à que impele os mundos.
Mas, o movimento nem sempre era circular; muitas vezes era brusco e desordenado,
sendo o objeto violentamente sacudido, derrubado, levado numa direção qualquer e,
contrariamente a todas as leis da estática, levantando e mantido em suspensão. Ainda
aqui nada havia que se não pudesse explicar pela ação de um agente físico invisível, Não vemos
a eletricidade deitar por terra edifícios, desarraigar árvores, atirar longe os mais pesados
corpos, atraí-los ou repeli-los?
Os ruídos insólitos, as pancadas, ainda que não fossem um dos efeitos ordinários da
dilatação da madeira, ou de
qualquer outra causa acidental, podiam muito bem ser produzidos pela acumulação de
um fluido oculto: a eletricidade não produz formidáveis ruídos?
Até aí, como se vê, tudo pode caber no domínio dos fatos puramente físicos e
fisiológicos. Sem sair desse âmbito de ideias, já ali havia, no entanto, matéria para
estudos sérios e dignos de prender a atenção dos sábios. Por que assim não aconteceu? É penoso
dizê-lo, mas o fato deriva de causas que provam, entre mil outros semelhantes, a leviandade
do espírito humano. A vulgaridade do objeto principal que serviu de base às primeiras
experiências não foi alheia à indiferença dos sábios. Que influência não tem tido muitas
vezes uma palavra sobre as coisas mais graves!
Sem atenderem a que o movimento podia ser impresso a um objeto qualquer, a idéia
das mesas prevaleceu, sem dúvida, por ser o objeto mais cômodo e porque, à roda de
uma mesa, muito mais naturalmente do que em torno de qualquer outro móvel, se sentam
diversas pessoas. Ora, os homens superiores são com frequência tão pueris que não há
como ter por impossível que certos espíritos de escol hajam considerado deprimente
ocuparem-se com o que se convencionara chamar a dança das mesas. É mesmo provável
que se o fenômeno observado por Galvâni o fora por homens vulgares e ficasse
caracterizado por um nome burlesco, ainda estaria relegado a fazer companhia à varinha
mágica. Qual, com efeito, o sábio que não houvera julgado uma indignidade ocupar-se com a dança das rãs?


Alguns, entretanto, muito modestos para convirem em que bem poderia dar-se não
lhes ter ainda a Natureza dito a última palavra, quiseram ver, para tranquilidade de suas
consciências. Mas aconteceu que o fenômeno nem sempre lhes correspondeu à expectativa
e, do fato de não se haver produzido constantemente à vontade deles e segundo a maneira
de se comportarem na experimentação, concluíram pela negativa. Mau grado, porém, ao
que decretaram, as mesas - pois que há mesas - continuam a girar e podemos dizer com
Galileu: todavia, elas se movem! Acrescentaremos que os fatos se multiplicaram de tal
modo que desfrutam hoje do direito de cidade, não mais se cogitando senão de lhes achar
uma explicação racional.
Contra a realidade do fenômeno, poder-se-ia induzir alguma coisa da circunstância
de ele não se produzir de modo sempre idêntico, conformemente à vontade e às exigências
do observador? Os fenômenos de eletricidade e de química não estão subordinados a certas
condições? Será lícito negá-los,

 porque não se produzem fora dessas condições? Que há, pois, de surpreendente em
que o fenômeno do movimento dos objetos pelo fluido humano também se ache sujeito
a determinadas condições e deixe de se produzir quando o observador, colocando-se no seu
ponto de vista, pretende fazê-lo seguir a marcha que caprichosamente lhe imponha, ou
queira sujeitá-lo às leis dos fenômenos conhecidos, sem considerar que para fatos novos
pode e deve haver novas leis? Ora, para se conhecerem essas leis, preciso é que se
estudem as circunstâncias em que os fatos se produzem e esse estudo não pode deixar de ser fruto de
observação perseverante, atenta e às vezes muito longa.
Objetam, porém, algumas pessoas: há frequentemente fraudes manifestas.
Perguntar-lhes-emos, em primeiro lugar, se estão bem certas de que haja fraudes e se
não tomaram por fraude efeitos que não podiam explicar, mas ou menos como o camponês que
tomava por destro escamoteador um sábio professor de Física a fazer experiências.
Admitindo-se mesmo que tal coisa tenha podido verificar-se algumas vezes, constituiria
isso razão para negar-se o fato? Dever-se-ia negar a Física, porque há prestidigitadores
que se exornam com o título de físicos? Cumpre, ao demais, se leve em conta o caráter
das pessoas e o interesse que possam ter em iludir. Seria tudo, então, mero gracejo? Admite-se
 que uma pessoa se divirta por algum tempo, mas um gracejo prolongado indefinidamente se
tornaria tão fastidioso para o mistificador, como para o mistificado. Acresce que, numa
mistificação que se propaga de um extremo a outro do mundo e por entre as mais
austeras ,veneráveis e esclarecidas personalidades, qualquer coisa há, com certeza, tão extraordinária,
pelo menos, quanto o próprio fenômeno.


CONTINUA NA PRÓXIMA POSTAGEM...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Esclarecimentos sobre o que é o Espiritismo Para jornalistas, colunistas, comunicadores e imprensa em geral


Esclarecimentos sobre o que é o Espiritismo
Para jornalistas, colunistas, comunicadores e imprensa em geral


Muitos jornalistas, colunistas, articulistas, comunicadores de rádio e de televisão, profissionais dos veículos de comunicação de um modo geral quando diante de matérias que envolvem assuntos ligados ao que chamam de paranormalidade, reencarnação, mediunidade, vida após a morte, experiência de quase morte e espiritismo, embora no exercício das suas atividades de forma digna e com imparcialidade, na maioria das vezes se conduzindo como criaturas honestas e sensatas, terminam por cometerem alguns equívocos lamentáveis, que reputamos como produto da falta de informação mais detalhada e aprofundada do que são determinadas coisas, principalmente o Espiritismo, achando que o conceito que têm formado em sua cultura, com base no “ouvi dizer” de toda a sua existência, confere com a verdade.
Quero aqui, com esta matéria, apenas prestar uma contribuição a esses profissionais da nossa valorosa imprensa, com o objetivo de passar-lhes a informação sobre o “produto” como ele realmente é, sem objetivo de defesa doutrinária, de criar simpatias e, muito menos, de converter quem quer que seja, uma vez que a proposta espírita jamais incentiva conversões ou qualquer atitude que venha a violentar as consciências das criaturas.
Vejam bem alguns dos equívocos cometidos pelos jornalistas e comunicadores em seus respectivos veículos de comunicação.

  • Vincular o Espiritismo apenas como religião   
Na cabeça dos profissionais de imprensa existe Catolicismo, Protestantismo, Budismo, Islamismo, Espiritismo... da mesma forma que existe Flamengo, Vasco, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Botafogo...
A expressão Espiritismo, para eles, identifica uma religião, nada mais que uma religião, concorrente das demais, que se comporta como as outras, apenas com visões diferentes em algumas questões, mas sendo apenas uma religião.
Os times de futebol, de fato, todos fazem exatamente a mesma coisa e têm os mesmos objetivos, que são os de ganhar os jogos em busca dos títulos. São divididos em facções, chamadas torcidas, onde sempre os “fiéis” de um vêem o outro como rival e chegam a odiá-los.
Em religião não é diferente disto. Todas têm o mesmo objetivo, têm as suas facções, que neste caso aqui são os adeptos, onde normalmente o adepto de uma não gosta das outras, as vêem como rivais, até mesmo inimigas, contrárias ao “Deus” da sua concepção, chegando até a promover guerras para destruir os seus seguidores, conforme está registrado na história da humanidade.
Religião obriga, proíbe, impõe, cerceia o direito de opinião das criaturas, não costuma respeitar a Liberdade das pessoas, diz o que elas devem e que não devem ler e em grande maioria não suportam que os seus adeptos estudem demais, pesquisem, façam suas buscas, questionem e muito menos discordem. Quanto mais desinformado o seu adepto, melhor.
O Espiritismo não admite nada disto.
Ele não veio ao mundo com objetivo de ser religião, muito menos para competir com nenhuma delas. Pelo contrário, veio para que os seus postulados servissem a todas as religiões.
Terminou “virando religião” na cabeça de muita gente, por vários motivos:
Primeiro por causa da intolerância dos religiosos da Europa, na época do seu surgimento, em meados do século XIX, que cismaram em vê-lo como religião, já que em sua obra básica é sugerido que o maior modelo que o homem deve seguir é Jesus, Ser este que as religiões normalmente o tem como propriedade suas.
Segundo porque, pela necessidade que muitas pessoas têm em, necessariamente terem uma religião, muitos espíritas também acharam por bem concebê-lo desta forma, e assim vão praticando-o com suas rezações, obrigações, rituais e até mesmo proibições e obrigações, defendendo também essa sua “qualificação”.
A proposta do Espiritismo é de Educação, sobretudo no aspecto moral, objetivando fazer do homem hoje melhor que ontem, amanhã melhor que hoje, progredindo sempre com dignidade, fazendo às criaturas o que gostaria que fosse feito com ele, ao mesmo tempo em que não deve fazer o que não quer que façam com ele.
 
  • Quem será o sucessor de Chico Xavier?        
Assim que o Chico Xavier desencarnou (morreu), vários comunicadores, matérias de jornais e revistas falavam e questionavam sobre sucessores dele.
Vejam bem como a imprensa vê o Espiritismo como religião, apenas como religião, achando que ele é como outras religiões são.
Ao questionarem sobre sucessor do Chico, implicitamente alimentam a idéia de vê-lo como uma espécie de “chefe” do Espiritismo, líder maior dos espíritas, uma espécie de Papa que, quando morre, imediatamente providenciam um sucessor.
Não existe nada disso em Espiritismo. Não há sucessores, chefes, líderes a quem os espíritas devem obediência e reverência.
Chico Xavier foi e é, para os Espíritas, apenas uma criatura boa, exemplar quanto a sua conduta moral, espiritual e humana, da mesma maneira como foram Mahatma Gandhi, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce e vários outros inúmeros exemplares de Amor que existiram e continuam a existir na Terra.
Pelo fato de ter vivido como espírita, ter utilizado a sua mediunidade (que é uma faculdade humana e não uma “coisa” de espíritas) com dignidade em notável contribuição no processo de educação humana, conforme os postulados espíritas, teve obviamente mais proximidade com os espíritas, gerando daí um carinho especial.
Fez a parte dele aqui na Terra, mereceu e continua merecendo todo o carinho de todos nós.
Os espíritas não o vêem como santo, não acendem velas pra ele, não fazem promessas a ele, não se colocam como devotos dele e muito menos alimentam qualquer expectativa de receberem mensagens dele. Se estas mensagens vierem, tudo bem, serão aceitas com muita alegria, porém sem qualquer alarde.
É bom lembrar, também, que o médium baiano Divaldo Pereira Franco, o espírita mais conhecido entre os espíritas no mundo, nunca alimentou qualquer idéia de ser sucessor do Chico pelas duas razões básicas: primeiro porque, como foi dito, em Espiritismo não existe essa conversa de sucessor, segundo porque o próprio Divaldo jamais ver-se-ia em tal condição, porque nunca teve pretensão de ser líder de ninguém e muito menos chefe de segmento religioso filosófico algum.
 
  • Espiritismo Kardecista
 Isto nunca existiu.
Os comunicadores sempre utilizam essa expressão, “Kardecista”, para identificar o que eles chamam, também equivocadamente, espiritismo “mesa branca”, “linha branca”, “alto espiritismo” etc... numa concepção absurda de que existem várias vertentes do Espiritismo, dentre elas a Umbanda, o Candomblé, a Cartomancia, a Quimbanda e outras práticas espiritualistas que, embora merecedoras do respeito de todos nós, têm suas identidades próprias, suas práticas, seus princípios e seus rituais que nem sempre tem a ver com práticas espíritas.
Manifestamos aqui, por exemplo, o respeito especial pelos praticantes da Umbanda autêntica, onde se vê o maior nível de humildade, também autêntica, entre os segmentos espiritualistas.
É importante que os comunicadores e formadores de opiniões saibam que a palavraEspiritismo foi “inventada” exatamente na época em que esta nova proposta filosófica foi sugerida ao mundo no meado do século XIX, exatamente para identificar esta doutrina conforme os seus postulados, que não tem velas, rituais, altares, defumações, obrigações, proibições, cerceamento do direito de expressão e nem da liberdade das pessoas.
Usar a palavra Espiritismo para denominar qualquer outra prática, mesmo respeitável, que faz coisas que nada tem a ver com ele, é o mesmo que chamar a mistura de limão, açúcar e água de LARANJADA, quando o nome correto seria LIMONADA, uma vez que laranjada só pode ser laranja, açúcar e água.
Da mesma forma a palavra espírita foi também inventada apenas para identificar o seguidor dessa proposta, conforme os seus postulados.
Portanto, a palavra Espiritismo só deve ser utilizada para isto que vocês chamam de Kardecismo. A palavra “Kardecismo”, portanto, fica sem sentido, uma vez que o senhor Allan Kardec não inventou doutrina nenhuma.
 
  • Mas o Allan Kardec não é o inventor do Espiritismo?
Não. É outro equívoco cometido pelos comunicadores.
Embora você possa ver na definição da palavra Espiritismo em alguns dicionários ou enciclopédias, que “o Espiritismo foi inventado pelo francês Allan Kardec”, posso garantir que se trata de um registro irresponsável, acontecendo apenas porque muitos autores ou editores dos dicionários e enciclopédias muitas vezes são, também, adeptos de religiões comuns que formaram nas suas culturas conceitos equivocados sobre isto, daí vir a ocorrer este mesmo equívoco que há no universo dos jornalistas, motivo pelo qual estou escrevendo isto aqui.
Não é que fossem desonestos ou simplesmente irresponsáveis os editores dos dicionários e enciclopédias, é que eles passaram a vida inteira “ouvindo dizer” que Espiritismo e macumba é a mesma coisa, que cartomante é espírita, que espiritismo é macumba, nunca tendo a preocupação em saber a “verdade verdadeira” acerca da coisa, terminaram formando a sua cultura com esse conceito, que terminam passando em frente.
O Espiritismo foi criado por Espíritos, que começaram a se manifestar através de jovens adolescentes, absolutamente ingênuas, trazendo informações e conceitos que chamaram a atenção de adultos e pessoas esclarecidas, pelo fato de serem idéias muito além da concepção e da cultura normal de jovens daquela faixa de idade.
Seria como um adolescente de 14 anos de idade, hoje, começar a falar sobre Voltaire, Goethe, Descartes, Mikhailovitch Dostoievski... ou tocar as músicas de Mozart, Bach, Chopin,  Beethoven... o que, certamente, chamaria a atenção de todo mundo, já que não é comum.
Pessoas adultas, muito sérias, curiozíssimas diante daqueles “fenômenos” começaram a realizar o que poderíamos chamar de “sessões espíritas”, onde viram, também, mesas se moverem sem ação do homem e uma série de manifestações extra humana.
Foi daí que convidaram um homem considerado muito culto, sensato, íntegro, sério, honesto, digno e educador para assistir toda aquela “coisa”, a fim de obterem a opinião dele, que era muito respeitada, por ser ilustre na França. Esse homem era o Professor Denizar Hypollite Leon Rivail, este que mais tarde passou a usar o pseudônimo de Allan Kardec.
Rivail não tinha nada a ver com aquilo. Muito pelo contrário, quando participou várias vezes das reuniões, já que não era bobo, comportou-se como o cara mais chato do mundo, cético ao extremo, já que não era bobo, com os dois olhos bem abertos, olhando embaixo da mesa, passando a mão pra ver se não tinha nenhum espertinho puxando a mesa com algum fio fino, para enganar os outros, questionando e duvidando de tudo, como devem fazer todas as pessoas sensatas.
Numa dessas reuniões ele foi convidado pelos espíritos que se comunicavam para ser ocodificador de uma proposta de vida que eles teriam a passar para os homens, através de livros que precisariam ser escritos, para que todos lessem.
Houve muita conversa pra ele poder aceitar o desafio. Recusou várias vezes, questionou muito “Por que eu?”, “E seu eu falhar, como é que vai ficar?”. Até que se convenceu de que a idéia era sensata e que estava ao encontro dos seus pontos de vistas.
Foi escolhido porque, além de ser um homem de elevadíssimo nível moral, era um pedagogo, escritor, professor e mestre. Ninguém melhor que um homem com esses requisitos para organizar uma proposta em livros.
Portanto, não inventou coisa alguma, não criou absolutamente nada e não tem porque chamarem a doutrina de Kardecismo.

  • Por que usou pseudônimo e não assumiu com o seu próprio nome?
Pois é. Ele teria vergonha de usar o seu próprio nome? Não queria envolver o seu nome naquilo que poderia não dar certo? Ficou com receio de assumir a tarefa, comprometendo-se junto ao público?
Não. Nada disso.
As razões para ele adotar o pseudônimo foram nobres, em vez de covardes.
Acontece que ele já era famoso demais não somente na França como na Europa inteira. Todos os livros que ele escrevia, (o mestre Rivail) na área didática, eram sucessos garantidos assim que chegavam às livrarias.
Era com se fossem no Brasil, por exemplo, os autores Paulo Coelho, dona Zíbia Gasparetto, Lair Ribeiro e outros que já possuem públicos enormes garantidos, que já possibilitam que os seus livros saiam das gráficas, com mais de cem mil exemplares vendidos, em todos os lançamentos.
Agindo de forma honesta, o professor Rivail achou por bem não colocar o seu nome nas obras espíritas porque, certamente, o público compraria pelo seu nome e não pelo conteúdo que era apresentado.
Ele preferia que o Espiritismo chegasse às pessoas por força do seu conteúdo e não pela força do nome de um autor famoso, por isto adotou o pseudônimo de Allan Kardec.

  • Estamos aqui para sofrer, para pagar débitos de encarnações passadas?
Mentira. O Espiritismo não ensina nada disto.
É muito comum lermos isto em matérias que jornalistas escrevem. Sabemos que não são eles que inventam isto, são espíritas que dizem estas bobagens, já que de fato há muitos espíritas que têm este entendimento maluco acerca do que estamos fazendo na Terra.
O Espiritismo não é doutrina da masoquistas, jamais seria insensato em dizer pra ninguém que sofrer é bom.
A grande verdade é que para o Espiritismo a Terra é uma escola, uma universidade e não uma penitenciária.
Nós estamos aqui para aprender, para adquirir experiências, para crescer, evoluir e não para sofrer.
Como em toda escola há alunos que levam os estudos mais a sério, outros que não querem nada, outros que faltam demais e até os que abandonam. Há os que são aprovados e os que são reprovados.
O processo evolutivo do espírito aqui é a mesma coisa.
E de onde vem essa conversa de que estamos aqui para sofrer, de conformação com o sofrimento e todo esse masoquismo?
Tem duas explicações para isto:
A primeira delas é que, de fato, muita gente só conseguiu aprender, a tomar juízo e vergonha na cara depois de passar por sofrimentos pesados. Há muitos exemplos disto, muitas histórias e depoimentos acerca disto.
Porque alguns só conseguiram a reforma moral depois de muito sofrimento, outros acham que o sofrimento é o único caminho para isto.
A segunda é que, seguindo conceitos impostos por religiões que continuam fazendo apologia ao sofrimento de Jesus, retratando sempre o Cristo crucificado, definindo o assassinato covarde que ele foi vítima como uma opção dele, reforçam a idéia de que sofrer é bom.
Mas o Espiritismo não ensina nada disso, não recomenda ninguém a sofrer, não admite conformações       e, muito pelo contrário, estimula as pessoas a lutarem contra todos os males, a vencerem e a fazerem de tudo em busca da felicidade, desde que trilhando por caminhos morais.

CODIFICAÇÃO ESPÍRITA!!ESTUDE-A ANTES DE FALAR SOBRE O ESPIRITISMO!!!!
 
  • O Espiritismo e as superstições
Encontramos pessoas inconseqüentes, como o padre Quevedo, sempre vinculando superstições e crendices aos espíritas que, muito pelo contrário, estão muito distantes disso. Espírita nenhum tem medo ou dá qualquer importância a sexta-feira 13, passar debaixo de escadas, vestir-se ou deixar de vestir-se com determinadas cores, discriminar gatos por causa da cor, seja preto, branco ou qualquer outra... enfim, não tem crendice nenhuma no Espiritismo e muito menos medos.

  • Sobre a reencarnação 
Não é coisa inventada pelo Espiritismo, é conhecimento milenar, admitido por mais de dois terços da humanidade. Há espíritas que se limitam a serem apenas religiosos, os quais, sobre este assunto, apenas crêem na reencarnação, já que crer é um verbo muito conjugado pelo universo religioso.
Mas há também espíritas de um outro nível, que não se admitem apenas crendo por crer, aceitando só porque tem que aceitar coisa alguma, que nesta questão de reencarnação não se limitam a dizer “eu acredito” na reencarnação e sim eu sei a reencarnação, porque testaram, estudaram, comprovaram, checaram, pesquisaram, concluíram sem qualquer vinculação a aspecto religioso nenhum.
Não tem nada a ver como crer ou não crer.
Infelizmente nem todos os espíritas têm condições de dizer eu sei, limitando-se apenas ao “eu acredito”, exatamente por causa daquela opção excessivamente religiosa que falei, sem maiores preocupações com comprovações lógicas e sensatas.

  • A hiper-valorização do padre Quevedo pela imprensa brasileira
Com todo o respeito que esse cidadão merece, embora ele não tenha respeito por ninguém, impressiona-me a forma como a nossa imprensa, principalmente a televisão, o valoriza, tendo-o eleito como a única criatura no Brasil “capaz” de falar sobre os assuntos relacionados a paranormalidade, e ainda o chama como sendo ele a Parapsicologia.
Isto demonstra uma ignorância total e absoluta dos nossos veículos de comunicação acerca do que seja realmente a Parapsicologia.
Porque ele se auto proclama a maior autoridade em Parapsicologia do Brasil, a imprensa aceita sem questionar. Porque ele se auto-qualifica, afirmando presunçosamente que os seus livros são considerados os melhores livros de Parapsicologia do mundo, a imprensa aceita sem questionar e sem, ao menos, pedir aos seus repórteres que vivem na Europa, nos Estados Unidos e no Oriente a checarem lá, juntos àqueles que de fato são os maiores Parapsicólogos do mundo o que eles acham da citada criatura.
A Globo tem repórter no mundo inteiro, que consegue descobrir onde os “PCs Farias” se escondem, onde os corruptos guardam dinheiro, conseguem se meter em guerras no Iraque e no Afeganistão e outras tarefas mais difíceis;´por que não procuram saber maiores informações sobre esta questão, que é bem mais fácil?
O principal indício de tudo isto é óbvio demais:
O referido sacerdote, nos cursos que ministra em seu próprio instituto, sobre o que ele chama de Parapsicologia, indica para as pessoas os seus próprios livros, quando, caso optasse pela coerência, deveria indicar os livros do Joseph Banks Rhine, o pai da Parapsicologia, que tem uma vasta literatura, onde realmente estão os corretos princípios da verdadeira Parapsicologia.
O que o Quevedo ensina é Quevedologia, porque é a sua visão, a sua ótica, o que ele quer que as pessoas admitam e conceituem.
Assim com as nossas emissoras de televisão, repetidamente, chamam o Quevedo para debater e questionar com o “Inri Cristo”, com médiuns, com pessoas que se apresentam como paranormais, por que não convidam outros Parapsicólogos para debaterem com ele?
Existem outros padres que são Parapsicólogos, dentre eles posso indicar o Padre José Linhares Pontes, brasileiro e cearense, que não é um padrecozinho qualquer que ostenta a sua formação apenas com um “doutorado” em Teologia, porque cada igreja tem Teologia à sua moda e conforme as suas conveniências, mas trata-se de um padre que simplesmente tem oito cursos superiores, com mais de um Doutorado e Mestrado, é um poliglota que fala nove idiomas, conferencista internacional respeitadíssimo (este sim) no mundo inteiro e que discorda totalmente da visão da Quevedologia.
Vejam bem: não estou indicando nem Parapsicólogos que são espíritas, mesmo sabendo que há diversos, com a mais alta competência e conhecimento afim com o Rhine, estou indicando um que também é padre, para ficar bem claro que o objetivo aqui não é defender o Espiritismo de coisa alguma muito menos manifestar-me contra o Quevedo, pelo fato dele ser da Igreja Católica.
O padre José Linhares é conceituadíssimo na Igreja, respeitadíssimo pela CNBB que, por sua vez, não dispensa a mesma consideração ao Quevedo; é disciplinado, respeitado pelo Vaticano e que nunca foi punido com silêncio obsequioso, por insubordinação à sua igreja.
Vejam a presunção do padre Quevedo:
Ele faz questão de afirmar, repetidas vezes, que é Doutor. Todos sabem que para alguém ostentar o título de doutor, deve ter doutorado em alguma coisa.
Perguntemos: O padre Quevedo tem doutorado em quê?
Em Teologia.
Você tem idéia do que significa Teologia? Será que você pensa que é uma formação como Medicina, Engenharia, Psicologia, Advocacia, Economia, Odontologia ou algum curso desses?
Nada disso! É apenas um cursinho, cujo conteúdo é feito conforme a rotulação religiosa a que pertence quem faz. A Teologia da Igreja Católica é feita conforme a maneira como ela concebe Deus, com histórias de Adão, Eva e a Cobra, castigos, destruições, vinganças e iras divinas e tudo aquilo que você pode ver no Velho Testamento da Bíblia.
A Igreja Batista tem o seu curso de Teologia, conforme a sua convicção; a Igreja Presbiteriana tem a sua Teologia, a Adventista tem a sua, a Ortodoxa Grega tem a sua e até a Igreja Universal do Reino do Edir Macedo tem a sua, tudo conforme as suas conveniências.
Então, se o Quevedo tem doutorado, é doutorado nisso.
E com esses seus conceitos, ele se acha cientista, com conhecimentos superiores a quem de fato tem doutorados em Física, em Química, Biologia, Matemática, Astronomia, Medicina, Psicologia, Engenharia e conhecimentos universais.
No movimento espírita existem inúmeras pessoas estudiosas, pesquisadoras, experimentadoras e cientistas de fato que possuem não apenas um curso superior, mas vários cursos superiores, inclusive mais de um doutorado de fato.
Há experimentações onde são colocados eletroencefalógrafos nas cabeças de médiuns, para observações das ondas cerebrais, no momento do transe, com muita responsabilidade onde vários médicos participam dos testes.
De repente vem um “sabichão” desse, diante de populares programas de televisão, se apresentar ao público para falar sobre Espiritismo, como se os espíritas fossem apenas alguns idiotas, rezando, em volta de uma mesa branca?
É subestimar demais a inteligência do povo brasileiro e também a dos produtores destes programas de televisão.

  • Espíritas obedecem ordens de espíritos?
Não. De forma alguma.
É comum ouvirmos pastores protestantes e padres também, ao criticarem o Espiritismo, afirmarem bobagens como estas, imaginando que o Espiritismo resume-se apenas em mediunidade, limitando-se a reuniões em torno de uma mesa forrada com toalha branca, onde alguns idiotas ficam esperando o espírito “baixar”, para dar-lhes ordens, que sempre serão obedecidas cegamente, já que as tais “entidades” são concebidas como santos, donos de verdades e com poderes para impor.
Não existe nada disso no Espiritismo.
Em princípio as reuniões mediúnicas não representam nem 5% das atividades espíritas. A grande maioria das pessoas que freqüentam um centro espírita não participa dessas reuniões. Quando elas acontecem, espírito nenhum se atreve a dar ordens e muito menos impor coisa alguma, porque sabe muito bem que está diante de pessoas que estão com os “olhos bem abertos” pra eles, preparadíssimas para identificar as suas naturezas, os seus objetivos e, sobretudo, o conteúdo das mensagens que trazem.
Nem mesmo os espíritos considerados “de Luz”, mais evoluídos e até mais conhecidos por quase todo mundo, como o Dr. Bezerra de Menezes, por exemplo, dá ordem alguma. No máximo, quando trazem alguma mensagem, o fazem em nível de sugestão e sempre recomendam que analisem bem, com muita profundidade, o conteúdo, para depois concluírem se vale alguma coisa.
Quando um Crente qualquer diz que os espíritas são enganados pelo tal Satanás, que se mascara de espírito de Luz, para ludibriar e enganar até os “escolhidos”, com objetivos de jogá-los contra Jesus, por exemplo, estão dizendo coisas tão imbecis e ridículas, partindo do princípio que os espíritas são também irracionais.
O dia em que um espírito qualquer se atrever a abrir a boca, em qualquer reunião mediúnica espírita, tentando convencer idéias contrárias as que foram ensinadas por Jesus, só não receberá um pé no traseiro primeiro porque não se pode chutar as nádegas de um desencarnado, segundo por uma questão de educação, já que não se coaduna com o comportamento espírita tratar com violência, mesmo as criaturas equivocadas.

  • Coisas que o povo imagina, mas os espíritas não fazem
Acender velas e defumadores. Não existe isto no Espiritismo, nunca existiu. Outras práticas espiritualistas admitem, o que é respeitável, mas o Espiritismo não.
Uma senhora entra em desespero, pela morte do seu marido, “ouviu dizer” que o Chico Xavier recebia cartas de pessoas falecidas, de repente resolve mandar E-mail para um espírita ou pedir para que espíritas a levem a um centro para receber uma mensagem do seu ente falecido ou para ter notícia de como ele está.
O Espiritismo não se presta para isto. Centro espírita nenhum é agência de uma possível EECT (Empresa Espiritual de Correios e Telégrafos).
Se alguma pessoa, que se diz espírita, incentiva isto, está fraudando. As reuniões mediúnicas dos centros espíritas não têm esse objetivo, os espíritos não estão a nossa disposição conforme as nossas conveniências e nem as comunicações de entes desencarnados acontecem por causa do desespero e da saudade dos seus entes que ficaram.
Quando ocorre esse tipo de comunicação, o que de fato ocorre, vem espontaneamente, na maioria das vezes quando as pessoas menos esperam. Poucos, pouquíssimos médiuns, tem a capacidade de um Chico Xavier.
O padre Quevedo, por exemplo, acha que os espíritas são bobos, ingênuos, fanáticos e facilmente enganáveis por qualquer espertalhão. Na cabeça dele e dos seus discípulos, qualquer truquezinho de mágica, é suficiente para enganar os espíritas e qualquer atorzinho que faça aquilo que recentemente a Globo mostrou no Fantástico é suficiente para impressionar os espíritas.

  • Todo centro espírita é coerente com o Espiritismo?
Também não.
Uma jornalista de uma conceituadíssima revista deste país, me fez esta pergunta por E-mail, citando exemplos do que ela viu em um centro espírita, próximo à sua casa, onde uma sua tia freqüenta.
É bom deixar claro isto aqui, já que estamos falando em bom senso e coerência.
Pelo fato do Espiritismo não ter Papa, não ter Cardeais que determinem como cada centro espírita deve se comportar e não ter qualquer tipo de punição a quem não obedece normas estabelecidas a partir de algum órgão centralizador, encontramos centros espíritas aí funcionando conforme a cabeça dos seus dirigentes, nem sempre compatíveis com a essência espírita.
O dirigente de um centro que tem uma cabeça muito religiosa, vai fazer um espiritismo que chamamos de igrejeiro, ou seja, aquela prática em que as pessoas têm obrigação em freqüentar, rotinas e rituais religiosos e, pra variar, tudo aquilo que historicamente faz parte das religiões tradicionais: proibições, obrigações, censuras, patrulhamento da vida de pessoas, elemento centralizador que impõe a todos pensarem conforme a sua cabeça, “index librorum prohibitorum”; fogueiras e guilhotinas “fraternas” aos considerados rebeldes(ereges, na linguagem católica) que insistem em questionar, em contraditar e em exigirem respeito a liberdade de pensar e ler o que quiser... enfim, este quadro existe também no universo do movimento espírita.
Mas existe o centro espírita que, embora também laborando numa prática bem religiosa, trabalha muito nas tarefas da Caridade, assistência aos necessitados, creches, albergues, auxílio mesmo, não se preocupam em ostentar autoridade de dirigente nenhum e fazem mais ou menos o que fez a Irmã Dulce, na Igreja Católica, que é o servir por servir, amar por amar, colocando os ideais do Cristo acima do rótulo religioso. Chico Xavier foi um destes.
Por causa da liberdade de ação mal interpretada, nem todo centro espírita age conforme os postulados da doutrina, daí a existência do “espiritismo à moda da casa”.
Só que os excessos e absurdos ocorrem por deliberação dos dirigentes das instituições, não pela doutrina.
Não comparemos, por exemplo, com o Catolicismo onde a própria doutrina trás postulados do tipo “fora da igreja católica não há salvação”, não se pode questionar diante dos “porque sim” e do “porque não”, a freqüência a missa é obrigação, batizar os filhos é obrigação, casar na igreja é obrigação, muitas coisas são obrigadas, da mesma forma que muitas coisas são também proibidas, como o sexo fora do casamento e da procriação, a separação de casais que não se entendem mais e uma série de outras.
Neste caso não é a cabeça de alguns padres que obriga e proíbe, é a própria doutrina católica que obriga, proíbe, censura e até pune com rigor os desobedientes.
Já no bojo dos postulados espíritas não há proibição nem obrigação nenhuma. Há ensinamentos e sugestões de conduta para os seus profitentes, deixando-os absolutamente livres para aceitarem ou não, apenas alertando para que assumam as conseqüências por tudo o que fizerem, no exercício do seu livre arbítrio.
É totalmente diferente.
Os excessos, as arbitrariedades, os autoritarismos, as presunções, as iniciativas de proibições e obrigações são dos homens, não da doutrina.

  • Conclusão
Este relato aqui não visa convencer a jornalista e comunicador nenhum a entender que o Espiritismo seja o “dono exclusivo da verdade”, porque essa conversa de dono de verdade é outro absurdo lamentável que vemos no mundo das religiões, que beira ao ridículo, ainda mais quando se fala em exclusivo.
Apenas se propõe a dizer o que é e o que não é o Espiritismo, procurando deixar claro que os excessos e abusos acontecem por deliberação de homens, não da doutrina.

-  Alamar Régis Carvalho (SP)
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